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domingo, outubro 03, 2010

O TOP, AS DUAS, A INJUSTA E O BOOM

"As duas" dos irmãos Almeida (música que retrata o amor doentio por duas mulheres) foi à fase final do "top dos mais queridos" 2010, mais por força do conjunto (disco) e da popularidade grangeada pelos manos do que pelo conteúdo da letra elevada ao concurso (análise minha).

É certo que uma das funções dos actores que exercem influências sobre a sociedade é observarem, descreverem e alertarem a sociadade. Daí que o problema evocado/levantado (cantado) pelos Almeida não deixa de ser pertinente. Aos actores, também sociais, cuja missão é moralizar a sociedade cabe fazer a interpretação correcta das mensagens e encaminhar "as ovelhas para o bom pasto". Até aqui o padre Apolónio esteve bem, na sua recente homilia na Igreja católica dos Remédios (Luanda). Porém, estendeu-se ao comprido ao ter sugerido que apenas "temos de cantar o que é belo" como se a letra sobre a poligamia e a poliandria que existem aos "olhos e gostos" até de padres fosse algo feio.

E o padre criticou também em hasta pública o " vai dar boom" (sexual) da Ary. Teria sido mais lógico se se tivesse referido à forma pouco sadia e ortodoxa como ela se veste e exibe, do que atacar a letra da música que descreve formas de viver activamente uma vida sexual a dois. "Na varanda, na cozinha, na sala ou no quarto" (desde que a dois e sem zongolas) não é, a meu ver, pecado algum.

Julgo que enquanto político (anthropos zoon politikon) Apolónio Graciano deve evitar juizos pouco abonatórios para si e para o património colectivo que é a igreja Católica.

Os músicos que cantem o que vêem e ouvem. Os clérigos que façam a interpretação correcta das mensagens lançadas pelos músicos e outros actores sociais, junto das comunidades que tutelam, para que todos moralizemos a sociedade angolana que anda doentia, conforme palavras do próprio padre por quem nutro respeito.

Quanto ao Top: ganhou quem já devia ter levado o "top" a muito tempo, por quilo que já fez na música: Yola Se(m)medo e a sua "injusta".

terça-feira, setembro 28, 2010

ESTÓRIAS CONTADAS

Tchibinda Ibinda, caçador estrangeiro do além Kassai, em perigrinação pelo oeste do seu homeland, conheceu e enamorou-se por uma bela princesa Lunda, Lueji-a-Nkonde de seu nome, cercada de amores e ódios de dois irmãos deserdados pelo pai, o soberano Nkonde daquelas terras de caçadores e comerciantes da África Central.

Impossibilitada pela tradição de usar o lukano, símbolo do poder real, nos dias do fluxo menstrual, Lueji deu-o à guarda do seu amante "mukuakuiza"* levantando a ira dos irmãos que se viram longe do trono, "oferecido" de mãos beijadas ao estranho caçador.
- Que ingenuidade desta miúda! - terão dito.
Desta contenda começou a expansão do império, com Tchinguri a rumar para a direcção do sol poente (oeste) e Tchinhama em direcção ao Sul (Moxico). 
Este trecho da tradição nordestina de Angola ensina-me a encarar o comportamento pouco amistoso do irmão Lunda em relação ao cunhado extra-territorial, acompanhado sempre de um olhar desconfiado e uma aceitação duvidosa, sobretudo se este não tiver dado ainda aos cunhados a riqueza que a tradição Lunda-Cokwe muito preza: Os sobrinhos.

É um ciúme secular e fundado na tradição destes povos que se esvazia em pessoas mais aculturadas, informadas (com maior intercâmbio inter-cultural) e ou de elevada instrução.

Por outrto lado, apesar de se reconhecer, por cá, que "enquanto mais mel fabricar uma abelha, mas ela se torna habilidosa", há um sentimento de que o estranho pode apossar-se do "mel" e deixar a colmeia às moscas. E não é tudo. Há também um outro sentimento, este mais racional e economicista, de que "se aqui o estranho faz dinheiro, aqui o deve gastar", ainda que em futilidades.

Tal como conclui José Redinha, na sua obra "Etnosossiologia do nordeste de Angola", apesar do desajustamento de determinadas atitudes comportamentais, "é contraindicado tentar modificar, em curto espaço de tempo, o que levou séculos a construir", daí que, se é extra-nordestino, conheça a idiossincrasia, adapte-se e viva em conformidade.

* O que vem; o mesmo que estrangeiro.

quarta-feira, setembro 22, 2010

CRISTÃOS AO ENCONTRO DO DINHEIRO E DO REBANHO

PONTO PRÉVIO
“A sociedade é mutável. A concorrência cria desenvolvimento e a carência desenvolve o engenho” (autores anónimos).

Por que haverá tamanha distância, em termos de adesão de novos prosélitos, entre as comunidades religiosas tradicionais e as ditas emergentes, se todos pregam a felicidade?

A Bíblia nos diz que a saúde e os bens materiais são os pilares indissociáveis da felicidade: a saúde é gozada enquanto viventes na terra e os bens materiais também.  

- Uns pregam a felicidade na terra, onde vivemos hoje, e onde temos carências materiais e espirituais: A mensagem que se tem passado é de que viver bem (de forma desafogada materialmente e cristã) tem de ser aqui (terra). Incute-se nos homens e nas mulheres a necessidade de servir a Deus com fé e obra material (Tg. 2:18) para que esta, a última, se multiplique e redunde em saúde e bem-estar material. E os homens e mulheres são apelados a trabalhar e a ofertar cada vez mais, buscando a sua própria realização (espiritual e material) e com as doações proporcionarem também o bem-estar material das suas confissões religiosas (templos bem acabados e ornamentados) e dos seus líderes religiosos (aparentemente ricos). Os adeptos da felicidade em vida presente e na terra apoiam-se de instrumentos modernos de persuasão (publicidade e marketing e às vezes até da propaganda) para chegarem aos grandes contribuintes e moldadores de consciências (figuras públicas e políticas) que por sequência lógica acabam arrastando os seus admiradores e dependentes. Há porém que ter em atenção a interferência que o dinheiro pode causar na vida do cristão como nos aconselha a bíblia em Marcos 10:23-27 e Eclesiastes 5:10-12.

- Outros pregam a felicidade celestial o que pressupõe que a verdadeira felicidade seria/será aquela a viver na vida ultra tumba. Para tal a mensagem tem sido a de viver uma vida imaterial na terra (Lc. 18:25) para gozar de uma vida celestial abundante junto de Cristo. Os homens e as mulheres são apelados a seguir a Cristo, com uma vida modesta, sem apego aos bens materiais, na terra, para usufruir de uma vida tranquila nos Céus. Note-se, porém, que quando o plantio (busca por bens materiais) é escasso, escassa será também a colheita (ofertas materiais para o trabalho da igreja). Daí que estas igrejas tradicionais vivem hoje uma carência financeira.
Recorrendo o texto bíblico encontramos várias referências sobre serventes de Deus que tiveram bens materiais com o rei David (Ecl. 12:13-14). É necessário que o cristão com posses tenha uma conduta responsável perante o seu Deus, conforme Hb.13:5 ou ainda I Tm. 6:8.
- E quem serão os que desfrutarão da vida junto de Cristo? - A bíblia fala-nos de um número limitado de homens e mulheres que tiverem uma vida digna de tal recompensa: 144 mil pessoas apenas que ajudarão o Rei na governação (Ap. 14:3).

- E o que será então da terra (Sl.115:16). O salmista diz-nos que “os céus são do senhor, mas a terra deu-a ele aos filhos dos homens”.

Com tudo isso, quanto acima se elucidou, basta escolher o nosso caminho e segui-lo firmes, sempre firmes, tendo em atenção que as sociedades moldam-se com o passar dos tempos. O cristão é um ser social, como os demais, e deve estar a par de todas as transformações, independentemente dos dogmas que defenda. Uma conduta demasiadamente ortodoxa pode levar o cristão a recuar no tempo. Não é lícito que fiquemos a lamentar a falta de membros nas nossas comunidades religiosas assistindo impávidos as outras que se tornam cada vez mais cheias. Não devemos lamentar a falta de obras nas nossas igrejas quando as outras estão cada vez mais ricas.

Devemos sim, encontra os caminhos expeditos para fazer uma concorrencia leal e sadia ao nosso "vizinho/irmão": evangelizar, pregar a santa palavra, trazendo novas ovelhas para o rebanho do Senhor (independentemente do que são e do que fazem) e moldá-las à vida cristã. Juntar e não discriminar.

Deus requer a nossa fé e as nossas obras e não a forma como nos apresentamos (se bem vestidos ou rotos, se bem-falantes ou mal-falantes de determinadas línguas, se ricos ou pobres, etc.). Todos somos poucos para a grande obra que a nós se impõe.

sexta-feira, setembro 17, 2010

DE OLHO AOS 88 DE NETO

NGUXI-DIÁ-MULAÚLA completaria hoje, caso estivesse vivinho, oitenta e oito anos. Mas assim não quis o destino e partiu, para nunca mais voltar, no já longínquo ano de 1979, sete dias antes do seu aniversário.

Entendeu o governo angolano homenagear o primeiro presidente do país com uma data de reflexão e festa que é Feriado Nacional, o 17 de Setembro - Dia do Heroi Nacional. Um pouco por todas as províncias houve actividades políticas, culturais e recreativas com inaugurações de infra-estruturas sociais não faltando as já costumeiras "maratonas" de comes e bebes à fartura. Sendo numa sexta-feira, dando lugar a um fim-de-semana prolongado, é de imaginar a quantidade de garrafas que as ruas terão de acolher até segunda-feira e a fraca produtividade dos "melhores frascos" de cada repartição.

Este ano, o acto central do 17 de Setembro foi na Lunda Sul. Cerimónia simples e bonita. Ao invés dos habituais comícios, onde as pessoas ouvem as mesmas coisas de sempre, entendeu o Governo fazer um acto semi-público, no cine Chicapa (Saurimo) que esteve lotado. Pitra Neto, falou aos presentes sobre a dimensão política e humana de Neto, recorrendo às profecias do Kilamba que, a par da poesia, se mantêm actuais para o desenvolvimento da Nação em construção. O Ministro recordou slogans como "Defesa, Produção e Estudo";  "Agricultura é a abse e a indústria o factor decisivo"; "Um só Povo e Uma só Nação" e a visão cultural do poeta guerrilheiro. Pena mesmo foi que a exiguidade do espaço do recinto não tenha permitido que mais munícipes de saurimo podessem assistir à disssertação inovadora sobre Agostinho Neto. Mas a rádio lá esteve e transmitiu em directo.  

Ontem (16.09.20100), aconteceu no mesmo local uma gala cultural, tendo se falado sobre a(s) passagem(s) de Neto por estas terras e as amizades que fez. Foram distribuídos certificados a motoristas (uns quatro ou cinco), cozinheiros (uns três ou quatro), membros da então comissão directiva do Partido, jornalitas que o "entrevistaram" na década de setenta (Sec. XX) e outros camaradas. Foi bom ter em palco músicos da praça de casa (Saurimo) e outros idos de Luanda como o Gabriel Tchiema, que já é nacional e não apenas um tucokwe, e o duo kanhoto. Os meus apreciados Sassa Cokwe fecharam a gala que teve muita poesia, história e musicalidade.

Pitra Neto, Ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, presidiu aos actos testemunhados pela viúva de Neto, Maria Eugênia, e outras individualidades dos Governos Central e provinciais (das Lundas e Moxico) e convidados.

segunda-feira, setembro 13, 2010

ALGUÉM VIU POR AÍ UM "LAMBE-BOTAS"?

Já se chama ao meu país (Angola) "terra do anormal", tendo a excepção se tornado regra em muitos casos. O anormal, hoje, é viver e agir conforme os ditames. Na função pública, nas privadas, nas igrejas e na media também, são contáveis os que ainda fogem à "regra" da anormalidade quando o assunto é o tramento do superior ou do político com poder.

Aos poucos, sorrateiramente, surge uma nova "disciplina" no nosso modo de transmitir informação pública e obediência: o bajulismo ou simplesmente lambe-botismo, também conhecido entre os brasileiros (de quem tiramos muitos dos maus exemplos) por puxa-saquismo, instala-se entre nós a olho nú.

Os grandes mestres desta "cadeira" estão aí. Bem localizados e conhecedíssimos dos líderes e políticos a quem servem (cega e caninamente) pisotenado outros.

Em tudo quanto os aduladores dizem (escrito ou falado) 90% é graxismo. Normalmente são pessoas que estiveram errantes, tentando mostrar agora que estão sarados ou arrependidos dos estragos provocados num passado ainda de memória fresca.  Estes novos "mestres", que se fazem passar por guardiões dum templo em que nunca entraram, são capazes até de guerrear e maldizer aqueles que sempre se dedicaram às causas, pelo simples facto destes, os últimos, mostrarem ideias inovadoras e ou contraditórias.

Tal como sugere o bloguista Rangel Alves da Costa (Recanto das Letras em 01/01/2010), "Infelizmente os nossos legisladores e os juristas responsáveis pela elaboração de projectos legislativos nunca tiveram a preocupação de incluir nos textos o tipo que seria tipificado como "puxa-saquismo", cuja tipificação seria:

-“É crime utilizar-se dos meios de comunicação, do diálogo pessoal com as demais pessoas ou de qualquer meio de escrita, com o intuito exclusivo de forjar a criação de uma imagem positiva de outra pessoa, instituição ou ente governamental.
I – A pena será agravada e triplamente cominada se o beneficiado for algum político, com ou sem mandato;

II – Incorrerá na mesma pena aquele que denegrir a imagem de uma pessoa em benefício de outra.

Pena: Reclusão, de 2 a 5 anos".

 

quarta-feira, setembro 08, 2010

NO DIA "MUNDIAL" DO JORNALISTA PROPONHO:

O jornalismo é a actividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de colectar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos actuais. O jornalismo é uma actividade de Comunicação.

Ao profissional desta área dá-se o nome de jornalista. O jornalista pode actuar em várias áreas ou veículos de imprensa, como jornais, revistas, televisão, rádio, websites, weblogs, assessorias de imprensa, entre muitos outros.
Em angola, uma das principais dificuldades que os jovens que enveredam pelo jornalismo encontram no exercício da profissão, e que redunda em muitos erros, é o fraco domínio do instrumento de trabalho (a língua portuguesa).

A falta de domínio da língua dificulta a construção técnica eficiente do texto jornalístico, daí que, atento a este handicap, me junto aos esforços das direcções provinciais de comunicação social e da media pública e privada no sentido de ajudar a suprir (est)as lacunas que em nada ajudam no desenvolvimento do nosso jornalismo.

PROGRAMA DO CURSO PROPEDÊUTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA

1- CONTEXTUALIZAÇÃO DA GRAMÁTICA
2- NOÇÕES ELEMENTARES DE MORFOLOGIA
- ARTIGOS
- SUBSTANTIVOS
- CONJUNÇÕES
- PREPOSIÇÕES
- INTERJEIÇÕES
- VERBOS
- ADVÉRBIOS
- ADJECTIVOS
- PRONOMES
- NUMERAIS
3- USO DA VIRGULA

4- USA DA CRASE
5- NOÇÕES ELEMENTARES DE SINTAXE
- SUJEITO
- PREDICADO
- COMPLEMTENTOS: DIRECTO, INDIRECTO E CIRCUNSTANCIAIS
6- DISCURSO DIRECTO E INDIRECTO

7- VOZ ACTIVA E PASSIVA
8- FORMAS DE TRATAMENTO
9- PRONOMINALIZAÇÃO
10- CONJUGAÇÃO PRONOMINAL REFLEXA

11- TEMPOS SIMPLES E COMPOSTOS
12- REGÊNCIA:
13- CONCORDÂNCIA VERBAL
14- TRANSLINEAÇÃO


CARGA HORÁRIA: 5 DIAS=40 HORAS
Estou disponivel: Luciano Canhanga (formado em Comunicação Social e Pedagogia de História)
lcanhanga@hotmail.com
Tlm. 923558651

quarta-feira, setembro 01, 2010

À VOLTA DO PETRÓLEO: VIDA EM ANGOLA MAIS CARA

A experiência do passado dita que o custo de vida em Angola será mais alto a partir de hoje.

Tudo porque o Governo, através da SONANGOL, decidiu retirar parte do subsídio que inside sobre o preço da gasolina e gasóleo que passam doravante a custar Akz 60 e Akz 40, respectivamnete, contra os Akz 40 e 30 praticados até ontem, por cada litro.

Atendendo que as quintas agrícolas são irrigadas por motobombas a gasóleo e gasolina; a electricidade para as moageiras e padarias gerada a diesel; as câmaras de fio idem; os transportes marítimos, rodoviários, aéreos e ferroviários também movidos a diesel e gasolina, um reajuste dos preços de bens e serviços é inevitável.

Se nas vezes passadas o custo de vida disparou na mesma proporção da subida dos combustíveis,  na melhor das hipóteses teremos uma subida média na ordem dos 40%, já que o valor da gasolina evoluiu 50% e o do gasóleo 33%.

Com uma taxa de inflacção média anual de 10% e um incremento salarial (para a função pública) que ficou nos 5%, é de imaginar "quantos furos terão os angolanos de abrir nos cintos" para fazer face à carência de dinheiro para adquirir bens e serviços essenciais.

quinta-feira, agosto 26, 2010

ZIGUE-ZAGUE

Em que acredita afinal de contas a editoria do jornal de Angola?

Abaixo duas matérias sobre o mesmo assunto:


Data: 16.08.2010
Fonte: Jornal de Angola
Tema: Congresso da juventude do maior partido da oposição


Depois da polémica com as teses do congresso da Juventude da UNITA (JURA) a reunião dos jovens da organização decorreu sob o lema “na luta contra a exclusão social”. Gente esteve la e gostou da organização e da forma como deocrreram os trabalhos. Os jovens da UNITA assumiram o compromisso público de dar combate à exclusão social sobretudo entre os jovens. É bom ver os jovens empenhados nos grandes designios nacionais como aquele que está em marcha de combate à pobreza. O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, deu posse à nova direcção e exortou os jovens a reflectirem sobre as estruturas e métodos de trabalho para “engrandecer o partido”. os novos dirigentes da JURA prometem dinamizar os trabalhos e qu não querem ser uma “direcção de gabinete”. Pela forma como decorreu o congresso, eles vão conseguir.

=
 
Data: 28.07.2010

Fonte: Jornal de Angola
Tema: Congresso da juventude/As teses do congresso defendem insurreição


Justino Justo (anónimo) 


Um destes dias, fui abordado por um jovem que, pelo nível da linguagem que já lhe conhecia, sempre me pareceu próximo da família Unita. Vinha com o semblante carregado, como se tivesse estado longas horas a fazer reflexões sérias sobre alguma coisa importante.

Saudou-me com o respeito de sempre e de imediato, sem que eu terminasse a minha saudação, fez a seguinte afirmação:

- Mais velho, eu pensava que o tempo da guerra, da subversão, do apelo à desobediência popular e de todas as outras formas de promoção do ódio, do desrespeito às instituições e ao povo ... tudo isso, mais velho, eu pensava que fazia parte do passado e que agora tínhamos entrado numa era de paz definitiva, concórdia, fraternidade, democracia (onde quem é eleito governa e quem perde continua a apresentar propostas que, mesmo sendo diferentes, podem ser úteis) tal como nos outros países ... afinal não ... ainda há alguns que continuam a procurar formas de criar agitação e trazer mais problemas, só porque querem o poder a qualquer preço”.

Não sendo, para mim, uma novidade, quis saber mais:

- Dinho, onde queres chegar?

O jovem olhou fixamente para mim e perguntou-me:

- O mais velho já ouviu dizer que a JURA, a nossa organizaçãoj uvenil, vai realizar o seu II Congresso?

Respondi-lhe que não me havia apercebido de nada, mas que isso não era problema nenhum e que até é bom que os jovens se reunam para discutir coisas sérias e boas para o presente e o futuro da nossa jovem Nação. Aos jovens compete conduzir o destino do nosso País.

O Dinho, acortou-me a palavra :

- O problema não é esse. Até aí o mais velho tem razão. O problema é que há dias estive num almoço de confraternização organizado pelo maninho Didi Chiwale e o Dirceu Liberty Chaka, que ainda é o Presidente da Jura, fez um discurso inflamado contra tudo e contra todos os que “integram o sistema”.

Porque já conheço a retórica do seu discurso e porque, naquele momento, tinha outras prioridades, não dei muita atenção. Mas ontem deram-me este documento, que é cópia do que o Liberty apresentou no almoço e eu fiquei estupefacto com algumas coisas que li. Mas, como eu posso estar enganado, quero que o mais velho também o leia e me ajude a interpretar algumas coisas que são aí ditas.

Foi neste momento que o jovem me entregou um texto em cuja capa está inscrito: JURA – TESES PARA O II CONGRESSO ORDINÁRIO.

Comecei a ler e verifiquei que o texto estava “impecavelmente escrito”, como diria o nosso saudoso amigo de outros tempos e outras lides, o Fernando Norberto de Castro, que, como todos sabemos, também foi um fervoroso militante do partido UNITA.Li a introdução e fiquei a saber, embora pouco, mas alguma coisa mais sobre a JURA Juventude Unida e Revolucionária de Angola.
(...) O nosso Liberty (confirmando o que me disse o Dinho) traça como “desafios político-estratégicos”, dentre outros, “a identificação das oportunidades, ameaças, pontos fortes e fracos” da UNITA e “a definição de planos de acção pro-activos que potenciem oportunidades e forças próprias e maximizem ameaças e fraquezas do adversário (MPLA/Governo)”.

A partir daqui comecei a perceber que a JURA para além de estar preocupada com os problemas do Partido, também queria contribuir para “minar” o MPLA e o Executivo.

TESES GOLPISTAS
Sim senhor, estes jovens “jurados” estão fortes. Vão utilizar a ciência para investigar e descobrir (em laboratório especializado) a fórmula “política” para derrubar o poder instituído. Como as eleições em 21012 são gerais (Presidenciais e Legislativas), é caso para dizer que a JURA se está a preparar para matar dois coelhos com uma cajadada só. Agora é que vai…

Continuei a leitura e, (juro que levei um susto): A JURA projecta como oportunidades, a “criação de factos” e/ou “o aproveitamento de situações que ocorram no país” tais como “eventos políticos, sociais, económicos, culturais, desportivos, académicos, religiosos e naturais” (devem querer referir-se a calamidades de qualquer tipo), para “desgastar por todos os meios a imagem do Presidente da República”, “transferir o foco de contradições UNITA/MPLA para o Povo/MPLA, alimentando e acirrando contradições sociais e económicas entre o MPLA/Governo e o povo”, “mediante a propagação” de “denúncias permanentes” do “carácter fraudulento das eleições de 5 e 6 de Setembro de 2008, o golpe jurídico-constitucional de 21 de Janeiro de 2010” e a “ilegitimidade democrática do Presidente da República”, incitando a população a “perder o medo de manifestar-se”.

É assim mesmo que os nossos jovens da JURA/UNITA querem contribuir para o reforço da unidade nacional, o respeito pelos direitos humanos, a aceleração do processo de reconstrução nacional e a melhoria de condições do nosso povo?

Na minha idade e democrata como penso que sempre fui, não me preocupa que as pessoas se manifestem de forma pacífica na defesa ou para a conquista de direitos que considerem legítimos. Isso não me preocupa. Só demonstra que se está perante um país livre e democrático. Mas não é isso que a JURA nos propõe! O que a JURA pretende fazer é um apelo irresponsável à desobediência civil.

O que a JURA e o Liberty nos propõem é que rejubilemos de alegria perante tudo que de mal possa acontecer ao País e ao nosso Povo.

Acusar o Executivo por um mau resultado desportivo, ou porque há seca, e utilizar isso para agitar o Povo para que se manifeste nas ruas contra o Executivo é algo que só pode vir de alguém que ainda não se encontrou com o presente ou então continua imbuído do espírito destruidor que caracterizou a forma de actuar da organização em tempos que não pretendo reviver.

LIÇÕES DO PASSADO
Sou mais velho para me deixar levar em brincadeiras de garotos. Já sofri muito e não quero mais. Mas, como pretendo deixar de ser ingénuo e porque aprendi que, em política, “o que parece, é”, sinto-me na obrigação de pedir ao Estado Democrático e de Direito que se proteja e tome todas as medidas necessárias para defender a Paz que tanto nos custou e que tanto amamos.

Não me queria referir às eleições e aos resultados por ela produzidos. Lembrar apenas que, em democracia, as decisões do Povo, devem ser acatadas e respeitadas, sob pena de em actos posteriores a penalização poder ser maior. Se dúvidas subsistirem, lembremo-nos todos que o facto de em 1992 não termos aceite os 45 por cento de votos que o Povo Angolano nos deu, fez com que, em 2008, apenas conseguíssemos dez por cento.

Se continuarmos a agir assim, o que poderá acontecer em 2012? E, se acontecer, vamos voltar a culpar o Executivo? Continuar a desrespeitar a Constituição, que, mesmo não sendo perfeita, tem a mão de todos nós (todos mesmo), é positivo? O que é que pretendemos alcançar com isso?

Continuar a questionar o mandato do Presidente da República, (mesmo sabendo o que dizem as normas transitórias da Constituição) vai dar a vitória, à UNITA, em 2012?

É assim que os actuais dirigentes, da UNITA, pensam? Os Dirigentes da UNITA revêem-se nesta estratégia ou estão a preparar-se para, como Pilatos, lavar as mãos e dizer que nada sabiam e que nada viram ou ainda que se trata apenas de “assanhadice” dos nossos miúdos para darem nas vistas e apresentarem-se como bons militantes?

Enquanto lia, fui-me preparando para esclarecer algumas coisas, do passado, ao Dinho, como é o caso do Manual dos Quadros da UNITA, produzido pelo Dr. Savimbi, e tentar que ele entendesse que, infelizmente, ainda há quem não tenha percebido que a história mudou de rumo e que o retorno ao passado só é possível de persistir em pessoas que, por serem incapazes de se enquadrar na nova sociedade, ainda acreditam que o recurso à violência é a sua tábua de salvação.

COLIGAÇÃO NEGATIVA
Mas, voltemos às estratégias que o Liberty, o Chiwale, o Muzemba e outros membros da JURA/UNITA, querem implementar, para lembrar que eles pretendem a “mobilização e enquadramento político de membros e dirigentes de partidos políticos, igrejas e outras associações extintas pelo sistema” e a “cooperação com todas as forças, movimentos sociais e políticos ávidos da alternância do poder”. Pensar que participei no processo de libertação e na luta pela democracia e ver o partido UNITA continuar a agir como um “gang de malfeitores” que, há revelia da lei, pretende usurpar o poder, é algo que me constrange e que me preocupa sobremaneira. Então, os nossos Deputados da UNITA que aprovaram, na generalidade, o pacote legislativo eleitoral, não sabiam que os partidos que não atingissem o mínimo de 0,5 por cento dos votos válidos, seriam, automaticamente, extintos?

Hoje, pretendemos culpar o sistema? Qual sistema? Não estávamos todos representados nos Órgãos de Soberania que decidiram sobre as regras? Mas, não é isso que me preocupa. O que me preocupa é que a direcção da UNITA continue a pensar que agindo assim está a criar mais valias e que com esse quadro de dirigentes e políticos pode contribuir para o desenvolvimento do País. Assim já é demais. Estamos tão fracos que essa é a melhor aliança que podemos fazer?

APOSTA NO CAOS SOCIAL
Ver a JURA/UNITA assumir o seu “fraco entendimento da natureza do regime que sustenta o Estado angolano, como surgiu, e para que existe, sugerindo que se determine o tipo de combate que se impõe travar” é ainda mais constrangedor.

Assumir que não se conhece o Estado em que se está e, mesmo assim, alimentar a pretensão (presunção) de um dia o governar, é, no mínimo, ridículo e caracteriza bem o nível de dirigentes e a organização que temos hoje.

MOMENTO DE LUCIDEZ
O único mérito que se pode colher da constatação que a JURA/UNITA faz é que em todo o tempo que perderam a definir os termos da conspiração contra o Estado e o nosso Povo, houve um momento de lucidez em que se assumiu que o mais importante é destruir.

Afinal, aqueles que o dizem têm razão: A UNITA continua igual a si própria. Não fomos capazes de nos transformarmos em partido político e continuamos a pensar em conquistar o poder a qualquer preço.

Pensar que é possível “usar contra o regime os movimentos sociais por ele criados” constitui prova inequívoca de que ainda não fomos capazes de perceber e muito menos conhecer, a real grandeza do principal adversário político que temos pela frente. Assim sendo, vamos alimentando estas pseudo estratégias que, alicerçadas no desconhecimento, jamais poderão constituir rampas que nos possam catapultar para posições favoráveis à melhoria da nossa inserção social e ao concomitante reflexo disso em futuros resultados eleitorais. Continuamos a pensar que o regime vai entrar de férias e que tomaremos o poder ao som de valsa, regando o festim com um delicioso maruvo.

Li no documento das teses que a JURA/UNITA pretende “deslocar o combate das instituições públicas para as ruas, praças, bairros, escolas, hospitais, etc.” sustentando que o “regime deve ser levado a combater no terreno escolhido pela oposição e que lhe seja desfavorável” para que “a população se torne mais auto-confiante no desafio ao poder”.

Fiquei incrédulo: será que a UNITA assume, como nossa, a estratégia de criar o caos social e, por essa via, ascender ao poder? Invadiu-me o espírito a convicção de que esta estratégia não pode estar a ser gizada pela nossa organizaçãojuvenil e que por detrás disto tem que estar a própria Direcção do Partido, sendo que aquela apenas está a servir de instrumento.

O Presidente Samakuva e todos os actuais dirigentes da UNITA não se podem ilibar das responsabilidades advenientes de uma estratégia tão macabra, despudorada e anti-patriótica, como a que me foi dada, agora, a conhecer. Não me revejo nisto e não quero voltar a passar por caminhos que me fizeram sofrer tanto. Não foi para isto que eu dei a minha juventude.

Apelar à insurreição popular, sabendo das consequências desse acto nefando e irresponsável, mesmo acreditando que “verão o espectáculo a partir de alguma vereda luxuriante”, só pode vir de alguém que não tem um mínimo de amor à nossa Pátria e que nutre um profundo ódio ao nosso Povo.

Como homem que contribuiu para o que somos hoje, não posso evitar de soltar o meu grito de revolta e apelar que se tomem medidas sérias para que os mentores de tão vil estratégia jamais tenham a possibilidade de a materializar. Mas, vejam o que vem a seguir. De acordo com a proposta de teses para o II Congresso, a JURA/UNITA pretende “enfraquecer economicamente o regime e provocar a falta de recursos financeiros e materiais”, motivando a retracção do investimento estrangeiro e consequentemente “reduzir as fontes de financiamento do poder (entenda-se Executivo), causando atrasos no pagamento de salários, inclusive das Forças de Defesa e Segurança do Estado”, com o objectivo de criar um clima de “insatisfação geral”, visando o “princípio do fim” do regime.

Os mentores da estratégia apelam à observância do sigilo por acreditarem que quanto maior for a capacidade de guardar segredo dos planos e intenções, maior será a força da organização em surpreender o adversário e resultará em mais confiança na juventude. Tendo tomado conhecimento disto, jamais me calaria. Desde logo porque o único adversário que vislumbro na pseudo estratégia é o Povo Angolano. Assim sendo, também me sinto na pele de adversário, porque, com orgulho e honra jurei servir a Pátria e, por isso mesmo, não defendo interesses mesquinhos e, muito menos, acobertarei criminosos.

Como cidadão, cumpri o meu dever. Não pensem que traí o Dinho. Longe disso. Tive o cuidado de lhe dizer o que pensava do que li, pedi-lhe que jamais participe em acções que não tenham o respaldo da Constituição e das Leis da República, que ambos amamos de paixão, e que me autorizasse a trazer a público toda esta tramóia. Por último, pedi-lhe que fizéssemos umas cópias do texto para remeter aos Órgãos de Imprensa da nossa terra.

Luanda, 19 de Julho de 2010

Nota da Redacção

- Esta denúncia de um leitor identificado e militante da UNITA só agora é publicada porque houve necessidade de confirmar a veracidade das afirmações atribuídas às teses para o II Congresso da JURA. Todas as afirmações são verdadeiras e foram por nós verificadas.

sexta-feira, agosto 20, 2010

A PERTINENTE SURPRESA DOS RECREATIVOS NO GIRABOLA

Os últimos anos do nosso futebol tem sido marcados, de forma positiva, pelo ressurgimento dos "Recreativos". Primeiro o Recreativo do Libolo, criado em 1942 e que ingressou no Girabola em 2008, tendo já conquistado um terceiro e um segundo lugar nos dois campeonatos disputados.

Em 2009 apurou-se para o campeonato angolano de futebol de primeira divisão o Recreativo da Caála (município do Huambo), fundado em 1944 e que no seu segundo Girabola já lidera isolado o campeonato, quando estão já disputadas 21 jornadas.

A Caála, um clube do interior do Huambo, é merecedora desta menção e atenção dos aficcionados do "desporto-rei" por estar a provar em campo que nem mesmo a morte do seu treiandor (Mabi de Almeida) serviu de empecílho à sua marcha triunfal.

O saber fazer dos dirigentes, treinadores (os que por lá passaram e os que lá estão) e jogadores, bem como a sua massa associativa e claques de apoio por onde quer que jogue, têm estado na origem do sucesso. E se a Caála vier a liderar o Girabola até ao trigésimo e derradeiro jogo não será surpresa para ninguém. Depois do recreativo do Libolo (Kuanza-Sul), que apesar de irregular ainda não atirou a tolaha ao tapete esta temporada, o surgimento e as consequentes vitórias do Recreativo da Caála afiguram-se como um "fenómeno" do futebol angolano que deixa assim de ter Luanda como o centro de todas as atenções.

Que venham outros Recreativos!

terça-feira, agosto 17, 2010

DEPOIS DE JORNAIS: "COMPRAM-SE" BLOGUES

Pelo  que leio nalguns semanários domesticados e ou "pasquinizados",

Pela tendência "nacional" da nossa (des)informação,

Já nada me espantará se um dia surgirem, por aí, emissários, anúncios ou mesmo OPA's hostís (operações públicas de aquisição) para a compra de "blogues angolanos menos cómodos".

É que neste caso seguimos bem os (maus) exemplos da China Comunista

Quem viver verá!

sexta-feira, agosto 13, 2010

A "DESCOBERTA" DE SAPALO ANTÓNIO

Sapalo António, líder parlamentar do PRS (Angola), disse nesta quinta-feira na Assembleia Nacional o que muitos sabem, veêm, comentam nos corredores e acabam se acobardando, não levando o debate para as instâncias apropriadas como foi o caso, no parlamento.

O deputado criticou a existência em Angola de ONG's que enquanto Intituições de Utilidade Pública (com direito à fatia no O.G.E) compram bens e serviços que dizem oferecer ou doar a populações carenciadas ou atingidas por calamidades naturais.

Os exemplos estão aí à mão de semear. Volta e meia estas organizações, que também "sorvem" das contas públicas, aparecem nos ecrans da televisão e aos microfones da rádio com um pão em uma das mãois e um panfleto partidário em outra, apregoando serem os primeiros socorristas de uma população carenciada, substituindo mesmo o governo central, cujo braço social é o Ministério da Assistência Social, quando o braço social do executivo é o MINARS. 

... E o povo desatento agradece como se os bens que recebem fossem comprados com dinheiro próprio destas "supostas"ONG's, quando na verdade o dinheiro é de todos os angolanos que trabalham e pagam impostos.
Há algo que tem de ser bem explicado ao povco. E foi pena que Sapalo António não tenha chamado os bois pelos nomes.

terça-feira, agosto 10, 2010

FALTA DE CRÉDITOS E ALFAIAS DIFICULTA AGRICULTURA NA MUNENGA

Os agricultores da comuna da Munenga, no municipio do Libolo, clamam por créditos e alfaias agrícolas para reactivar as enermes fazendas e coo[erativas abandonadas.

A Comuna que faz fronteira com Kambambe (norte) e Kibala (sul) foi em tempos um grande produtor de milho, mandioca, citrinos, dendém, sisal, gado entre outros produtos agropecuários. Hoje a produção se restringe à subsistência e alguns pequenos excedentes comercializados nos mercados de Dondo e Luanda.

Fazendas como Israel, Kangulo, Roussel, Kimbangala, Sanguiça, Costa Campos, entr eutras, estão houje votadas ao abandono, motivado pela guerra, e descapitalização dos novos proprietários muitas delas correndo o risco de perder todos os plantios até então realizados, por inexistência de picadas para conter os fogos.

Segundo Jaquim Guilherme, sócio da cooperativa Kananvale que congrega cinco cooperantes e uma área de cinquenta hectares, vários contactos foram mantidos com a administração municipal no sentido de se potenciarem os agricultores com micro-créditos e alfaias agrícolas, mas até ao momento não se passou das intenções.
"Mandaram-nos legalizar a cooperativa para termos micro-créditos do Banco Keve. Pessoalmente fui ao Sumbe (capital do Kuanza-Sul) tratar dos documentos e o croquis que estão a apodrecer...",disse visivelmente agastado.

Segundo o interlocutor, o Banco Keve, único a operar no município, só concede créditos àqueles que já têm dinheiro. "Até os tractores da MECANAGRO foram distribuídos aos fazendeiros do Luaty (comuna sede) e quando fomos para lá (em Calulo, sede municipal) pedir apoio das máquinas nos mostraram os tractores já em cima das pedras", desabafou.

Constatações na aldeia de Pedra escrita (comuna da Munenga) dão conta do estado de abandono de mais de quinze fazendas que até aos anos oitenta eram produtivas. Muitos dos antigos proprietários faleceram, ou ficaram arruinados e os herdeiros e ou novos detentores de títulos estão sem meios técnicos e financeiros para retomar a produção agropecuária.

Fazendas como Sangana, Alto Muxixi, Israel e Madame Kassenda, perdem todos os anos enormes extensões de cafezais e palmares devido à queimadas e falta de potenciamento dos cooperantes e novos donos.

Os populares da região que abrange as comunidades de Katoto, Samba Karinge, Tumba Grande, Kuteka e Muxixe também clamam por micro-créditos ou intervenção da Mecanagro no desbravamento de terras para aumentar  as lavouras. "O dinheiro até que podemos arranjar, mas faltam mesmo tractotres para alargar as lavra", lamentou o soba do Kuteka, Manuel Ganga.

Joaquim Guilherme
No tocante às inovações, um aviário e um matadouro foram instalados nas margens do rio Mukonga, na Munenga, que conferem uma nova imagem industrial. A comuna possuía em tempos idos, para além de inúmeros engenhos artesanais, uma cerâmica e uma fábrida de sabão.

quinta-feira, agosto 05, 2010

ANGOLA: UM ELDORADO CHINÊS?

Há em ANGOLA chineses para tudo e todos os gostos. Vimos chineses nas grandes obras de construção civil, na construção de blocos de cimento, na candonga, na zunga, nos cadiengues, etc.

Os chineses, aqui chegados, têm Angola como uma mina que nunca trocariam por nada e por isso armam-se de artimanhas de todo o tipo para nunca mais daqui sairem, ou na hipóteses de as coisas lhes correrem mal, nunca mais viverem a vida de um chinês. Casam-se, por caminhos ínvios procuram por nacionalidade e residência permanente, entre outras formas de prolongar a chinolândia angolana.

E corre na net, de caixa em caixa, uma anedota que reza:
"Aconteceu no Cazenga. Um chinês, funcionário da GRN dos caminhos-de-ferro de Luanda, apaixonou-se por uma angolana residente no Cazenga, depois de alguns meses de namoro. Ela engravida do chinês, e ele, é chamado pela família da moça, Maria, para fazer o pedido, conforme a nossa tradição. No dia do pedido começaram as perguntas:

Sogro: o senhor engravidou a minha filha, a Maria, não é?
Chinês: xim! englavidá Mallia.
Sogro: o senhor é estrangeiro, como é que fica isto?
Chinês: nu. Eu angolano.
Sogro: se és angolano qual é o teu nome?
Chinês: Josse Andonho.
Sogro: José António ?! humm...e se acabar o seu contrato como fica?
Chinês: china mais? nem pinchar.
Sogro: e se fores expulso?
Chinês: Ó mi matam…., ó quê!"

domingo, agosto 01, 2010

A FRATERNIDADE DO LUTUMBA

Quem anda por Luanda vê em cada rua e esquinas outdoors anunciando a IFEPAA-Bom Deus e o seu líder espeiritual, Rev. Lutumba.

Os homens do Bom Deus, munidos de uma máquina propagandística actuante e atenta às novas tendências dos públicos, estão também com os olhos postos na internet, anunciando em páginas digitais como a do Jornal de Angola, Angop, entre outras, e uma aguerrida campanha publicitária na imprensa (escrita).

É por isso e muito mais que o "caso IFEPAA" se torna digno de atenção nesta página de análise e reflexão dos fenómenos emergentes, e se calhar merecedor também de um estudo por parte dos discentes de comunicação e teologia.

Antes lanço algumas notas que podem levar a encontrar caminhos para estudos:

1- Por que será que a igreja, cuja tradição é a evangelização porta-a-porta, gasta tanto dinheiro em publicidade.
2- Qual será o peso da Responsabilidade Social ou Acção Social desta igreja quando comparada ao que se gasta em publicidade
3- Que pretende o Sr. pastor Simão Lutumba com tanta exposição mediática.

Agradece-se a resposta de quem poder fornecê-la ou no mínimo comentar.

terça-feira, julho 27, 2010

O QUE LEVA A FAZER DO MELHOR AMIGO UM "ANFITRIÃO"

Na mitologia grega, Anfitrião é um militar que estando ausente, na guerra, encontra a sua mulher concebida de Zeus, um deus, e do qual nasce Hércules, um  semi-deus. Esclarecidas as coisas tudo ficou "numa boa" entre Anfitrão e Zeus. Por isso, anfitrião é na linguagem terra-a-terra "um corno assumido".

Se na historieta introdutória o caso é entre desconhecidos, o que se assiste no presente tem sido, vezes sem conta, facadas entre amigos de peito.
_Por que é que o(a)s amigo(a)s de confiaça, às  vezes, nos espectam o punhal.

sexta-feira, julho 23, 2010

EQUATO-GUINEENSES: DENTRO OU FORA DA CPLP?

Hoje, sexta-feira inicia a cimeira de Chefes de Estado da CPLP, nomeadamente: Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique e Timor Loro Sae. Participando igualmente a Guiné Equatorial, enquanto membro observador da organização e que verá o seu pedido de adesão formalmente aceite ou chumbado.

Para INFLUENCIAR a tomada de decisão concorrem dois argumentos: os do sim que acham ser mais valia para a organização, estando à testa chefes de Estado como o de Angola, Eduardo dos Santos, do Brasil, Lula da Silva e ainda as Repúblicas de Cabo-Verde e São Tomé e Príncipe.

Do lado do não que, entre várias aspas, colocam como mote principal a ausência de democracia na República de Teodor Obia Nguemá, alinhando na primeira coluna personalidades como o socialista português Manuel Alegre e a ONGD, também lusa, que abriu um fórum on line.

Numa mensagem electrónica que me copiou, o historiador angolano Simão Sindoula argumenta na sua tese pelo sim os motivos que resumo: “esta questão deve ser, absolutamente, visto do ponto de vista histórico e cultural… a Guine Equatorial tem, hoje, como património de grande importância, um dos crioulos de base portuguesa do Golfe de Guine, o famoso fa d'ambu… isso, permitira dar mais atenção à necessidade de salvaguardar este falar que está em via de extinção. Há outras razoes geo-estratégicas e sociais que tornam esta adesão desejável:.. a situação geográfica muito particular da ilha de Annobon, uma região que pode apresentar jazigos de petróleo e uma fonte potencial de grave conflito, a comunidade lusófona pode, neste caso, servir de plataforma de dialogo e consenso… a re-portugalização de Annobon e a expansão da língua de Camões para a ilha de Bioko e parte continental da GE ajudaria, indirectamente, a vital integração regional”.

Eu, Luciano Canhanga, comungo dos argumentos acima expostos, pois entendo que os grandes homens tomam as grandes decisões que fazem História. É assim que a humanidade caminhas e se desenvolve.

A G.E. é o único Estado (livre) de expressão espanhola no continente africano, tendo esta língua o português como o parente mais próximo, sendo também a G.E. um Estado com proximidade histórica quer com Portugal, como com os Estados africanos de expressão lusófona.

No meu entender, um referendo na GE ajudaria melhor a definir a sua adesão e seria desejável para o conforto dos políticos daquele país a que se seguiriam tramites meramente administrativos por parte da CPLP. E quais seriam os efeitos?

_ Como bem o diz o Dr. Sindoula, a (re)lusoficação dos povos daquele Estado (ilhas), a integração regional, entre outros ganhos.

A CPLP pretende que o português seja uma língua de serviço das Nações Unidas. Embora os equato-guineenses sejam apenas um milhão e tal, seria, entretanto, um bom agregado populacional que se juntaria à comunidade. Daí que julgo não ser um exercício vão ter a G.E. entre os tradicionais lusófonos.

Se olharmos para Timor Loro Sae, o que se assiste naquele país é uma re-introdução da língua portuguesa, que se fala tão pouco naquele território, sobretudo entre os jovens e crianças. Na G.E. pode acontecer a mesma coisa. Com o tempo teríamos os povos destes dois países a se comunicarem fluentemente na língua de Camões e noutras que também são definidas/adoptadas como veículos oficializados de intercâmbio de ideias e sentimentos.

 

segunda-feira, julho 19, 2010

OBRAS PÚBLICAS: TUGAS RIEM ATÉ RASGAR A MANDÍBULA

Dizem dois adágios populares que: "quem ri depois ri melhor" e que "o barato sai caro".

Em tempos contou-se uma anedota que rezava o seguinte: "um organismo público lançou um concurso público e dele responderam três empresas distintas, sendo uma chinesa, uma portuguesa e outra angolana. Convocados a apresnetar técnicamente e defender os custos propostos o representante português começou por explicar que a obra proposta teria uma vida útil de 50 anos, material e acabamentos de primeira classe e um custo de 6 milhões de dolares. O contratante achou o valor bastante elevado e mandou embora o tuga.

Chamado o chinês, explicou, por sua vez, que faria uma obra de qualidade média (omissas as qualidades dos materiais e vida útil) com um custo de 3 milhões de dolares. O contratante olha desconfiado pelo preço do avançado pelo asiático e manda-o embora, prometendo contactá-lo no fim das avaliações.

O terceiro homem era angolano e este propões um trabalho de alto padrão com acabamentos nunca vistos e duração infinita... blá, blá, blá (como sempre), ao custo de 9 milhões de dolares americanos. O contratante estupefacto pergunta por que razão o português pedira 6 milhões, o chinês, 3 milhões e ele o triplo, ao que respondeu:

_ Dr., serão três milhões para si, três milhões de lucro para mim e três milhões para o chinês que será subcontratado para fazer a obra!".

Sem mais quês nem porquês, o angolano firmou o contrato e aí estão os resultados: Fissuras trás de fissuras nas obras recentes, feitas por chineses e angolanos-chineses (coligados), enquanto as obras portuguesas do tempo de kaprandada estão aí de pedra e cal.

Para além do caso bem conhecido do "nado morto" Hospital Geral de Luanda, que ruiu em menos de 4 anos, visitei um hospital público do nordeste angolano, onde o anexo que tem menos de 4 anos já apresenta fissuras enquanto a parte antiga, deixada pelos tugas anda aí sólida e a espera apenas de pintura e pequenas adequações.

Se no princípio os tugas se achavam algo discriminados nas contratações de empreitadas por verem as preferências transferidas aos nossos amigos do oriente, agora riem-se que se fartam das nossas desgraças causadas pelo nosso imediatismo, ambição desmedida pela "comiss(ch)ão", e outras manias.

E agora?

quinta-feira, julho 15, 2010

ATENÇÃO! HÁ FOME NO MAIOR CONGLOMERADO DE MEDIA DE ANGOLA

Há dois anos surgiu no mercado mediático um conglomerado de média. Tão elevada tem sido a qualidade dos seus produtos impressos, radiofónicos, televisivos e afins que em pouco tempo se tornou em referência no mercado mediático angolano. Uns dizem mesmo que a tal media “não deixa nada que seja do interesse público passar despercebido”. Porém, há mais de dois meses que os trabalhadores deste grande conglomerado não vêm a cor do dinheiro dos seus ordenados e nada sai para fora, de forma oficial. Os jornalístas do grupo calam-se aos microfones e nos jornais, embora desabafem cá fora, a media congénere segue-lhes as peugadas e tudo fica em semi-segredo.

O SJA -Sindicato dos Jornalistas Angolanos-, cujo porta-voz trabalha é editor dos jornais do  conglomerado, também ainda nada disse à propósito.

Até mesmo o Folha8 nada avançou sobre o assunto que corre de boca em boca nas reportagens e nos convívios em que participam jornalistas e outros trabalhadores do grupo. 

_ Será que se trata apenas de um boato ou há mesmo panelas a entrar em arrefecimento permanente?

domingo, julho 11, 2010

UMA VIAGEM ATENTA NO "NOSSO METRO"

Se olharmos para o plano de desenvolvimento ferroviário de Angola encontraremos uma linha projectada em direcção ao norte (Minas de Bembe) que viabilizará a extracção de minério naquelas paragens e que passará pela planície de Cacuaco até se embrenhar pelo interior para atingir o território do Uige.

Em anos não muito distantes, a área do Kikolo estava servida de um comboio de passageiros e mercadorias que partia da estação dos Musseques. O alargamento e crescimento exponencial de Luanda (urbana e suburbana) há muito reclama a entrada em cena de outros actores no domínio dos transportes colectivos, para complementarem os habituais autocarros, candongueiros e ultimamente os kupapatas.

A entrada recente, mas ainda insignificante, de novos operadores de táxis é uma mais valia, porém exígua para a grande demanda. Daí que o anúncio do Senhor Presidente da República para a construção do Metro de Superfície vem em boa hora e espera-se que da palavra dita ao facto vivido não haja um grande hiato de tempo que possa vir a transformar o discurso presidencial em letra morta.

Haverá, com certeza, questões ligadas à operacionalidade técnica quanto à implantação do projecto ora anunciado. O Metro de Superfície é o que mais se adapta às características geo-morfológicas e sociais da nossa capital. Para a sua materialização, é preciso, porém, ter-se bastante coragem e nos despirmos todos de todas as formas de resistências às mudanças.

É preciso também ter em conta que Luanda está ainda sem um plano urbanístico definitivo. A reparação de vias estruturantes tem levado à destruição de muitas casas e a construção das linhas para o Metro de Superfície exigirá, com certeza, outros grandes sacrifícios quer para o Estado quer para os cidadãos que serão afectados por esta benfeitoria. Porém, temos de pensar na Luanda de 2020 ou mesmo de 2100 que terá de ombrear em igualdade de circunstâncias com as congéneres capitais africanas e mundiais.

Antes de se iniciarem as obras do "nosso metro" que se pense também na integração das infra-estruturas básicas para os sistemas de água, energia, gás e telecomunicações para que não se repita, no futuro, a ocorrência de empresas construtoras a danificarem, por falta de informações, aquilo que com muito sacrifício e dinheiro se está a erguer.

Publicado no Semanário Económico (Angola) edições de 08 e 15 de Julho 2010.

quarta-feira, julho 07, 2010

PARA QUANDO O FIM DA BI-CEFALIA NA FNLA?

A minha última reflexão sobre a política nacional aconteceu em 2008, depois das eleições legislativas onde eu sugeria à media para pôr termo às denominações bicéfalas nos partidos políticos, uma vez que a realização das eleições tinha nivelado a questão das lideranças ao aceitar determinadas candidaturas e chumbar outras. E parecia que as coisas estavam bem encaminhadas até que ressurgiu o caso FNLA, onde as eleições, por si só, não encerraram em definitivo o assunto, tendo o Tribunal Constitucional, em função das várias reclamações a ele dirigidas pelas partes envolvidas, comunicado um acórdão em que repunha a situação ao último congresso convocado pelo finado Holden Roberto.

Em 1998 Lucas Ngonda entrou em colisão com Holdenm Roberto por este nunca lhe passar pela cabeça a realização de um congresso. Ngonda criou uma quinta coluna e realizou um congresso que o elegeu presidente. Do outro lado permaneceu Holden e a sua entourage, com Ngola Kabango como actor principal da “orquestra”. O partido passou a ter duas sedes, uma na rua Samuel Bernardo e outra na Hoji-ya-Henda.

Uma mediação, composta por William Tonet, igreja e companhia, convenceu as partes para partirem para um congresso da unificação, realizado em 2004, onde a direcção ficou repartida entre as duas alas, ou seja: Presidência para Holden Roberto; 1ª Vice-Presidência para Lucas Ngonda; 2ª Vice-Presidência para Ngola Kabango e a Secretaria-Geral para Francisco Mendes (um correligionário de Ngonda). Este elenco teria de coabitar até à realização de um congresso ordinário nos dez meses seguintes, o que não aconteceu, pois o velho Holden assim não entendeu, resultando numa nova “rebelião” de Ngonda e parceiros que dois anos depois, realizou outro congresso à parte.

Com o líder fundador morto, Ngola Kabango, sentindo-se substituto natural, parte, finalmente, para um congresso em que não participam os da ala de Ngola e proclama-se presidente (herdeiro do programa de Holden). O congresso teve a participação e candidaturas de Carlinhos Zassala, Miguel Damião e um outro candidato. Todos eles reclamaram da organização e fraude, remetendo ao Tribunal Supremo a impugnação do conclave.

Em 2009, o Tribunal Constitucional, herdando os processos do Tribunal Supremo, através de um acórdão, remeteu a situação da liderança da FNLA ao congresso da reunificação, o último convocado por Holden Roberto, facto que fez transitar a presidência legal das mãos de Kabango para NGonda que acaba de convocar, nas vestes de presidente interino o congresso extraordinário, hoje (07.07.2010) terminado.

O que me inquieta é que mesmo os jornalistas e os órgãos de comunicação social conhecendo a realidade e a conturbada história desta formação política, em vez de procurarem por esclarecimentos legais e esclarecerem o povo, voltaram a embarcar na bi-cefalia do partido, ouvindo Ngonda e Kabango, ambos como presidentes.

E o povo que espera por um esclarecimento da media como fica? E pior é que Ngola Kabango grita aos quatro ventos ser o presidente legal prometendo um outro congresso para Novembro do ano que vem…

_ Continuará a FNLA ad eternum na condição de um partido onde as pessoas nunca se entendem?

_ E como fica a questão da obediência partidária dos deputados eleitos, dentre eles Ngola Kabango?

_ O partido continuará a ter uma sede na rua Samuel Bernardo e

Outra na Avenida Hoji-ya-Henda?

Eu, modestamente, até já sou pela extinção desta “batata podre” que pode contaminar outras “batatas” partidárias.