Translate (tradução)

quinta-feira, outubro 08, 2009

EXPULSÃO COMPULSIVA DE ANGOLANOS:TRUNGUNGUISMO OU RECIPROCIDADE?

Ponto prévio: Continuam a chegar aos nossos ouvidos notícias sobre a expulsão compulsiva de angolanos da RDC. Até ao momento contam-se já milhares que entraram através dos postos fronteiriços de Luvu e Sanza Pombo. Outros estão a caminho. Os relatos são preocupantes. Porém, é preciso amainar os ânimos e resolver o problema com ponderação, diplomacia e sabedoria. Estamos condenados a viver juntos, (ou pelo menos em paz) dados os laços consanguíneos, culturais, religiosos, etc.

Os dois Congos e a Zâmbia foram dos países que ao longo das guerras angolanas mais receberam refugiados angolanos. Terminada a guerra em 2002, cadastrados pelas entidades competentes e com o estatuto de refugiado, muitos decidiravm voltar ao país, às expensas próprias, uns foram repatriados pelo HCR e outros por via das convenções internacionais decidiram por lá ficar, dado o tempo de permanência, convivência e as alianças matrimoniais seladas.

Como preço da fragilidade no controlo das suas fronteiras e normes riquesas minerais à vista, Angola vive uma invasão silenciosa de congoleses democráticos, congoleses de Brazza e de imigrantes doutros países, com realce para os centro e oeste africanos, que tudo fazem para transpor, de forma ilegal, as nossas fronteiras. A última semana foi marcadas por expatriamentos que levaram a clivagens fronteiriças com o Congo Brazza, em Massabi (norte de Cabinda), a que se seguiram difíceis contactos diplomáticos e outros dissabores com a RDC.

Angola tinha, na véspera, mandado para o outro lado da fronteira, cidadãos congoleses de Brazza que viviam ilegalmente em Cabinda. Outros tantos da RDC e doutras proveniências tinham conhecido a mesma sorte. Os congoleses de Brazza, descontentes com a acçao das autoridades angolanas, decidiram, unilateralmente, fechar a sua fronteira em Massabi, impossibilitando a saída dos angolanos que para lá se tinham dirigido em compras, como também não deixavam a saída de viatutras com mercadorias e materiais de construção, escoados a partir do porto do Point Noire.

Acto contínuo, a Cruz Vermelha Angolana deslocou-se à fronteira e (segundo a media) foi travada pelas autoridades locais que alegavam que tais bens emergenciais, para acudir os angolanos retidos, deviam ser canalizados à congénere congolesa da CVA. "A curta abertura vigorou somente o escasso tempo de fazer passar trabalhadores da empresa chinesa engajados nas obras de construção para o Campeonato Africano de Futebol das Nações, CAN-2010, na região... As pessoas estão ao relento. Não há nada para consumir nesta altura, para higiene normal, e muita gente já não tem dinheiro para comprar uma coisa para comer ou outro auto sustento. E isto é que está a começar a criar alguma inquietação seio da população", narrou o correspondente da Ecclésia. O jornalista disse ainda que “Os congoleses estão zangados porque, dizem, foram repatriados para o seu país muitos cidadãos oriundos da República Democrática do Congo (RDC)”.

Da parte da RDC veio também, na mesma semana, o ultimato para que os angolanos residentes do outro lado da fronteira (através das províncias do Zaire e Uige) abandonassem aquele território em 24 horas contados a partir de 04/10/09. Milhares de angolanos, muitos em situação legal, segundo a nossa imprensa e governantes,  foram corrigos à força e alguns violentados físicamente, tendo deixado para trás todos os pertences.


Embora com o Congo Brazza a situaçao tenha sido ultrapassada, depois de três dias de conversações em Cabinda entre governantes angolanos e homólogos do Congo algumas perguntas aguardam resposta:
> Acontabilização de congoleses democráticos supostamente enviados erradamente a Ponta Negra foi motivo que bastasse para a retenção de angolanos na República do Congo ou estivemos perante um simples acto de “trungunguismo” (casmurrice) do Congo Brazza?
> Quanto a RDC,  terá sido accionado o principio da reciprocidade ou este país está apenas a fazer retaliação?

Luciano Canhanga

segunda-feira, outubro 05, 2009

É URGENTE HUMANIZAR O TRANSPORTE INTERPROVINCIAL

Quem assiste a saida dos autocarros, de manhã, pode parecer-lhe que o processo é normal, pacífico e sem constrangimentos para os viajantes. Quem viaja tem, porém, outras estórias por contar.

A primeira tem a ver com as enchentes nas instalações das transportadoras e da ausência de condições de acomodação dos passageiros que aí pernoitam.

Quem for, por exemplo, a Viana, pode, com os seus próprios olhos, ver e perguntar: o porquê daquela situação; por que ficam amontoados homens e cargas à espera da voz de comando para a tomada dos assentos nos autocarros; por que razão dormem as pessoas num apertado espaço da transportadora; por que não se marcam viagens com antecipação e certeza da hora e data da partida, etc.

O que assiti na SGO foram situações desumanas neste tempo em que o homem deve ser o mais precisoso tesouro. Outro aspecto tem a ver com a imperícia de alguns motoristas destas transportadoras, inúmeros têm sido os acidentes ao longo das estradas, muitos por imprudência e outros tantos por imperícia. Com ou sem vítimas, há sempre danos morais e até financeiros. É preciso mais atenção na admissão dos homens que têm por missão transportar vidas humanas. Julgo que tem de haver mais respeito por queles que fazem os nossos salários dos funcionários e os lucros dos patrões. Tem de haver um tratamento mais digno...

As empresas transportadoras deviam afixar horários de partida e o número de autocarros para cada rota (província). Deviam também proporcionar um serviço de reservas com o respectivo lugar no machimbombo.

Se assim fosse, sabendo de antemão a que hora parte o autocarro, poucos teriam a necessidade de dormitar nas instalações destas empresas, tão pouco ver-se na obrigação de partilhar o parco espaço com as diversas Imbambas.

Luciano Canhanga
Foto: G. Patissa

quinta-feira, outubro 01, 2009

MAGISTER DIXIT

Está aberto o debate sobre a forma da próxima eleição do Presidente angolano. À mesa vários argumentos e ORIENTAÇÕES...

> "Estamos a evoluir do sistema de eleição directa ao sistema parlamentar"
> "O que nos interessa é este terceiro modelo em que o PR é cabeça de lista do partido mais votado e sem precisar de formalização parlamentar"
> Com este sistema dificilmente haverá crise entre o PR e o Parlamento pois o presidente é do partido que detém a maioria"
> "O mandato do governo eleito é para até 2012"
> "Presidenciais serão realizadas após aprovação da Constituição"
> "Vice-Presidente é nomeado pelo presidente entre os deputados eleitos"
> "Com este modelo o presidente deixa de ter iniciativa legislativa"
> "O sistema suporta o candidato a PR, pois tem a máquina do partido a apoiar qualquer que seja o candidato"
> "Cidadãos independentes, se têm bases de apoio, que criem partidos"
> "Etc."
Luciano Canhanga

domingo, setembro 27, 2009

FAIR PLAY

Fair Play é fácil de aconselhar mas difícil de observar. Porém, tenho hoje de me submeter ao rigor, pois em jogos de futebol, onde haja observação de fair play, não deve haver combinação de resultados. Eles fazem-se em campo.

Jogam hoje (27/09/2009) o Petro de Luanda e o Recreativo do Libolo para a 23a jornada do Girabola, o campeonato angolano de futebol da primeira divisão. Sou adepto de ambas equipas. O R. Libolo, com dimensão regional, o município do Libolo, província do  Kuanza-Sul (onde nasci e tenho grande afectividade) e o Petro de Luanda, equipa de dimensão nacional e africana a que aderi desde a infância, quando o RL, equipa em que já joguei na classe de iniciados (Cambuco Futebol Clube), era ainda equipa de "amigos".

O Petro tem objectivos capitais que passam pela reconquista do título. Se vencer esta tarde ao Libolo abre, antecipadamente, o champagne, quando ainda lhe faltarão 3 jornadas. O RL tem, por sua vez, também objectivos que passam por melhorar a terceira posição do Girabola de 2008 e apurar-se para as afrotaças. Caso o Petro perca, ainda tem hipóteses de ser campeão, pois só lhe caberá vencer um dos três jogos por disputar, mesmo que os seus mais directos perseguidores vençam todas as partidas por realizar. O Libolo, porém, precisa dessa vitória e de todas outras. E onde estarei eu?

_Obviamente no meu quarto assistindo ao jogo, repartido. Puxando pelo Libolo que me pode dar alegria, e puxando igualmente pelo Petro que me pode proporcionar a festa antecipada.
Não é fácil, confesso. E pela primeira vez, em jogos onde estejam o Petro ou Libolo, sou forçado a primar pelo Fair Play de que tenho sido criticado pelos meus leitores quando escrevo sobre o Recreativo do Libolo. Que vença a melhor equipa em campo ou que empatem, o que muito me satisfará!

Na foto: Mohamed Mociano Canhanga)
Luciano Canhanga

sábado, setembro 26, 2009

A QUESTÃO DO "BOLO" NA GESTÃO PROVINCIAL

Angola, o meu país, tem dezoito desiguais províncias. Moxico (223.023km2; 240.000hab) e Kuando-Kubango são as mais extensas e por sua vez as que registam menor densidade populacional. Luanda a menor, concentra, porém, mais de 1/3 da população nacional, ou mesmo a caminho de acolher metade dos aproximados 15 milhões de habitantes.
Durante o perído de guerra civil, travada de 1975 a 2002, Luanda foi sempre o destino final de todos os "recuas" e deslocados. Foi também, por via da segurança que possuia e de acolher o poder instituído, a província em que sempre se fez algo. Timidamente surgiram alguns novos serviços, alguns reparos nas ruas e edifícios, algumas escolas e hospitais, enquanto as outras províncias, mais à mão do destruidor, (guerrilha e tempo) se "contentavam" com o êxodo e com o nada de novo.

As províncias não costeiras têm um outro problema que se chama dispersão populacional em pequenos aglomerados, o que dificulta a satisfação de algumas necessidades infraestruturais como: escolas, postos de saúde, água e energia, por não reunirem "universo populacional que justifique a instalação desses serviços". Quanto a mim, e bem o sabe o Governo angolano, a saída passa pela junção de vários aglomerados isolados um dos outros, em povoados maiores que facilitem ao governo e outras instituições interessadas em colocar serviços e permitir um usufruto racional destes bens. É, a meu ver, impraticável colocar uma escola, um posto médico, um chafariz e instalações eléctricas em dez aldeias com sete a dez famílias cada, separadas por dois a cinco quilómetros. Criar políticas que incentivassem a junção de aglomerados para se poder dar o básico (água, luz, educação e saúde) a cada um dos angolanos seria o mais correcto.

Por outro lado, hoje, quando se fala da repartição do bolo entre Luanda e as demais províncias, algo me ocorre: Enquanto mais pessoas houver, pressuponho haver também maiores problemas por se resolver. E Luanda passa por isso. Um hospital em Luanda é frequentado por mais pacientes, a sua degradação também é mais rápida do que numa outra circunscrição menos habitada.

Se transportarmos esta realidade para as sedes provinciais e outras vilas (sedes municipais) nos debateremos com as memas situações. Não há, a meu ver, discriminação entre as verbas do administrador do municipio sede e as do administrador dum outro município da mesma província, nem se coloca a questão de quem mais kilómetros quadrados tem. A minha análise radica na população. Quem mais povo administra mais recursos deve ter. ou não será assim?
E nisso de admninistrar encontramos municípios com maior população do que muitas provincias. O Cazenga, por exemplo (município de Luanda com mais de 1 milhão de habitantes), terá uma área dez vezes menor do que Cabinda e 30 vezes menor do que o Namibe. Entre o administrador do Cazenga e os governadores das extensas, mas menos habitadas, provincias quem mais problemas administra?

A Cidade do Maputo, capital de Moçambique, tem o estatuto de província, para além da própria provincia do Maputo. Se para lá evoluirmos não seria pecado algum, desde que a proporção das bem-feitorias fosse de acordo à população administrada. Seria como no tempo da planificação alimentar: quem mais filhos tivesse mais pães levava para casa.

Luciano Canhanga

segunda-feira, setembro 21, 2009

O BIFE E O PEIXE FRITO (CONTO)

Man Xaxo virou guarda depois de desmobilizado do braço armado do povo, as FAPLA. Em casa do ministro Kambondondo onde estava colocado, posto muito cobiçado por todos os companheiros da nova trincheira, assistia dias sim, dias sempre aos banquetes com que Kambondondo brindava os amigos, ex-companheiros de brigada, sócios empresariais, afilhados e até namoradas, sempre que a dona Kifunde se ausentasse para compras no estrangeiro.

Man Xaxo, visionário e audaz em pôr ordem na vizinhança, só de longe saboreava aqueles quitutes que bem lhe sabiam na imaginação. O seu prato vezeiro era o de arroz com peixe frito e pão seco que vinha da empresa de segurança. Junto à cancela estava um pitbull carnívoro, animal de estimação de Kambondondo, cujas regalias se equiparavam aos que oferecia aos filhos, ultrapassando mesmo as miseráveis vivências dos directores nacionais. O Xindandala tinha médico, dentista, adestrador e muito mais. As suas consultas eram seguidas ao pormenor e usava dos mais caros perfumes. Xindandala era, aos olhos de Man Xaxo, um cão com direitos humanos.

Farto da vida humana do cão e a vida de cão que lhe era brindada naquele rancho ministerial, Man Xaxo começou por dividir os bifes entre ele e o pitbull sem que os seus segurados o soubessem. Com o andar do tempo foi diminuindo a parte da carne destina ao cão mandando-a goela adentro, até que um dia pensou no que seria o seu golpe de artista: inverter os pratos. O peixe frito para o cão e o bife para si.


Mal pensou, pior fez. O engarrafamento daquele dia tinha atrasado a chegada da carrinha de distribuição do manjar aos vigilantes todos. O pitt Xindandala já tinha tomado leite, antes da refeição do dia. Man Xaxo engolia vento ainda. À hora do almoço, o bife tanto fazia verter fluídos da boca e das narinas do cã0, como também criava água na boca ao seu companheiro humano. Man xaxo não pensou nem pestanejou. Ao chegar o refogado tragou-o e aguardou pelo arroz com peixe frito que o cão sequer o tocou, abrindo-se em uivos que despertaram os proprietários da casa.

Qual o espanto?
_Repousava no canil intacta a marmita com arroz e peixe frito. Do bife nem cheiro!


Luciano Canhanga

quarta-feira, setembro 16, 2009

CATINTON: DEJECTOS QUE ALIMENTAM ESTÔMAGOS

À vala de drenagens do Catinton convergem outras linhas pluviais como a do Senado da Câmara, Palanca, Camama, Calemba II, etc. A estes canais de água são canalizados, ao longo dos seus percursos, lixos domésticos, esgotos caseiros com dejectos, e outros detritos humanos e animais, tornando as suas águas, em qualquer que seja a estação do ano, impróprias para qualquer utilidade humana.

O que assito, porém, é que estas águas pódridas são, muitas vezes e em muitos locais, usadas para a lavagem de roupas e de viaturas, feitura de blocos para a construção e até a irrigação agrícola, como acontece nas imediações do projecto habitacional Nova Vida (em Luanda).

É com a água da vala de esgotos acima descrita que se fazem crecer as couves, cenouras, tomate, alface, gimboa e outros legumes com que muitos luandenses alimentam o estômago.

Sendo esta uma página de reflexão, que se empresta também à actualidade, e que deve contar com o os saberes e comentários de outros especialistas e leitores, deixo algumas questões que ajudarão os jornalistas a fazerem as questões pertinentes e as autoridades desempenharem os seus papéisl.

> Irrigados os legumes com água fétida, tornam-se ou não impróprios para o consumo humano, tendo em conta o contacto directo?

> A simples lavagem destes legumes anula as eventuais bactérias que contenham estas verduras?

> Que saúde ostentam os homens que trabalham com esta água todos os dias?

> Que medidas devem tomar as autoridades sanitárias, agrícolas e de direitos do consumidor?

Deixe o seu comentário, contribua para a melhoria da saúde pública.

Luciano Canhanga

segunda-feira, setembro 14, 2009

CHUVA SIM: ESTRAGOS POR DESLEIXO NÃO MAIS

Hoje começou, de facto, o período chuvoso em Luanda, embora oficialmente tenhamos entrado para a estação a 15 de Setembro. A capital angolana acordou molhada e até às oito horas o tempo apresentou-se com bastante nebulosidade e com invisibilidade para os automobilistas.

Conhecendo os estragos que a chuva provoca em Luanda às infraestruturas básicas de saneamento, às casas, às estradas, etc., sabendo que muitas obras inadiáveis decorrem e decorrerão neste período de pluviosidade (tendo em conta a realização do CAN, em Janeiro próximo e não só) e que podem ser gravemente afectadas, trago, como tema para reflexão, um texto que radiodifundi, há aproximadamente dois anos na RDP-África, retratando conseqüências da chuva em Luanda que espero não mais voltem a acontecer.

"CHOVEU EM LUANDA. HÁ ESTRAGOS CONSIDERÁVEIS.
Os especialistas em meteorologia já admitem que esta foi das piores chuvas dos últimos anos e atribuem a causa aos efeitos do fenômeno El niño que anos atrás fez inundar Moçambique.

A chuva desta madrugada teve início por volta da meia noite e continuou com intensidade até bem próximo do meio dia.
Neste momento ainda goteja e, como conseqüências, grande parte dos serviços públicos estão com as portas fechadas. Muitos edifícios estão com as caves e os primeiros pisos inundados, os colectores de esgotos não suportaram a carga de água misturada com lixo e areias transformando as estradas em autênticos rios.

Quanto à circulação automóvel, apenas os veículos todo-terreno a efectuam, mas com grandes cautelas.
A periferia de Luanda está transformada em cacimbas. Muitas casas desabaram, há mortes registadas por electrocussão e afogamentos e vários pedidos de socorro continuam a chegar aos bombeiros, segundo o porta-voz da corporação.
Uma ronda aérea está a ser efectuada por membros da polícia, bombeiros e governo de Luanda, para constatar as zonas mais afectadas.
Quanto aos danos, o balanço não é para agora, tendo em conta as dificuldades de comunicação e de acesso criadas pela chuva. Tradicionalmente são zonas críticas a Samba* e Corimba; a Boa Vista, no Sambizanga, e Cacuaco".

* hoje a Samba já não é uma zona crítica quando chove, mas há outras várias.
Luciano Canhanga em Luanda

sexta-feira, setembro 11, 2009

MARKETING AMBULANTE

“com licença família, bom dia!
A empresa vai fazer umaa pequena revisão”
Os estranhos pensam num fiscal da transportadora ou da autoridade de transportes de Luanda. Mas o intruso prossegue o discurso:

"Está aqui o menthol para combater a gripe, ciúme, irritação na garganta, cansaço e até engarrafamento (estress)”.
Só assim os passageiros do autocarro privado que faz a rota 1º de Maio/Rocha Pinto se apercebem tratar-se de um ambulante, bem-falante e marketizando o seu pequeno negócio que na brincadeira ganha cada vez mais adesão.

O pregão do ambulante que aproveita o congestionamento do transito automóvel nas imediações do hipermercado Jumbo, na Avenida Deolinda Rodrigues, ganha consistência e aos poucos “despacha” o negócio.

Este grande “marketeiro” que nem sequer a 4ª classe possui terá, na calada duma noite qualquer ou se calhar numa tarde de panelas vazias, estudado a melhor forma de angariar prosélitos para os seus reboçados . E é nos autocarros e taxis carregados de mulheres, no engarrafamento matinal ou vespertino, que encontra o seu nicho de vendas.

“Vendedor como ele poucos haverá” desabafam satisfeitas as clientes à saída do “comerciante” levando consigo os últimos trocos: dez, cinquenta, cem ou duzentos kuanzas. O clima está mais ameno e com um novo motivo para comentários. Lá se foi o estress, pelo menos por alguns intantes.

Luciano Canhanga

domingo, setembro 06, 2009

SE PRESIDENCIAIS EM 2011: COM OU SEM SAMAKUVA?

O parlamento angolano aprovou a 28/07/2009 o projecto de alteração do período para a elaboração e conclusão dos trabalhos da Constituição angolana que passam de 120 para 180 dias, a partir de 23 de Maio último*.

Primeiro:
Estando as eleições presidenciais dependentes da conclusão da Cosntituição que vai definir as competências e atribuições da Instituição Presidente da República,

Se atendermos que só no fim dos trabalhos, agora previstos para Abril de 2010 (período em que se prevê a apreciação dos projectos pela Assembleia Nacional, criando as condições para a provação do texto final), é que o Presidente da República se poderá pronunciar sobre as eleições,

Que será preciso ainda recolher as opiniões da sociedade civil, antes da aprovação final da Lei-mãe e em Maio estaremos numa estação imprópria para a realização de eleições no país devido ao fraco acesso aos aglomerados populacionais mais recônditos, devido à elevada pluviosidade,
Que o eleitorado tera de ser reactualizado,
Se analisarmos que para se realizarem eleições terá de haver dinheiro, entre outras condicionantes objectivas e subjectivas (o Governo saído das últimas eleições com 82% do eleitorado para o MPLA terá de governar antes da sua queda a ser motivada pela eleição de um presidente chefe do governo),

Fácilmente se poderá concluir que é para Setembro de 2010 ou mesmo de 2011 que tende o pleito para a escolha do Presidente da República.

Segundo:
Setembro de 2010 dá margem suficiente para que os “candidatos naturais” se alinhem para a corrida. Porém se o período de espera for dilatado para mais um ano, há que ter em conta os partidos que terão de eleger novas lideranças e que procurarão, numa fase imediata, a consolidação interna do processo. Aqui quero chamar a UNITA e o seu presidente, apenas como exemplo hipotético, já que Isaias Samakuva manifestou públicamente o desejo de não mais se candidatar, em 2011, à liderança do que é ainda hoje o maior partido da oposição angolana (16 assentos num parlamento de 220 deputados).
Se termos em conta que, salvo excepções, o presidente do partido é normalmente o candidato da formação política às eleições presidenciais, estou em crer que a UNITA (se realizar o congresso antes das presidenciais e o seu actual líder cumprir a promessa) não alinhará com Samakuva.

Que se criem delfins e que se conheçam aqueles que podem substituir os actuais líderes partidários para que os seus rostos não sejam desconhecidos dos eleitores no pleito em falta. Espero que as minhas contas não pequem por excesso.

*Artigo 2 da Lei 2/09 de 5 de Janeiro.
Luciano Canhanga

quinta-feira, setembro 03, 2009

RENDAS AO ESTADO CUSTAM 1/3 DO SALÁRIO MÍNIMO

Habitação, alimentação e vestuário são, segundo se aprende na primária, as necessidades básicas* do homem. Em Angola estas três e outras indispensáveis para se viver têm uma renda mensal mínima de aproximadamente USD 100 (salário mínimo da função pública).

Dois mil e oitocentos kuanzas é, doravante, o valor mínimo da renda para os imóveis do Estado angolano. A medida, aprovada pelo Conselho de Ministros, visa, por um lado, aumentar as receitas fiscais do Estado e, por outro, fazer com que se pague um valor justo ao arrendamento de uma residência.
Convertidos em dólares americanos, Akz 2800 equivalem a USD 35 que por sua vez correspondem a 1/3 do que ganha quem está no grau mais baixo entre os funcionários públicos.

Segundo informações veiculadas (apenas ainda) por órgãos de informação públicos, o valor da renda dos imóveis do Estado será proporcional às condições de habitabilidade e à localização geográfica (zona urbana, periurbana ou rural). Ou seja, na cidade e com melhores condições de habitabilidade a renda torna-se mais cara do que no campo e com menores condições de comodidade.

Reajustada a renda das casas do Estado, só esperamos que os grandes devedores que são, no fundo, o próprio Estado ou aqueles que dele se servem não voltem a ser os caloteiros (devedores). Esperamos também que aqueles que realmente nada pagavam pela ocupação das casas que a todos pertencem (povo) e que não estejam entre os que menos ganham não venham com lamúrias pela actualização do valor.
Como pontuais pagadores de impostos e atentos ao que se faz com a coisa pública, esperamos ainda que as casas degradadas sejam agora reparadas e que aqueles que nunca tiveram casa (pública ou privada) sejam também bafejados pela mesma sorte que uns têm a “decuplicar”.

Por fim: que o milhão de casas prometidas pelo Governo até 2012 seja um facto na construção e na distribuição pelos que delas realmente precisam.

* Abraham Maslow enumera necessidades fisiológicas, de segurança, de amor/relacionamento, de estima e de realização pessoal.

Luciano Canhanga

terça-feira, setembro 01, 2009

ÉTICA PUBLICITÁRIA: VALE APENAS?

Se bem vejo numa das publicidades da Movicel "espalhadas" pela net (ver www.hi5.com) aparece um individuo fardado e com galões da Polícia Nacional(?)* angolana.
1- Devem ou não os militares e para-militares fazer publicidade para órgãos terceiros (que não sejam aqueles a que estejam vinculados) quando estão uniformizados?

2- Uma acção como essa engaja ou não o órgão castrense a que pertence o militar?

3- E já agora: porquê um (para-) militar na publicidade duma empresa de telefonia?

4- Deve ou não o referido órgão castrense reclamar do facto de a sua imagem ser associação a uma empresa que não tem nada a ver com a instituição?

* aconselho ver as imagens para melhor conferir o uniforme

Luciano Canhanga

quinta-feira, agosto 27, 2009

MONÓLOGO: A ANGOLANIDADE DO REI MANDUME

Ouvi, numa das televisões de Angola, um artista a dizer que tinha concebido uma obra em que pretendia demonstrar a angolanidade de Mandume Ya Ndemufayo, o rei dos Kuanyamas, tido por uns como “não angolano”.

E falei horas a fio com os meus botões sobre a pertinência das atordoadas e da obra que as refuta. Questionei-me se tal acção se podia enquadrar num desmentido ao indesmentível ou simplesmente numa factomania (mania de fabricar factos).

O artista em causa lá teve as suas razões, mas para mim, desmentir que Mandume não era angolano, constitui perda de tempo e explico-me porquê.

Monólogo
1-Mandume estaria interessado em obter cidadania angolana?
Resposta: não havia cidadania angolana, mas sim portuguesa, no tempo em que viveu.

2-Mandume precisava de ir a um cartório e registar-se para ser rei dos Kuanyama?
Resposta: Não! O seu povo o conhecia e o reconhecia. Os próprios portugueses e alemães que cobiçavam as suas terras também o sabiam que ele era o rei dos Kuanyamas.

3- Dizia o artista que muitos dos detractores afirmam que Mandume era namibiano. Como assim se a Namíbia só existe desde 1990 e Mandume morreu em 1917?
Resposta: Andam noutro planeta.

4- Terá Mandume nascido no território que é hoje parte da Namíbia?
Resposta: Pouco iteressa! O espaço geográfico e sócio-cultural dos ovambo se estende do norte do que é hoje a Namibia e Sul do que é hoje Angola.
5- Que nos leva a crer que se Mandume fosse do Angola Independente seria angolano e não namibiano?
Resposta: Os reis raras vezes vêm de regiões que não seja a capital do reino. A capital do reino dos Kuanyamas esta/va no território do que é hoje Angola.

6- Valerá tanto assim discutir o local de nascimento do rei Mandume Ya Ndemufayo?
Resposta: Absolutamente NÃO! A sua africanidade e os seus feitos contra a presença colonial/europeia são tão puros e tão nobres que tolo se torna quem os discute.

Luciano Canhanga

sexta-feira, agosto 21, 2009

PRESIDENCIAIS EM ANGOLA: A FÓRMULA VEM DE ZUMA

“Angola sempre apoiou a África do Sul nos momentos mais difíceis, os angolanos consentiram muitos sacrifícios e apoiaram-nos muito na luta contra o regime do apartheid, daí que estamos aqui para dizer obrigado ao povo angolano e ao MPLA"(J.Z. 20/08/2009).
Angola é hoje, na Geopolítica regional, africana e até mundial, um lugar para onde convergem interesses e alianças múltiplas. O nosso petróleo que agrada chineses, americanos e europeus; as nossas terras virgens e aráveis; os nossos rios ricos de peixes e diamantes; os nossos mares repletos de peixes; as nossas minas ricas de minérios e virgens de exploração; as nossas florestas robustas de madeiras; o nosso turismo portentoso; o nosso desporto a somar títulos e a acolher eventos, enfim. É por tudo isso e muito mais que todos querem cá vir: ver, ouvir e tirar, caso possam. Mas estamos atentos.

Depois de Medvedev da Rússia, Castro de Cuba e da “Braço direito” de Obama, Hilary Clinton, eis chagada a hora do poderoso do Sul, Jacob Zuma.
Homem que já cá estabeleceu quartel (Kibaxi-Bengo) no tempo dos "carcamanos", quando a libertação do povo sul-africano do jugo do apartheid era um dos “objectivos da nossa luta”, Zuma veio com dois disrcuros: Dizer que é amigo de peito de Angola e ver também alguns deslizes em que a sua potência regional se possa afirmar cada vez mais. É que não se podem conhecer os fortes e baixos do vizinho se com ele não nos relacionarmos.

Enquanto trabalhei como jornalista o meu primeiro contacto com JZ foi aquando da sua visita a Angola, no tempo em que este era vice de Mbeki. Foi numa altura em que pairavam informações sobre “uma crispação nas relações políticas e económicas entre os dois Estados”, motivado pela afirmação de Angola no constexto regional, fruto da conquista da paz e dizia-se que “Paz para Angola era sinal de incómodo para muitos”. Zuma e dos Santos juraram-me de pés juntos que “não havia e nunca houvera crispação nas relações” porém, cá fora dos palácios e da diplomacia oficial as coisas continuaram com o mesmo ciúme. Terá este incómodo passado estando Angola a estender a sua zona de influência além congos?

Mas voltando à amizade que o animado Zuma tem por Angola, é de acreditar nele, tanto mais que os Camaradas de cá tudo fizeram para que superasse a ultrapassagem, pela esquerda, (o código automóvel da Africa do Sul admite pela direita) que Mbeki lhe havia feito desde os tempos do Velho Mandela. E cá esteve ele, esbanjando gratidão.

“O vosso país é nosso país e o nosso país é vosso país. Nós somos um só povo. Sinto-me em casa”. Palavras ditas em bom português, no fim do discurso proferido na assembléia nacional angolana pelo presidente sul-africano, JZ.

Esperemos que os discursos se reflitam em vantagens recíprocas para os dois povos que terão assim “mais um motivo para bater palmas”. Venham as livres entradas sem vistos nos referidos países de destino!

Quanto ao nosso presidente, o eng. Eduardo dos Santos trouxe a lume um novo facto político: "sufrágio universal directo, nas presidenciais, mas seguindo a fórmula sul-africana em que o presidente é eleito no parlamento". Só que aqui é diferente: o candidato presidencial vai a reboque do partido (como cabeça de lista) e se o seu partido ganha as legislativas ele é reconfirmado pelo parlamento.
E como ficam aqueles que sem estarem filiados a algum partido político querem chegar à Presidência da República?
Aguardemos pelos comentários e desenvolvimentos.

Luciano Canhanga

quarta-feira, agosto 19, 2009

TV-IURD OU TV-GLOBO: QUE DEVEM OS ANGOLANOS DEIXAR DE VER?

Dum lado uma televisão do povo, ou pelo menos ao serviço do cidadão (brasileiro e global). Doutro lado uma televisão ao serviço da Igreja universal.

Soube, através da própria TV-IURD (Record), que 10 minutos de reportagens da Tv Globo sobre lavagem de dinheiro e associação criminosa na Igreja do P'Edir Macedo (IURD), despolectada pala justiça brasileira e também reportadada por outros media, levantou a ira da TV-IURD que aparece como guardiã do templo do seu patronato, a IURD. De lá pra cá tudo o que se vê na TV-IURD não passa de uma campanha propangandística aberta contra a Globo pelo simples facto de ter levado aos quatro cantos do Globo uma verdade desvendada pela justiça.

Para mim, que nunca morri de amores por "Igrejas do Dinheiro", nem por colagens simamesas entre orgãos de informação e patronatos, assistir ao que a Record leva às nosssas casas, de forma desnivelada e pouco cordata, todos os dias, 24 sob 24 horas, é sintomático e chaga mesmo a ser cancerígeno.

Todos os consumidores das televisões brasileiras sabem que igreja tem senadores, deputados, partido político, aviões, iates, etc. Saberão também quem ensaca dinheiro por todos os pontos do universo em que se encontre (Angola incluída). Saberá também quem vende crucifixos feitos de "restos da madeira da cruz em que Cristo foi maltratado, há mais de 2000 anos".
Colocou-se (na TV da Universal) a questão de uma suposta "inveja da Globo" dada a subida do share da TV-IURD que de 2004 a esta data passou de 9 para 16%, ao passo aque o da Globo baixou para 48%.
Insiste, nas suas homilias a TV-IURD, em apelar aos seus fiéis que se abstenham de ver a Globo. Será este um bom serviço? Ainda que ela a IURD tivesse razão suficiente para se sentir magoada com a Globo, devem os religiosos apregoar a vingança ou a morte de quem contra eles atente?


Pode considerar-se atentatória aos interesses da RECORD uma reportagem da Globo que é sobre a IURD e não sobre a Record?


Onde está o princípio da isenção ou da separação entre as instituições IURD e RECORD? Não haverá forte imiuscuissão duma em assuntos doutra?
E se a Globo fundasse também uma confissão global e em cujas homilias fosse apenas pregado o boicote às emissões da concorrente? E como ficam aqueles que não têm uma estação de Tv para se defenderem ou (contra) atacarem?

Para isso chamo os angolanos de bom senso para agir, não apenas como consumidores passivos mas também analisar com frieza necessária as "exportações televisivas" e os seus conteúdos e no fim decidir:
-Que devem os angolanos deixar de ver; a TV-IURD (Record) ou a TV Globo?

Luciano Canhanga

domingo, agosto 16, 2009

"MARIA VAI COM AS OUTRAS" MANCHA ANO PARLAMENTAR DA OPOSIÇÃO

Encerrou no dia 14 de Agosto de 2009 o primeiro ano lesgislativo do parlamento angolano saído das eleições de Setembro do ano passado.
Entre altos e baixos do nosso órgão legislador se pode apontar como bons sinais: o ínicio dos trabalhos da comissão constituinte que elabora a nova carta magna, a aprovação de vários diplomas legislativos, o OGE e o Plano do Governo, entre outros. Pela negativa: o assassinato da deputada Beatriz Salucombo e o que na linguagem vulgar se chama de "Maria vai com as outras" protagonizado por alguns deputados da oposição. Neste particular, é destaque o discurso do presidente da bancada da FNLA que, abordado por uma jornalista sobre o porquê do voto favorável ao OGE quando a UNITA e o PRS tinham votado contra e a ND se abstido, returcou que "três eram uma gota no oceano perante a esmagadora maioria do MPLA".

Se os eleitores desse nosso "animador" parlamentar estiveram atentos, certamente se terão perguntado se foi para aquilo que o elegeram. Se foi para fazer oposição ou situação... Um facto que, em abono da verdade, em nada abona para o exercício oposicionaista em que está o partido de Holden Roberto.

É bem verdade que a oposição não deve ver malícia em tudo o que seja proposta do governo, mas os líderes da oposição, até para melhor animarem a festa, têm de encontrar explicações mais rebuscadas ou mesmo refinadas para explicarem o seu sentido de voto.

Perante o discurso, por que não casa definitivamente, Kabango, com o MPLA onde o receberíamos com muita satisfação?

O argumento apresentado quanto ao voto de Kabango e companheiros foi, sem dúvida, uma cópia do que se chama na gíria de "Maria vai com as outras".

Luciano Canhanga

quarta-feira, agosto 12, 2009

QUEM ME DERA SER "PORCO"

Narra Manuel Rui, no seu livro “Quem me dera ser onda”, estórias ficcionadas de um porco “Carnaval da Vitória” que no fundo é o retrato dos primeiros anos da revolução angolana, que um determinado suino criado no sétimo andar de um prédio da baixa luandense “comia de um hotel de primeira; nos restos vinham panados, saladas mistas, camarões, maioneses, lagosta, bolo inglês, outras coisas sempre a variar” (RUI, 2000, p. 17), diferente do seu passado nas praias da Corimba onde a ração se resumia em espinhas de peixe...

Rui diz mesmo que o porco tinha adquerido um comportamento pequeno-burguês: “Estás-te a aburguesar-se. Quem te viu e quem te vê. É a luta de classes!” (RUI, 2000, p. 17). O suíno estava quase culto, quase protocolar. Maneirava vênias de obséquio com o focinho e aprendera a acenar com a pata direita, além de se pôr de papo para o ar à mínima cócega que um dos miúdos lhe oferecesse à barriga. Rematando, por outras palavras, que o porco alimenta-se melhor e com mais variedade que muitos cidadãos daquela época que não passavam do que Rui designou por “peixefritismo”.

Numa aula de Arte e Literatura Angola, no IMEL, Luanda, 11ª classe, curso médio de Jornalismo, um dia a professora Gaby Antunes, depois de analisado o texto e o contexto, perguntou, irónicamente, a um dos alunos se com todas as mordomias dadas ao animal não achava que o bicho vivia melhor do que ele.
E o colega:
- Sim Dra.!A professora:
- Ai é? Então por que não dizes “quem me dera ser porco”?E a turma:
Kia,kia,kia,kia,kia!Apenas risos e mais risos.

Luciano Canhanga
com http://ricardoriso.blogspot.com/2007/10/quem-me-dera-ser-onda-manuel-rui.html

terça-feira, agosto 11, 2009

CONTRA NIGÉRIA MARCHAR, MARCAR!

Contra a Nigéria está direccionada a nossa marcha rumo ao décimo título continental. Contra a Nigéria Angola deve marcar, marcar e marcar!

É, afinal de contas, o único adversário temível e que ainda (hipoteticamente) nos pode retirar o pão da boca, ou seja, o décimo título africano de Basquetebol.

Despachados, e da melhor forma, foram já a Costa do Marfim, o Mali e Egipto, outros papões do nosso basquete africano, para além de Moçambique a da anfitriã Líbia. Hoje (11.08.2009) o adversário tem o nome de Nigéria. Uma das selecções mais altas deste campeonato e onde alinham apenas jogadores que fazem carreira no estrangeiro.

Angola e Nigéria co-lideram o grupo E com 10 pontos, seguidos do Mali, Cote d’Ivoire , Líbia e Egipto, com 8,7 e 6 pontos respectivamente. Os quatro primeiros apuram-se para os quartos de final, juntando-se com os quatro do grupo F.
Mas como ninguém nos intimida, vamos, conta a Nigéria, Marchar e marcar.

Luciano Canhanga

quinta-feira, agosto 06, 2009

CALMANTISMO: UMA NOVA "CIÊNCIA" ANGOLANA

Calmante: é a expressão usada nas lides juvenis inistruídas para designar aldrabices ou inverdades. E quando os calmantes se tornam tantos, de uma só vez, a arte de os inventar ganha o nome de calmantismo.

No nosso país, os estudiosos, sociologos e os psicólogos deviam ser chamados a desenvolver reflexões aprofundadas sobre as causas, consequências e implicações do calmantismo no esteio daquilo que é o país que se pretende.

Para tudo e nada há um calmante e vindo de onde jamais se esperava. Hoje, chega-se ao ponto de se condenar o realismo do que o calmantismo. Mentir passou a ser uma arte com direito ao cultivo e perpectuação. Vejamos:

Durante os mais de vinte anos da construção da barragem de Kapanda, em Malanje, sempre se disse, e bem alto, que o problema do fornecimento da energia eléctrica às cidades de Luanda, Ndalatando e Malanje seria resolvido tão logo fosse inaugurada a dita barragem. E os angolanos, pacientemente, de calmante em calmante, foram aguardando até ao dia do corte da fita. Fizeram-se festas, compraram-se electrodomésticos porque se julgava que o sofrimento tinha conhecido o seu fim. E o que se disse de novo, quando na verdade a energia nem chegou a Luanda nas quantidades e qualidade prometida anos a fio?
_”Faltam linhas de transportação”!*

Terá sido este o verdadeiro motivo ou foi mais um calmante?
Quiseram as empresas de telefonia correr mais para a quantidade do que a qualidade. O número de clientes sedentos de comunicar fez com que se acumulasse, em pouco tempo, avultados lucros. Porém o angolano começa a despertar e a pensar nos seus direitos não usufruidos, como o elementar direito de poder manter uma comunicação eficaz com quem se queira, o que não acontece nos últimos tempos. Vem daqui mais um calmante.
- “As telecomunicações em Angola só terão qualidade quando Angola dispor de um satélite próprio”, cujo lançamento está previsto para daqui a 3 ou 4 anos.

E pacientes vamos aguardar que tal aconteça, descansando em boa sombra aqueles que nos cobram "serviços sujos" a preço de ouro. Aguardemos que Angola tenha um satélite e que nos dêem, no fim, um outro calmante que deve estar já na forja. É isso o que se chama a arte do calmantismo.


Luciano Canhanga

sábado, agosto 01, 2009

A MATURIDADE SOCIAL NA MÚSICAL DO YURI DA CUNHA

Emergiu com a sua música, ainda infantil, "você não é amigo". Na altura Yuri da Cunha descrevia o amigo interesseiro que só liga quando "a gente tem". Hoje são outras descrições, muito mais maduras e situações que a todos tocam, pelo menos os que vivem na capital angolana.

O também autor de "makumba dos invejosos" traz-nos desta vez o retrato de uma gestão sem futuro ou o retrato de projectos mal concebido. Yuri da Cunha diz na sua música que:

Capanda dá;
ENE recebe
Nosso projecto (hidro-eléctrico) está a funcionar...
Agora já a EDEL (empresa de distribuição de electricidade de Luanda)
Só da Kafito-fito (aos bocados).

Mais adiante o jovem, também apelidado de "show-man" e que nas lides musicais empresta voz aos kuanzasulinos, fala dum futuro que aguarda muitos de nós, activos de hoje e relata
outra verdade a que assistimos todos os dias:

O velho que na casa do filho p'ra nora não quer saber
Quando maka grossa surgir ao Beiral (lar de terceira idade) vai parar.

Mas Yuri, o Jovem do Waco, não pára e vai mais além, retratando a destruição de uma cortina arbórea que também auxiliava a sucção de águas freáticas do que é hoje o Municipio do Rangel.

Eucaliptos no (bairro) indígena bondaram (mataram)
Agora São Paulo chegou
Nosso Rangel está a naufragar

O que na verdade canta o Yuri, numa voz quase rouca que nos faz lembrar o Baonga, canta não é mais do que o retrato fiel de uma situação que há muito abala os moradores da Precol, Terra Nova, B's e C's, Caputo, entre outras circunscrições de Luanda, devido ao abate indiscriminado de árovres. E onde vamos parar se outros Yuri's não surgirem e cantarem coisas que despertem os adormecidos luandenses?
Luciano Canhanga