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quinta-feira, agosto 09, 2012

CAMPANHA ELEITORAL AQUECE DUNDO


Largo do Obelisco totalmente cheio
MPLA, PRS, UNITA, CASA-CE E FUMA são as bandeiras que mais flutuam nas ruas do Dundo, com maior pendor para os dois primeiros.

Sábado, 04 de Agosto, foi marcado pelo acto político do Partido governante que movimentou quase toda a cidade e arredores para o Largo do Obelisco onde confluíram pessoas de todas as idades.
No Dundo estavam também militantes e dirigentes do MPLA, idos de Luanda e doutras províncias que foram transmitir o seu calor e a sua experiência aos líderes partidários daquela província que elegeram o lema local “MPLA: O comboio da vitória” nesta empreitada que se espera renhida, embora o vencedor seja previsível, dada a elevada organização que demonstra e a quantidade e qualidade de meios colocados em prol da campanha que termina a 29 de Agosto corrente.
Kwata Kanawa, Rosa Cruz e Silva, Mankenda Ambroise, Pedro Mutindi, entre outros nomes, estiveram no comício que contou com a presença de músicos locais e outros idos de Luanda e Lunda Sul. Sandra Nha Katolo, Sandra Furikeno, DJ Sotão, Janeth, Sam Mangwana, Madruga Yoyo, Santos Católica, Xeketela e outros, subiram ao palco, entoando verdadeiros hinos à paz e/ou ao MPLA.
“Apelo ao respeito mútuo e a tolerância política. Temos que ser serenos para não reagir às provocações dos adversários”, recomendou Kwata Kanawa que discursou no acto.

sábado, agosto 04, 2012

DUNDO AO OLHO DUM "PRIMOVISITANTE"

Museu do Dundo
Cidade erguida sobre colinas, o que propicia uma drenagem pluvial natural para o vale do Luachimo, o Dundo conta com canais para  escoamento da água à parte baixa, com presença de bambus, que evitam o surgimento ou a progressão da erosão, dadas as características geo-morfológicas do solo e revelo.
Cada colina corresponde a um bairro periférico, estando a cidade do Dundo na colina-centro que tem a norte a vila de Chitato, município sede.
As casas são do estilo inglês do século IX, sendo na sua maioria vivendas e apenas tímidas edificações em sistema vertical que não passam os três pisos. Aliás, as novas edificações verticais vão descaracterizando, aqui e acolá, o estilo arquitectónico dominante, sendo que a cidade, em si, já reclama por uma conservação e reabilitação profunda dos seus equipamentos.
A histórica cidade do Dundo erguida pela DIAMANG é diferente da nova cidade (centralidade) do Dundo onde nascem grandes edifícios verticais.

O DUNDO, O GOVERNO E A ENDIAMA
Barragem do Luachimo
Projectada para servir de sede da companhia diamantes de Angola, DIAMANG, que tinha várias outras intendências em regiões onde se exploravam (exploram) diamantes, como o Kamissombo, Dundo é uma cidade fora do padrão arquitectónico português do Século IX.
E, como reza a história “A DIAMANG era como se de um país dentro doutro se tratasse”, assim também era/é a cidade do Dundo: Uma urbe inglesa dentro dum território (português à época) angolano, construída com autonomia de serviços técnicos, administrativos, sociais e culturais como: hospitais , museu, cinema, aeródromo, campos para a prática de futebol e outras modalidades, piscina, edifícios administrativos, telecomunicações, guest houses, etc., património sob tutela da máquina burocrática do governo, antigos funcionários da companhia de diamantes, empresas públicas e privadas.
Um dos debates hoje, à boca pequena, que os governantes e responsáveis da ENDIAMA (empresa herdeira do espólio da DIAMANG) não fazem em público é: Será que o Governo devolverá à Endiama o património por si ocupado, uma vez terminada a nova Cidade que se ergue à sul da actual urbe?
Olhando para a história, o Decreto Lei que em 1978 dividiu a província da Lunda em duas (Lunda Norte e Lunda Sul) dizia que a Lunda Norte teria a sua capital erguida em Lucapa, sendo Dundo sede provisória até à consumação daquele desiderato. Um sonho de Agostinho Neto que já não tem pernas para andar, uma vez que uma nova cidade está a nascer a pouco menos de 2 quilómetros a sul da histórica cidade do Dundo.
Nota de realce: Com canteiros de relva que lembram a inveja que provocava a outras urbes, Dundo tem semáforos para melhor orientar o transito e os "motoqueiros" demonstram conhecer as regras de trânsito, respeitando as passadeiras e as perdas de prioridade nos acessos principais.

terça-feira, julho 31, 2012

O PAPEL DOS JORNALISTAS NA CAMPANHA ELEITORAL

Começa hoje, na verdadeira acepção da palavra, a corrida ao voto, embora algumas formações políticas mais espevitadas a tivessem iniciado antes do apito do árbitro (CNE).
As ruas e  os edifícios estarão, com certeza, cheios de cartazes, outdoors e outros suportes para a propaganda política.
A Televisão Pública terá 45 minutos reservados aos tempos de antena para as 9 formações políticas concorrentes ao pleito de 31 de Agosto.
As rádios dispensam, de 31 de Julho a 29 de Agosto 90 minutos para atender os políticos que vão soltar tudo o que é promessa.
Os jornais terão páginas repletas de mensagens dos políticos e análises dos discursos dos candidatos. Um exercício útil que tivemos, até aqui, apenas em 1992 e 2008 mas que se espera acontecer, doravante de 5 a 5 anos intercalados pelas autárquicas.
E, até lá, os nossos ouvidos serão alimentados de promessas. Muitas promessas. Umas para ouvir, registar e reter para cobrar em 2017 e outras tantas promessas para o vento levar.
Mas há um outro ângulo de abordagem que tem a ver com a grande importância de que se revestem os jornalistas nesta tarefa.
Que haja proporcionalidade no tratamento dos candidatos e racionalidade na avaliação do que deve ser levado ao Grande Público e o que deve ficar apenas para aqueles que presenciaram o acto político.
Por mais que os políticos descarrilem nas suas incontinências verbais, se os Jornalístas forem sábios (não no sentido da cirurgia da censura), sabendo valorizar o bom que os políticos disserem nas suas promessas e ignorarem, nas suas transmissões, as mensagens que podem ser atentatórias à harmonia e paz social, teremos, sem dúvidas, uma das melhores campanhas políticas e um sentimento geral de que ELEIÇÕES SÃO FESTA E NÃO CONFUSÃO!

terça-feira, julho 24, 2012

ALGUÉM SENTE O QUE O MEU CARRO RECLAMA?

Ai, o corte mal feito na Deolinda Rodrigues, junto ao Comando Provincial da Polícia de Luanda. É um auténtico quebra jantes.

A progressao da obra de restauro da estrada devia ser descendente (sentido Viana-Luanda), de modo a que não houvesse impacto agressivo dos pneus com a parte mais alta do novo asfalto colado sobre o antigo. Alguém tem de corrigir isso.

E que tal se...

As obras de asfaltagem, embora úteis, fossem melhor pensadas?
É que o engarrafamento na Deolinda Rodrigues está demais! Sugiro que se deviam arranjar vias alternativas àquelas que entraram em obras para viabilizar o tráfego auto. Das 6 horas em diante, têm sido consumidas uma média de 4 horas para o percurso Viana-Maianga. Isso não é demais?

sexta-feira, julho 20, 2012

HÁ "EMPATA MARCHA" NA "AUTOESTRADA" DE LUANDA

Esses são os empata marcha na dita autoestrada de Luanda. São muitos, andam lentos e ocupam as duas faixas. Não andam quase nada e nem deixam passar.

E, o pior é que  a dita autoestrada tem apenas duas faixas em cada sentido e já começa a "engarrafar" mesmo com Kilamba e os novos prédios do Zango ainda desabitados.

O que será no futuro imediato ainda não sei.
Será que dava para pedir a esses senhores dos camiões para que, sendo eles de marcha lenta, ocupem apenas a faixa mais à sua direita?
É só um pedido aos reguladores que também sofrem como qualquer um que circule por lá. 

terça-feira, julho 17, 2012

UM ALERTA QUE SE IMPÕE: Chineses roubam empregos

As Bombas de venda de combustíveis da Efrangol, em Luanda, avenida Deolinda Rodrigues, junto à Moagem, está em desacordo com nossa legislação.

A loja tem no balcão cidadão chineses que não falam nem entendem português. As informaçoes gerais, como PROIBIDO FUMAR estão em inglês em vez de português.

As fiscalizações do INADEC, Comércio, Mapess e SME já lá estiveram? Se não, ainda vão a tempo de pôr ordem. E, casas em desacordo com nossas leis há muitas no país.

sexta-feira, julho 13, 2012

QUEM CONTROLARÁ O DINHEIRO DOS PARTIDOS?

O Presidente da República de Angola fez sair ontem, 12.07.2012, um decreto em que fixa o montante global de kz 788.500.000 para a campanha eleitoral dos partidos e coligações. O dinheiro será canaizado à Comissão Nacional Eleitora, CNE, que o vai repartir pelos concorrentes.
Para um câmbio de Usd 1= Kz 100, kz 788.500.000 equivale a um total de Usd 7 milhões, 885 mil que, repartidos para 9 formações políticas e coligações concorrentes às eleições de Agosto próximo, dará o equivalente a Usd 876 mil e 111 dólares americanos para cada concorrente.

Se para uns esse dinhero será pouco, tendo em conta as ambições políticas em atingir o máximo de eleitorado e as empreitadas que isso envolve, para outros será um balúrdio e com largas possibilidades de ser usado em fins para os quais não foi cabimentado.
As "polícias" e os tribuanis já  estão preparados para eventuais más utilizações ou descaminhos desse dinheiro?

É agora que se devem afinar os mecanismos de fiscalização e controlo para que não venhamos depois a lamentar "atrás da porta". As experiências do passado são claras. E, ainda bem que há poucos concorrentes, pois mais "convivas" teria a festa, mais descaminhos aconteceria ao que é necessário ao crescimento do país e desenvolvimento dos angolanos.

quinta-feira, julho 12, 2012

RADAR: AS ONDAS QUE NÃO DEIXA(VA)M PASSAR

Nos anos 90 do séc. findo um programa emitido pela rádiodifusão pública com o título “Radar, as ondas que não deixam passar” fez um excelente trabalho de casa, colocando em sentido muitos dos nossos músicos (ndengwes e kotas) que andaram a se servir de trabalho e esforço alheio para amealharem fama e até algum dinheiro. Muitos foram apanhados pelo radar com a “boca na botija”, ou seja, executando cópias autênticas de músicas alheias.
Há dois dias, no gabinete de um colega ouvi uma música original que também foi literalmente copiada por um grupo bem conhecido da praça musical angolana e que se prepara para lançar mais um disco.

Esta reflexão vem a propósito do mais recente disco do meu respeitado conterra Yuri da Cunha que se vê envolvido em polémica sobre alegado plágio de músicas de Arur Nunes.
Segundo o que acabo de ler no Angonotícias.com (01.07.2012, 15h), “Domingos João Faustino «Mingo Nunes, irmão do malogrado Artur Nunes, exige que Yuri da Cunha indemnize a família do Espiritual», por o jovem cantor ter gravado músicas do segundo sem autorização da família”. «Estou ferido e revoltado, porque Yuri da Cunha gravou abusivamente as músicas do meu irmão e abusou do património familiar», uma posição que não foi recebida de bom grado pela sua irmã mais velha, Maria Artur Manuel Nunes, que com Yuri da Cunha, convocou a imprensa para esclarecer o que se está a passar. Maria Nunes, também conhecida por “Santinha” explicou que este incidente não reflecte a opinião da família mas de um irmão que não tem legitimidade alguma para o fazer, reiterando que o cantor foi "autorizado" por ela a gravar, editar e publicaras músicas de Artur Nunes, num “Termo de Autorização” datado de 06 de Dezembro de 2010, rubricado por ambos.

Atendendo ao discurso jurídico em que a capacidade de herdeiro é reconhecida em primeira instancia aos filhos (inexistententes no caso9 e depois aos progenitores, vê-mos que nem o irmão reclamante, nem a irmã que concedeu a suposta autorização estão na primeira linhA de sucessão e, po isso, com direitos para reclamar da herança ou autorizar o seu usufruto por terceiros.

E, se Yuri tentou buscar a legalidade, fê-la com quem não está revestido de poder para ceder direitos autorais, já que a mãe de Artur Nunes ainda é sobreviva.
Por tudo quanto se disse e há ainda por se dizer, buscando os mais diverso argumentos de razão, quer á luz do direito consuetudinário quer do direito positivo, tenho a dizer que estaríamos  perante um facto evitável se deixassem que o “Radar” se mantivesse no ar e continuasse com o seu papel pedagógico, pois desde que alguém entendeu que o radar estava a ferir alguns intocáveis que tocavam no esforço dos outros, os “bichos voltaram à selva” e o alheio deixou de ser respeitado.
Espero que o homem do “Makumba” não veja inveja nessa crónica que emana simplesmente dos ecos que o caso teve e ainda promete ter.
É que só quem anda no mundo das artes (Cénicas, literatura, música, moda, arquitectura, etc.) sabe o quão trabalhoso é inspirar-se e transpirar para trazer ao público uma obra. Daí que o respeito pela coisa alheia é uma obrigação e consultar o dono (entenda-se o legitimo depositário dos direitos e não terceiros) não é nada que nos doa na consciência.

segunda-feira, julho 09, 2012

QUEM VENCERÁ A CORRIDA À CIDADE ALTA?

O acaso ditou a ordem para o boletim de voto para a eleição de 31 de Agosto próximo.
Unita, Mpla, Fnla, Prs, ND, Fuma, Cpo, Papod e, por último, Casa-ce (que por incrível que pareça foi o ultimo partido a ser reconhecido plo TC). Assim  ditou o sorteio realizado, neste domingo 08.07.2012, pela CNE.
Os partidos que estão no princípio e no fim da lista ganham vantagens teóricas no que toca ao direccionamento dos seus eleitpres na hora de colocar a cruz no quadradinho, enquanto os do meio vao precisar de mais verbos para explicar aos votantes como encontrar o partido ou a coligação, sobretudo mais trabalho terão aqueles que são menos conhecidos dos eleitores.

Agora que já se sabe quem vai à corrida e qual é o seu posicionamento no boletim de voto, as atenções ficam viradas para quem ficará à frente de todos e quem será, de facto, o nono no fim da contagem dos votos.

Facto importante é que ninguém saiu do Centro de Convenções de Talatona aos resmungos. Todos alegres e a teorizarem o que dizer sobre o significado do número que a sorte ditou.
A festa (da escolha dos nossos governantes) está a aquecer. É que os motores já estão a roncar!

sexta-feira, julho 06, 2012

LIBOLENSES "QUEIXAM-SE" AO SOBERANO

Mais Intitutos Médios, para além do PUNIV (da Missão Católica); Extensão do Ensino Superior (Núcleo) e uma Rádio Comunitária é o que a juventude de Kalulo pede aos governantes.

Estas ideias foram coreais nos contactos que mantive com muitos jovens que foram assistir ao lançamento dos meus dois livros na escadaria da Fortaleza.

"Apesar de o municipio ter crescido nos últimos anos ainda tem poucos quadros porque não tem Ensino Médio do Estado nem Núcleo do Ensino Superior", lamentou Joaquim, um jovem bem-falante e que concluiu o curso de ciências sociais no Instituto Pré-Universitário  da missão Católica de Kalulo, tutelada por Salesianos de Dom Bosco.

"Queremos também uma rádio para falar dos mambos cá da banda. Há telefones em quase todo o lado e o municipio está a ter muitas coisas. Se você sai daqui para Munenga ou para Kisongo só vai ouvir a Rádio de Nadalatando. Do Sumbe não se ouve. Queremos ter uma tipo a do Kazenga ou de Viana", desabafou Pedro Miguel, outro jovem que disse gostar de "falar na rádio".

Pude avaliar as reclamações do Pedro ao transitar na rota Lussusso/Ponte do Kuanza onde apenas se pode sintonizar a Rádio Kwanza-Norte. Uma reclamação que na minha óptica se mostra legítima, tendo em conta a necessidade de aproximar cada vez mais a informação aos cidadãos. Pode-se, por exemplo, partir por uma rádio com uma abordagem rural, que traga o que há de bom no campo e leve ao campo (ouvintes) o que é de inovador nas cidades. Aliás, o desenvolvimento económico e desportivo que o Libolo vive já força a existência de uma FM local.

Outra reclamação ouvida tem a ver com os baixos salários auferidos por aqueles que labutam no campo. "Há aqui (Inácio Gabriel apontava para as fazendas ao longe) pessoas que ganham três mil Kwanzas ao mês, enquanto os brasileiros, que só mandam fazer, ganham 7 mil dólares ou até mais".

Não tendo apontado algum fazendeiro pelo nome, embora a direcção (Kabuta) em que apontou nos levasse a deduzir a quem se referia, não pude tirar a estória a limpo, mas fica um apelo aos fazendeiros do Libolo no sentido de valorizem um pouco mais os de casa que apesar da pouca instrução devem estar a fazer muito mais trabalho do que o equivalente a Kz. 3000.

Soberano Canhanga, autor de "Manongo-Nongo" (TamodaEditora, 2012) e "O Sonho de Kaúia" (Mayamba 2010) esteve em Kalulo para apresentar os seus dois livros aos libolenses, por ocasião da 12ª edição do Festi-Kalulo.

domingo, julho 01, 2012

O KANDIMBA "VIVE" NA KIBALA

Kibala: chamam-lhe cidade embora tenha apenas duas ruas que ladeiam um largo/canteiro.
Se calhar a portaria 40/74 de 15 de Janeiro se referia a uma cidade projectada para crescer nos anos Setenta do Século XX, o que não aconteceu. Pelo contrario, a Kibala viu toda a sua infraestrutura a ser destruída pela guerra e  pelo espírito de "deixa andar" de quem lá esteve (a governar e ou a viver).

A Vila/Cidade da Kibala é hoje um espaço que engatinha e busca resgatar o estatuto que lhe foi atribúido pela Portaria 40/74 de 15 de Janeiro, ombreando, naquele tempo, com as cidades de Sumbe, Cela (Wako Kungu), Amboim (Gabela) e Porto Amboim, deixando mesmo para trás Kalulo que nos dias de hoje tem tudo e merece ser elevada à categora de Cidade. Mas é a história e são as acções dos homens que ditam o percurso...
Na minha passagem por Kibala, a 14 de Junho de 2012, tomei um almoço no Restaurante Kandimba que imortaliza o mítico guerreiro das FAPLA/FAA com o mesmo nome. Kandimba notabilizou-se na defesa de Kibala e outras regiões do Kwanza-Sul, nos anos oitenta e noventa do séc. XX, contra as investidas das forças rebeldes da UNITA. Tombou em combate em sitio que não sei determinar, mas o povo da Kibala e do Kwanza-Sul, em geral, sabe e saberá sempre honrar os seus heróis.

Nota: Embora esteja grafado "Candimba" como nome do restaurante, fí-lo com "K" pois nos meus escritos tenho grafado os nomes bantu de acordo à convenção do CICIBA.

quarta-feira, junho 27, 2012

UM HINO AO MEU PARTIDO

NOTA PRÉVIA:
Este texto tinha a sua publicação condicionada ao melhor momento para que, nestes tempos de corrida eleitoral, não fosse mal interpretado por uns que só vêm malícia nos ditos e escritos dos outros, perfilando como os melhores combatentes de sempre na nossa Grande Família. Porém, a destituição dos Conselhos de Administração da RNA e TPA e o texto explicativo que se lhe seguiu "Estas nomeações visam a melhoria da qualidade do trabalho e sobretudo garantir melhor pluralidade e objectividade aos referidos órgãos", segundo a nota de imprensa dos Serviços de Apoio da Casa Civil da Presidência da República, motivam a sua publicação, pois já não há nada a esconder em relação à promiscuidade informativa que grassava àquelas casas.
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UM HINO AO MEU PARTIDO

"O meu partido é forte.
O meu partido é capaz.
O meu partido vai ganhar as próximas eleições porque é trabalhador, é mobilizador, tem meios humanos e técnicos.
O MPLA tem tudo e tem mais".
Tem também jornalistas que lhe dão 50 minutos de noticiário em Televisão Pública (tpa 1 - jornal da noite de 16.06- com repetição na manhã de 17.06 na tpa 2). Para o telespectador o país todo parou literalmente. As excepções foram apenas as inaugurações do Ministro dos transportes, a recepção do prémio Nobel da paz 1991 pela líder da oposição birmanesa e a intromissão dos políticos da UNITA e CASA-Ce nos assuntos militares (nota do Estado Maior General das FAA que abriu o jornal).
Nesta hora em que é preciso agradar e, sobretudo passar-se à frente dos outros para ser visto, muitos optam por esquecer-se dos princípios fundamentais da profissão e das normas consagradas na lei sobre o tempo de antena aos Partidos políticos. Militantes e não militantes do Meu Partido procuram mostrar trabalho, augurando por uma recompensa no fim da jornada eleitoral que pode ser a ascensão ou no mínimo a manutenção no posto. Uns ,QUE até já usaram outras camisolas que nunca foram vermelha-preta-amarela fazem-se passar como os melhores de sempre, acotovelando aqueles que sempre estiveram no e com o Partido Vencedor das eleições de 2012.
Tudo o pude ver, quanto as peças, elas foram feitas de forma autónoma e elaborada na perspectiva de notícia autónoma de um acontecimento político, num determinado lugar concreto. O engenho, a meu ver, foi do editor que decidiu juntar todas as peças em “um carnaval de notícias” sobre manifestações de apoio dos militantes ao Cabeça de Lista às próximas eleições do Partido Governante, ferindo, desta feita a Constituição(art. 45), a regulamentação sobre tempo de antena para candidatos e o bom senso jornalístico sobre a equidade, imparcialidade e equilíbrio noticioso.
Até 31 de Agosto vamos ver muitos outros noticiários monodireccionais, “mono-informativas”, que levam até o mais distraído dos destinatários e dar conta de que foram assim concebidos de forma propositada por aqueles que decidiram congelar, temporariamente, os seus conhecimentos e boas práticas de Jornalismo, passando a um propagandismo puro e aberto e sem escrúpulos que, se calhar, a própria direcção superior do Partido gostaria que fosse menos visível, para não dar azo aos resmungos dos demais actores políticos do país e da comunidade internacional que volta e meia reclamam da partidarização dos meios de informação públicos.
"O meu partido é forte.
O meu partido é capaz.
O meu partido vai ganhar as próximas eleições porque é trabalhador, é mobilizador, tem meios humanos e técnicos.
O MPLA tem tudo e tem mais".
Post textum
Espero que os novos Conselhos de Administração das Empresas públicas de Comunicação (RNA e TPA) saibam aprender com os erros dos seus antecessores para que tenhamos uma informação mais plural e ,acima de tudo, "melhorar a qualidade do trabalho e garantir melhor pluralidade e objectividade aos referidos órgãos", segundo refere a nota de imprensa dos Serviços de Apoio da Casa Civil da Presidência da República.

segunda-feira, junho 25, 2012

LIBOLO RECEBE SOBERANO

A escadaria da fortaleza de Kalulo foi o lugar escolhido para a apresentação do Soberano Canhanga que tinha na bagagem duas obras literárias: "O Sonho de Kaúia", romance cujo enredo se desenvolve à volta da municipalidade (Libolo) e Luanda  e "Manongo-Nongo", contos infanto-juvenis que se desenvolvem um poruco por toda Angola (do Lobito ao Lwaw e do Kunene a Kabinda, como diz o autor).
Soberano Canhanga, que  é natural da Munenga, aproveitou ainda a ocasião para ofertar à biblioteca municipal exemplares das suas obras.

E os motivos não foram de menos para a escolha  dia 23.06.2012: Kalulo assinalava a 12ª edição das festas da vila enquanto em Luanda o Recreativo do Libolo vencia o ASA (futebol, 1ª divisão) por 0-1.
"Embora soubesse de antemão que Kalulo não compre muitos livros dado a baixa densidade, quando comparado com outras cidades, devido aos os baixos níveis de literacia e também os fracos hábitos de leitura, viemos aqui para cumprir dois desígnios: a obrigação moral de trazer o livro aos conterrâneos e valorizar a minha terra e dizer aos jovens que os libolenses também podem. É uma forma de incentivar aqueles que cá estão a fazer o mesmo", disse em entrevista à TPA-Kwanza-Sul.

Foi bom ver jovens locais a confabular com o autor, contando estórias e História do Município e da província do Kwanza-Sul e trocando experiências.

A deslocação a Kalulo teve um valor simbólico que transcendeu às vendas. Foi o reencontro com a terra e a apresentação de duas obras escritas por um "mon´a-bata".

quinta-feira, junho 21, 2012

POPULARES BARRICAM DEOLINDA RODRIGUES

Não são comuns, entre nós, actos como o que pude testemunhar na quarta-13-06-2012, na Avenida Deolinda Rodrigues (Estrada de Catete), no trecho entre o Milenium e antiga Ponte Partida, município de Viana, em Luanda.
Um autocarro da TCUL, com o nº 1110, atropelou um pedestre que ficou com o braço quebrado. O motorista meteu-se a monte, deixando o veículo, ao que se seguiram os passageiros.
Segundo os populares, o acidente ocorreu por volta das 17h30 minutos e até às 19h (momento em que cheguei ao local) não havia nem polícia nem um carro das emergências médicas para socorrer o “ofendido”, razão pela qual, em solidariedade para com a vítima, colocaram pedras, pneus, e um poste de madeira atravessado na estrada (sentido Viana-Luanda) impedindo, desta feita, a circulação automóvel. Segundo ainda os popualres ouvidos no local, a acção visou chamar a atenção das autoridades para o socorro que se impunha à vítima do atropelamento.


segunda-feira, junho 18, 2012

Os proveitos do CAN (foi há 2 anos)

Os proveitos do CAN
In: jornal de Angola, opinião
18 de Janeiro, 2010
Os desportistas têm os seus ganhos garantidos, depois do CAN que Angola realiza: as infra-estruturas desportivas e afins. Os comerciantes, hoteleiros, restauradores e outros que directa ou indirectamente participaram na organização do Campeonato têm também a sua parte conservada. Tudo o que serviu ao CAN fica para a posteridade. Os jornalistas ganharam, nos campos, as condições de trabalho neles instaladas, mas ganham algo mais, o conhecimento e a experiência profissional.
Numa organização internacional, como o Campeonato Africano das Nações em futebol, a mobilização por parte dos órgãos de comunicação social, no que toca aos jornalistas, é tão grande que todos os profissionais da casa se vêem envolvidos de forma indistinta.
Jornalistas que frequentemente se limitavam à cobertura de assuntos políticos, sociais ou culturais como especialidade, viram-se forçados a experimentarem um outro lado da profissão: percorrem os campos principais e de apoio, entrevistam jogadores e técnicos, falam com adeptos de vários países participantes e exercitam as línguas estrangeiras, usadas como recurso apenas nas viagens que efectuavam ao estrangeiro.
São ganhos que ficam para a eternidade. As redacções viram nascer, num abrir e fechar de olhos, outros “experts” desportivos. Novos comentaristas surgiram também, dada a envergadura da missão e os desdobramentos que se afiguraram necessários. Mais postos de trabalho foram criados e muito do que andava oculto entre os homens das redacções e áreas de apoio veio à luz do dia.
Luciano Canhanga | Libolo

Viaj´Ando pelo Interior d´Angola

Há mais de um ano que não o fazia, por força da falta de carro, até há bem pouco tempo (quando quebrei a monotonia de ficar por Luanda.
No dia 14 de Junho, pela primeira vez ao volante naquele percurso, meti-me a caminho do Sumbe para cumprir uma jornada laboral junto do governo do Kuanza-Sul.
Terminado o encontro entre a direcção do meu patrão e aquela instancia executiva, decidi, também pela primeira vez, fazer o percurso Sumbe/Gabela. Rico em termos de motivos turísticos e paisagísticos mas também em termos de perigosidade se a condução for efectuada sem a máxima precaução. Apesar dos 100km/horários de média que o meu i20 suportou com galhardia entre um Fortuner e um V8, pude transpor as curvas apertadas, as serras, as inclinações acentuadas e tudo mais. Destaque vai para uma viatura Toyota Hilux que vi capotar a poucos quilómetros depois do desvio para Gabela EN240. O homem mudou de direcção numa velocidade que os amortecedores da carrinha não suportaram e capotou. Felizmente sem vitimas mortais pois os ocupantes da viatura pularam antes da consumação do capotamento.
Vi, também pela primeira vez as lindas Cachoeiras da Binga, as roças de café da então CADÁ, a cidade da Gabela (muito maior do que a minha vila de Calulo). Pude também ver o rio Mazungue da infância do meu amigo Augusto Alfredo e, na Kibala, o restaurante Kandimba onde tivemos de atender aos estômagos reclamantes.
Enquanto meus chefes seguiram para Mussende, inverti para Norte, em direcção ao Libolo onde não ia há mais de ano e meio. Já a caminho do Dondo comprei uns kikeles, em Kambingo, peixes cujas escamas são cartilagens e por isso também comestíveis, que levei a Luanda e resto para Catoca.
Entre o Alto-Dondo e a cidade do Dondo pude ver, e com satisfação, a recuperação e alargamento do troço rodoviário que era dos mais degradados do país. Foi bom ver que dentro de dias aquele troço deixará de ser “dor de cabeça” para os automobilistas e os passageiros. Deixará também de se constituir em perigo para os moradores de Kassesse que corriam o risco permanente de ver carros despistados a visitar suas casas, pois os que mais estavam próximos da rodovia foram desalojados, permitindo o alargamento da estrada.
Do Dono a Luanda, já noite cerrada, foi apenas deslizar sobre uma estrada que apesar de aceitável reclama por reparos em alguns trechos onde o peso dos camiões “amolgou” a rodovia, dificultando a circulação cómoda dos “turismos” que arrastam os chassis nas lombas.

quarta-feira, junho 13, 2012

O FILME ESTÁ APENAS NO COMEÇO


A SUA/VOSSA ATENÇÃO!

PGR entrega à CNE cartões de eleitores apreendidos
FONTE: ANGONOTICIAS (12.06.2012)

"A Procuradoria-Geral da República (PGR) entregou, recentemente em Luanda, à Comissão Nacional Eleitoral (CNE), 54 (cinquenta e quatro) Cartões Eleitorais apreendidos no processo-crime n° 609/2012, cuja tramitação corre sob a direcção do Ministério Público na DPIC, na Província do Uíge…

Os referidos Cartões de Eleitores foram apreendidos na cidade do Uíge, ilegalmente na posse do cidadão Manuel Diekeno que os recolheu dos seus legítimos utentes, sob a alegação de que serviriam para o alistamento de trabalhadores numa empresa de ConstruçãoCivil, denominada CASA-CE, cujo patrão seria um indivíduo de nome Quinho…
Os elementos da Polícia Nacional chegaram ao cidadão Quinho, de nome verdadeiro Olavo Feiteira Lourenço Castigo e ficou demonstrado que os cartões apreendidos não serviriam para a inscrição de interessados em emprego mas sim, para apresentar os respectivos utentes como subscritores da candidatura de um partido político…

A PGR lembra que a Lei Orgânica Sobre as Eleições Gerais contém um capítulo Sobre as Infracções Eleitorais cujas sanções não excluem a aplicação de outras mais gravosas, em casos de concorrência com infracção criminal punida pelo Código Penal".

Comentário do autor do blogue: No meu lado crítico diz que nem a casa é de santos nem ela foi erguida em terra de santos. Muita coisa ainda vai acontecer antes e deppois da "corrida" em relação a esta casa-ce.

sexta-feira, junho 08, 2012

A CRÍTICA SOCIAL DE DOG MURRAS E A MINHA CRÍTICA LINGUÍSTICA

Preâmbulo
A música é um dos meios que facilitam a aprendizagem e retenção de conhecimentos. Ela é usada, por isso, no ensino formal, na publicidade e noutros domínios não só para exercer a função lúdica mas também educativa.
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Este exercício visa, em primeira instancia, felicitar o Murtala Bravo (Dog Murras) pela rica criação musical que faz uma crítica social ao que se passa com determinadas confissões religiosas mais taxadas ao dízimo do que aos valores fundamentais que devem nortear o homem em sociedade justa e à crença no além.
Murras Power, como também é conhecido, enfoca questões como a ordem de estacionamento e de acesso aos acentos numa suposta igreja em que ele é “o Pastor Murras” e vai dando receitas para cada um dos problemas que lhe são apresentados pelos aflitos crentes(?).
“Os de Starlete estacionam à esquerda e sentam-se também à esquerda”. Os de Carrão (Geep) estacionam à direita e obedecem a mesma ordem dentro do templo ao passo que os que se dirigiram à pé são acomodados (?) também de pé. “São os pobres”.
E o Pastor Murras afirma que “Vim cobrar vossa entrada lá nos Céus. Só vai entrar quem me pagar bem… Osde Toyota Starlete pagam dízimos em Kwanzas e os que estão à direita (que usam Geeps de grandes cilindradas) pagam dízimos em Dólares, sendo que os pobres, que andam à pé, vão limpar o templo do Senhor”.
Eficaz no seu olhar e na sua crítica, Murras Power desperta os incautos para o cuidado a ter em conta ante ao surgimento, no nosso país, cada vez mais, de vendedores de banha de cobra.
Porém, não deixo de fazer-lhe o merecido reparo, quando na busca de rima, o Murras deixa de observar a concordância verbal nas estrofes que se seguem.
- você já morreste só que ainda não se tocaste porque a jibóia mesmo sem cabeça reage…
- Você tem fogo juadice e muita pressa, fica calma, cedo ou tarde vai chegar tua factura…
- A boa cabra come onde está amarrada mas se se amarraste no lixo, mana não procura culpada…
- Xé meu amigo, porco não foge farelo. Você sujaste quem vai despejar água?  Você ganha lá juízo e aguenta teu prejuízo…
 Se acredita, kota, tua hora já chegou, deixa os ndengue dar o show…
Por aquilo que conheço do Dog Murras, com quem já falei várias vezes,  julgo que todas essas broncas tenham sido propositadas. entretanto, atendendo a audiência que ele tem dos kandengues aos kotas, todos desejosos de aprender um “bom português”, seria salutar que o nosso Murras Power nos transmitisse a sábia crítica numa linguagem repleta de metáfora mas também com bastante lisura gramatical para que despertemos as mentes e melhoremos o nosso “linguajar “.

terça-feira, junho 05, 2012

CHEGOU A VEZ DO MANONGO-NONGO

Por: Tazuary Nkeita (*)
Começo por desejar as boas vindas a todos os presentes, agradecendo o vosso gesto, tão estimulante, de acompanhar o autor, Luciano Canhanga, no lançamento e na repercussão da sua segunda obra literária que tem um título que se aplica a ele próprio.
Digo isso porque Manongo-Nongo não é apenas a festa dos recém-nascidos é também a festa de um recém-admitido no mundo da literatura e de todos aqueles que hoje, aqui, o acompanham. (em vosso nome, peço uma salva de palmas para o nosso Soberano Canhanga)
Apesar do Luciano ser um jovem jornalista com uma experiência profissional de vinte anos, conheci-o há apenas quatro anos por intermédio de amigos comuns, também ligados ao jornalismo e à literatura. Facto curioso, entre ele e eu, é que ambos iniciamos o jornalismo com a mesma idade: 19 anos!; eu em 1975 quando Angola estava a nascer e ele em 1996 quando a independência já era adulta. O mais curioso ainda é que desde que o conheci, ele não deixa de me surpreender.
Surpreendeu-me a primeira vez quando me pediu para fazer a revisão e escrever o prefácio do seu primeiro livro, «O Sonho de Kauia», em 2010;
Surpreendeu-me novamente quando tomei conhecimento da publicação deste «Manongo-Nongo» - a Festa dos Recém-nascido - meses depois de ele ter pedido a minha opinião sobre um outro livro, «O Relógio do Velho Trinta», a obra que já anunciou antes deste lançamento.
E, como se não bastasse, voltou a surpreender-me pela última vez há menos de três dias, quando me convidou para fazer esta apresentação, em cima do joelho e quase na «Vigésima Quinta Hora».
Aceitei este desafio única e simplesmente por causa do espírito de combatividade que lhe é característico, que nos contagia, a todos, e que tenho elogiado desde que o conheci. E sinto um imenso orgulho por ser chamado de «padrinho» de um jovem assim, quando eu próprio, também, me sinto à deriva, procurando padrinhos, como se fosse um recém-nascido mergulhado neste complexo universo que caracteriza a literatura angolana.
Talvez não seja o melhor dos exemplos, entre os possíveis, mas o sentimento que me anima, estando ao lado do Luciano Canhanga, neste momento, é precisamente o da obrigação de um profissional, da saúde, chamado a socorrer com urgência o nascimento de uma criança; a sensação de alguém que vai sentir nos braços a respiração de um novo ser; o bater súbito de um coração na ponta dos dedos, mas, descobre, diante dos olhos, uma nova espécie de criação humana – quero dizer, o nascimento de uma obra literária com uma riqueza, um conteúdo e uma vitalidade impressionantes!
Manongo-Nongo merece, por mérito próprio, ser também, por isso mesmo, a cerimónia festiva da consagração do autor no universo da literatura angolana.
É o mínimo que posso dizer sobre o efeito que a leitura de «Manongo-Nongo – a Festa dos recém-nascidos» causou em mim, nas últimas 72 horas que antecederam a esta cerimónia.
O Luciano Canhanga tem agora a oportunidade de alimentar o seu recém-nascido, espalhando repetidamente os ecos e a boa nova desta cerimónia, com a mesma combatividade com que tem enfrentado os obstáculos do seu dia a dia.
O livro que nos chega, hoje, às mãos merece uma repercussão nacional. Seria uma Cegueira imperdoável pensar que o principal interesse por Angola hão-de ser eternamente as minas de diamantes, os poços de petróleo ou o jogo político. A prova está, aqui, na apresentação destas histórias fantásticas com um retrato magnífico da vida, da cultura e do património de povos de Angola e na mensagem que o autor nos transmite: - A nossa cultura é vasta e o trabalho que nos espera é maior ainda!
É um livro que se aconselha a todos os estudantes e amantes da literatura angolana; um livro que nos oferece histórias, de mais velhos que moldam o carácter dos mais novos, transmitindo conhecimentos e uma hierarquia de valores morais e sociais cujo resgate há muito se anda à procura.
É um livro onde os animais irracionais dão lições de civismo aos seres humanos e cuja repercussão nos faz exclamar «Esta é Angola, esta é a nossa terra; esta é a nossa gente!».
Outra característica é a recolha de mitos populares sobre a vida, a doença, a morte e o feitiço. O autor reproduz histórias do dia a dia das aldeias que percorreu e termina com a lição moral que elas encerram, transmitindo valores fundamentais e fraquezas do génio humano, tais como a solidariedade, a ingenuidade, a inveja, a ignorância, a ingratidão, o ciúme, a confiança mútua e triunfo da verdade e da justiça!
Se quisermos ser rigorosos na análise, Manongo-Nongo não é propriamente uma obra infanto-juvenil, mas um livro que os adultos devem ler e interpretar para as crianças.
É, finalmente, um livro que chega na hora certa e no contexto mais certo. Espero por conseguinte que ajude a aumentar os níveis de confiança de todos aqueles que ainda estão indecisos quanto a qualidade e ao futuro da literatura angolana.
Muito obrigado
Tazuary Nkeita
(*)Texto da apresentação da obra «Manongo-Nongo» de Soberano Canhanga
Sede da União dos Escritores Angolanos em Luanda aos 5 de Junho de 2012