Translate (tradução)

sábado, junho 13, 2009

OS PALANCAS, O SONHO DO TI-MANEL E O NOSSO


Malanjino é “gajo vivo” em qualquer parte do mundo malanjino é malanjino. Procura amealhar um pouco mais e se possível não paga a renda de casa. O Malanjino constroi habitações, sonhos e riquezas também. O malanjino é por si só diferente do seu filho kibalista e do neto mbalundu*

Mas é do Ti Manel Zé de que vos falo hoje. O Ti-Manel (na foto) é vivo tipo malanjino. Trocou a reputação no Al Ahli do Egipto, terra de reis de renome, pelos nossos Palancas que também são de malanje e terra dos reis Ngola (ou mentira?).

Nessa sua nova roupagem de “pastor de bi-pedes omnivóros” o Ti-Manel, que é de Malanje do Putu, nada mais fez do que trocar a fama/reputação que tinha no Nilo por dinheiro do Kuanza. Ku Malanje Kitadi iango (em Malanje o dinheiro é capim). Assim é que o Ti Manel aceitou vir sem mais olhar atrás/pestanejar. E a mordacidade do Ti_Manel pelos nossos Kuanzas foi bem patente que para lhe aceitarmos de graça até espectou kibiona no cú do árabe que foi o antigo patrão dele.
Casa de favor já lhe deram. Dinheiro na conta já entrou. Uns kuanzas bebe e outros Kuanzas come, mas o resultado ainda não vimos. Amanhã mesmo, domingo santo 14.06.09, será o teste do Ti-Manel, o português de katepa de lá. Queremos ver e saber se os manos todos que passaram no pasto dos Palancas eram buazezas** ou o Ti-Manel, ele que é malanjino de Putu, é que sabe o caminho do capim fresco de Kangandala. Queremos ver se o que falta aos nossos Palancas é a garra do macho que lidera a manada ou se é o curral, na hora de planear o dia-seguinte, que está a meter água tipo Kalandula. Vamos ver se o dinheiro que o Ti_Manel já começou a comer é mesmo de suor ou se é de favor.
E o Ti-Manel vai ter de mostrar que ele é palanca macho amanhã, depois de amanhã, dias vindouros, até ao CAN!

*Os Kibalas descendem dos malanjinos e os ndulo e mbalundu dos kibalas (ver VINTE e Cinco e MALUMBO).
** boelo, burro, fraco, impotente...

Luciano Canhanga

quarta-feira, junho 10, 2009

O PRÉMIO MABOQUE E O JORNALISMO DIGITAL


A necessidade dos cidadão leitores em ser servidos, sem limitações temporais, nem censuras e autocensuras editoriais, faz crescer a cada dia que passa o jornalismo digital, aqui surgido na forma de blogs e portais.

A nossa bloguesfera está cheia de páginas informativas e analíticas detidas por jornalistas angolanos (a residir no país), conhecidos e anónimos, que trazem todos os dias uma complementariedade informativa útil e inegável aos habituais tablóides e audio-visuais, e há mesmo quem diga que "nos blogues a informação chega primeiro".

Aberta que está a campanha de publicitação do regulamento e concurso "público" ao Prémio Maboque de Jornalismo, edição 2009, uma pergunta urge oportuna:

_ A Maboque tem olhos para o Jornalismo Digital ou as novas formas de comunicar lhe são alheias?


E você o que acha da inclusão, no referido prémio, de uma categoria dedicada ao Jornalismo Digital?


Luciano Canhanga

sexta-feira, junho 05, 2009

AMANTES DE LOVE OU DO D'AGOSTO?


Mal o neófito "pastor" dos Palancas Negras, o português Manuel José, lançou à luz os nomes da pré-selecção que estagia no Algarve (Portugal) para o embate amistoso frente à Guiné de Sekou Touré, cercaram-se-lhe vozes "lovísticas" discordantes que o amaldiçoaram de todos os cantos e formas possíveis por ter deixado de fora o Love de suas vidas futebolísticas.

Entendo que uma seleccção faz-se com os homens do momento e nisso estamos todos de acordo. Apenas inquietou-me a imensidão do "barulho" feito à volta de Love que com mais calma percebi que não era apenas o Love. Havia gato com rabo de fora.

Vejamos: Bastará um pouco de atenção para notar que a nata do jornalismo desportivo angolano esteve/está directa ou indirectamente ligada ao defunto JDM, afecto ao clube militar angolano, do qual sairam os actuais expoentes máximos e formadores da nova geração de escribas e oradores dos audio-visuais que falam de desportos.

Se quisermos analisar com mais frieza ainda notaremos que quer Love quer David (que é do Petro) estavam/estão em condições semelhantes: inicialmente fora da convocatória, ambos lideram a lista dos melhores artilheiros do Girabola, sendo o primeiro jogador dum clube apurado à fase de grupos da taça CAF e o segundo a militar na equipa que lidera o campeonato nacional. Ambos foram repescados pelo técnico português que alegou desconhecimento do estado de forma dos atletas...

Por que se terá falado tanto da ausência de Love na selecção do que do seu colega David (referenciado apenas nas boleias de Love)?

A resposta é simples: Muitos fingiam morrer de amor por Love quando na verdade é o D'Agosto que esteve/está em jogo, ou seja, o seu Love é/era pelo 1o de Agosto.

Luciano Canhanga

domingo, maio 31, 2009

A FESTA, A LUTA E O LIXO


Já há muito não se ouve a buzina aguda de um camião recolector de lixo ou as toscas acelerações de um tractor agrícola adaptado às crateras periurbanas para o saneamento doméstico.
Quaquer moda não custa pegar e os miúdos dos musseques, cumprindo as orientações paternais e da Tv, em que muita confiaça depositavam, se tinham habituado a deixar o lixo à porta para ao primeiro sinal de presença do carro ou do tractor correrrem de lebre com o balde ou o saco preto à cabeça.
Os dias se foram sucedendo e os homens da câmara ora passavam de manhã, ora à tarde, ora à noite, ora nunca. Depois vieram as semansas e era dia sim, dia não e dias nunca até que o povo desabituou.
Da porta inundada e a pôr vergonha nas visitas de longe, o lixo foi ganhando pernas. Foi sendo levado à rua. À berma, junto ao lancil ou mesmo disputando espaços no passeio ou no pavimento asfático carcomido pelas águas sem esgotos e os Hiaces apressados amassava-o fazendo das estradas lagos de podridão. Homens, ratos e vermes paridos por insectos disputavam soberanias caseiras. E a solução escondida nos gabinetes tardava libertar-se, até que um dia vieram homens.

***
De colectes reflectores, cones ensaguentados, fardas multi-cores e vassouras empunhadas em braços cansados. Sófregos, sedentos e mal-nutridos, andajosos até. Calcanhares ao sol numa rua poeirenta duma cidade já sem nome. Ninguém encontra nela as condições duma capital ou ninguém, com vergonha, o quer pronunciar. À noite olha-se para o céu, claro ou escuro, e logo se descobre na presença ou ausência do astro o nome da cidade. Apenas a empresa em que pertence o mahindra com o atrelado rebentado de lixo e dezelo tem nome. Mas o tractor vai plantando-o pelas ruas em que passa, qual rastilho de cal num alinhado campo de futebol. E assim se dá continuidade fétida, à pódrida Avenida da Brigada. Aquela brigada de varredores tinha tudo menos a missão de higienizar.
E vários dias foram passando aumentando os sacos pretos, à berma, que aumentavan as dificuldades aos pagadores de taxa de circulação. O mahindra repassava hora e hora sem nunca parar. Os homens nele pendurados fingiam-se cegos aos montes que diasputavam os alpes. O mahindra limitava-se a deixar cair outros restos trazidos de cadiengues caseiros. Esferovites, papelões, entulhos e restos de betão inutilizado. Das letras que restavam na memória das crianças apenas se podia descortinar a palavra Solamber que era o nome da empresa.

***
Na madrugada da semana seguinte sacos, papelões e restos de carros vergastados pelo tempo repousam ali. Na rua Sardão Mariano, ao bairro do Soares, espera-se pelos homens das pás e camiões de caixas sanitárias, mas a única vida que se faz presente é uma Hilux de dupla cabina, climatizada e com dois cipaios de luvas sujas. Atiram os possiveis sacos, bem tratados, à carrinha e seguem o seu caminho. O resto repousará aí mais uns dias, senão mesmo semans, até que as larvas fecundem ratos e estes comam gatos.
–Devem ser da fiscalização, admiram-se os moradores. Mas onde estará o grosso da equipa? Interrogam-se ainda. Alguém viu a etiqueta dos que passaram por aqui? Ninguem responde, ninguém viu, apenas as lunetas dum zungueiro benguelense para soletrar na distância.
_ Mano, parece que é Kixiarrasquem. Essa empresa é bué. Até o lixo vai no carro de luxo...
E o que ficou quem o leva? Perguntam-se ainda hoje.
***
Nas Perninhas e na rua do escravo Lino os dias são de disputas renhidas entre ratos famintos e gatos fartos. Gatos que fingem correr com os ratos mas que se abastecem destes. Ao raiar do sol aparecem primeiro os verdinhos empurrando barrigas. Tentam sencibilizar que o local não é para nguendas. Instruem o Zé Pequeno que, de chapéu feito balaio na igreja, recolhe as gorjetas a troca de paz.
Surgem depois os cadetes aos pares e cacetetes. Gato e gata ontam postos ou posições. Agitam os porretos e corre-se sem nexo.
Cai-se. Atropela-se. Cobra-se. Paga-se. Maltrata-se. Cansados, cadetes e verdinhos retiram-se para uma tasca ou taberna escondida e sorvem líquidos multi-efeitos.

O porreto volta a falar a sua língua predilecta. Os aflitos obedecem correndo, deixando para trás os seus pertences e o jantar dos ratinhos desprovidos do matabicho, mas não tarda reúnem-se à volta dos gatinhos, também eles desinteressados no filme.
De repende desponta um homem gordo, de casaco preto, se calhar conseguido numa zunga ou numa cobarde rusga e transportado num Prado de favor côr de cinza. O homem exibe ares de chefia e pergunta autoritário aos dois gatinhos azulados:
- Estão a dar rebuçados?
_Não chefe! Respondeu o que se achava mais atrevido ou menos constrangido à pergunta do chefe à paisana.
-E então? Voltou a questionar o homem exibindo um grosso fio de ouro no braço direito e os dentes amarfinados.
_Chefe de cada vez que enxotamos parece que estão a vir mais outras.
Fingindo não ouvir a resposta o inspector acenou ao chauffer para seguir a marcha em velocidade lenta. E foi vendo a cena coçando a barbicha algodoada de muitas ordens acolhidas ao vento.

E o povo vê no retrovisor do Prado a contínua luta entre os ratos famintos e os gatos desinteressados.
=
Depois do anoitecer, são dezanove e cinquenta e nove. Na nacional toca o ti-rim-rim, rim-rim-rim-rim! Dentro de segundos será o pioc-pioc-pioc. Carlitos Vasculhães vai pegar no comunicado superior e começar as kuribotas do dia. Hoje o povo está atento porque já andou ao adivinho todo mês para lhes dizer quem entra e quem sai na nguvulação. Desta vez querem gente que sabe trabalhar. Gente que vive nos bairros e que sabe como é viver na mesma cama com o mosquito da lama do tubo rebentado, com o rato do lixo não recolhido, com a barata da fossa entupida e com a constipação da poeira da obra suspensa... Esses sim, merecem a nossa comemoração.
E o povo está atento ao noticiário enquanto outros estão na internet do português magalhães. E a lista começa. Sua excelência o comandante de tropa e sobra grande usando da faculdade que lhe é conferida nos termos da alínea X do artigo Y da lei K... e o locutor avança na contextualização da jurisprudência perante a impaciência da Tia Zefa e clientela da barraca.
_ Possas, mas sempre os da mesma faculdade já ninguém mais que estudou aqui no IMEK ou no Makarenko?
Mas o radialista não liga à crítica, até porque não os houve. Mantém-se atento à ordem do papel e atira: Dr. Nza Kutimbe para o cargo de administrador do Kilamba Kiaxi. No cabrité vizinho umas palmas e entornam-se goles de Primus pela sorte do conterra e a possibilidade de mais umas facilidades. Na barraca da tia Zefa uns muxoxos e dores de cotovelo. _Mas esse então mora aonde. Faz o quiê? Sempre a se puxarem sacanas de merda...
O rádio vomita outros nomes e o povo reage quase de forma combinada. Estalidos bocais e assombros nuns, palmas e assobios noutros locais.
Engenheiro Francisco Mala Grande para admisnitrador do Rangel... Para Viana foi nomeado o camarada Povo Mulato...
Já tonto de nomes desconhecidos o povo reclama:
_Sempre os mesmos. Cipaios de onteontem, chimbas de ontem e fiscais de hoje. Nada mais sabem fazer do que correr com as nossas mamãs no Tira Cuecas e no Bota Larga, quando os empregos que surgem, mesmo nas obras, são apenas para os filhos e afilhados deles e as bancadas das praças do povo para as amantes e outras rabujentas... Tia Zefa, dá-me uma Soba Catumbela que vou festejar a desgraça do lixo que está sempre a subir!
***
E a festa continua. Uma cratera, um cabrité. Brotam moradias, brotam mercados. Novas estradas, novos charcos. Mais convivas se juntam à festa, vindos de distâncias incontaveis.

Luciano Canhanga

segunda-feira, maio 25, 2009

PALAVRA MINHA

Hoje apago velas. Aos cinco anos ingressei na OPA. Era um ingresso directo que coincidia com a entrada na pré-escolar ou iniciação. Foi em 1981 na aldeia de Calombo, que distava sete quilómetros da fazenda Israel onde meus pais residiam e trabalhavam que tomei o primeiro contacto com um professor.
Depois mudamo-nos para o Rimbe. Terra nova, pouco habitada e sem escola. O percurso para fazer a primeira classe era de aproximadamente 4 quilómetros, pois a aldeia/fazenda de Israel tinha ganho um professor que trabalhava num antigo estábulo bovino improvisado de sala de aulas que acolhia pioneiros da pré à quarta classe. Era nosso guia o Zé Borracha.
Depois mudou-se o professor e o local da sala de aulas. Sempre uma para cinco classes. Estávamos no ano de 1983 e era professor Jorge Manuel Carlos "Caconda", também ele meu primo, tal como o Zé que fora marido duma prima minha, a Rosa Manuel. Estudávamos na mesma fazenda, mas noutro acampamento, junto ao campo de aviação. Quem conhece a Pedra Escrita conhece os locais. Em 1984 ainda com o professor Jorge a escola mudou-se para um descampado que intermediava a aldeia de João Salomão e do Velho Azevedo. Frequentava eu a terceira classe. Foi o melhor ano do ponto de vista do aproveitamento, mas o pior em termos de estabilidade miliotar. E começava a compreender as tantas vezes que o professor se escondia e furtava-se à missão de nos ensinar o que ele dizia ter vointade de transmitir. Queriam-no para as matas e ele negava-se curvar-se. Mantinha a verticalidade e sofriamos todos. Várias noites foram de regadio chuvoso, nas matas. Muitos quilómetros, à pé. Deslocamentos e refúgios até que fomos a Luanda, ainda em 1984, carregados nas traseiras de um Ural militar...
Quem vive ou for a Luanda se perguntar a alguém que esteja acima dos trinta anos o que é/foi sabão "cocó", certamente encontrá alguém que lhe explique.
Sabão cocó eram restos industriais da fábrica de óleos e sabões Induve, em Luanda que os populares apanhavam, acrescentavam mais água e soda e desta mistura obtinham uma espécie de detergente líquido, mas bastante agressivo para a pele. Este produto eu comprei e vendi com os meus 10/11 anos.
Eram tempos difíceis, tal como retratam as peripécias vividas pela "Maria Coragem". Baptizado nas vivências de Luanda durante 3 anos, fui, contra vontade, enviado a Calulo onde a diferença social me transformariam no "jovem ideal" e vivi com um primo alfaiate (Gonçalves Carlos) tendo com ele aprendido a arte de talhar tecidos e costurar. A alfaiataria marcou os anos de 1987/90.

A guerra, porém, e o desejo de transpor a sexta classe fizeram-me viajar, mais uma vez para Luanda, tendo feito continuidade à alfaiataria com outro tio, Ramos Ngunza, e feito um curso de electricidade de baixào tensão. Transcorriam os anos de 1991/92. Luanda vivia a euforia dos acordos de Bissesse que puzeram fim à guerra entre MPLA/Governo e UNITA.
O povo fartava-se de rir, pelo menos em Luanda quando no interior o medo tomava conta daqueles que se tinha abstido das matas e das rapinas. De repente os militares de farda verde, e comandos castrados tomaram conta dos hoteís onde bangozamente viviam vidas nunca ensaiadas em solo pátrio. Os comités pilotos substituíram o trabalho da polícia e uma simples queixa podia resultar em morte sumária. Da televisão e radiofusão ecoavam ameaças de somalizar ou incendear...
Em 1992 fiz a minha estreia como educador primário. Primeiro dando aulas de superação (explicação) e depois no ensino público. Da minha improvisada escola de superação nasceram empregos para amigos.

Em 1997, terminado o médio de jornalismo, comecei a trabalhar como jornalista na LAC e hoje já são tantas as publicações em que tenho impressão digital ou vocal. Hoje estou aqui como responsável da área de comunicação institucional de uma grade empresa (risos), pelo caminho fui estudando e parando, mas sempre pensando no avanço. Parar é morrer!

Tenho duas licenciaturas por defender; uma no ISCED e outra na UPRA mas se houver vida uma delas conseguirei.

Tal como muitos sofredores e vencedores desta Angola, sempre defendi que filho de pobre tem apenas duas saídas: aprender profissão/ões e aumentar o nível técnico/académico.

Deus e o meu esforço permitiram com que homens de boa vontade me pudessem ajudar (mantendo=me empregado), mas tal como diz um ditado popular da nossa região, "quem se afoga deve ajudar o socorrista".
Um abraço.

Luciano Canhanga

sábado, maio 23, 2009

FOTO PARA MINHA GENTE

Uma aldeia em Foto. Um povo que reconstroi tudo partindo do nada. Uma vida que se reergue... Quem viaja encontra:
Pedra Escrita (entre o desvio da Munenga e Lussusso, EN 120)

Comuna da Munenga

Município do Libolo

Província do Kuanza Sul



Autor: Luciano Canhanga

domingo, maio 17, 2009

BARATOS & INFERNAIS


Se tivesse de viajar num azul-e-branco teria de gastar, ao fim do percurso que separa o Aeroporto 4 de Fevereiro ao Bairro Vila Nova, Akz. 400,00 divididos em 4 trechos de igual valor. Foi a pobreza momentânea que o forçou, naquele dia último da tolerância, a optar pelo transporte colectivo urbano.

Há muito não fazia tais enfrentamentos. Contava o seu calendário dois anos e meio desde que propositadamente fez o percurso Rangel/Viana para registar os cânticos anónimos. Mas de lá para cá muita coisa mudou. Pelo menos, dizia-se nos jornais,Rádio e Tv que muita coisa havia evoluído. Apregoaram-se autocarros limpos, equipados com AC, cômodos e silenciosos, com mais jornais em leitura do que falas soltas.

O primeiro machimbombo que por ele passou tinha as iniciais Segura a Gola d’Outro e estava apinhado de gente. Tudo quanto ouvira levaram-no e pensar que se tratasse de um funeral e não desistiu da espera. O segundo, da companhia Tira o Colete e Ultima a Luta, também rebentava pelas chaparias.Desesperado tentou enfiar-se por um espaço que restava entre pernas mal colocadas na pequena escadaria do pesasdo, mas sem sucesso. Desistiu.

Pagou os primeio Akz.100,00 para um percurso aproximado de 2km. Encontrou uma agência bancária com multi-caixa e tentou a longa fila. Os Kuanzas acabaram e a reposição tardava com a mesma persistência com que o sol atingia o epicentro.

À saida da agência, colocou a mala sobre o lancil, à sobra duma velha acácia húmida de mijo. Riu de forma aberta, espantou os nervos e caminhou mais um trecho. Agora sem dinheiro e sem força nas pernas, Kambuta limpa a mala, esconde os óculos que o identificam com facilidade e mistura-se num aglomerado que aguarda pelos autocarros. Estava perante o último recurso.
_ Nao há escolha! introspectou.

Ao primeiro, da companhia Tira a Ultima Risada e Anda, atrasou-se e faltou-lhe fprça [para a peleja da entrada, mas ao segundo machimbombo, da Nossopaistral, não titubeou e nem mesmo os passageiros à boca da porta o fizeram desistir. Estava já há duas horas na capital, tempo superior ao da viagem aérea em que transpôs mil kilómetros.

_ Tomara que seja mesmo climatizado, falou aos botões.
Já dentro, os empurrões e os cheiros desencontrados davam-lhe as boas vindas. Gelados de múcua, kikuanga, makayabo, kapuka madrugador, vômitos mal lavados e outras náuseas imundas fazia o coktail fedorento.
-Moço, mi disculpa paizinho! toca à frente! ordenou a cobradora.
Num lugar não distante da porta frontal, que servia de entrada, uma jovem nos seus virginais 15 aninhos reclamava:
_Possas! até cheiro de liamba? Para quê que não vão mbora à pé? Alguém tem de ver isso, disse desesperada.

Entre reencontros provocados pelas travagens repentinas e contorsões da viatura que soluçava ao encontro dos enormes buracos deixados pela chuva abrilena na estrada repavimentada, os passageiros iam tomando contactos mais íntimos. Corpo a corpo e suor no suor, qual molhados de fogo da paixão.

Não longe da porta de saída, uma velha, nos seus mabelas azuis, gritava apavorada: Mano, me meteram kibiona! É bandido. Motorista vai na polícia.
Aflito, o infractor tenta escapar pela janela gradeada do machimbombo, mas é agarrado pelas pernas e castigado conforme a lei mosaica e jogado ao longo da avenida Cristina Rodrigues.

Mais se parava, mais se falava e mais se ia trocando salivas das falas dispersas, deixando fervilhar no ar um perfume de aromas desconhecidos. E tudo mudava.

Os penteados desfeitos pareciam noites intermináveis de amor da puberdade, ao passo que outros cabelos, industriais ou herdados de indianas, jazziam também sapato abaixo, naquele chão, evocando aos fios o sofrimento que é uma viagem nos machimbombos de Luanda.

Foi nesse clima que Kambuta reencontrou a capital, a horas da declaração da Tolerância Zero aos desmandos dos automobilistas. Os cintos de segurança, os porta-bebés, os macacos, os colectes reflectores, as chaves de rodas e outros apetrechos passam a ser obrigagórios e as penalizações vão até ao tecto de 2 anos de salário mínimo.

Na ruas as más línguas apregoam para o Primeiro de Maio um parlatório candongueiro no largo que acolheu a missa campal de Bento XVI na sua peregrinação por Luanda, à Cimangola, para reclamar das vindouras multas policiais.

As boas línguas, porém, reforçam na media que ninguém mais abortará a aplicação da Mudança. Apregoa-se também, nos altifalentes públicos e privados de vocação pública, a inundação da cidade de novos autocarros. Políticos, empresários e pseudo-empresários revezam-se nas promessas e a “Revolução Viária” se torna palavra de ordem. A mesma ordem que ainda se confunde com a “gasosa” das multas adiadas em conversas de cavalheiros.

Já em casa, Kambuta, maltratado pela viagem, é recebido apenas por uma das filhas que o reconhece pelas rugas no rosto.
_ Como foi a viagem papá?
_ Terrível filha, terrivel! Os autocarros são baratos mas bastante infernais, respondeu aborrecido.

Luciano Canhanga

quarta-feira, maio 13, 2009

AKUKU MAKAYA YA TEMA!

À mesa um despertador, à corda, barulhava no seu tic-tac-tic-tac a cada segundo que passava. No fundo ele era também um relógio destinado a marcar apenas a hora do almoço.

Os meus conhecimentos, aos 4 anos, se limitavam à hora treze. Era naquele momento em que ele gritava furiosamente, como um comboio descarilado.

_Trimmmmmmmmmmmmmm! vibrava ensurdecedor, às vezes, que a avó Kikumbo, já no limiar da sua maioridade, chegava a não perceber o mundo à volta.

_Nde no Ka muasene*, vociferava a velha aflita.

O almoço, este, estava sempre pronto antes daquela sineta que nos punha voluntariamnte de pé e a correr, rumo à baixa, ao riacho inseminado de peixe de água doce que meu pai se gabava de ter sido o obreiro.

Estávamos na Fazenda Kitumbulo do meu avô Fernando Dambi ou Ngana Muriango onde se diz me terem encomendado para nascer, no ango de Kuteca, no óbito doutro meu avô, o materno, Canhanga Massaca ou Ngana Ñunji que era soba grande da Banza de Kuteka.

É pena que as minhas vivências com o avô Dambi tenham sido na primeira infância e o meu "saco" do passado carregar muito pouca informação, mas escreverei, um dia, sobre o toque de chamada daquele velho empenhado em trabalhos campestres ou consulta de adivinhação".

Primeiro tocava o despertador a que chamávamos de relógio de mesa, depois alguém tinha que pregar um enorme berro, à distância, com o código secreto:
_Akukuééééé, o makaya ya teméééé!'**

E lá vinha ele, meio satisfeito por poder matar o bicho, meio aborrecido por não ter terminado a empreitada. E todos, filhos, netos e visitantes que eram frequentes, sentávamo-nos à mesa para o repasto seguido de makiakia para os mais-velhos.
A tarde, normalmente, era passada em conjunto no terreiro*** ou no corte de ngando (papiro) material para a confecção de esteiras e outros objectos de cestaria.

Enquato aos sábados e domingos os homens adultos (sempre o avô, o pai, o tio César e outros visitantes) iam à caça com arcos, flexas e cães, nós, os miúdos, acompanhávamos as nosssas mães à pesca com cestos ou aproveitavamos a ausência dos pais para as nossas aulas práticas de armadilhar perdizes, pacas, macacos, pássaros e pescarias com nassas e anzóis carregados de salalé e minhoca.

O Atenção, cão pastor alemão que meu pai tinha conseguido do patrão da Fazenda Roussel, era o que mais caçava e por isso o mais querido da comunidade. Mas havia ainda o Tigre, o Tunga Laó, o Kelula e outros de cujas façanhas me lembro pouco. O meu querido Atenção, que teve durante a minha infância muitos charás, foi morto por uma onça depois de renhida peleja que deixou ambos em estado crítico. Tanto o meu pai o curou que não resistiu aos ferimentos. Teve funeral humano com uma caixa e campa em reconhecimento dos seus feitos. Do lado oposto, os caçadores da comunidade encontraram-na esqueléctica debaixo duma árvore, onde ventualmente tentava, também, curar-se das mordeduras do Atenção.

Às noites, à volta da fogueira, os adultos eram autênticas bibliotecas de secular saber. Contavam-se adivinhas, estórias de animais e histórias de factos ocorridos num tempo de ouvir dizer. Da escrita pouca importância se dava, mas a oralitura era obrigatória. Saber desvendar a genealogia era uma perícia apenas dos bons filhos. Eram esses os interpretes nas conversas adultas e nas longas viagens. Os mais velhos deixavam os monitores começarem com as perguntas e respostas dos mais novos... Uma aprendizagem que se processava por meio da repetição diária de um rosário costumeiro a que os anciãos acrescentavam novos elementos. Novos contos, novas fábulas e novas experiências que complementavam os já absorvidos pelos noviços... E havia pedagogia!


* Vão chamá-lo!

** Avô, o tabaco à beira do lume quase que queima!
*** Local onde se secava e ensacava o café

Luciano Canhanga

terça-feira, maio 05, 2009

A FRONTEIRA E O NADA


Quem ouve com regularidade relatos radiofónicos de jogos de futebol do nosso Girabola entra em contacto com novas expressões e com novos significados. Eis alguns:

1- O estádio do Inter Clube de Angola que fica entre a fronteira do Rocha Pinto e Morro da Luz...
2- O jogador não fez dada...

No primeiro caso deveremos estar perante uma nova geografia. Se fronteira é o limiar/limite entre dois espaços, estar entre a fronteira de dois espaços distimntos deve ser muito complicado.
O dicionário livre wikipédia define fronteira nos seguintes termos: é o limite entre duas partes distintas, por exemplo, dois países, dois estados, dois municípios, etc.

O correcto seria: O campo do Inter Club fica entre o Rocha Pinto e o Morro da Luz. Ou o campo serve de fronteira entre o Morro da Luz e o Rocha Pinto.


No segundo caso estamos perante a negação de negação que em filosofia equivale à afirmação em vez de negação. Mesmo nas ciências exactas, menos com menos é igual a mais.
A Wikipédia define o nada como: um signo, uma representação linguística do que se pensa ser a ausência de tudo.


O Correcto seria: O jogador fez nada... ou nada fez...
"Não fez nada" significa, filosoficamente falando, que "fez algo".

Luciano Canhanga

quarta-feira, abril 22, 2009

ESSE LIBOLO XTÁ MAL YÁ!


-Possas!


Duas bolas contra quatro da Académica do Soyo?


-Possas!


E ainda por cima a jogar em Calulo...


-Possas!


Assim vai chegar a vice-campeão?


-Possas!


E nas afrotaças já foi varrido na Argélia...


-Possas!


Também foi por quatro, será que vai marcar cinco em Calulo?


-Possas!


Esse Libolo xtá mal yá!




Possas, possas, possas!




Luciano Canhanga

sábado, abril 18, 2009

CASTIGO NAS BOMBAS DE GASOLINA



Junto ao Futungo, é taxactivamente assim: Quem não leva o depósito do gerador ou o próprio gerador eléctrico ao posto de venda de combustíveis do Futungo, em Luanda, não leva gasolina.


Os moradores próximos, sem energia da rede pública, faz tempo, habituados a sofrer os honrores da escuridadão e suas consequências, acabaram por se contentar com a medida, tendo a excepção se tornado regra, daí que contam o que vivem com o maior à vontade.


"Tudo começou um dia em que haviam muitos bidons e também muitos carros", conta um morador, " os bidons eram tantos e parece que o bombeiro facturava cem kuanzas por cada um que atendia. E ia enchendo mais bidons do que viaturas. Até que um militar se exaltou e entrou em porrada com o bombeiro. Os guardas tentaram contê-lo mas também foram respondidos com pontapés, ao que tiveram que recorrer à arma de fogo, alvejando mortalmente o militar. Informados do sucedido, os colegas do tropa invadiram as bombas que ficaram cerca de um mês sem vender. Foi assim que tudo começou. Quando reabriram ficou já avisado que aqui não mais se atenderiam bidons e até agora a solução é só mesmo essa: Ou traz o próprio gerador, ou desmonta o depósito do gerador para ser atendido", concluiu o interlocutor.

Na fila, homens, mulheres e crianças aguardam pacientemente que seja jorrado "o precioso líquido" que vai fazer com que se enfrente a escuridão dum bairro que cresce com todos os defeitos da periferia da capital angolana: roubos, assaltos, violações e todo o resto.

Quando há bairros em que o combustível é vendido em bidons para ser revendido em garrafões e mesmo nas barbas da polícia e doutras entidades que deveriam proibir tal prática, submeter esses pobres moradores do Futungo ao suplício de transportarem consigo os geradores ou terem de desmontar os respectivos depósitos, sempre que a máquina fique sem combustível, não terá sido, na minha modesta opinião, a medida mais acertada da nossa maior empresa, a Sonangol.
O melhor seria a EDEL, outra empresa pública, normalizar a distribuição da energia eléctrica no bairro ou a medida ser considerada extemporânea e, por isso, abolida.


Luciano Canhanga

domingo, abril 12, 2009

A VISÃO DO CHICO

Ele era trabalhador agrícola na fazenda Israel. Em tempos livres, aqueles que seriam os do seu repouso, dedicava-se à lavra familiar de onde vinha o sustento diário. Do salário pouco se gastava. Era tão ínfimo que só ele o suportava.
Mas tinha algo de bom: atribuia aos filhos o correspondente abono de família. Era com 0s Kz 120.00 a que cada um dos filhos cadastrados tinha por direito que se comprava o vestuário escolar.

António Chico, filho mais velho de um desafogado negro cafeicultor e curandeiro tradicional, tinha a mania de não depender do harém paternal, pretender detestar a herança e trabalhar com as suas forças aquilo que seria o seu sustento e herança para a sua prole de sete. Foi assim que negou a fazenda do pai, carro e dinheiro vivo. De pouca instrução, mas bastante polido, Chico tinha uma visão global rica para o seu tempo. Formação académica e profissional eram, a seu ver, os caminhos para o sucesso.
E hoje quero recordar-me do saudoso António Fernando Dambi* que, embora me tenha deixado ainda muito pequeno, me ensinou duas coisas na vida:
_Luciano!
_Pai.
_ Ouve! Um homem nascido numa família como a nossa tem dois caminhos para ser Homem: a escola (formação académica) e a profissão.
_Stá bem pai.
Mas assim vou ser então o quê pai?
_ Estuda! Quero que sejas professor para dar aulas também "nos" teus irmãos (entenda-se na aldeia todos éramos irmãos) e se faltar professor pra ti ponho-te na profissão!

Cumpridass as duas profecias daquele que seria hoje um "idoso" (nascera em 1940) tornei-me no homenzinho que julgo ser.


* Tb. conhecido por António Chico



Luciano António Canhanga

terça-feira, abril 07, 2009

OS ANOS DO TIO ALBERTO



É tempo chuvoso, Luanda está tranformada em um charco. As ruas mais baixas transbordam como se o Kuanza tivesse sido desviado e desembocado Viana abaixo. Foi nesse clima que Alberto juntou dois dos dez filhos, sobrinhos, netos, genros e noras, parentes e amigos.

A casa, um improvisado num antigo descampado, quase que cede aos intensos farfalhos da natureza despudorada. São dois quartos, sala enfeitada à preceito e cozinha rodeados por uma enorme vedação acastanhada dum zinco, já de si ultrajado pela antiguidade.
No Libolo, de onde é originário, se calhar nem haveria motivo para festa, pois todos os dias são de encontros familiares e consultas ao tio. É norma sobrinhos e filhos juntarem-se ao jango, ao redor do patrono, mas aqui é excepção, sobretudo, quando não há casamento, nem alembamento, nem óbito, motivos de concentrações familiares.
A contrastar com o ambiente exterior daquela libata do Grafanil apenas a alegria que transbordada dos rostos. Garrafas de álcool e refrigerantes tilintavam enquanto pacotes de sumos confundiam marcas. Pinchos e churrascos se revezavam, de mesa em mesa, e, de canto em canto havia um fogareiro vomitando fumança para o ar a convidar quem por perto passasse, mas era tudo entre tio, filhos e sobrinhos que em conversas múltiplas murmuravam assuntoshá muito adiados e que aguardavam por um momento ímpar.
-É hoje que vamos pôr todas as makas em dia. Daqui em diante ninguém mais sabe quando é que todos estarão aqui, ou noutro sítio, com todos presentes, atirou Baronesa à multidão.
O tio carregado de responsabilidade que o título e a anfitrialidade lhe conferem, ia, de quando em quando, buscando assuntos sérios para a reflexão colectiva e busca de solução, assuntos para conhecimento familiar e outros em jeito de baixar orientações.

_ Phande, o Lumumba já está a beber e demais. Viste quantas cervejas já engoliu nos cinco minutos que está aqui? Dez! É preciso tomar medidas! setenciou evidenciando a calvície que lhe invade a cefalia oval.

A multidão nem tempo teve para reflectir e mergulhou em gargalhadas.
Apenas o temor de uma chuva vespertina, com todas as suas consequências que lhe são conhecidas nos musseques luandenses, fez com que se começasse a pensar no retorno à casa. Mas antes de cortar o bolo do seu aniversário, Alberto Massaca entrou no quarto, trouxe na mão um saco preto contendo cadernos e foi chamando os netos, filhos das filhas e dos sobrinhos, um a um. Conhecia-os de cor como ninguém e todos o tratavam por Ti-Beto.

- Abdalá!
-Ti-Beto!
-Em que classe estás?
- Sétima, ti-Beto.
- Bom menino, este meu chará. Sigam-lhe o exemplo. É o filho promogênito do meu sobrinho mais velho e tem doze anos, apresentava aos convivas.
_Toma, Abdalá, cinco cadernos.
O rosário continuou de neto em neto, em função da idade e da classe que frequentava.
Já era noite avançada quando se cortou o bolo do aniversário e para o bem dos convivas nem mesmo a impaciente chuva caiu naquele noite de poucas estrelas. Com o céu às escuras, sem energia da rede e com o gerador avariado as velas fizeram as honras da noite para o discurso que antecedeu ao corte do bolo.
-"Cdas! não é sempre que nos encontramos para, sem makas, tomarmos uns frascos e mastigarmos uns pedaços... Espero podermos cá voltar com lágrimas de alegria nos cinquenta anos do tio", sentenciou Phande, o sobrinho mais velho, interrompido pelo viva dos convivas, antes mesmo de lançar a pergunta da praxe:
- Hábitos para levar ou para deixar?
E assim se fez madrugada!

Luciano Canhanga

sexta-feira, abril 03, 2009

DE VOLTA ÀS VITÓRIAS NO GIRA



FAÇO MEA CULPA?
_Não! As duas derrotas consecutivas conssentidas na 4a e 5a jornadas justificavam o temor da massa associativa, mas está tudo normalizado.

O Recreativo do Libolo venceu o Santos Futebol Clube por 1-0 que nos rendeu três pontos e ascenção para a 4a posição da tabela classificativa, à entrada da sexta jornada do Girabola. Obvio que há ainda jogos por realizar, mas 10 pontos em 18 possíveis a safra já é boa e é/tem de ser assim. De vitória em vitória, de grão em grão até encher o papo que não é nada menos do que a anunciada pelo presidente do clube Dr. Rui Campos, melhoria do terceiro lugar conseguido no Girabola de estreia em 2008.

Viva o SuPer Libolo!

Luciano Canhanga

quarta-feira, abril 01, 2009

ANGOLA É PAÍS LAICO?

Preâmbulo:
Bento XVI visitou Angola da manhã de sexta-feira, 20 de Março, à manhã de segunda-feira, 23 do mesmo mês. Para além de encontros políticos e eclesiáticos (missas), Bento teve também um encontro com a juventude católica de Luanda e de outras províncias que se deslocaram à capital angolana para ver o "santo" falar. Neste encontro houve de tudo: Emoção, desmaios devido ao sol e à desidratação, ferimentos e duas mortes por "esmagamento". Era tanta gente que o Estadio dos Coqueiros, na baixa de luanda, com uma bancada para cerca de 25 mil pessoas teve lotação esgotada.
Conceitos:
O laicismo é uma doutrina filosófica que defende e promove a separação do Estado das igrejas e comunidades religiosas, assim como a neutralidade do Estado em matéria religiosa.
Os valores primaciais do laicismo são a liberdade de consciência, a igualdade entre cidadãos em matéria religiosa, e a origem humana e democraticamente estabelecida das leis do Estado.
Esta corrente surge a partir dos abusos que foram cometidos pela intromissão de correntes religiosas na política das nações e nas Universidades pós-medievais. Politicamente podemos dividir os países em duas categorias, os laicos e não laicos, em que nos países politicamente laicos a religião não interfere directamente na política, como é o caso dos países ocidentais em geral.
Países não laicos (confessionais) são teocráticos, e a religião tem papel activo na política e até mesmo constituição, como é o caso do Irão e do Vaticano, Brasil, entre outros.

Segundo a Constituição, Artigo 13º : A República de Angola afirma-se um Estado laico com separação completa da Igreja do Estado, respeitando todas as religiões e protegendo as igrejas, lugares e objectos de culto e instituições legalmente reconhecidas...
Questão:
À propósito da recente visita do papa, Bento XVI, a Angola que mereceu, inclusive, duas tolerância de ponto nacional (dia 20.03.09) e provincial (Luanda 23.03.09) decretadas pelo Ministério da Administraçao Pública Emprego e Segurança Social, pergunto: Angola é um Estado laico?

Luciano Canhnaga

domingo, março 29, 2009

ESSE LIBOLO NÃO É O DA ESTREIA


Derrotas consecutivas no Girabola fazem temer o pior

Se há muito prazer em cantar as vitórias do meu clube, que são o mel dum adepto, deve tambem haver a verticalidade para sorver o fel das derrotas e dizer que "Esse Libolo que vejo no Girabola 2009 não é o mesmo da estreia em 2008". Ao fim de cinco jornadas o Recreativo do Libolo, sensação de 2008, terceiro classificado ao fim dos 26 jogos, já soma duas derrotas consecutivas e um empate, sendo um dos desaires em casa. É a segunda equipa mais concretizadora, 11 golos, atrás do Petro com 14, e a segunda equipa com mais golos sofridos, 8, atrás da Académica do Lobito que tem 21.

Vejamos que no campeonato passado o objectivo traçado pelo “clube de Calulo” era apenas "fazer uma boa figura" no campeonato e "não copiar" o que nos tinham habituado em anos passados o ARA da Gabela e Andorinhas do Kuanza-Sul que sempre que representaram a província eram imediatamente relegados ao escalão secundário. Já este ano, o Clube Desportivo do Libolo traçou como meta “melhor a terceira posição conseguida no ano de estreia", o que pressupões estar a lutar para ser campeão ou vice-campeão, objectivo que à partida e a contar com os primeiros resultados estará muito aquém da espectativa criada.

Alguém possa dizer que seja prematuro fazer-se uma avaliação das equipas e o seu posicionamento na tabela classificativa quando foram apenas disputados 15 pontos. É verdade. Mas é também tão verdade que o primeiro posicionado da corrida já leva oito pontos de vantagem e o Libolo só tem sete de avanço em relação ao lanterna vermelha, Académica do Lobito que ainda não pontuou, e três do penúltimo e antepenúltimo, respectivamente Primeiro de Maio e Inter Club. Pressupõe também dizer que uma vitória na próxima jornada das turmas de Benguela e da Polícia Nacional e se acontecer uma nova derrota do Libolo levariam-nos à troca de posições ou à igualdade de circunstâncias pontuais, o que preocuparia ainda mais a massa associativa libolense. Daí que é preciso correr, porque num percurso como o Girabola e quando se aspira ao pódium, o sprint tem de ser do princípio ao fim.

Não olhemos para o caminho longo ainda por trilhar, pois ninguém sabe o quanto aqueles que nos derotam hoje se armam para voltar a derrotar-nos amanhã. A nossa missão tem de ser cumprida hoje, amanhã e sempre, até à vitória final. É verdade que 21 jogos podem dar ainda 63 pontos. É claro que muitas equipas terão ainda tempo de acertar o passo, outras porém nem tempo terão para se organizar e lutarão a vida ionteira para se manter na fina-flor do nosso Futebol, o que os adeptos do Libolo jamais desejarão.

Gostaria também de lançar aqui um apelo aos adeptos da Académica do Lobito e dizer que nada ainda está perdido, apesar dos desaires consentidos até agora. A diminuição de golos sofridos nos últimos dois jogos indiciam uma evolução, embora lenta. Só não pode é ser mais demorada a hora da viragem, pois os grandes “papões” já vão na quinta velocidade e como não quero que equipa alguma fique pelo caminho antes de terminar o campeonato, o meu apelo é para que jogadores, técnicos, dirigentes desportivos e apoiantes desta equipa acordem enquanto cedo. Reparem que alí bem perto, à porta, em Benguela, a “Estrela de Maio” já começou a brilhar para o bem do nosso futebol.

Luciano Canhanga

sexta-feira, março 27, 2009

HOJ'É DIA DA VITÓRIA


Hoje é dia da vitória. A vitória contra os carcamanos sul-africanos que nos invadiram em finais de 1975 para impedir a independência nacional ou pelo menos entregar o país a quem melhor lhes servisse à mesa.

Mas o "braço armado do povo angolano, as gloriosas FAPLAS", apoiadas pelos internacionalistas cubanos, tudo fizeram para travar os "inimigos do nosso povo" que de norte (exércitos zairenses coligados com os angolanos da FNLA) a sul (SAF coligadas com angolanos da UNITA) tentavam fazer de Angola uma terra "sem dono".

Reza a história recente deste nóvel país que o último "sul-africano-carcamano" foi expulso do "solo pátrio" a 27 de Março de 1976, através da fronteira sul do Cunene, data que, dois anos mais tarde, encarnou o nosso carnaval que desfilou até 1990 com a designação de "Carnaval da Vitória".

Na imagem: ponte sobre o rio Nhia, destruída durante a invasão sul africana na região de Quibala

Luciano Canhanga

quinta-feira, março 26, 2009

PALANCAS SEM FARO PERDEM EM FARO



A selecção angolana de Futebol chancelou ontem o seu divórcio com os amantes da bola à relva ao perder num jogo amigável, de baixo nível, diante da selecção cabo-verdiana. Zero/um foi o resultado final do jogo realizado em Faro, Portugal.


Os palancas entraram para o recinto de jogo atabalhoados, sem faro e engodo para a baliza contrária. O selecionador, Mabi de Almeida, deu-se também ao luxo de utilizar jogadores menos rodados em campeonatos europeus em detrimento de outros que têm todos os jogos do Girabola como é o caso de Job e Jamuana (Petro de Luanda) que assistiram os noventa minutos no banco de suplentes.


Mais do que isso, o terceiro ensaio dos palancas, na versão Mabi de Almeida, teve ainda uma arbitragem repreensível dado o facto de ter tolerado alguma indisciplina e falta de fair play por parte de jogadores angolanos, como Man-Torras, Santana e outros que deviam ter ido ao banho mais cedo, por acumulação de cartolinas amarelas ou por velada violência contra a integridadae física do adversário.


Foi fruto desse desempenho mal conseguido que os poucos adeptos presentes pediram "à rua" ao seleccionador. E se os poucos que estiveram em Faro, uns idos de Angola e outros residentes em POrtugal, pediram a cabeça de Mabi, aqui em Angola os apupos teriam sido maiores. A pressão sobre os jogadotres e equipa técnica aumenta a cada jogo que se perde e o divórcio em relação à assitência aos jogos da nossa selecção também se consuma. É que já vamos a longo tempo sem sorver o sabor doce de uma vitória, ainda que se tratasse de "um jogo de brincadeira".

E como o próximo adversário dos palancas responde pelo nome de Marrocos também é pouco provável que os angolanso consigam trazer desta digressào a portugal uma vitória que ajeite as coisas mal andadas com o público. É que se Angola não tivesse a incumbéncia de organizar o CAN de 2010 e por via disso obter a qualificação admisnitrativa, teria ficado de fora dele e do Mundial a realizar-se na África do Sul no mesmo ano.

De recordar que os Palancas Negras nem sequer para o CHAN deste ano conseguiram o pauramento, razão mais do que evidente para que os angolanos se perguntem se o problema da nossa seleçcão reside no treinador, nos (bons) jogadores (que diz não possuir ) ou no aspecto organização (federação); Não será um pouco de tudo?

Luciano Canhanga

segunda-feira, março 23, 2009

GIRABOLA V JORNADA


O Campeonato nacional de futebol de "primeira água", cuja jornada 5 fechou hoje, trouxe algumas mudanças na tabela classificativa, no meio sobretudo, e também algumas novidades que dão outra "cara" ao nosso desporto "agita multidões".


O Petro está em frente, sempre esteve, pois só ganhou até aqui. A Académica do Lobito está no fim, pois só perde, mas há mais a conferir. A primeira vitória do Estrela Primeiro de Maio e igualmente a primeira vitória neste campeonato da equipa da Polícia, o Inter Clube. De sosuloço em soluço o meu Recreativo do Libolo baixou uma posição e é agora sexto posicionado. Confira 0s Resultados:
Benfica de Luanda - Petro de Luanda 1-3
Desportivo da Huíla - Recreativo do Libolo 3-0
1º de Agosto - Kabuscorp do Palanca 3-1
Académica do Lobito - ASA 0-1
Académica do Soyo - 1º de Maio de Benguela 1-2
Interclube - FC Bravos do Maquis 1-0
Santos FC - Recreativo da Caála 3-1
Classificação
1º Petro de Luanda 15
2º 1º de Agosto 12
3º ASA 11
4º Académica do Soyo 10
5º Santos FC 08
6º Recreativo do Libolo 07
7º Desportivo da Huíla 07
8º FC Bravos de Maquis 07
9º Recreativo da Caála 06
10º Benfica de Luanda 05
11º Kabuscorp do Palanca 04
12º Interclube 04
13º 1º de Maio de Benguela 04
14º Académica do Lobito 00

6ª -Jornada
ASA - 1º de Agosto; Recreativo do Libolo- Santos; Petro de Luanda - Académica do Soyo; 1º de Maio - Interclube; FC Bravos do Maquis - Académica do Lobito; Kabuscorp - Desportivo da Huíla; Recreativo da Caála - Benfica de Luanda.

Luciano Canhanga

sexta-feira, março 20, 2009

PEDRA ESCRITA: ESCOLA ATRASADA E SEM PROFESSORES


Já escrevi nesta página o meu contentamento quando vi o nascer e crescer de uma escola com seis salas de aulas, gabinetes e WC’s para professores e alunos na aldeia de Pedra Escrita, comuna da Munenga, município do Libolo, província do Kuanza-Sul.

De volta à localidade, na última semana, notei que embora coberta, a estrutura aguarda ainda por portas e janelas e acabamentos no pavimento. De carteiras ainda não se fala, tão pouco se conhecem aqueles que ensinarão o B+A=BA aos expectantes alunos.

Faria Manuel é um deles. Com trinta e cinco anos já vividos, o meu interlocutor, diz que não sentirá vergonha de voltar a sentar numa carteira caso haja professor para a 5ª e 6ª classes. De igual opinião é o aldeão Quissama “Samy” que prevê matricular-se na 5ª classe.

“Dizem-nos apenas quem é o professor da primeira classe, mas nem a pré, nem a 2ª, 3ª, 4ª e outras classes têm professores”, confessaram.

Tendo o ano lectivo já um mês galgado, pelo atraso da obra e inexistência de professores apontados para a "empreitada", tudo indica que “não será desta que crianças e adultos daquela aldeia se verão livres do obscurantismo”, lamentos que pretendem levar à administração comunal e concomitantemente ao município.


Luciano Canhanga