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sábado, outubro 25, 2014
SOMOS TRI-CAMPEÕES
quinta-feira, outubro 23, 2014
OS KM DE AVANÇO E A REDACÇÃO DE SANUKA
Obs: texto publicado pelo Semanário Angolense, 21.11.2014.
segunda-feira, outubro 20, 2014
O DOTOR WALENDE
Obs: texto publicado pelo Semanário Angolense (2014) e no Jornal de Angola de 12.03.2023.
quarta-feira, outubro 15, 2014
A MINHA FÉ NA CULTURA
Os topónimos e antropónimos de origem bantu não são meras designações. Encerram sentidos e conotações semânticas que devem ser respeitados tanto na grafia quanto na articulação fonética para que designem aquilo que foi projectado. Não é certo, por exemplo que se diga “Canjala” (relativo à fome) quando se pretende dizer é “Kanjala” (pequena fome), ou Canhanga em vez de Kanyanga, que não são a mesma coisa.
É por essa e outras razões digo: “não há bota, por mais suja e pesada que seja, que vá aniquilar as nossas línguas e a nossa identidade cultural, secular”. É por isso que mantenho a minha Fé na Cultura!
Obs: Texto publicado pelo Semanário Angolense na rubrica "Aplausos e muxoxos"
sexta-feira, outubro 10, 2014
NALL TEM NOVA DIRECÇÃO
ANGOP: 04.10.2014
Lunda Sul: Núcleo de Amigos da Leitura com novos corpos gerentes
Saurimo- Os novos membros que integram os órgãos directivos do Núcleo de Amigos de Literatura, na Lunda Sul, tomaram posse sexta-feira, tendo como Presidente da Assembleia Geral, Luciano Canhanga.
Para presidente do Conselho Directivo foi empossado Guilson Satxingo, coadjuvado por Alves Chaxe, enquanto a pasta de secretário geral ficou com Alfredo Lologi.domingo, outubro 05, 2014
O TIO, O PASTOR E O GREGO DO "SETE & MEIO"
Depois de a “Classe de Kwanza-Sul” se ter emancipado do cargo de Kalemba, eu virei motivo de disputa aos domingos entre o casal que me adoptara. Cada qual queria puxar-me para o seu lado, qual galinha a proteger pintainho tresmalhado.
Órfão aos oito anos e deslocado de guerra — ou recuado, como se dizia nos anos 80 para designar quem fugira dos tiros para aterrar nas cidades protegidas pelo Governo da República Popular de Angola — eu era como vergôntea fina: qualquer vento me dobrava.
Entre os Metodistas Unidos, a Classe é o local para encontros semanais no bairro; o Cargo, a “Igreja” grande do domingo. Era nessa geometria espiritual que eu crescia, sem ainda perceber bem por que razão a fé também tem caminhos distintos.
De 1972 a 1983, um grupo de kwanza-sulinos espalhados pelos templos de Luanda decidiu fundar a sua própria classe, que mais tarde viria a ser cargo. A malta era variada — havia malanjinos, kwanza‑nortenhos e gente do centro-Norte — mas os kikís dominavam. Talvez por isso o nome “Classe Kwanza-Sul” nunca tenha provocado celeuma.
A Classe subordinava-se à Igreja de Kalemba, ali atrás do cemitério de Sant’Ana. Quando ela se emancipou, separou também o casal que me criava: ele ficou em Kalemba, ela seguiu para a nova Igreja Moisés. E, como quem dá de comer é a mãe, lá fui eu atrás dela. Do tio recebia o costumeiro sermão e o dinheiro do ofertório — entregue religiosamente antes de cada um seguir o seu caminho.
A tia ia com as amigas; eu, com os meus kambas da EBF e do Pavilhão Infantil. O regresso juntava-nos de novo, entre compras no Nzala Ikola e paragens na Praça das Corridas.
Numa dessas manhãs, a tia faltou ao culto por razões que o tempo, generoso, tratou de apagar. Segui com os meus amigos em direcção à Moisés. À altura do Nzamba‑1 vimos uma roda de gente: curiosos, devotos, passantes… todos colados a um homem que falava desenfreado. Era um novo pregador — desses que o meu amigo Murtala cantou em música como pastor murras.
No púlpito improvisado tinha um livro “Verbo Divino”, tão verborrágico quanto ele próprio. Até quem saía de outras ngelús parava para “comer um koxitu” do sermão que, aos mais treinados, lembrava o Sermão do Monte.
Pregava assim:
— Irmãos e irmãs, um bom cristão deve dar a face esquerda depois de levar a galheta na direita… fui enviado pelo nosso Pai, tal qual os profetas da antiguidade…
A multidão ia aplaudindo, assobiando, entusiasmada. Até que, do meio da massa, saltou um grego do Sete‑e‑Meio com um:
— É mentira!
O pastor perdeu o fio e devolveu:
— Vai para o car(v)alho, seu bandido!
Foi como desligar o gerador. A multidão, antes efusiva, virou-lhe costas. Do aplauso passou‑se ao mixoxu.
Continuámos caminho até ao Pavilhão Infantil, onde ainda chegámos a tempo de cantar o “Kasanje‑Kasanje” do tio Farias, a “Margarida Morena” da mana Cândida e “o elefante que incomoda muita gente”.
À tarde, esperei pelo tio, como sempre às duas. Contei‑lhe o episódio e perguntei:
— Tio, pastor que é quase Deus também ofende?
Ele ergueu os olhos:
— Como assim, sobrinho? Na Igreja Kwanza-Sul o vosso pastor mordeu a língua?
— Não, tio. Foi um pastor de rua… respondeu com palavrão ao grego do Sete‑e‑Meio.
O ancião ajeitou o chapéu e procurou não quebrar o encanto da fé nem desautorizar o pregador:
— Meu sobrinho… faz sempre o que eu te digo, mas nem sempre o que eu faço. O diabo anda à espreita. Tanto o tio como o pastor podem errar. Aliás, não foi o pastor quem ofendeu o grego. Foi o diabo que se serviu da boca dele.
E assim ficou explicado o deslize — não da carne, mas da boca emprestada.
quarta-feira, outubro 01, 2014
A BANHEIRA E A BACIA
A zungueira percorre Luanda de lês a lês com o megafone que manda para os ventos soltos o pregão do costume. E correm as donas de casa, correm as empregadas domésticas para Pará-la e comprar o que interessa.
Quer o recipiente em que ela carrega os produtos que vende, quer o recipiente em que se lava a loiça (onde não haja lavatório ou pia para os brasileiros) são bacias e não banheira.
- Mamã, "mi" dá só aquela mochila. É muita coisa à frete de "me".- Respondeu o filho.
“Se uns exibem as barrigas, há os que exibem os narizes e outros mambos. Outros ainda decidem exibir os seus ‘descompassos’ com a língua escrita. Esses precisam de exercícios. Os da barriga fazem abdominais e talvez lá cheguem. Os dos narizes fazem cirurgias e talvez fiquem menos narigudos. Os dos textos que revelam o seu questionável nível de instrução (não estou a falar de diplomas, porque estes até no Pau Grande tiram-se), devem mesmo voltar à escola para aprender a não ferir sensibilidades alheias. É tanta pedrada junta que um dia desarrumam o mundo!”
Escrever bem é difícil mas aprende-se. Leia muito. Pratique a escrita normativa (fora dos clichés e abreviaturas do face book), faça cópias de livros bem escritos. Só quem lê passa a conhecer as palavras e a escrevê-las correctamente.
Não será bom que o seu empregador se aperceba de lacunas graves em questões básicas de escrita, interpretação e expressão oral.
É a falar que se aprende a falar. Leia sempre em voz alta para aperfeiçoar esse lado.
Obs: Texto publicado no Semanário Angolense.
