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quarta-feira, setembro 16, 2009

CATINTON: DEJECTOS QUE ALIMENTAM ESTÔMAGOS

À vala de drenagens do Catinton convergem outras linhas pluviais como a do Senado da Câmara, Palanca, Camama, Calemba II, etc. A estes canais de água são canalizados, ao longo dos seus percursos, lixos domésticos, esgotos caseiros com dejectos, e outros detritos humanos e animais, tornando as suas águas, em qualquer que seja a estação do ano, impróprias para qualquer utilidade humana.

O que assito, porém, é que estas águas pódridas são, muitas vezes e em muitos locais, usadas para a lavagem de roupas e de viaturas, feitura de blocos para a construção e até a irrigação agrícola, como acontece nas imediações do projecto habitacional Nova Vida (em Luanda).

É com a água da vala de esgotos acima descrita que se fazem crecer as couves, cenouras, tomate, alface, gimboa e outros legumes com que muitos luandenses alimentam o estômago.

Sendo esta uma página de reflexão, que se empresta também à actualidade, e que deve contar com o os saberes e comentários de outros especialistas e leitores, deixo algumas questões que ajudarão os jornalistas a fazerem as questões pertinentes e as autoridades desempenharem os seus papéisl.

> Irrigados os legumes com água fétida, tornam-se ou não impróprios para o consumo humano, tendo em conta o contacto directo?

> A simples lavagem destes legumes anula as eventuais bactérias que contenham estas verduras?

> Que saúde ostentam os homens que trabalham com esta água todos os dias?

> Que medidas devem tomar as autoridades sanitárias, agrícolas e de direitos do consumidor?

Deixe o seu comentário, contribua para a melhoria da saúde pública.

Luciano Canhanga

segunda-feira, setembro 14, 2009

CHUVA SIM: ESTRAGOS POR DESLEIXO NÃO MAIS

Hoje começou, de facto, o período chuvoso em Luanda, embora oficialmente tenhamos entrado para a estação a 15 de Setembro. A capital angolana acordou molhada e até às oito horas o tempo apresentou-se com bastante nebulosidade e com invisibilidade para os automobilistas.

Conhecendo os estragos que a chuva provoca em Luanda às infraestruturas básicas de saneamento, às casas, às estradas, etc., sabendo que muitas obras inadiáveis decorrem e decorrerão neste período de pluviosidade (tendo em conta a realização do CAN, em Janeiro próximo e não só) e que podem ser gravemente afectadas, trago, como tema para reflexão, um texto que radiodifundi, há aproximadamente dois anos na RDP-África, retratando conseqüências da chuva em Luanda que espero não mais voltem a acontecer.

"CHOVEU EM LUANDA. HÁ ESTRAGOS CONSIDERÁVEIS.
Os especialistas em meteorologia já admitem que esta foi das piores chuvas dos últimos anos e atribuem a causa aos efeitos do fenômeno El niño que anos atrás fez inundar Moçambique.

A chuva desta madrugada teve início por volta da meia noite e continuou com intensidade até bem próximo do meio dia.
Neste momento ainda goteja e, como conseqüências, grande parte dos serviços públicos estão com as portas fechadas. Muitos edifícios estão com as caves e os primeiros pisos inundados, os colectores de esgotos não suportaram a carga de água misturada com lixo e areias transformando as estradas em autênticos rios.

Quanto à circulação automóvel, apenas os veículos todo-terreno a efectuam, mas com grandes cautelas.
A periferia de Luanda está transformada em cacimbas. Muitas casas desabaram, há mortes registadas por electrocussão e afogamentos e vários pedidos de socorro continuam a chegar aos bombeiros, segundo o porta-voz da corporação.
Uma ronda aérea está a ser efectuada por membros da polícia, bombeiros e governo de Luanda, para constatar as zonas mais afectadas.
Quanto aos danos, o balanço não é para agora, tendo em conta as dificuldades de comunicação e de acesso criadas pela chuva. Tradicionalmente são zonas críticas a Samba* e Corimba; a Boa Vista, no Sambizanga, e Cacuaco".

* hoje a Samba já não é uma zona crítica quando chove, mas há outras várias.
Luciano Canhanga em Luanda

sexta-feira, setembro 11, 2009

MARKETING AMBULANTE

“com licença família, bom dia!
A empresa vai fazer umaa pequena revisão”
Os estranhos pensam num fiscal da transportadora ou da autoridade de transportes de Luanda. Mas o intruso prossegue o discurso:

"Está aqui o menthol para combater a gripe, ciúme, irritação na garganta, cansaço e até engarrafamento (estress)”.
Só assim os passageiros do autocarro privado que faz a rota 1º de Maio/Rocha Pinto se apercebem tratar-se de um ambulante, bem-falante e marketizando o seu pequeno negócio que na brincadeira ganha cada vez mais adesão.

O pregão do ambulante que aproveita o congestionamento do transito automóvel nas imediações do hipermercado Jumbo, na Avenida Deolinda Rodrigues, ganha consistência e aos poucos “despacha” o negócio.

Este grande “marketeiro” que nem sequer a 4ª classe possui terá, na calada duma noite qualquer ou se calhar numa tarde de panelas vazias, estudado a melhor forma de angariar prosélitos para os seus reboçados . E é nos autocarros e taxis carregados de mulheres, no engarrafamento matinal ou vespertino, que encontra o seu nicho de vendas.

“Vendedor como ele poucos haverá” desabafam satisfeitas as clientes à saída do “comerciante” levando consigo os últimos trocos: dez, cinquenta, cem ou duzentos kuanzas. O clima está mais ameno e com um novo motivo para comentários. Lá se foi o estress, pelo menos por alguns intantes.

Luciano Canhanga

domingo, setembro 06, 2009

SE PRESIDENCIAIS EM 2011: COM OU SEM SAMAKUVA?

O parlamento angolano aprovou a 28/07/2009 o projecto de alteração do período para a elaboração e conclusão dos trabalhos da Constituição angolana que passam de 120 para 180 dias, a partir de 23 de Maio último*.

Primeiro:
Estando as eleições presidenciais dependentes da conclusão da Cosntituição que vai definir as competências e atribuições da Instituição Presidente da República,

Se atendermos que só no fim dos trabalhos, agora previstos para Abril de 2010 (período em que se prevê a apreciação dos projectos pela Assembleia Nacional, criando as condições para a provação do texto final), é que o Presidente da República se poderá pronunciar sobre as eleições,

Que será preciso ainda recolher as opiniões da sociedade civil, antes da aprovação final da Lei-mãe e em Maio estaremos numa estação imprópria para a realização de eleições no país devido ao fraco acesso aos aglomerados populacionais mais recônditos, devido à elevada pluviosidade,
Que o eleitorado tera de ser reactualizado,
Se analisarmos que para se realizarem eleições terá de haver dinheiro, entre outras condicionantes objectivas e subjectivas (o Governo saído das últimas eleições com 82% do eleitorado para o MPLA terá de governar antes da sua queda a ser motivada pela eleição de um presidente chefe do governo),

Fácilmente se poderá concluir que é para Setembro de 2010 ou mesmo de 2011 que tende o pleito para a escolha do Presidente da República.

Segundo:
Setembro de 2010 dá margem suficiente para que os “candidatos naturais” se alinhem para a corrida. Porém se o período de espera for dilatado para mais um ano, há que ter em conta os partidos que terão de eleger novas lideranças e que procurarão, numa fase imediata, a consolidação interna do processo. Aqui quero chamar a UNITA e o seu presidente, apenas como exemplo hipotético, já que Isaias Samakuva manifestou públicamente o desejo de não mais se candidatar, em 2011, à liderança do que é ainda hoje o maior partido da oposição angolana (16 assentos num parlamento de 220 deputados).
Se termos em conta que, salvo excepções, o presidente do partido é normalmente o candidato da formação política às eleições presidenciais, estou em crer que a UNITA (se realizar o congresso antes das presidenciais e o seu actual líder cumprir a promessa) não alinhará com Samakuva.

Que se criem delfins e que se conheçam aqueles que podem substituir os actuais líderes partidários para que os seus rostos não sejam desconhecidos dos eleitores no pleito em falta. Espero que as minhas contas não pequem por excesso.

*Artigo 2 da Lei 2/09 de 5 de Janeiro.
Luciano Canhanga

quinta-feira, setembro 03, 2009

RENDAS AO ESTADO CUSTAM 1/3 DO SALÁRIO MÍNIMO

Habitação, alimentação e vestuário são, segundo se aprende na primária, as necessidades básicas* do homem. Em Angola estas três e outras indispensáveis para se viver têm uma renda mensal mínima de aproximadamente USD 100 (salário mínimo da função pública).

Dois mil e oitocentos kuanzas é, doravante, o valor mínimo da renda para os imóveis do Estado angolano. A medida, aprovada pelo Conselho de Ministros, visa, por um lado, aumentar as receitas fiscais do Estado e, por outro, fazer com que se pague um valor justo ao arrendamento de uma residência.
Convertidos em dólares americanos, Akz 2800 equivalem a USD 35 que por sua vez correspondem a 1/3 do que ganha quem está no grau mais baixo entre os funcionários públicos.

Segundo informações veiculadas (apenas ainda) por órgãos de informação públicos, o valor da renda dos imóveis do Estado será proporcional às condições de habitabilidade e à localização geográfica (zona urbana, periurbana ou rural). Ou seja, na cidade e com melhores condições de habitabilidade a renda torna-se mais cara do que no campo e com menores condições de comodidade.

Reajustada a renda das casas do Estado, só esperamos que os grandes devedores que são, no fundo, o próprio Estado ou aqueles que dele se servem não voltem a ser os caloteiros (devedores). Esperamos também que aqueles que realmente nada pagavam pela ocupação das casas que a todos pertencem (povo) e que não estejam entre os que menos ganham não venham com lamúrias pela actualização do valor.
Como pontuais pagadores de impostos e atentos ao que se faz com a coisa pública, esperamos ainda que as casas degradadas sejam agora reparadas e que aqueles que nunca tiveram casa (pública ou privada) sejam também bafejados pela mesma sorte que uns têm a “decuplicar”.

Por fim: que o milhão de casas prometidas pelo Governo até 2012 seja um facto na construção e na distribuição pelos que delas realmente precisam.

* Abraham Maslow enumera necessidades fisiológicas, de segurança, de amor/relacionamento, de estima e de realização pessoal.

Luciano Canhanga

terça-feira, setembro 01, 2009

ÉTICA PUBLICITÁRIA: VALE APENAS?

Se bem vejo numa das publicidades da Movicel "espalhadas" pela net (ver www.hi5.com) aparece um individuo fardado e com galões da Polícia Nacional(?)* angolana.
1- Devem ou não os militares e para-militares fazer publicidade para órgãos terceiros (que não sejam aqueles a que estejam vinculados) quando estão uniformizados?

2- Uma acção como essa engaja ou não o órgão castrense a que pertence o militar?

3- E já agora: porquê um (para-) militar na publicidade duma empresa de telefonia?

4- Deve ou não o referido órgão castrense reclamar do facto de a sua imagem ser associação a uma empresa que não tem nada a ver com a instituição?

* aconselho ver as imagens para melhor conferir o uniforme

Luciano Canhanga

quinta-feira, agosto 27, 2009

MONÓLOGO: A ANGOLANIDADE DO REI MANDUME

Ouvi, numa das televisões de Angola, um artista a dizer que tinha concebido uma obra em que pretendia demonstrar a angolanidade de Mandume Ya Ndemufayo, o rei dos Kuanyamas, tido por uns como “não angolano”.

E falei horas a fio com os meus botões sobre a pertinência das atordoadas e da obra que as refuta. Questionei-me se tal acção se podia enquadrar num desmentido ao indesmentível ou simplesmente numa factomania (mania de fabricar factos).

O artista em causa lá teve as suas razões, mas para mim, desmentir que Mandume não era angolano, constitui perda de tempo e explico-me porquê.

Monólogo
1-Mandume estaria interessado em obter cidadania angolana?
Resposta: não havia cidadania angolana, mas sim portuguesa, no tempo em que viveu.

2-Mandume precisava de ir a um cartório e registar-se para ser rei dos Kuanyama?
Resposta: Não! O seu povo o conhecia e o reconhecia. Os próprios portugueses e alemães que cobiçavam as suas terras também o sabiam que ele era o rei dos Kuanyamas.

3- Dizia o artista que muitos dos detractores afirmam que Mandume era namibiano. Como assim se a Namíbia só existe desde 1990 e Mandume morreu em 1917?
Resposta: Andam noutro planeta.

4- Terá Mandume nascido no território que é hoje parte da Namíbia?
Resposta: Pouco iteressa! O espaço geográfico e sócio-cultural dos ovambo se estende do norte do que é hoje a Namibia e Sul do que é hoje Angola.
5- Que nos leva a crer que se Mandume fosse do Angola Independente seria angolano e não namibiano?
Resposta: Os reis raras vezes vêm de regiões que não seja a capital do reino. A capital do reino dos Kuanyamas esta/va no território do que é hoje Angola.

6- Valerá tanto assim discutir o local de nascimento do rei Mandume Ya Ndemufayo?
Resposta: Absolutamente NÃO! A sua africanidade e os seus feitos contra a presença colonial/europeia são tão puros e tão nobres que tolo se torna quem os discute.

Luciano Canhanga

sexta-feira, agosto 21, 2009

PRESIDENCIAIS EM ANGOLA: A FÓRMULA VEM DE ZUMA

“Angola sempre apoiou a África do Sul nos momentos mais difíceis, os angolanos consentiram muitos sacrifícios e apoiaram-nos muito na luta contra o regime do apartheid, daí que estamos aqui para dizer obrigado ao povo angolano e ao MPLA"(J.Z. 20/08/2009).
Angola é hoje, na Geopolítica regional, africana e até mundial, um lugar para onde convergem interesses e alianças múltiplas. O nosso petróleo que agrada chineses, americanos e europeus; as nossas terras virgens e aráveis; os nossos rios ricos de peixes e diamantes; os nossos mares repletos de peixes; as nossas minas ricas de minérios e virgens de exploração; as nossas florestas robustas de madeiras; o nosso turismo portentoso; o nosso desporto a somar títulos e a acolher eventos, enfim. É por tudo isso e muito mais que todos querem cá vir: ver, ouvir e tirar, caso possam. Mas estamos atentos.

Depois de Medvedev da Rússia, Castro de Cuba e da “Braço direito” de Obama, Hilary Clinton, eis chagada a hora do poderoso do Sul, Jacob Zuma.
Homem que já cá estabeleceu quartel (Kibaxi-Bengo) no tempo dos "carcamanos", quando a libertação do povo sul-africano do jugo do apartheid era um dos “objectivos da nossa luta”, Zuma veio com dois disrcuros: Dizer que é amigo de peito de Angola e ver também alguns deslizes em que a sua potência regional se possa afirmar cada vez mais. É que não se podem conhecer os fortes e baixos do vizinho se com ele não nos relacionarmos.

Enquanto trabalhei como jornalista o meu primeiro contacto com JZ foi aquando da sua visita a Angola, no tempo em que este era vice de Mbeki. Foi numa altura em que pairavam informações sobre “uma crispação nas relações políticas e económicas entre os dois Estados”, motivado pela afirmação de Angola no constexto regional, fruto da conquista da paz e dizia-se que “Paz para Angola era sinal de incómodo para muitos”. Zuma e dos Santos juraram-me de pés juntos que “não havia e nunca houvera crispação nas relações” porém, cá fora dos palácios e da diplomacia oficial as coisas continuaram com o mesmo ciúme. Terá este incómodo passado estando Angola a estender a sua zona de influência além congos?

Mas voltando à amizade que o animado Zuma tem por Angola, é de acreditar nele, tanto mais que os Camaradas de cá tudo fizeram para que superasse a ultrapassagem, pela esquerda, (o código automóvel da Africa do Sul admite pela direita) que Mbeki lhe havia feito desde os tempos do Velho Mandela. E cá esteve ele, esbanjando gratidão.

“O vosso país é nosso país e o nosso país é vosso país. Nós somos um só povo. Sinto-me em casa”. Palavras ditas em bom português, no fim do discurso proferido na assembléia nacional angolana pelo presidente sul-africano, JZ.

Esperemos que os discursos se reflitam em vantagens recíprocas para os dois povos que terão assim “mais um motivo para bater palmas”. Venham as livres entradas sem vistos nos referidos países de destino!

Quanto ao nosso presidente, o eng. Eduardo dos Santos trouxe a lume um novo facto político: "sufrágio universal directo, nas presidenciais, mas seguindo a fórmula sul-africana em que o presidente é eleito no parlamento". Só que aqui é diferente: o candidato presidencial vai a reboque do partido (como cabeça de lista) e se o seu partido ganha as legislativas ele é reconfirmado pelo parlamento.
E como ficam aqueles que sem estarem filiados a algum partido político querem chegar à Presidência da República?
Aguardemos pelos comentários e desenvolvimentos.

Luciano Canhanga

quarta-feira, agosto 19, 2009

TV-IURD OU TV-GLOBO: QUE DEVEM OS ANGOLANOS DEIXAR DE VER?

Dum lado uma televisão do povo, ou pelo menos ao serviço do cidadão (brasileiro e global). Doutro lado uma televisão ao serviço da Igreja universal.

Soube, através da própria TV-IURD (Record), que 10 minutos de reportagens da Tv Globo sobre lavagem de dinheiro e associação criminosa na Igreja do P'Edir Macedo (IURD), despolectada pala justiça brasileira e também reportadada por outros media, levantou a ira da TV-IURD que aparece como guardiã do templo do seu patronato, a IURD. De lá pra cá tudo o que se vê na TV-IURD não passa de uma campanha propangandística aberta contra a Globo pelo simples facto de ter levado aos quatro cantos do Globo uma verdade desvendada pela justiça.

Para mim, que nunca morri de amores por "Igrejas do Dinheiro", nem por colagens simamesas entre orgãos de informação e patronatos, assistir ao que a Record leva às nosssas casas, de forma desnivelada e pouco cordata, todos os dias, 24 sob 24 horas, é sintomático e chaga mesmo a ser cancerígeno.

Todos os consumidores das televisões brasileiras sabem que igreja tem senadores, deputados, partido político, aviões, iates, etc. Saberão também quem ensaca dinheiro por todos os pontos do universo em que se encontre (Angola incluída). Saberá também quem vende crucifixos feitos de "restos da madeira da cruz em que Cristo foi maltratado, há mais de 2000 anos".
Colocou-se (na TV da Universal) a questão de uma suposta "inveja da Globo" dada a subida do share da TV-IURD que de 2004 a esta data passou de 9 para 16%, ao passo aque o da Globo baixou para 48%.
Insiste, nas suas homilias a TV-IURD, em apelar aos seus fiéis que se abstenham de ver a Globo. Será este um bom serviço? Ainda que ela a IURD tivesse razão suficiente para se sentir magoada com a Globo, devem os religiosos apregoar a vingança ou a morte de quem contra eles atente?


Pode considerar-se atentatória aos interesses da RECORD uma reportagem da Globo que é sobre a IURD e não sobre a Record?


Onde está o princípio da isenção ou da separação entre as instituições IURD e RECORD? Não haverá forte imiuscuissão duma em assuntos doutra?
E se a Globo fundasse também uma confissão global e em cujas homilias fosse apenas pregado o boicote às emissões da concorrente? E como ficam aqueles que não têm uma estação de Tv para se defenderem ou (contra) atacarem?

Para isso chamo os angolanos de bom senso para agir, não apenas como consumidores passivos mas também analisar com frieza necessária as "exportações televisivas" e os seus conteúdos e no fim decidir:
-Que devem os angolanos deixar de ver; a TV-IURD (Record) ou a TV Globo?

Luciano Canhanga

domingo, agosto 16, 2009

"MARIA VAI COM AS OUTRAS" MANCHA ANO PARLAMENTAR DA OPOSIÇÃO

Encerrou no dia 14 de Agosto de 2009 o primeiro ano lesgislativo do parlamento angolano saído das eleições de Setembro do ano passado.
Entre altos e baixos do nosso órgão legislador se pode apontar como bons sinais: o ínicio dos trabalhos da comissão constituinte que elabora a nova carta magna, a aprovação de vários diplomas legislativos, o OGE e o Plano do Governo, entre outros. Pela negativa: o assassinato da deputada Beatriz Salucombo e o que na linguagem vulgar se chama de "Maria vai com as outras" protagonizado por alguns deputados da oposição. Neste particular, é destaque o discurso do presidente da bancada da FNLA que, abordado por uma jornalista sobre o porquê do voto favorável ao OGE quando a UNITA e o PRS tinham votado contra e a ND se abstido, returcou que "três eram uma gota no oceano perante a esmagadora maioria do MPLA".

Se os eleitores desse nosso "animador" parlamentar estiveram atentos, certamente se terão perguntado se foi para aquilo que o elegeram. Se foi para fazer oposição ou situação... Um facto que, em abono da verdade, em nada abona para o exercício oposicionaista em que está o partido de Holden Roberto.

É bem verdade que a oposição não deve ver malícia em tudo o que seja proposta do governo, mas os líderes da oposição, até para melhor animarem a festa, têm de encontrar explicações mais rebuscadas ou mesmo refinadas para explicarem o seu sentido de voto.

Perante o discurso, por que não casa definitivamente, Kabango, com o MPLA onde o receberíamos com muita satisfação?

O argumento apresentado quanto ao voto de Kabango e companheiros foi, sem dúvida, uma cópia do que se chama na gíria de "Maria vai com as outras".

Luciano Canhanga

quarta-feira, agosto 12, 2009

QUEM ME DERA SER "PORCO"

Narra Manuel Rui, no seu livro “Quem me dera ser onda”, estórias ficcionadas de um porco “Carnaval da Vitória” que no fundo é o retrato dos primeiros anos da revolução angolana, que um determinado suino criado no sétimo andar de um prédio da baixa luandense “comia de um hotel de primeira; nos restos vinham panados, saladas mistas, camarões, maioneses, lagosta, bolo inglês, outras coisas sempre a variar” (RUI, 2000, p. 17), diferente do seu passado nas praias da Corimba onde a ração se resumia em espinhas de peixe...

Rui diz mesmo que o porco tinha adquerido um comportamento pequeno-burguês: “Estás-te a aburguesar-se. Quem te viu e quem te vê. É a luta de classes!” (RUI, 2000, p. 17). O suíno estava quase culto, quase protocolar. Maneirava vênias de obséquio com o focinho e aprendera a acenar com a pata direita, além de se pôr de papo para o ar à mínima cócega que um dos miúdos lhe oferecesse à barriga. Rematando, por outras palavras, que o porco alimenta-se melhor e com mais variedade que muitos cidadãos daquela época que não passavam do que Rui designou por “peixefritismo”.

Numa aula de Arte e Literatura Angola, no IMEL, Luanda, 11ª classe, curso médio de Jornalismo, um dia a professora Gaby Antunes, depois de analisado o texto e o contexto, perguntou, irónicamente, a um dos alunos se com todas as mordomias dadas ao animal não achava que o bicho vivia melhor do que ele.
E o colega:
- Sim Dra.!A professora:
- Ai é? Então por que não dizes “quem me dera ser porco”?E a turma:
Kia,kia,kia,kia,kia!Apenas risos e mais risos.

Luciano Canhanga
com http://ricardoriso.blogspot.com/2007/10/quem-me-dera-ser-onda-manuel-rui.html

terça-feira, agosto 11, 2009

CONTRA NIGÉRIA MARCHAR, MARCAR!

Contra a Nigéria está direccionada a nossa marcha rumo ao décimo título continental. Contra a Nigéria Angola deve marcar, marcar e marcar!

É, afinal de contas, o único adversário temível e que ainda (hipoteticamente) nos pode retirar o pão da boca, ou seja, o décimo título africano de Basquetebol.

Despachados, e da melhor forma, foram já a Costa do Marfim, o Mali e Egipto, outros papões do nosso basquete africano, para além de Moçambique a da anfitriã Líbia. Hoje (11.08.2009) o adversário tem o nome de Nigéria. Uma das selecções mais altas deste campeonato e onde alinham apenas jogadores que fazem carreira no estrangeiro.

Angola e Nigéria co-lideram o grupo E com 10 pontos, seguidos do Mali, Cote d’Ivoire , Líbia e Egipto, com 8,7 e 6 pontos respectivamente. Os quatro primeiros apuram-se para os quartos de final, juntando-se com os quatro do grupo F.
Mas como ninguém nos intimida, vamos, conta a Nigéria, Marchar e marcar.

Luciano Canhanga

quinta-feira, agosto 06, 2009

CALMANTISMO: UMA NOVA "CIÊNCIA" ANGOLANA

Calmante: é a expressão usada nas lides juvenis inistruídas para designar aldrabices ou inverdades. E quando os calmantes se tornam tantos, de uma só vez, a arte de os inventar ganha o nome de calmantismo.

No nosso país, os estudiosos, sociologos e os psicólogos deviam ser chamados a desenvolver reflexões aprofundadas sobre as causas, consequências e implicações do calmantismo no esteio daquilo que é o país que se pretende.

Para tudo e nada há um calmante e vindo de onde jamais se esperava. Hoje, chega-se ao ponto de se condenar o realismo do que o calmantismo. Mentir passou a ser uma arte com direito ao cultivo e perpectuação. Vejamos:

Durante os mais de vinte anos da construção da barragem de Kapanda, em Malanje, sempre se disse, e bem alto, que o problema do fornecimento da energia eléctrica às cidades de Luanda, Ndalatando e Malanje seria resolvido tão logo fosse inaugurada a dita barragem. E os angolanos, pacientemente, de calmante em calmante, foram aguardando até ao dia do corte da fita. Fizeram-se festas, compraram-se electrodomésticos porque se julgava que o sofrimento tinha conhecido o seu fim. E o que se disse de novo, quando na verdade a energia nem chegou a Luanda nas quantidades e qualidade prometida anos a fio?
_”Faltam linhas de transportação”!*

Terá sido este o verdadeiro motivo ou foi mais um calmante?
Quiseram as empresas de telefonia correr mais para a quantidade do que a qualidade. O número de clientes sedentos de comunicar fez com que se acumulasse, em pouco tempo, avultados lucros. Porém o angolano começa a despertar e a pensar nos seus direitos não usufruidos, como o elementar direito de poder manter uma comunicação eficaz com quem se queira, o que não acontece nos últimos tempos. Vem daqui mais um calmante.
- “As telecomunicações em Angola só terão qualidade quando Angola dispor de um satélite próprio”, cujo lançamento está previsto para daqui a 3 ou 4 anos.

E pacientes vamos aguardar que tal aconteça, descansando em boa sombra aqueles que nos cobram "serviços sujos" a preço de ouro. Aguardemos que Angola tenha um satélite e que nos dêem, no fim, um outro calmante que deve estar já na forja. É isso o que se chama a arte do calmantismo.


Luciano Canhanga

sábado, agosto 01, 2009

A MATURIDADE SOCIAL NA MÚSICAL DO YURI DA CUNHA

Emergiu com a sua música, ainda infantil, "você não é amigo". Na altura Yuri da Cunha descrevia o amigo interesseiro que só liga quando "a gente tem". Hoje são outras descrições, muito mais maduras e situações que a todos tocam, pelo menos os que vivem na capital angolana.

O também autor de "makumba dos invejosos" traz-nos desta vez o retrato de uma gestão sem futuro ou o retrato de projectos mal concebido. Yuri da Cunha diz na sua música que:

Capanda dá;
ENE recebe
Nosso projecto (hidro-eléctrico) está a funcionar...
Agora já a EDEL (empresa de distribuição de electricidade de Luanda)
Só da Kafito-fito (aos bocados).

Mais adiante o jovem, também apelidado de "show-man" e que nas lides musicais empresta voz aos kuanzasulinos, fala dum futuro que aguarda muitos de nós, activos de hoje e relata
outra verdade a que assistimos todos os dias:

O velho que na casa do filho p'ra nora não quer saber
Quando maka grossa surgir ao Beiral (lar de terceira idade) vai parar.

Mas Yuri, o Jovem do Waco, não pára e vai mais além, retratando a destruição de uma cortina arbórea que também auxiliava a sucção de águas freáticas do que é hoje o Municipio do Rangel.

Eucaliptos no (bairro) indígena bondaram (mataram)
Agora São Paulo chegou
Nosso Rangel está a naufragar

O que na verdade canta o Yuri, numa voz quase rouca que nos faz lembrar o Baonga, canta não é mais do que o retrato fiel de uma situação que há muito abala os moradores da Precol, Terra Nova, B's e C's, Caputo, entre outras circunscrições de Luanda, devido ao abate indiscriminado de árovres. E onde vamos parar se outros Yuri's não surgirem e cantarem coisas que despertem os adormecidos luandenses?
Luciano Canhanga

domingo, julho 26, 2009

M(A/E)US SONHOS DE INFÂNCIA

Recorro ao trocadilho de Wilson Dadá, no seu www.morrodamaianga.blogspot.com, para intitular este exercício sobre os m(e/a)us sonhos e SONHOS da infância à vida adulta.

Quando na fazenda, na minha meninice, um dos meus avôs era gerente de fazenda e o meu sonho era ser regente ou engenheiro agrícola e nunca Ministro da Agricultura a quem todos os camponeses veneravam. Para o cumprimento do sonho plantei árvores várias, algumas das quais ainda me oferecem a sua sombra ou os seus frutos que desfruto com prazer e sencação de "missão cumprida". Uma vez da cidade, sonhei ser FAPLA e nunca general. Talvez lá chegasse a custo de muito suor, combates travados, promoções e graduações e outras caminhadas rectilíneas. Já no fim da adolescência, quando me tornei electricista, sonhei ser bom profissional e fazer carreira numa empresa vocacionada ao tracto com os iões, electrões e neutrões.

Depois tornei-me professor e o meu anelo foi novamente fazer carreira. Ser reconhecido como íntegro e competente, reconhecimento que vinha dos pais e encarregados de educação que reconheciam a evolução dos seus filhos, recebendo dos educandos a amizade dos próprios alunos que me tinham como líder, mestre e irmão. E ambicionava, fruto deste reconhecimento da sociedade, ascender a coordenador de turma, de turno, director de escola e ir galgando, mediante experiência, honestidade e conhecimentos científicos. Até frequentei o curso superior de ciências da educação. O jornalismo, porém, profissão que abracei em simultâneo com a docência, falou mais alto e a ele me entreguei a tempo inteiro. Como em qualquer carreira, comecei como estagiário numa rádio que me fez jornalista/repórter, editor de fim-de-semana, editor regular e editor principal. Sempre a subir com trabalho, correcção, aprendizagens e treinamentos vários. Fiz questào de não desperdiçar nenhuma lição e ingressei num curso superior de Ciências da Comunicação para melhor entender os fenómenois comunicacionais.

O filho do povo sonha em crescer, cultivando-se para a competência e meritocracia. Tenho um amigo de infância (ele era já adolescente) que chegou a director-geral da Rádio-mãe quando o sonho dele, como filho do povo, era apenas ser jornalista. O meu amigo passou por todos os degraus sem ter sonhado com o trono ou por ele lutado. Como estagiário leu comunicados fúnebres e agenda e foi fazendo carreira, engolindo sapos e lagartos. Os filhos dos deuses, porém, sonham com o céu desde o primeiro instante que se apaixonam por uma profissão. Eles transcendem o ser normal, nós o povo em geral. Os grandes SONHADORES incorporam no seu imaginário o que é ser director, ministro ou presidente de sei lá o que for, mesmo não ensaiando os passos por que se deve passar para se lá chegar. E se estudam a matéria relacionada com o ofício que o destino lhes reserva dirigir, fazem-no como uma mera formalidade, pois o SONHO e a REALIDADE há muito estão traçados.

Por isso há sonhos e SONHOS!
Luciano Canhanga

quarta-feira, julho 22, 2009

UMA VISITA AMIGA OU COBRANÇA DE "DÍVIDA MORAL"?

SEGUNDA VINDA DE CASTRO EM MENOS DE 5 MESES
É inquestionável o apoio técnico e militar dado por Cuba nos momentos mais cruciais da nossa ascendente e jovem República Popular de Angola, perante inimigos tão sedentos e poderosos quantos foram a África do Sul racista e o mobutismo do Zaire (actual RDC). Estes abutres que viam Angola como “um corpo inerte onde cada um devia debicar o seu pedaço”, invadiam-nos de Norte a Sul, apoiados por aliados internos afectos à FNLA e UNITA. Impedir a proclamação da independência a 11 de Novembro de 1975 pelo MPLA e inviabilizar o país e derrubar o regime instaurado por Agostinho Neto era o objectivo fracassado graças ao apoio incondicional de Cuba/Fidel que custou muito suor e vidas.

Estes trechos importantes da História de Angola, não devem, porém, ofuscar uma análise paralela sobre os eventuais descaminhos de “cosa nostra” mal parada em mãos cubanas ou de cubanos. E aqui é chamado o general Ochoa, comandante dos internacionalistas cubanos, que acabou fuzilado a mando de Fidel, depois de terminada a missão. Não se pode deixar de questionar, embora faltem recursos documentais, o paradeiro de nossos eucaliptos, nosso ferro velho e a estagnação “dolosa” de nossas açucareiras e arrozais, para que caíssemos na dependência dos nossos amigos de estimação quanto a estes bens.

E verdade foi, pois ao invés de recuperarem as nossas açucareiras, acabaram por danificar os solos, inundando-nos com o chamado açúcar mulato. Verdade ou mentira, hoje, os residentes das Lundas dizem que o mesmo terá acontecido com os arrozais que pura e simplesmente deixaram de produzir.

E quando vimos o Cda Raul Castro, duas vezes em Angola, em menos de 5 meses, não é ilícito perguntar se o Cda Castro tem vindo reforçar simplesmente a amizade longínqua ou se o interesse tem sido a cobrança da “dívida moral” dos angolanos, que por ser moral, só as gerações vindouras a saldarão.

O “nuestro ermano” do caribe que, reconheça-se, muito nos ajudou e ajuda na educação e saúde, trouxe na bagagem algumas bolsas de estudo para angolanos naquela ilha onde podem fazer mestrados, especializações e doutoramentos nos mais diversos ramos da ciência pedagógica e médica. Diz a média tratar-se de oferta cubana. Será de facto uma oferta sem contrapartida a médio ou longo prazo?

Cuba precisa de recuperar os anos perdidos num comunismo há muito enterrado. Felizmente os seus “devedores morais” deram passos e, com certeza, o país dos Castros precisará de aprender algumas coisas que por lá escasseiam. As lentas cedências ao capitalismo, em que Angola e Namíbia* já navegam, são uma das aprendizagens necessárias. Os castristas precisam também investir fora para receber dólares frescos que os americanos não os dão, daí que o novo internacionalismo que tem as cores médicas e pedagógicas seja uma porta de entrada de divisas. Estando Angola carente de bons construtores e, sobretudo, devido à empreitada do milhar de fogos residenciais, Cuba perfila como o grande ajudador nesse tipo de “serviço social”. Devemos porém olhar para os prédios do Caputo e do Maculusso (Luanda) os prédios do E15 (no Sumbe) e tantos outros construídos pelo país adentro, sem a mínima noção demográfica do angolano, tão pouco esgotos duradoiros para um médio prazo. É preciso que se colham experiências amargas do passado e se corrijam futuros problemas.

E Cuba quer também investir na agricultura. No tempo do comunismo era o principal fornecedor de açúcar ao nível do bloco económico comunista, CAMECON. Essa experiência cubana que devia ser crucial para o “desarollo” de Angola não o foi no devido tempo. E agora que abrimos as bolsas ao agro-business lá vêm eles com a “boa vontade” de poder ajudar e contribuir na produção alimentar... Vamos aceitar, mas de olhos bem abertos para que o nosso Vale do Cavaco, grande produtor de banana, não seja empestado, nem nos induzam ao tabagismo, que vem somando desistências de consumidores em quase meio mundo.

*Note-se que ao mesmo tempo em que Raul Castro “frequenta” Angola, fá-lo também em relação à Namíbia, outro "devedor moral".

Luciano Canhanga

domingo, julho 19, 2009

REPOUSO DO GUERREIRO OU FIM DA CAMINHADA?

O PETRO DE LUANDA consentiu, este domingo (19.07.2009) na cidadela, em Luanda, uma derrota de 1-2 diante do BENFICA de Luanda, em partida pontuável para a 18ª jornada do Girabola. À entrada da jornada, o campeão levava mais 13 pontos do que os 2ºs classificados, Académica do Soyo e 1º de Agosto, e mais 15 do que o seu carrasco desta jornada.


Curiosamente, a académica do Soyo também perdeu na deslocação a Benguela onde defrontou o até então penúltimo classificado, 1º de Maio, por 3-0. O Recreativo do Libolo, que à entrada da ronda dezoito somava 29 pontos, os mesmos que o Benfica da capital, fez o trabalho de casa e venceu o Desportivo da Huila por 2-0. O 1º de Agosto, empenhado na fase de grupos da taça CAF, ainda não jogou, e pode encurtar para 10 pontos a distância em relação ao Petro, caso vença, na quarta-feira, o Kabuscorp do Palanca.


Perante as derrotas do Petro de Luanda e da Académica do Soyo (1º e 2º classificados à entrada da jornada) estaremos perante a um repouso dos guerreiros ou do fim das caminhadas vitoriosas destas equipas?


Nota: Parabéns aos representantes angolanos na taça CAF, o d’Agosto que empatou sem golos em casa do Stade Malien e o Santos FC que venceu, em Luanda, o ENNPI do Egipto por 1-0.



Luciano Canhanga

sexta-feira, julho 17, 2009

DICCIONÁRIOS EM LINGUAS BANTU: PARA QUANDO EM ANGOLA?

Na foto a imagem de um diccionário Inglês/Zulu/Afrikaans, línguas faladas na África do Sul.

Por cá (Angola), país em que se apregoa, já faz tempo, a revalorização e estudo das nossas línguas bantu e pré-bantu,

Para quando a publicação de instrumentos de ensino-aprendizagem como a que a foto nos mostra?

http://www.olhoensaios.blogspot.com/ está a fazer a sua parte, explorando de forma ainda arcaica os dizeres de um povo que habita uma grande região do Kuanza-Sul, os Kibala. Entende o autor destas prosas que "Para uma grande caminhada há que se dar o primeiro passo".

Alguém marca os passos seguintes? Está lançado o desafio.

Luciano Canhanga

terça-feira, julho 14, 2009

OUTRA MAKA MAIS NO HGL

Sentimo-nos todos estarrecidos, indignados e chamamos vários nomes ao cidadão que supostamente terá violado uma paciente em plena enfermaria do Hospital Geral de Luanda. O Caso fez furor na media. Comoveu a sociedade e os políticos. Numa só cajadada o director daquela unidade hospitalar suspendeu a segurança que "desassegurou" as instalações na noite do dia 11.07.09 e de seguida as enfermeiras em serviço conheceram a mesma sorte. Acto contínuo a governadora de Luanda, Francisca do Espírito Santo, exonerou o director do hospital e nomeou, para 45 dias, uma comissão de gestão, organização e apuramento dos factos.

Hoje, 14.07.2009, surge publicado no portal da ANGOP (agência angolana de informação) o rosto do suposto violador e os seus argumentos de razão que se seguem nas linhas abaixo:

"Em declarações à imprensa, o suposto criminoso, identificado pela PN por Samuel Maiala, de 27 anos, negou a prática do acto, frisando que esteve na referida unidade hospitalar cerca das 18h30 para visitar a paciente, com quem alegadamente disse manter uma relação passional de aproximadamente um ano e dois meses. É tudo mentira. Eu estava apenas a acariciar no peito dela no momento da despedida, depois da visita. Não fiz nada(…). Então, uma das enfermeiras viu e foi chamar a polícia em serviço no local, explicou Samuel Maiala. Acrescentou que dirigiu-se ao quarto onde estava a doente por indicação de uma prima, sem dar por conta que a mesma estava despida. Samuel Maiala afirmou que em acto contínuo foi despido pela guarda da unidade hospitalar, quando foi alertada sobre o sucedido. Entretanto, o porta-voz do comando provincial da corporação, primeiro superintendente-chefe Jorge Bengui, disse que os exames legistas ditarão a veracidade dos factos".

Analisadas as coisas, a frio, e tendo em conta a versão do acusado, coloca-se de nossa parte, jornalistas/difusores de informação, a questão da ética e da presunção da inocência* que não foi salvaguardada, sobretudo com a veiculação da fotografia do acusado e outros elementos identitários como o nome verdadeiro e a idade.

Que será deste Sr. caso as investigações forenses e testemunhais determinem a sua inocência?

Obs: No instante em que terminava esta prosa li no http://www.apostolado-angola.org/ que a alegada abusada acabara de morrer. Outra maka mais...

*O princípio de inocência ou presunção da inocência é um princípio jurídico aplicado ao direito penal que estabelece a inocência como regra. Vem estampada no ordenamento jurídico angolano, no número 5 do Art. 36 da Lei Constitucional, e diz: "Os arguidos gozam da presunção de inocência até decisão judicial transitada em julgado".

Luciano Canhanga

segunda-feira, julho 13, 2009

MULHER "VIOLADA" NO HOSPITAL

"Agora ao hospital vão apenas os meus filhos. Minhas filhas e mulher vão ao Kimbanda" e explico porquê:

Aos hospitais têm sido levadas as vítimas de violações caseiras para tratamento médico-psicológico e exames afins. Porém, patologias e distúrbios vários levam homens e mulheres a usarem da força ou outros meios de coação para a prática de sexo a contra-gosto. Até aqui nada de novo, pois são do quotidiano das sociedades humanas os comportamentos saudáveis e os desviantes.
Que tal se a violada for uma paciente numa enfermaria dum hospital que até é geral duma grande cidade?

Aconteceu em Luanda, no dia 12.07.09. O local da cena (segundo a media) foi o Hospital Geral de Luanda, ao Camama. Nem os guardas, nem os enfermeiros em serviço, nem mesmo os médicos puderam ver ou ao mínimo ouvir o grito de socorro da infeliz violada. O intruso, um maníaco sexual (presume-se) "introduziu-se à calada da noite na enfermaria, desligou o soro e a sonda respiratória, despiu a infeliz paciente, despiu-se também e, acto contínuo, partiu para a consumação do coito".


Não fosse o cunhado da vítima espreitar pela janela para se aperceber se a sua parente ainda estava em vida, ninguém o teria visto e ninguém poderia atrever-se a descrever o que seria das restantes pacientes ou mesmo das enfermeiras que dormitavam num quinto sono. E viu o cunhando o intruso suado e em flagrante "delícia"!


Há ou não motivo para que se receie em levar as nossas filhas e mulheres aos hospitais?

Luciano Canhanga