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terça-feira, janeiro 24, 2012

ELEIÇÕES EM ANGOLA: O "BILO" COMECA PELO MBALUNDU

Depois da morte de Ekwikwi IV do MBALUNDU nada será como dantes  naquele reino. Augusto Kaciopololo, falecido a 14 deste mês, era um rei com filiação partidaria bem definida e ostentava um cargo de soberania, deputado a assembleia nacional, pelo MPLA.

Agora que "o coração do rei deixou de bater", estando, segundo a tradição, a caminho da morte, que no caso equivale à separação do cránio do resto do esqueleto, as atenções das pessoas e o "bilo" entre os interessados recaiem a quem o vai substituir no trono do reino de Mbalundu.

Na corrida, como é de prever, entram inquestionavelmente a UNITA e o MPLA. O partido da oposição porque tem o planalto central angolano como a sua maior praça eleitoral de sempre. Depois do amargo de boca que foi, para os homens do Galo Negro, o reinado de Kaciopololo Augusto, não estarão interessado em repetir a dose que seria, no caso, encarar a possibilidade de ver intronizado um outro rei que não seja de sua simpatia ou que vista uma camisola que não seja a sua.

O partido da situação, o MPLA,  depois da vantagem que teve/tem no terreno que foi o de ter um rei- militante e que contribuiu com o seu dinamismo como cabo eleitoral, conduzindo à vitória conseguida em 2008, quererá, como é de admitir, repetir a ementa, colocando ou fazendo colocar no trono um rei-de-vermelho-preto-e-amarelo.

Há ainda um terceiro grupo de pessoas académicas, conseravdoras da tradição e costumes bantus e com equidistância política que pretendem um rei apartidário, para manter a pureza do reinado. Esses argumentam que "o rei deve colocar-se acima dos interesses político-partidários e ser figura aglutinadora do povo mbalundu, independentemente das convicções políticas dos seus súbditos".

E, como quem ganhar o rei ganhará eleitores, a ver vamos, se desta vez quem levará da melhor entre o MPLA e a UNITA (principais contendores) que em Setembro voltam às urnas para a escolha do parlamento e Presidente da República, num escrutínio do tipo "paga um leva dois" ou seja, em um único boletim escolhe-se o partido e o Presidente da República.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

POR QUE SE DEGOLA A CABEÇA DO REI MORTO?

O corpo inerte do REI EKUKUI IV do Mbalundu, falecido no fim-de-sema, será degolado esta noite na capital do seu reino (Bailundo) para fazer cumprir a tradição. Provavelmente o rei não vá sozinho. É a experiência. Os Kesongo estarão já à caça de acompanhantes do Rei cujo corpo deverá ser acompanhado por uma ou duas "pessoas".
Diz a tradição, que se a cabeça não for separada do corpo e depositada no Ekokoto várias pragas podem assolar o reino, o que deve ser evitado.
Por outro lado, é através dessa prática que se contabilizam quantos reis já passaram pelo trono, bastando contar o número de crânios expostos numa fenda ou floresta (secreta) frequentada apenas por restritos membros da corte.
Para além dessas duas práticas, há ainda outra que atesta que "o rei nunca vai a andar sozinho", mesmo que vá para a morte, salvo em situações em que a sua despedida não pode ser assistida.
Se for em situações de enfermidade irreversível, os notáveis da corte dão fim à vida do rei no último momento, quando se nota que a partida é eminente. Desta forma "leva-se o rei" em vez de ir sozinho.
São questões e práticas discutíveis por um lado, tendo em conta a ocidentalização da cultura universal, mas também de respeitar, tendo em conta as nossas origens.
Concorde ou não com a prática, mas é verdade que o corpo de Augusto Katchiopololo, rei do Mbalundu e deputado do ciclo nacional pela bancada do MPLA, vai ser hoje degolado e depositado no panteão real do Bailundo. O corpo sem a cabeça, este pode ter outras exéquias mais formais e mais ocidentalizadas, tendo em conta a sua qualidade de deputado eleito para o mandato em curso.
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Subsídio "roubado" da página de facebook do Nguvulu Makatuka
 HÁ QUEM ESTEJA A DIZER QUE O REI DO MBALUNDU SERÁ DEGOLADO. Não de trata propriamente de degolar. Na verdade, na tradição ovimbundu o Rei apenas é considerado morto depois de a cabeça su estar separada do corpo. Houve uma falha protocolar no caso do designado EKUIKUI IV, cujo processo de morte está em curso. Tendo o coração deixado de bater, diz-se apenas que o Rei está muito doente. Ele é pendurado numa árvore tradicional pelo pescoço e apenas é considerado morto depois de a cabeça estiver separada do corpo. Não há um processo mecânico. Seria um sacrilégio. É a natureza que, pela gravidade, separa a cabeça do corpo. Apenas o corpo será enterrado. A cabeça será guardada no santuário do reino, junto da cabeça dos outros reis todos, desde KATYAVALA. No dia m que o seu corpo for sepultado, não será aconselhável as pessoas andarem pelas ruas, sobretudo sozinhas, há os drainados KATOKÕLA que poderão sacrificar algumas pessoas para que essas façam companhia ao SOBERANO. Esta prática já não existe, mas as pessoas não saem de casa, por reverência.
Nota: o autor deste blog é neto do rei  Ngana Ñunji, do Kuteka, título que significa PILAR.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

ANTES QUE SEJA TARDE: VIGIEM-SE PORTAS

“PARA ANGOLA, JÁ, EM FORÇA E DIPLOMACIA!”
A célebre expressão salazarista, que ganha apenas o reforço do elemento diplomacia, foi reiterada por Paulo Portas, MNE de Portugal em entrevista (04.01.2012) à SIC. E perece que Paulo Portas tem mesmo  port´aberta para, mais uma vez, Portugal  mandar à  teta do leite sem fim (Angola) todos os seus renegados, desempregados e empobrecidos até ao tutano, ainda por cima todos com os narizes empinados como nos tempos do “Portugal ultramarino”, para uma nova colonização cultural, económica e supostamente técnica.

Na media pública, por exemplo, e fazendo fé ao Site "Maka Angola", os tugas já aplicam o lápis azul herdado do salazarismo.

Antigos donos de meio-mundo mas agora sem tangas (já seria bom andarem de tangas), os tugas até se arrogam de “cá virem ajudar”, como se nos dessem “almoços de borla”, quando na verdade são eles que clamam por "restos das espinhas dos nossos pratos".

- É preciso muito cuidado!
- É preciso que os nossos políticos e diplomatas não entreguem a Nossa Pátria aos maçónicos de Coelhos e Portas!
- É preciso que se retome a célebre tirada de que “Connoscoa cooperação não será fácil”!
É que os tugas, como lhes é peculiar, vão bajular ao máximo os nossos "engraxáveis" líderes políticos, pois o Nosso Futuro em nada lhes interessa, senão os nossos dólares do momento.

Estão de olhos apenas nas nossas riquezas.
- Vão vender outras quinquilharias, como no tempo “doutra senhora”, e até banha de cobra ou de sardão para ter o nosso petróleo e tudo o que lhes der dinheiro para desafogar a sua asfixiada economia!
- Vão fingir que são especialistas disso e daquilo. Na nossa ignorância de ouvir quem fala “bom português", muitos decisores políticos serão ludibriados pela conjugação verbal e adjectivação!
- E os "luz e tanos" ficarão com os nossos empregos, os empregos dos nossos filhos, comprometendo, outra vez, o nosso futuro... O Futuro da Nação Angolana!
- Vão roubar e revender-nos até os nossos inertes…
- Vão ficar com as nossas melhores terras aráveis e vão fazer novas Baixas de Kasanje se não estivermos atentos.

É certo que muitos angolanos encontraram refúgio na Tugolândia no "tempo das bazucas", mas tiveram que se contentar com a dureza da pedreira, com a faxina das estradas geladas e outros trabalhos menores… Os de casa colocaram barreiras protectoras ao seu Interesse Nacional Vital, à invasão e à partilha do que é reserva do cidadão lusitano.

E nós, será que Precisamos de kimbanguleiros expatriados?
- Precisamos de capatazes tugas?
- Precisamos de “puxa-cabos” expatriados na nossa media pública e privada?

Antes que seja tarde. Antes que não tenhamos necessidade de rememorar a célebre canção "Milhorró" e o seu refrão “ai, ai, vão se embora, isso assim não pode ser”, vigiem-se as portas dos vorazes apetites lusitanos!
E, antes de terminar: é preciso também estarmos atentos aos "vendelhões de templos" e pregadores de "reino celestial na terra". Os que a coberto de futebóis vêm para cá implantar "igrejas de dinheiro". Angola já não é terreno virgem para as igrejas e o Brasil tem milhões de ateus por evangelizar.

Rivaldo e Rivais, para as missões a que se propõem, não deviam ser recebidos com tantas honras como se de salvadores da pátria fossem... Chega de enganar os nossos compatriotas que, na ausência de soluções materiais para a gritante pobreza que nos afecta, vão entregando o pouco que possuem a estes lobos vestidos de ovelhas. 

- A Nação precisa duma “Guarda-Republicana” contra a invasão tugariana, asiática e de tantos outros vendedores de banha de cobra bem identificados!

quarta-feira, janeiro 11, 2012

CULPA MORRE SOLTEIRA: QUEM AFINAL AUMENTOU OS EMOLUMENTOS?

Em Novembro do ano findo o Presidente da República assinou o Decreto 287/11, de 1 de Novembro, referente aos emolumentos a pagar pelos serviços prestados no sector da Justiça, nomeadamente os atestados de residência, de agregado familiar, de declarações diversas e respectivas segundas vias, cuja aplicação aconteceu no primeiro dia útil de trabalho de 2012 (03.Janeiro).

Recebido com tremendo repúdio pela população de Luanda, concretamente da Maianga, que de dia para noite viu triplicados os emolumentos para os documentos em causa, o Decreto Presidencial teve de ser suspenso no dia 06 de Janeiro pelo próprio emissor a quem a TPA brindou, de seguida, com uma ampla campanha de adulação pela “clarividente medida suspensória” do maldito decreto, como se de outra pessoa/Instituição tivesse partido.

Há clarividência na formulação das leis que morrem à nascença… Há clarividência no passo à retaguarda … E em que pé ficamos?
- A quem devem os explorados nos dias 04 e 05 de Janeiro atribuir culpa pelas elevadas taxas pagas?

sábado, janeiro 07, 2012

LEI DOS FERIADOS SOFRE PRIMEIRO ATROPELO

A poucos dias do Natal, o Gabinete Jurídico do MAPESS, servindo-se da Nova Lei dos feriados nacionais, Lei nº 10/11 de 16 de Fevereiro, saiu a terreiro para explicar que “de acordo com o ponto 3 do artigo 6 da referida lei, não haveria Ponte nos dias 26.12.2011 e 02.01.2012, facto que foi “digerido” por uma grande parte dos angolanos comprometidos com o trabalho e com o desenvolvimento de Angola que tem de crescer com trabalho em vez de “fífias e folgas”. Porém, por mais paradoxal que pareça, no dia 29.12.2011 o Presidente da República, usando das suas Faculdades, usou de atribuir aos “farristas” uma Ponte no segundo dia do Novo Ano, contrariando a Lei que ele mesmo promulgou.

Não que o chefe do Executivo não o devesse fazer, mas no mínimo, é minha opinião, a inobservância do que a Lei prescreve devia ter passado pelo Ministério de tutela que, usando de um argumento qualquer, anunciaria a medida excepcional, pois da forma como a Ponte foi anunciada, deu a entender que o PR pura e simplesmente ignorou a Lei que promulgou e mandou às urtigas o seu liderado que cuida das questões trabalhistas (MAPESS).

Assim, Camarada Presidente, não se espante se um dia um seu liderado vier a pisotear uma outra Lei qualquer deste País que se quer moralizado e com os seus cidadãos virados para o trabalho que engrandece a Nação e as famílias.

terça-feira, janeiro 03, 2012

MOTO-TAXI: NECESSIDADE E PERIGO

Entre a necessidade do emprego e a preservação da Vida
No bairro Bagdad, Maria Nfwila chora a morte do seu filho querido. Magalhães era moto-taxista e teve um acidente frontal com outra motorizada. Não usava o capacete e por isso não resistiu aos ferimentos cranianos resultantes do acidente.

Na esquadra da polícia, o agente Bernardo Mukwateno tem a farda rasgada e a perna ferida: foi atropelado, em serviço, por um motoqueiro imprudente e sem habilitação que o arrastou por mais de 3 metros.

Na passagem para peões do Kandembe, Mpande a Umba viu o stop e o pára-choques da sua viatura danificados por um motoqueiro que não respeitou aquele sinal de trânsito, como ainda dizia que estava distraído antes de embater na parte traseira da carrinha.

Nos hospitais Municipal e Provincial, os bancos de urgência e as enfermarias são inundados todos os dias de vítimas de acidentes de e com motas que não poupam os passageiros, os transeuntes e os próprios motards. Mensalmente, o número de acidentados, feridos, e até mortes são consideráveis e avultados os prejuízos materiais que afectam as pessoas particulares, as famílias e o Estado que deve prover saúde e assistência à população.

Nas esquadras da polícia, sobretudo nas unidades de trânsito, começa a faltar espaço para acondicionar as motorizadas apreendidas na rua, fruto de condução perigosa, acidentes, falta de documentação dos meios e falta de habilitação para as conduzir. Todos os factos acima enumerados são e devem ser preocupação de todos, atendendo que falámos de dinheiro, segurança e integridade física que num abrir e fechar de olhos podem ser afectados por um qualquer imprudente.

Estou cônscio das dificuldades que o país vive em empregar gente que não teve acesso à escola, sendo grande parte deles jovens, a força activa. De igual forma estou consciente dos distúrbios sociais que os jovens desocupados podem provocar a esta e futuras gerações, caso medidas urgentes e concretas não sejam tomadas. Acho, de igual sorte, pertinente a opção de algumas instituições pela oferta de motorizadas aos jovens para a prática de moto-táxi. Só não entendemos por que razão as iniciativas louváveis de oferta de motas não são precedidas de aulas de habilitação dos jovens para conduzir e indução sobre o uso de equipamentos de protecção (capacetes para o moto-taxista e o passageiro), elementos fundamentais para que tenhamos estradas cada vez mais seguras.

Se todos reflectirmos e começarmos a resolver o problema pela base e não pelo topo, ainda vamos a tempo de emendar o tiro. Só prisão aos prevaricadores e apreensão de motorizadas não resolvem a questão. É preciso estancar a ferida já existente e prevenir outras.

Os motoqueiros, tão úteis à nossa vida comunitária quanto todos os demais profissionais liberais, devem ser formados (habilitados a conduzir); os mecanismos de legalização das motorizadas devem ser claros e simplificados; os próximos utentes de motas (sejam para táxi ou para uso singular) devem ser antes habilitados e documentados; e, já agora, por que não falar em seguro contra terceiros que venham a sofrer de acidentes causados por estes profissionais?

Vamos todos desenvolver a província e o país, mas de forma ordeira e responsável. Cada um fazendo o melhor de si, ultrapassaremos a barreira do subdesenvolvimento.

sábado, dezembro 31, 2011

A ENTREVISTA QUE NÃO ME FIZERAM

Para incentivar a participação de trabalhadores de Catoca e de familiares na habitual corrida de fim de ano, participei da mesma, tendo sido o último inscrito (nro 25), último na colocação de partida e último a chegar à meta.

Sr. Luciano Canhanga, apesar da idade (mais de 35 anos) e de ser PPD (pessoa portadora de deficiência) participou da corrida. Com que objectivos?
- A priori, anunciei a minha inscrição apenas para motivar os demais a participarem. Depois fiz para mim mesmo um desafio que era PARTICIPAR DA CORRIDA e chegar à meta pelos próprios pés, num percurso de12Km.

Atingiu os objectivos?
- Sim. Partir em 25º e chegar pelos próprios pés, ainda que na mesma posição, já foi muito bom. Pior seria usar a ambulância, o que não aconteceu.

Quanto aos prémios, que tem a dizer?
- Houve prémios para todos. Para trabalhadores, para visitantes, para crianças dos 10 aos 14 anos, para senhoras (infelizmente não houve participantes), para a velha-guarda, etc.

Disse que era PPD. Participou nesta categoria ou não estava prevista?
- A priori estava prevista esta categoria. Não se fizeram corridas diferentes nem trajectos diferentes. O primeiro deficiente a cortar a fita, fosse em que lugar, seria o vencedor da categoria. Mas fui o único e acharam que seria integrado na classe da velha guarda onde fui terceiro classificado. Por ter sido a única PPD tb deram-me uma pequena lembrança (já que não tive direito à taça).

Perspectiva para o próximo ano ou próxima corrida?
- Se ainda estiver aqui e tiver saúde vou preparar-me, o que não fiz desta vez, quero sair em 25º e chegar no mínimo em 20º lugar e ser 2º na categoria da velha guarda ou primeiro entre as PPD.

terça-feira, dezembro 20, 2011

A KABAZADA DE SAMA E A "DESGRAÇA" DO NHANY

Há muito que não debicava ideias sobre a vida político-partidária concreta.
1- Não resisti ao óbvio que era a vitória "contundente" de Samakuva na eleição a presidente da UNITA sobre Zé Pedro Katchiungo, por 85% do eleitorado (delegados ao congresso realizada no final se semana).

Katchiungo soube, entretanto, animar a festa e saber perder, o que já foi muito bom, demonstrando também com isso de que embora haja um "mando único" não há uma voz única do "maninho" Samakuva naquela formação política angolana, por sinal a maior da oposição ao regime.

2- Outra nota foi a substituição de Kamalata Nuna por Victorino Nhany na secretaria-geral do partido. Não estive muito atento ao que Numa terá feito de mais-valia em termos de arregimentação de mais prosélitos para o partido. Porém, tudo quanto a media mostrou e disse sobre o trabalho de Nhany à frente da delegação de Benguela é tido como de "boa nota". Daí que a UNITA pode perder um bom delegado em Bengula e ganhar um mau Secretário-Geral. Se Nhany poder levar a mesma dinâmica que teve em Benguela à secretaria-geral, acho que será bom para os "maninhos" que precisam de muitos Nhany´s para recuperar algum terreno há muito perdido.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

A POLÍTICA SACRIFICA INOCENTES?

O Jogo do equilíbrio de interesses pressupões (leva às vezes) à satisfação de interesses de grupos maioritários e o sacrifício de individualidades/colectividades menos numerosas para a manutenção da ordem social reinante.

Numa contenda entre um individuo (ainda que coberto de razão) e um grupo, se o sacrifício do indivíduo propiciar a paz colectiva, a opção será o sacrifício e a reabilitação futura do sacrificado.

Assim vai, infelizmente a política.

sábado, dezembro 10, 2011

POR QUE JOVENS FORMADOS E TALENTOSOS SÃO PRECOCEMENTE REFORMADOS?

‎"O país tem, há demasiado tempo, as mesmas pessoas a fazerem as mesmas coisas.
Há que se inverter os acontecimentos: ou mudam as coisas ou mudam os protagonistas".
- Palavras de um líder associativo de Portugal (SIC-Notícias).
Qualquer semelhança do acima exposto com Angola é mera coincidência.

Angola tem uma velha-guarda guerreira, aguerrida e matreira quando se trata de defender os seus interesses clânicos e de classe (detentores do poder politico e económico), sufocando, como pode e sabe, tudo o que se afirme como novo paradigma (emergente).
 
Domesticar, envolver/comprometer/corromper ou mesmo reformar prococemente os mais renitentes em não aderir a
o seu modus operandi têm sido as tácticas mais recorrentes.
 
Daí a existência de jovens, e não são poucos, que já deram suficientes provas de conhecimento e bien fair que simplesmente foram/são colocados nas "prateleiras" da administração, enquanto outros, sem competências válidas, vão desfilando pelas avenidas, destilando discursos fúteis que apenas servem para entreter os menos avisados, chamando quase sempre ao endeusamento da velha-guarda.
 
O debate geracional, a luta paradigmática, só tem mu vencedor: aqueles que dominam. Os poucos jovens que vão entrando no círculo, cada vez mais restrito, vão à custa do Q.I. (quem te indicou) para substituir o pai, o avô, o tio, etc., ou para preencher, de forma clientelística, uma nova vaga criada no sistema. São jovens que já vão vacinados contra a mudança a fim de impedir a difusão de novas ideias, princípios e práticas, e desta forma permitir a tão propalada "mexicanização" da política angolana.
 
Até quando?

quarta-feira, dezembro 07, 2011

NACÃO CORAGEM NA TVZIMBO?

Cansado de ler, decidi fazer um zapping e fui ter, ocasionalmente, à TVZimbo que exibia um programa que me transportou aos tempos do "Nação Coragem" e "Angola em Movimento", programas de propaganda política/institucional do governo angolano, gravados na Orion e difundidos pela televisão pública, TPA.

Recuei e reconfirmei que estava no sítio certo: TVZimbo. Apenas o programa (Nossa Terra) é que era diferente do clone produzido pela TPA e diferente no estilo de redacção e apresentação. A locução e até a redacção eram as mesmas do Não Coragem e Angola em Movimento (escritos por brasileiros e lidos por angolanos).

Ancioso em tirar dúvidas sobre a "descoberta", peguei o telefone e, de imediato, mandei sms para alguns amigos jornalistas em Luanda, a perguntar-lhes sobre o que se estava a passar, só que, para a minha pouca sorte, ninguém soube explicar ao certo.

Tudo quanto pude, e já com o decorrer dos dias, me aperceber é que na próxima campanha eleitoral a Televisão Pública vai dedicar-se "exclusivamente" a dar tratamento igual a todos os partidos concorrentes, ficando a TVZimbo encarregue de fazer o “desempate”, ou seja, escoar toda a carga publicitária excedentária do Manda-Chuva.

Soube também que a Zimbo e a Mais estão já a preparar-se para a eventualidade de o Manda-Chuva não conseguir desferir uma nova “cabazada” aos seus adversários em 2012, assumirem o papel que então estava confiado à media pública (RNA, TPA, JORNAL de ANGOLA e ANGOP) de lavar a imagem institucional e dos titulares, bem como o contra-ataque que sempre se espera duma oposição.

São, de momento, conjecturas que o tempo se encarregará de esclarecer. Enquanto o jogo não começa de facto, o menu aponta-nos para um Nação Coragem na TVZimbo, para aquecer os players.



sábado, dezembro 03, 2011

O COMÍCIO DO MBUKAYO

Extracto de capítulo do livro "O RELÓGIO DO VELHO TRINTA"
(No prelo)

Mwata Cikambi sacudiu o único casaco que tinha e sem aviso prévio decidiu rumar à sede administrativa da circunscrição que tinha recebido um novo chefe. Com jeito vestiu a camisa branca, quase a perder a cor de tantas lavagens e nódoas involuntárias de sumo de cajú. A parte traseira estava mesmo rota. O velho, um antigo guerrilheiro da luta de libertação, meteu-se a caminho para uma conversa aberta com o nóvel dimixi .

- Menina boa tarde. O camarada administrador está?
-Sim paizinho. Mas … o senhor veio da parte de quem?
- Da minha parte mesmo. Vim sozinho. Sou o Mwata Cikambi. Menina num me conhece?

A jovem, esbelta de se pôr inveja, dezanove anos mais ou menos, cintura fina e ombros de cabide, levou tempo a responder e logo o velho notou que ou não o conhecia ou a secretária estava a fingir.

- Essas meninas de agora são sempre assim. O chefe pode estar lá dentro mas dizem sempre que não está ou está reunido. Mas hoje não sairei daqui sem que ele me receba. - Falou para si mesmo.

A secretária, sabendo que o chefe demoraria a atender o soba, optou por levá-lo à sala de espera.

- Mwata, espera só um bocado que vou já avisar o chefe que está reunido com umas pessoas que também vieram de longe e chegaram primeiro.
- Está bem filha, - respondeu, embora recticente.

Na sala, Satula recebia um a um outros senhores, os notáveis de Mbukayo. O administrador tinha apenas dias mas a lista de pedidos de audiências já era enorme. Eram fazendeiros que pediam alfaias e acesso ao credédito agropecuário, sobas que exigiam regalias, antigos guerrilheiros que pediam pensões, viúvas que procuravam por maridos desaparecidos na guerra, enfim… um mar de preocupações com que Satula nunca contaria logo na primeira semana. Mas o destino estava traçado. “Não adianta fugir dos problemas porque eles antecipam-se à nossa marcha”. - Desabafava com os poucos amigos que tinha na vila.

- Pai, toma um café? - Questionou Lawa, a secretária.
- Sim menina.
O tempo passava, a vez de entrar na sala do administrador tardava em chegar e o café esfriava. Nem sequer o tinha adocicado com o mel delicadamente servido numa tigelinha. Duas horas depois, com o administrador já pronto para o cara-a-cara, Lawa voltou à sala de espera e reparou que o café, já sem calor, mantinha-se intocado.
...
- Oh Citonji, essa tua mania do está ultrapassado eu não gosto. Como é que você vê as pessoas a sofrerem e na hora já de falar tudo o que se passa vens aqui com cantigas de que te ultrapassei. Por acaso você viu alguém na estrada a andar de vagar?
- Cala a boca seu terrorrista. A tua sorte e que a guerra já acabou se não eu mesmo é que ia te apagar desta vez. – Rechaçou Citonji, Manuel Nhanga de seu nome, mas assim apelidado devido a contracção de uma deficiência física na guerra da independência.

A rivalidade entre Mwata Citonji e Kajivunda era de há muito tempo e escapava ao conhecimento do administrador que os recebeu em simultâneo para exporem em conjunto as dificuldades por que passam os antigos guerrilheiros da pátria em Mbukaio.

Residiam, enquanto crianças, em paredes-meias e foi o único tempo de amizade e cumplicidades. Um no primeiro andar do pequeno edifício da vila que chamavam kaprédio e outro no rés-do-chão. A rivalidade começou na juventude quando tiveram de aderir aos movimentos. Chitonji era e é um farvoroso apoiante dos Vermelhinhos e como eles alinhou para as matas do Leste onde viria a ser lesionado no ombro esquerdo. Kajivunda sempre se reviu nos Verdinhos do Jacinto e cedo se tornou no encarregado da logística do mais novo movimento que depois passou à oposição armada ao regime dos vermelhinos. Separados no ano de setenta e um, voltaram a reencontrar-se já nos anos noventa e sem a pujança doutrora.
- Vocês do Vermelho são sempre assim. Lambem a bota até furar o cabedal… O administrador é novo e precisa de saber as coisas, pá!
- E vocês que partiram o Mbukayo pelo meio são quê. É? Me fala seu reaça.
- Reaça é você, seu cobarde. Onde te está a dar a comichão é onde você se coça. Porquê que andas roto se o vosso Vermelhinho te dá tudo e tu não precisas de nada mais?...

O Livro está na forja, se gostou, leia mais em www.atura-liter-atura.blogspot.com
Para apoiar a publicação deste  e d´outros aguardo pelo seu contacto: 923558651

terça-feira, novembro 29, 2011

DE VOLTA À CASA (IMUA-MOISÉS)

Volvidos cinco anos, vi-me, novamente, no templo da Igreja Metodista Unida - Moisés, ao Cazenga.

Não que durante este tempo estivesse errante noutras denominações religiosas ou longe da coabitação com as "ovelhas" metodistas. A trabalhar em Saurimo (Luanda Sul), comecei por frequentar cultos multi-denominacionais que me pareceram fora do que me é habitual. Descobri a igrea local que frequento-a com assiduidade.

Em Luanda, já visitei a Nova Estrela e a nova Icolo e Bengo, porém, estar na Moisés foi diferente. Ver aquelas crianças (jovens de hoje) aqueles jovens do meu tempo (adultos de hoje) e o que resta da "biblioteca" (contam-se apenas o Necas o Bartolomeu e uns poucos no activo).

Foi reconfortante reencontrar velhos amigos da EBF, do coro, da Juventude, da OJA e também dos "frascos". Foi bom reviver a infância e juventude metodista na Moisés.

sexta-feira, novembro 25, 2011

"Polícia de trânsito só passa notificações e não guia de ocorrência"(?)

Dia 24.11.2011
Só quem, por acaso, se vê forçado a ir a uma unidade policial (de Angola) sabe quão doloroso é. Para mim, não foi a primeira vez que "bebo do fel" do despreso, da desatenção e da coação silenciosa para "soltar" algo que mate a sede ou a fome do polícia.

Desta vez, estive numa unidade da polícia de trânsito, devido a um motoqueiro que partiu o STOP da viatura que conduzia. Levados à esquadra, e com a carta de condução e bilhete de identidade no bolso do agente que de imediato tomou conta da ocorrência, fiquei entregue a ninguém das 9 às 14h00 momento a que fui "solto" sem uma guia sequer de que estive naquela unidade, para justificar diante do meu patrão. E, sempre que perguntei sobre a instrução do processo e a responsabilização do infractor a resposta foi: "chefe, não posso trabalhar rápido, ganho pouco e o salário nunca andou".

E como se não bastasse, o motoqueiro não tinha nenhum documento ne termo de residência, tendo o agente de forma despreocupada me ordenado: "como ele não tem documento, nem se conhece a casa dele, vai com ele até á casa dos familiares a fim de se entenderem sobre o pagamento do Stop".

Neguei. "O Senhor está a me dizer para ir sem polícia a casa dum individuo que nem vocês conhecem? E se me baterem?
- Hum, aí vocês já éque sabem, mas não vão te fazer nada!- defendeu-se o agente, sem mais argumentos.
Conclusão: Perdi o dia todo na polícia, nem número do processo me deram., largaram o motoqueiro que apenas viou apreendida a mota na esquadra, não sabendo se já a devolveram a troco de uns tostos.

E eu, cá estou: cansado, vilipendiado e aborrecido comigo mesmo e com a polícia que temos. É que se tivesse levado a motorizada à minha empresa, a situação teria andado. No mínimo tinha como explicar que não fui culpado do acidente... Dá p´ra acreditar neste órgão?

Dia 25.11.2011
Decidi desabafar junto a um amigo que é director Provincial da Polícia Ordem Pública que de imediato orietou que o seu oficial de diligência me levasse à congénere políca de transito e resolvesse o caso.
11H30
Lá fui acompanhado do Insector-Chefe (três estrelas ao ombro e braçal no braço). Postos na polícia, aquilo que parecia ser trivial complicou-se.

Expus o caso ao agente que supostamente está a cuidar do assunto e exemplifiquei que "preciso dum auto-de-ocorrência que ateste que sofri acidente e não provoquei. Preciso de justificar ao meu patrão pela falta e ao dono da viatura, que é da rent-a-car, para que saiba que não tive culpa nos danos provocados á viatura e para que não me apliquem um processo disciplinar.

O Homem (agente de primeira devidamente identificado) rispostou que bastaria eu ligar.
Voltei a reexplicar que "a polícia tem de me dar uma papel que diga que alguém bateu no carro e a polícia está a cuidar do caso"...
O homem enervou-se e meteu-se aos gritos: "como é que vou fazer um documento que aqui nunca se fez? Esse homem é cmplicado... A polícia de transito só passa notificação, se quem errou não é ele que documento lhe vamos passar?... Eu já disse ao homem para ir com o infractor à casa deles para que a se entendesse com a família do motoqueiro"... (imagine que eu, desacompanhado de polícia, fosse à casa do infractor que de imediato se faria passar de vilão à vítima... livre-me Deus).

Tal reacção, assim dita e acompanhada de musculados gestos, irritou o inspector-chefe que com muita diligência procurou por um individuo de patente maior, mas, ledo engano. Um inspector da mesma corporação, quando explicado sobre o sucedido e o que o prejudicado pretendia ainda insinuou que lhes estava a chamar de incompetentes e a complicar-lhes a vida.

Pedi ao inspector-chefe, que me acompanhou, para que nos retirásse-mos, assumindo a minha falta perante o patrão e a culpa perante o dono do carro, já que a polícia de trânsito não tem competência para passar uma informação ao meu empregador, nem ao dono do carro.

Agradeci ao oficial de diligência e ao meu amigo Superintendente (DPOP) e estou aqui, mais frustrado do que ontem.

- Dá p´ra acreditar neste órgão?

terça-feira, novembro 22, 2011

DIA DO EDUCADOR SEM A CHAMA DOUTROS TEMPOS

Em 1978, Agostinho Neto, na fábrica de tecidos textang II, fez a abertura da campanha nacional generalizada de alfabetização.

De lá para cá... melhor, de lá para os idos anos noventa do séc. XX, a data ficou nacionalmente conhecida como o dia do educador. 

Nas escolas do ensino primário, sobretudo, era comemorada com pompa. Dava-se o devido valor ao educador escolar. Hoje a coisa mudou. Do professor só se fala em dois momentos: quando das matrúculas e no fim do ano lectivo, época das provas finais.

O professor deixou de ser "combatente da linha de frente". 

sábado, novembro 19, 2011

PRECISA-SE MÃO SOLIDÁRIA PARA PUBLICAÇÃO DE "MANONGO-NONGO"

Para a publicação de CONTOS INFANTO-JUVENIS escritos para eferta às crianças do LESTE DE ANGOLA que nada/pouco têm para ler, além do manual escolar.

LEMBRE-SE: "Um livro é tão útil a uma criança quanto um copo de leite (SIC- Gabriela Antunes).


Quem se rever na causa pode ligar para  929404815 e falar com o autor deste blog.

terça-feira, novembro 15, 2011

BENTO BENTO CUMPRE PROFECIA?

INÍCIO DE MORTE ANUNCIADA OU MARCHA TRIUNFAL RUMO AO PALÁCIO DA CIDADE ALTA?
NOMEADO GOVERNADOR D´"O CEMITÉRIO DE QUADROS", SEGUNDO O PRÓPRIO.

Lembro-me que, a pouco menos de um ano, o novel timoneiro de Luanda fora questionado sobre o que achava da governação da província que acolhe os órgãos centrais de soberania e, Bento Bento, dizia que achava "Luanda um cemitério de quadros" por acolher probemas muito complexos de nível nacional e provincial.
 
O recém-nomeado governador da província que acolhe a cidade capital de Angola dizia mesmo que nunca
anseiaria  o Palácio da Mutamba por se constituir num "matadouro" de quadros políticos e técnicos.
 
Por mais paradoxal que pareça, Bento Bento, o nosso grande "agitador e congregador de massas"  acabou por "morder a isca" tão logo recebeu a piscadela de olho.
 
Estará Bento Bento pronto para "morrer" políticamente ou a sua fidelidade ao chefe é tão canina que se tornava impossível recusar o aceno?
 
Conhecendo a efemeridade dos titulares do Governo Provincial de Luanda, aguardemos pelo que o nosso "Buldozer" fará à frente da província mais problemática do país e por quanto tempo se aguentará no leme.
 
Boa sorte Camarada Bento Bento!

quarta-feira, novembro 09, 2011

COMO MINHA AVÓ CURAVA O SOLUÇO

O Empirismo é entendido nos circulos cientificos como a aprendizagem ppor via da experiência. Esta definição está muito longe do senso comum que atribui ao empirista o improvisador/charlatão.

Dizem ainda os entendidos na matéria que o conhecimento estruturado ou elaborado e comprovado(científico) emana do empirismo. 

Essa introdução vem a propósito de como minha avó curava as nossas crises de soluços.
> Moxi, yali, tatu, kwana, tano, samano, sambewa, nake, iva, Kwí: Kwata Ximba, namena mbokoto.
Avó (Lulu) pedia-nos que bebéssemos água aos goles, contando de um a dez, seguido da expressão "kwata ximba, namena mbokoto". E o soluço desaparecia!

quarta-feira, novembro 02, 2011

FINADOS QUE ME INSPIRAM

 Nunca parei, em dia como hoje, para reflectir sobre aqueles que já se foram, mas que de forma directa ou indirecta contribuiram e contribuem para a formação e refinamento da minha personalidade.

5- Vemba Pedro Menezes (Kayebo), um colega e amigo, partiu a 01 de Junho de 2005 num fatídico acidente em que íamos 4 elementos, tendo o destino nos dividido: dois se foram para a eternidae e dois ficaram aguardando o reencontro que não sei quando. Em cada passo, em cada aceleração está ele à cabeça.

4- António Carlos Ferreira (Toi), meu sobrinho, tão amigos e tantas brigas que já tivemos... Cada um no seu orgulho de que era "o melhor". Estávamos sempre em brigas mas rápido dos uníamos sempre que o inimigo/adversário viesse de fora e atacasse alguém da família. Fazíamos um dupla jamais vista na família. Toy, os dias que vivo não são os mesmos que partilhámos quando respirávamos este ar que Ngana Ñunji nos legou. Hoje acontecem abusos contra a nossa família e tenho de engolir. Quem comigo faz a dupla imbatível e temível como a que formávamos? - Ninguém! O Toy morreu em 1998 num acidente de moto inexplicado até aqui.

3- Ferreira Ganga, meu tio, acolheu-me em 1984, depois de me ter tornado órfão de pai. Gabava-se do sobrinho que criava. Espalhou mimos e proteccionismo, conforme narrado de forma fictícia na homenagem que lhe dedico no meu "O Sonho de Kaúia". Faleceu em 1988 sem que eu podesse ver onde foi sepultado.

2- António Fernando Dambi (retratado como Ti-Chico no meu livro que também o homenageia), meu pai, faleceu em Julho de 1984, vítima de uma patologia infecciosa. Para o dia-a-dia, ficaram os seus ensinamentos recebidos ainda no berço. "Um homem não pode passar o dia como se fosse uma camisa na mala", dizia ele para acrescentar que "Filho de pobre tem de estudar e ter profissão". Pai, fiz o que pediste e como hoje o pão amassado pelas minhas mãos.

1- Ngana Ñunji (Soberano Suporte), Kanhanga Masaka de nome próprio, meu avô materno de kem ganhei o apelido,não o conhecei. Morreu uma semana antes do meu nascimento. Pelas façanhas contadas por seus súbditos daquele tempo, foi, sem dúvidas, um Grande Homem e Um Grande Soberano de quem me orgulho ser descendente e herdeiro. Obrigado avô, o seu trono ser-me-á bem entregue quando o tempo chegar.