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segunda-feira, maio 31, 2010

O PRÉDIO DA QUIBALA


"Deixar de sonhar é morrer". Ninguém, e nada mesmo, pode colocar fim à imaginação criadora do homem, sobretudo quando se sente em condições de realizar.

Alguém, um cidadão anónimo quibalista, quis construir um edifício de dois pisos. O homem sentiu-se encantado ao encontrar edificios daquela natureza na vila sede. Pensou emocionado em construitr o seu. Faltaram-lhe porém, a ciência, os recuros financeiros e materiais. Mas não desistiu.

Encontrou na aldeia um espaço com desnível de relevo. Um terreno subdividido com uma parte mais alta do que a outra. E pensou ele que aquele seria o local ideal para realizar o seu sonho, construindo duas residências geminadas que, vistas de longe, pareceriam pisos sobrepostos.

Bem pensou, partiu para a prática. Fabricou adobes, comprou chapas de zinco e ... mãos à obra!

A foto (gentileza de Maria João Neto) diz tudo.

terça-feira, maio 25, 2010

O QUE FAZER DEPOIS DA MEIA IDADE?

Hoje 25 de Maio, dia em que os africanos se rejubilam pela criação, em 1963, da OUA, agora transfigurada em União Africana, é também o meu dia de bodas. E faço 36 anos, o mesmo que estar mais para lá do que cá,  tendo em conta o que determinei como idade ideal para se viver que são setenta anos. Por isso, passo hoje à outra idade, a da razão pura, reflexão e comedição.

Não me cobrem se já não soltar sorisos rasgados; se me virem vestido a papá; se não vos responder na hora, temendo tomar decisão errada; se for comedido nas afirmações e nos discursos, ... Tornei-me um mais velho e "mu dikano dya muadyakime ki mutundu maka mabolo".

Actos aplausíveis e apupáveis terei sempre pois me sujeito à minha condição humana... E penso também hoje no que fiz, tenho de fazer e como viver os 34 em falta... 

terça-feira, maio 18, 2010

O DIA EM QUE OS BOMBEIROS CHEGARAM TARDE

Tornaram-se vezeiros os incêndios de grandes proporções na capital angolana e com prejuízos enormes, às vezes incalculáveis, se estendermos os danos aos morais.

Por descuido ou desleixo para com as normas básicas de segurança das instalações, todas as semanas são reportados incêndios em instalações comerciais e residências que deixam muito angolanos com dores físicas e bocas amarguradas. O mais recente incêndio de grandes proporções aconteceu no mercado do Roque Santeiro, ao Sambizanga, tendo consumido bancadas, barracas e casas onde era guardado material de construção em venda naquele mercado paralelo (feira).

Pelo que se ouviu das visadas, entrevistadas pela TPA, qualquer uma das vendendora terá perdido valores acima de USD 3.000,00, pois só com aquele montante se pode entrar para a comercialização de materiais de construção.  E não estamos a falar de empresárias. São pobres mulheres que pediram o dinnheiro emprestado de alguém conhecido, com o único objectivo de manter acesos os fogareiros e os fogões.

Mulheres  "vijunárias" que recorreram, agregadas, ao kixi-crédito e ou micro-crédito para poderem sustentar as famílias ao mesmo tempo que reembolsam os valores recebidos. E o fogo consumiu tudo o que encontrou encaixotado. Lavrou até o dinheiro que "por questões de segurança as senhoras nunca conseguiam levar para casa, deixando-o guardado entre as imbambas". Perderam-se "vidas" feitas ao suor de muitos dias de sol, frio e poeira no descampado do Roque Santeiro. E foi "graças a pronta intervenção dos bombeiros" pois, pelo contrário, "o chão teria ardido"...

Se com a "pronta intervenção" do corpo de bombeiros acontece o que a TPA mostrou (reportado como um infausto incêndio), gostaria de saber o que acontecerá no dia em que os bombeiros chegarem tarde?

domingo, maio 16, 2010

UM MITO CHAMADO LIBOLO

Antes dos três jogos que definiram o vencedor da taça de Angola em basquetebol ninguém, nem mesmo eu (acérrimo defensor da equipa da minha municipalidade) acreditava na vitória do Libolo frente ao "tout puissant" 1º de Agosto.

A primeira partida saldou-se numa pesada derrota para os libolenses que entraram na luta pela primeira vez, relegando o petro e ASA. Foram 116 pontos para os militares e 80 para os "atrevidos" libolenses o que fazia prever "um passeio" do D'Agosto na competição.

No jogo que seria da confirmação, o Recreativo do Libolo venceu por 3 pontos de diferença, 92-89, o que levou as duas equipas a disputarem uma finalíssima. Nem com isso a aposta se equilibrava a favor dos libolenses, pois há muito os militares são papões na modalidade e a turma da vila cafeícola do Kuanza-Sul apenas está na competição há duas temporadas.

Na finalíssima, disputada hoje, o 1º de Agosto auto-confiante defrontou um Libolo com elevado estado anímico e o resultado não podia ser outro: 66-64 a favor dos "miúdos" que conseguem o seu primeiro título no basquetebol masculino angolano. E está apenas há duas temporadas na competição, seguindo os mesmos passos que a e quipa de futebol que ao entrar foi terceiro melhor classificado do Girabola, subindo para vice-campeão na segunda participação (2009).

terça-feira, maio 11, 2010

O IMPACTO DO ATRASO SALARIAL NOS JUROS DE MORA

Há alguns anos o que mais aquecia o debate dos economistas angolanos radicados em Luanda era a bancarização salarial. Um imperativo que se afigurava de todo útil e inadiável, tendo em conta a possibilidade de regularização da economia nacional, a possibilidade que os trabalhadores teriam/têm de contrair empréstimos junto da banca comercial, as lera livranças (alguém ouve mais falar delas?) e etc., etc.

Bancarizados que estão agora os "kumbús" (dinheiro) de muitos angolanos, um outro muro surge bem "à frente dos trabalhadores": o atraso de salários na função pública e nalgumas empresas e mistas. Como era de imaginar, para além dos fogões que entraram num estado de ociosidade, cozinhando dias sim, dias não, o ordenado do mês em falta está já duplamente comprometido com o pagamento de kilapis (dívidas) contraídos para acudir o atraso salarial e com os elevados juros de mora, junto dos bancos credores.

Aqui chegados e sem que o "quem de direito" venha a público explicar o que, na verdade, se estará a passar como o salário e o como será vista a questão junto da banca credora, que descontará "um juro incrementado" em função da "nossa má fé (?)", enquanto devedores (culpa porém que nos é alheia), só nos restam  os jornalistas "independentes" para promoverem debates, juntando empregadores, Banco Nacional, bancos comerciais (pagadores de salários e cobradores de juros de mora), MINFIN, economistas, cidadãos afectados pelo atraso salarial e pagamento de juros hiper-altos e outros actores sociais e económicos para produzirem os esclarecimentos que se impõem. 

O que são juros de mora?

Quando alguém está obrigado, por um contrato ou pela lei, a realizar um pagamento dentro de um prazo determinado e, por sua culpa, não o faz, diz-se que essa pessoa se encontra em mora. Ao encontrar-se em mora, o devedor fica legalmente obrigado a indemnizar o credor pelos eventuais danos por este sofridos, decorrentes do não pagamento em tempo devido. Esta indemnização traduz-se no pagamento de juros de mora (em países com Portugal a taxa aplicada pode ir até 8% do montante em atraso. Em Angola desconheço os valores pelo que peço contribuições a quem as tiver). Assim, além da dívida propriamente dita, há que pagar uma compensação ao credor pelo atraso do pagamento.

Algum jornalista ou editor (dos M.D.M. e O.C.S.) segue este caminho? Haja coragem!

sábado, maio 08, 2010

A DÉBIL SEGURANÇA LABORAL NAS OBRAS CHINESAS

João Cipalavela é natural do Kuito. Forçado pela pobreza e pela guerra viu-se longe da escola e dos centros de formação profissional. Agora adulto, e com a formação da família em perspectiva, Chipalavela decidiu fugir da ociosidade e dos maus vícios (drogas, alcoolismo), empregando-se, em Luanda, numa empresa de fabricação de blocos de cimento utilizados na construção civil.

- "Aqui, óh mano, a vida é dura. O tal dinheiro mesmo que nos pagam é só vindi-e-um mili kuanza. Nó chega mesmo e ainda nos descontam lá a comida que comemos"._- Disse-me quando o abordei sobre a sua proveniência rápidamente denunciada pelo sotaque no falar.

Chuipalavela e amigos, todos de províncias do interior, labutam mais de 18 horas ao dia, com apenas 24 horas de descanço ao longo da semana. É um trabalho árduo. Carregar as betoneiras, controlar as máquinas, carregar os blocos húmidos para o sol, arrumá-los depois de secos, carregá-los nas camionetas que atendem os clientes e descarregá-los nas obras destes e outros afazeres domésticos no estaleiro.

- "Óh mano, ainda se você não tem força te mandam 'mbora sem te pagar. Só nós mesmo é que aceitamos. Os daqui (luandenses) num aceitam esse trabalho. Lhes mandam só um dia, já num vorta mais"- Contou-me.

Mas a vida dura de Chipalavela e companheiros tem outros capítulos. Um deles tem a ver com a insegurança no trabalho. Chipindi é de Boas Águas, no Catchiungo - Huambo. Trabalha na empresa de confecção de blocos, detida por chineses, há nove meses. O jovem reclama de maus tratos, da jornada contínua sem descanço e da falta de equipamentos adequados de protecção individual (EPI's), bem como da ausência de cuidados médicos em caso de sinistros. Chipindi conta que ao arrumar os blocos houve a queda de um monte,provocando-lhe escoriações no rosto e nos dois braços e antebraços. O patrão apenas deu-lhe duas coritas (adesivo) e nada mais.

_ "Nem só mesmo álcool ou tintura me deram, para não falar já de me levar no hospital". A mulher do patrão que senta aqui (indicava ele à cadeira ocupada habitualmente por uma senhora também chinesa) me disse vai se lavar com a água do tanque e depois põe essas duas coritas que me deu. Assim estou ainda a pensar se este mesmo é tratamento que se dá numa pessoa" - desabafou.

Notei ainda que mesmo com o sol ardente do meio-dia os motoristas chineses nunca permitem que os seus ajudantes angolanos (carregadores de blocos) usem a cabina da viatura, tendo de fazer-se transportar por cima da carga,recordando-nos cenas antigas de "mona ngambé" (filho de escravo).
Por tudo o que vivenciei nos três estaleiros que percorri na última quinta-feira 06.05.2010) em busca de matéria-prima para a minha obra, uma chamada de atenção aos fiscais do Ministério do Trabalho não seria pedir em demasia. Seria bom também que os SME passassem por essas empreiteiras e verificassem se todos têm autorização legal de permanência. É que se chega rápidamente à conclusão que para além da falta de respeito às normas elementares de saúde e tratamento humanos, há também muitos chineses e chinesas dispensáveis para o tipo de trabalho que se pratica.

Passem por lá, Srs do MAPESS e SME, e apliquem a tolerância ZERO.

Nota: O autor viveu os factos ao dirigir-se aos estaleiros paralelos à obra da SONANGOL DISTRIBUIDORA e cooperativa cajueiro, na estrada da Camama, bairro Viana II. A reprodução textual respeita o "linguajar" dos declarantes.

quarta-feira, maio 05, 2010

CRESCEM ASSALTOS NA PERIFERIA DE LUANDA

Até ao ano de 2002, quando a preocupaçao maior era acabar com a guerrilha, a questão da mitigação dos assaltos, à mão armada, em Luanda e noutras cidades do país, era tida como secundária. Os meios (humanos, técnicos e financeiros) eram quase todos eles canalizados para as "zonas quentes" e até mesmo delinquentes conhecidos eram recrutados para a "causa maior" da nação, a defesa da integridade territorial e da soberania.

Conseguida a paz, em 2002, começou-se a olhar um pouco mais distante da curva do nariz. Começou a falar-se sobre o policiamento de proximidade (o finado Isaias Chungufo foi dos primeiros a propagar entre nós o termo). A polícia viu-se apetrechada com novos meios técnicos e os homens recebem formação. Só que os defeitos  "de fábrica" se mantêm. É a preguiça quando não é o carro avariado, São os charcos que impedem a circulação das patrulhas, os mesmos homens que foram parar à polícia de forma acidental, enfim, os males de sempre emperram ainda a rotação máxima e desejável da engrenagem policial, e vezes sem conta somos confrontados com informações sobre assaltos à mão armada nas ruas, nas paragens de transportes, em residências e em lugares que a priori o incauto nunca desconfia.

O bandido está em todo o lado. Excepto a prontidão da nossa polícia. Ontem mesmo (04.05) dois individuos que seguiam atrás de mim (19h30) foram assaltados em Viana por dois meliantes armados que se colocaram em fuga depois de consumado o acto. Cantinas têm sido assaltadas dias sim, dias também. Os nossos homens de farda azul sabem disso e na prática nada!

Hoje de madrugada, na zona do SEIS, em Viana, três residências foram simultâneamente assaltadas à mão armada sem que a polícia movesse alguma palha. Avisado ao telefone pela minha irmã, ainda liguei para o nr.113, tendo o homem do piquete mostrado preocupação e sinal de que a polícia lá iria em socorro dos aflitos. Tudo o que sei é que os bandidos levaram o que queriam e inclusive "pintaram o diabo". Acordados pelos gritos os vizinhos compareceram e ofereceram compaixão... Apenas a polícia não se fez presente.

Que relação haverá entre os gatunos e aqueles que, sendo sua tarefa combatê-los, nada fazem?

sexta-feira, abril 30, 2010

A ALEGRIA DA MINGOTA E A INFELICIDADE DO KITEMBO

Alegre, ela. Sabe cativar e expandir sorrisos rasgados ao vento. Assim procedeu e atraiu o seu macho predilecto.

Gordo, ele. Fora esbelto num passado que apenas os amigos de infância e adolescência conhecem. Juntos os via caminharem da Central à Moisés, em dias do centenário Metodista ou a caminho dos ensaios do coro. Juntos também estavam, vezes sem conta, no Ngola Mbandi onde concluíram o ensino básico na década de noventa do século XX. Kitembo é amigo do Canhanga, diga-se, apesar das curvas e contra-curvas que os separa últimamente.

Domingas, ou simlesmente Mingota, Kitembo e Canhanga têm algo em comum. Ambos entendem de jornalismo. Cada um a seu nível de prática e conhecimento, pois foram sempre de formações e visões diferenciadas. Os dois primeiros no activo e na mesma rádio onde Kitembo é líder e o terceiro emprestado à comunicação institucional duma empresa de grande porte. Vez por vez encontram-se os rapazes, para trocar ideias, discutir o indiscutível ou até mesmo tomar uma pinga. Bons frascos já foram ambos no passado, mas as responsabilidades profissionais e a idade que pesa com o cair de cada sol vai atenuando a frequência com que se entregam ao que marcou o primeiro milagre de cristo.

Nestes anos de simples adepto do jornalismo, sem poder entrar em campo e marcar golos, Canhanga aprecia, com nostalgia, os lances mal efectuados de cada amigo, cada conhecido, cada voz que encanta e cada texto que encontra nas mãos dum ardina. E foi nesta pele que ouviu a voz do amigo vomitada pela caixa do carro anunciando que "infelizmente" os ouvinte não teriam a reportagem matinal da Mingota que "felizmente" contrairia matrimónio naquela manhã de sexta-feira.

O Kitembo (na foto) perdeu, no serviço, temporariamente a Mingota que se casou.

sábado, abril 17, 2010

A CANTINA DO KAMARÁ E A LEI DOS 3M

Sabe-se que quando da independência, havia um comércio retalhista estruturado, com lojas e cantinas (comércio precário) com um sistema de produção de bens considerado aceitável para aquela época. Importa também reconhecer que a economia angolana nem sempre esteve totalmente monetarizada, coexistindo o comércio monetarizado e a permuta (troca de bens/produtos por outros de valor equivalente). Três factores animam nos últimos anos o nosso comércio.

De um lado está o comércio informal, feito em locais impróprios e que prejudica a vida urbana (circulação, asseio, estética, etc). De outro lado está o surgimento de grandes e médias superfícies que vão cobrindo, nas cidades, um vazio que há muito se fazia sentir em termos de concentração de bens e serviços num espaço único. Para o caso de Luanda existem os Shoping’s e os "Nosso Super". A terceira variante, e preocupante, tem a ver com o surgimento de cantinas, nos subúrbios das cidades, detidas maioritáriamente por cidadãos expatriados. É aqui que os cientistas sociais são chamados para estudos sobre as causas e objectivos dos promotores deste tipo de “apropriação silenciosa”.

Sabe-se que à luz da legislação económica angolana, os estrangeiros são chamados para investirem em áreas que envolvam avultadas somas monetárias e para as quais os nacionais não estão in solo “preparados” para a demanda que se impõe. O comércio grossista é, por via disso, um pedaço em que são chamados a debitar esforços. O que se assiste, porém, é o contrário e várias vezes nos perguntamos: _ Porque será que as cantinas passaram todas às mãos dos Kamarás, Dialós, Diarrás e Diakités?

Um estudo (ainda inacabado) sustenta que por trás dos cantineiros expatriados estará uma mão invisível que usa os mesmos métodos praticados pelos europeus nos longínquos séculos XIV e XV, ou seja, os 3M: marché, missionnaire et militaire (aqui entendível apenas como povoir/poder). Os norte e oeste-africanos usam o comércio/economia para expandirem a sua religião (islamismo) e com ela (a religião proporcionará o aumento de prosélitos angolanos confessos) virão outras formas de exercício do poder. Sabe-se que a economia e a política andam sempre de mãos dadas.

Não se podendo pôr termo ao surgimento das actuais cantinas que encarnam o chamado comércio de proximidade, urge a necessidade de regular/definir e fiscalizar os que o fazem e em que circunstâncias exercem esta actividade. Por outro lado, assistindo-se ainda à permuta em algumas áreas do interior do país, fruto do fraco nível de produção e distribuição, entendo que só a autosustentabilidade em termos de bens e serviços nos levará à completa monetarização do comércio e ao equilíbrio entre a procura e a oferta que muito afecta os preços.

Estando, com certeza, o Governo atento ao debate e às prementes necessidades dos angolanos, o anúncio feito pelo Presild, de pretender levar ao interior mais de dez mil lojas de proximidade, é um valente passo que só peca por tardia.

Publicado no jornal "Semanário Económico" do dia 15 de Abril de 2010.

terça-feira, abril 13, 2010

UAUÉ: NVULÉÉÉÉÉÉ!!!

Ai-ué: É Chuva!
A interjeição, expressa em Kimbundu, indica preocupação devido à chuva que se aproxima. Em Luanda ela é solta quase sempre que São Pedro abre as portas. Choveu no domingo, 11 de Abril, e as consequências de uma urbanização precária estão à vista. Os danos materiais e financeiros estão por calcular e sabe-se mesmo de antemão que não haverá especialistas para os recolher um a um e os divulgar.

Quanto aos danos morais, estão todos os caluandas afectados. O transito ficou mais complicado (como sempre),  a água invadiu e arrastou tudo o que econtrou pela frente, enfim. Só quem vive em Luanda sabe o  que lhe acontece neste período. Dos políticos no governo apenas falatórios... Promessas de dias melhores que se repetem ano após ano...

"_ E agora?
_ Refazer tudo partindo do nada. Comprar novas moibílias, comprar novo carro, arrendar uma nova casa, reconstruir o que se destruiu.

_ Lamentar?
_ Nada. Pra quê meu mano? Mesmo que chore ninguém limpa as lágrimas.... vamos só é seguir em frente!"

Fim de citação.

domingo, abril 11, 2010

MALANGE OU MALANJE?

Disseram-me, nos tempos em que andei na Rádio, que o que mais valia em radiodifusão era a dicção e não a correcta redacção ds palavras, sobretudo homófonas. Para a imprensa, e se chamarmos a questão formativa, chego a conclusão de que estava perante um ledo engano. Escrever bem é uma arte. Os topónimos, antropónimos e outros nomes, devem ser escritos de forma correcta e exemplar para que não criem confusões aos novos membros da "família" (menores em processo de aprendizagem, visitantes, expatriados, etc.).

Quem lê a página "Regiões" do Jornal de Angola encontra grafado em diferentes formas o topónimo que designa a província da Palanca Negra Gigante. Nota também que os próprios repórteres, a partir do local dos acontecimentos, grafam-na a seu bel-prazer, tal qual o fazem os editores dos média em Luanda.

_ Como ler na mesma secção textos assinados por repórteres que escrevem a partir da mesma província grafados de forma diferente? Onde estará o erro?

Já vários debates foram feitos por linguistas nacionais e especialistas do CICIBA (Centro de Estudos da Civilização Bantu). A letra exprime melhor, e de forma correcta, o fonema deste topónimo. Para aqueles que não gostam de pesquisar bastará ir à página do Governo da Província em causa que tem a grafia correcta da palavra. Queira ver: http://www.malanje-angola.com/

terça-feira, abril 06, 2010

AINDA NÃO FOI DESTA

Choveram chamadas telefónicas e mensagens por sms, procurando confirmar se realmente era eu, Luciano Canhanga, que tinha ido "para melhor". É que circulou informação segundo a qual eu tinha sofrido um acidente fatal. Felizmente não foi desta.

Obrigado a todos quantos manifestaram a sua preocupação e atenção, demonstrando ser meus verdadeiros amigos do peito.

domingo, abril 04, 2010

REVIVER O ACORDO DE PAZ "DO LUENA"

A história faz-se com vários retalhos verdadeiros que são as narrações conforme vivenciado pelos participantes. Em Março de 2002, depois da morte "em combate" do líder da rebelião angolana, Jonas Savimbi, fui enviado em reportagem ao Luena (Moxico).

Viviam-se tempos de grande apreensão e carências na cidade do Luena. Angola inteira estava aprensiva quanto ao desfecho do que se acabara de ouvir/ver/ler. Muitos ainda não tinham acreditado no que a comunicação social veiculava. Os populares afectos à Unita e aqueles que eram resgatados das matas anteriormente controladas pela rebelião nem sequer se lhes passava pela cabeça o que acabavam de ouvir e assistir. "A Paz tinha chegado e Savimbi tinha sido morto". Outros receiavam outro recrudesceimento das hostilidades, caso houvesse vingaça dos "maninhos" pela morte do seu chefe. Eram dias de "ver para crer".

De Luanda ao Luena viajei num beachcraft do Programa Alimentar Mundial e na antiga cidade do Luso acomodei-me em casa de uns "amigos de ocasião", na rua do Instituto Médio Normal de Educação. As vitoriosas Forças Armadas Angolanas tinham um Estado Maior avançado onde decorriam as "negociações" e os "rendidos" chefes militares da Unita estavam uns hospedados na pensão Horizonte e outros num hotel.

As conferências de imprensa eram dadas na sede do Governo Provincial para onde eram chamados os jornalistas que cobriam para o país e o mundo os últimos desenvolvimentos das negociações para a paz selada oficialmente a 04.04.2002 (em Luanda).

Numa tarde de Março, ao passar pela pensão Horizonte, decidi tomar uma cerveja e comer algumas moelas. Era o que mais aparecia. Comida havia pouca para as grandes multidões que todos os dias chegavam, transportadas em carros militares e helicópteros, procedentes das matas... No interior do bar da pensão encontrei os generais Uambo Kalunga, Chiwale e outros militares a quem "atrevidamente" pedi uma entrevista. Os homens da Unita tinham um elevado gosto em falar para a média privada e estrangeira. Diziam que era segura, pois não deturpava as informações prestadas. A conversa ficou agendada para as seis horas do dia seguinte, uma sexta-feira (?) de muito frio e medo à mistura.

No primeiro andar da PH fui recebido por militares magros, mal uniformizados e de meter medo. Era tamanho o medo que se nutria pelos homens da Unita que meses antes tinham atacado um comboio na  ferrovia de Luanda/Dondo, provocado muitas mortes e feridas ainda não saradas. O responsável pela operação rebelde, o general Apolo, estava também no Luena... Os "guardas"depois de anunciar a minha presença aos "mais-velhos"(assim se tratavam) encaminharam-me a um quarto-caserna onde estavam os generais acima citados. bebiam whisky ao gargalo, manhã cedo, e estavam igualmente mal aprumados, mas desejosos de nunca mais voltarem às matas. Esta mensagem era facilmente legível nos seus rostos. Cansados, entretanto aliviados. Uambo Kalunga e Chiwale falaram demoradamente comigo antes de acederem à gravação do "discurso oficial".  

Disseram que as conversações eram sérias, que não se tinham rendido, mas apenas revisto a estratégia e reconhecido as vantagens de uma paz e reconciliação definitivas. O discurso oficial ou o permitido era o de transmitir segurança às populações e fazer com que aqueles que estivessem ainda nos "maquis" regressassem às cidades, onde seriam assistidos e cadastrados para posterior realojamento dos civis e acantonamento dos milicianos.

Tinha sido uma conversa de muito sucesso para a Luanda Antena Comercial, minha antiga patoa, que levava do Luena para os radiouvintes da capital angolana relatos, em discurso directo, de homens que estiveram com/ou próximo de Savimbi nos derradeiros dias da sua vida.

Uambo Kalunga e José Chiwale também estavam contentes por terem podido falar de forma aberta e informal, pois as únicas vezes em que tinham podido falar tinha sido no Comando Avançado ou no local das conferências de imprensa acima citado.

No Hotel Luena (ex hotel Luso na imagem) estavam os políticos e os militares de topo: Chitombe, Lucas Kananai, Vinama, Mário Vatuva, Marcial Dachala, Lukamba Gato, Alcides Sakala, Apolo e Kamorteiro. A execepção de Apolo, que era o "chefe da frente Norte", estavam todos desnutridos e gastos pela guerra e pelas carências vividas na selva e falavam à comunicação social apenas depois das jornadas de conversações. Outros porém, os civis, estavam piores: excassos de tudo. No edifício inacabado, que fica próximo da diocese, que albergava os "provenientes", senti mesmo tanta pena de um jovem professor das matas que me desfiz da camisa e voltei à casa apenas com a camisola interior. Era o dia-a-dia em todas as visitas que fazíamos aos campos onde estavam "provenientes" das matas.

Não se esquecerá das suas palavras o general Lukamba Gato, quando na altura dizia para a Comunicação Social (24/03/2002) que o momento que viviam, ao voltar à cidade, era de "muita emoção", mas o que importava era "perceber a dimensão humana deste processo".

Uma semana depois foi aprovada pelo parlamento multi-partidário a lei da amnistia para os militares da UNITA (02.04.2002) e assinada, a  04.04.2002, a "paz do Kamorteiro" (na foto à direita de Gato), pelos então Chefes de Estado Maior (das Forças Armadas Angolanas e Forças Militares da Unita), na presença do Presidente da República, Eduardo dos Santos, Ministros, parlamentares, representantes diplomáticos e outros convidados. Angola, sem intervenção directa de terceiros acabou por legar à história uma das suas páginas mais negras. A Paz era/é um facto construído sobre fortes alicerces. O culpado-maior pela guerra foi retirado do cenário a 22.02.2002...

São já passados oito anos.

quinta-feira, abril 01, 2010

LIBOL'AVANTE

AVANTE LIBOLO! Assim se canta no municipio do Kuanza-Sul que fica, desde o dia 01.03.2010, a 35 minutos de Luanda. Tudo porque  a municipalidade, que já dispõe de renovadas infraestruturas rodoviárias, conseguiu inaugurar o seu aeródromo, "novo em folha".

O empreendimento reveste-se "de capital importância para o desenvolvimento da região que fica assimmais perto de Luanda", a capital do país.

A nova pista aeroportuária de Calulo recebeu, pela primeira vez, duas aeronaves transportando a equipa de futebol do APR do Rwanda. Infelizmente, o jogo saldou-se em vitória para os forasteiros que transitaram para a eliminatória seguinte na liga dos campeões africanos.

De recordar que o antigo "campo de aviação" ficava no local em que foi erguido o estádio de Calulo, propriedade do Clube Recreativo do Libolo, equipa que faz sucesso no GIRABOLA.

terça-feira, março 30, 2010

DE OLHO NA ENGRENAGEM (5)

Passei por Catumbela. Os bosques de eucaliptos dispostos ao longo da ferrovia que liga o litoral ao Luau estão quase desertos. Os madeireiros fazem razias no corte desenfreado e ninguém pensou ainda no replantio de novos eucaliptos para, na eventualidade de se recuperar a fábrica de celuloses, haver matéria-prima juvenil (apenas eucaliptos com até 10 anos servem para o fabrico de pasta de papel). O governo de Benguela proibiu o corte mas várias vozes se levantam em constestação, alegando o carácter predatorial dos eucaliptos em relação à fauna e flora nativas.

De regresso a Luanda, decidi viajar pelas antigas indústrias cuja fama, no meu tempo de menino, fazia "eco escolar", e fui à Mabor General: de fábrica de pneus passou a parque de estacionamento de viaturas particulares, tudo para encontrar alguma mamneira de compensar financeiramente os seus trabalhadores há décadas sem salários, devido à falência do antigo gigante da nossa indústria.

As TEXTANG’s (1 e 2), nomeadamente à Boavista e ao Kikolo, estão também há décadas paralizadas e transformadas em armazéns. Há notícias de que correm a bom ritmo o cultivos de algodão no Kuanza Sul. Qual será o destino desta matéria prima com a África Téxtil inoperante, a Satec às moscas e os textang’s transformadas em armazéns grossistas?

Kuito e Keve são nomes que aos miúdos de hojea remetem apenas à geografia do país. Num tempo não muito distante Kuito foi também o nome da fábrica de montagem de autocarros e Keve se reportava igualmente à marca dos autocarros Scania montados em Luanda, à estrada da petrangol, junto a TUDOR, fábrica de bateriais que também faliu.

SUCANOR era um complemento à indústria metalúrgica. A sucanor era a empresa de recolha de sucatas do norte e ajudava na limpesa das ruas de Luanda de ferro velho, num altura em que até chegavam poucos carros ao país. A Sucanor desapareceu do mapa industrial e a siderúrgica nacional perdeu, com isso, uma fonte de matéria-prima que com a estagnação de Cassinga passou a importar material ferroso.

Bolama e Combal eram fábricas de biscoitos e reboçados. A primeira ficava ao sambizanga junto à estrada da Cuca. Era o principal local das visitas guidadas dos “pioneiros” em tempo de férias escolartes. A Combal passou de fábrica de bolachas à fábrica de colchões de espuma. Fica na área do Grafanil.

Condel para uns era apenas o término do autocarro 34 com partida no largo do “Baleizão”. Para os industriais era uma importante engrenagem que se dedicava ao fabrico de cabos e outros materiais eléctricos. Fica(va) na zona industrial do Cazenga e pela aus6encia da sua produção no mercado também receio que terá conhecido o destino de outras tanteas engrenagens: a sua transformação em armazéns de produtos importados. Aliás é também este o destino que se deu à fábrica de CURTUMES, de que apenas nos resta o nome atribuído ao bairro que nasceu à sua volta, à Makanda que produzia calçados e à IFA (indústria fosforeira de Angola) todas elas na zona do Cazenga.

No Libolo, para onde me dirigi em descanso, questionei aos adolescentes deste tempo se sabiam onde ficavam as empresas Libolo I, II e III que se dedicavam à exploração de grandes cafezais... Apenas colhi silêncio... Nem mesmo do Kota Angelino tinham ouvido falar...

Publicado no Semanário Económico de 11.03.2010
* lcanhanga@hotmail.com

sábado, março 27, 2010

COM O PÉ NA ESTRADA

Choveu em Luanda no dia 14.03.2010. Para além das quatorze mortes anunciadas e das destruições e obstruções, as consequências mais visíveis têm sido os congestionamentos e as marchas. Por que será?

A construção de vias estruturantes na capitaldesde 2007 trouxe aluguma fluidez ao transito automóvel em vias como a da Samba, Pedro de Castro Loy, Ngola Kiluanje (até à cervejeira Cuca), Benfica-Viana-Cacuaco, Praia do Bispo, entre outros trechos. Porém, muito há ainda por fazer, pois a precariedade da drenagem de muitas estradas (novas e velhas) e a falta de manutenção podem levar ao desmoronamento do “império em construção”.

Se tivermos que reflectir sobre o serviço de transporte público e a circulação automóvel em Luanda há, dentre vários factores a ter em conta alguns se tornam importante reter:

1- O Governo Central fez avultados investimentos em termos de aquisição de autocarros para o serviço público de transporte de passageiros, cujas viaturas foram distribuídas à empresa pública TCUL e outras privadas, muitas criadas no calor do CAN.

2- Muitas rotas indicadas aos operadores deste serviço de transporte público têm as estradas muito degradadas o que acelera a obsolesc6encia dos meios e o baixo rendimento dos mesmos.

3- A não conclusão, até agora, de muitas das obras em curso provoca grandes congestionamentos ao transito automóvel , consequentemente diminui a rentabilidade dos autocarros e o recurso à marcha.

4- Há em Luanda apenas uma via ferroviária e com um único sentido, o que o torna incapaz de atender a população de Viana ao longo do percurso.

5- Nas vias expresso já concluídas ou em fase conclusiva faltam portais de ligação às demais estradas em bom estado, faltando também a distribuição de transportes públicos pelo interior dos bairros.

6- Nota-se a ineficácia dos transportes públicos chegarem o mais próximo possível do utente pelas razões combinadas acimas descritas.

Em resumo: enquanto se mantiverem os constrangimentos conhecidos continuaremos a ver gente a andar a pé, autocarros vazios ou com um serviço de faz-de-contas, o aumento do número de viaturas particulares que em nada contribuem para o descongestionamento do transito e a ver por um binóculo a comodidade que há muito se apregoa nas nossas estradas.

Quanto ao transporte interprovincial e intermunicipal nas demais provincias, já está bom mas pode ser melhor se todas as estradass estiverem reparadas e se a manutenção das vias reparadas que automáticamente entraram em degradação for adequada e oportuna, o que infelizmente ainda não acontece.

Enquanto assim for, teremos que engolir por mais algum tempo frases como: os transtornos passam, os benefícios ficam!

Publicado no Semanário Económico de 18.03.2010
lcanhanga@hotmail.com

terça-feira, março 23, 2010

JUNTO AO TÚMULO DUM REI 10CONHECIDO

A foto foi tirada junto a duas sepulturas construídas de pedras, próprio dos povos que habitam o Kuanza-Sul, para eternizar a memória dos seus valentes soberanos.

Estes monumentos históricos encontram-se em quantidade na região da Quibala e sul do Libolo, mas o norte do Uako-Kungo também os possui, e foi, exactamente, a caminho da comuna da Sanga que encontrei, junto à picada, duas sepulturas feitas à base de pedras talhadas. Deduz-se que tenha havido por aquela área um potentado forte (chamados agora regedorias ou sobados gerais). A tradição dos povos da região manda que Rei e Rainha sejam sepultados  lado a outro. Aliás, assim também aconteceu com os meus avós Canhanga ou "Ñana Ñunji" (Senhor do Suporte/Sustentáculo)  e Maluvu Ndonga "Tembo".
Ao lado destes Reis que desconheço, eis-me para a merecida homenagem... Um dia voltarei ao local para buscar um pouco da sua História.

sexta-feira, março 19, 2010

CHUVA EM LUANDA FAZ QUATORZE MORTOS

Estão contabilizados até ao momento 14 mortos resultantes da última chuva sobre Luanda (14.03.2010), a que se juntam casas destruídas, muros desabados, deslizamento de terras, inundações, encharcamentos, etc. Outra das consequências visíveis por qualquer um: o recurso à marcha, os "engarrafamentos" e stress.

A título de exemplo: No dia 14.03.2010 fiz uma viagem de Luanda à Quibala (350km) em 4 horas. Dois dias depois, isso é, depois da chuva, fiz 35 Km em quatro horas, partindo de Viana ao Talatona.

Contribuem para tal, as vias em obras que não terminam, os buracos nas vias já reparadas, o elevado estado de degradação da maioria das ruas de Luanda, a falta de vias alternativas, a ausência de pontos de ligação entre as principais ruas que dividem os aglomerados, periurbanos e suburbanos de Luanda, etc...
E ainda surgem falácias como: "Os transtornos ficam os benefícios permanecem"...

Dá para acreditar?

terça-feira, março 16, 2010

DESENVOLVIMENTO E SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA

Sábado, 13.03.2010. Partida em Luanda e destino uma aldeia interior da Sanga, passando pela EN120 que nos leva ao Huambo. O local é muito próximo de Kalussinga (Andulo), o que me permitiu ouvir notícias divertidas da Rádio Bié contadas em Umbundu.

A estrada está completamente asfaltada e também com novos buracos que já reclamam por uma manutenção oportuna. Os incidentes e acidentes estão sempre presentes em toda a extensão da rodovia  EN120 (perto de 400Km).

Desta vez decidi registar apenas os acidentes que mais chamaram à atenção, ou seja, aqueles que pela sua imprevisibilidade e "chocabilidade" tornaram-se dignos de reportagem fotográfica.

A casa verde que se vê no topo foi uma instalação da Junta de Estradas (no tempo colonial), usada depois pelos serviços de manutenção de estradas do MCH (Ministério da Construção e Habitação) e foi transformada agora em restaurante pelo antigo governante Higino Carneiro. O Local chama-se Bica d'água (pinga d'água no linguajar dos nativos) e fica entre as aldeias de Katoto e Pedra Escrita. A descida é de declive acentuado (10%) e tida historicamente como de grande perigosidade. O estacionamento no local para quem desce é dificil, senão mesmo impossível, e a falta de precaução dos automobilistas no local tem resultado  em muitas mortes.
Em baixo vemos várias viaturas acidentadas, duas delas (brancas basculantes) pertencentes a uma empresa de construção. Um camião carregado de ginguba (amendoim), feijão e outros produtos agrícolas tinha cidentado de véspera e para além de ter derramado óleo sobre o pavimento, o pisotear de outros carros sobre a ginguba e feijão fez provocou um lodaçal que deslizava sobre o asfalto também molhado pela chuva vespertina daquele dia. Resultado: outros acidentes em cadeia como o que a imagem regista.

No território do Wako-Kungo um outro "fantástico" registado na picada que liga a Aldeia 5 do Projecto Aldeia Nova à Comuna da Sanga.  O local fica entre 10 a 15 quilómetros de picada adentro, num ponteco precário o camião que a foto mostra acabou por "encalhar". Era tão estreita a passagem que a terra cedeu à passagem do VOLVO carregado de carvão vegetal. Resultado: ninguém mais pôde passar, a menos que fosse com muito jeito e arrojo (foi o meu caso com uma Hilux).

Um outro facto devia ter merecido a captação da correspondente imagem: a venda de "kupapatas" (motorizadas) em pleno interland. Facto curioso é que para além das 5 motorizadas expostas à beira da picada nenhum outro produto industrial ou agrícola estava à venda naquela aldeia do interior do Wako-Kungo, a caminho da comuna da Sanga.

De regresso a Luanda, bem próximo, ao quilómetro 30, dois ligeiros colidiram. Resulatdo: cinco mortos, um deles marido de minha sobrinha...    

sábado, março 13, 2010

O NJANDU E O SÉTIMO DIA

O primeiro é nome dum programa da VORGAN, aliás, da Rádio Despertar. O segundo é denominação de uma congregação adventista protestante (cristã) amplamente representada em Angola.

Têm em comum o facto de o primeiro estar no ár ao Sábado das 8 às 11 horas e o segundo o facto de realizar os seus cultos ao sábado, segundo recomenda o antigo testamento das escrituras sagradas.

Diz-se por aí que os membros da igreja têm levado telefones com auriculares para acompanharem o Njandu, deixando para segundo plano o culto sabatino e a pregação pastoral...

_ É verdade ou “mbandalho”?