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domingo, março 15, 2009

ANGOLANOS NAS AFRO TAÇAS (16 AVOS)

Libolo trava padrinho em dia de baptismo

Tanto os responsáveis desportivos da Costa do Marfim "tentaram influenciar na secretaria"(?) o resultado da partida entre o SOA da Côte D'Ivoire e o Recreativo do Libolo que falou mais alto o jogo jogado na relva sintética.

Quando o Libolo ainda defrontava o D’Agosto na quarta-feira, 11.03.09, para a quarta jornada do campeonato nacional de futebol, o Girabola, eis que os dirigentes desportivos da Cotê D’Ivoire anunciavam a antecipação da partida de Domingo para Sexta-feira, dia 13 de Março de 2008, coincidentemente dia de azar. Perdido o jogo, em casa, diante do 1º de Agosto, o Libolo viu-se forçado, neste dia a viajar de imediato para Luanda e à madrugada de quinta voar para a Cotê D’Ivoire onde dorrotou o seu adversário por 0-1. Foi o vivi, vidi, vinci no baptismo à taça CAF.

D’Agosto sem armas contra Canon

Tanto torceu para a equipa do D’Agosto, o narrador da Rádio Cinco, que perdeu a esperança antes ainda de terminar o jogo dos militares angolanos contra o Canon de Yauonde dos Camarões. Nem Love, nem Ramafoco, nem Tuabi foram capazes de travar, em casa, os os camaroneses. 0-1 no final da contenda, no estádio nacional da cidadela, em jogo pontuável para a 1ª mão dos 16 avos de acesso à liga dos campeões africanos. Curiosamente, o Canon foi o padrinho do D’Agosto, em 1980, aquando do baptismo do então campeao angolano nas competições sob a égide da CAF. Os militares tinham perdido por 3-0 e 3-4 respectivamente.

TP Mazembe derrota petrolíferos

O jogo foi em Lumumbashi perante uma equipa que foi o esqueleto da selecção que a RDC levou ao CHAN/2009 (sete jogadores foram do Tout Pouissant). pontável igualmente pars a 1ª mão dos 16 avos de acesso à liga dos campeões africanos. )Os comandados de Bernardino Pedroto não tiveram nem pernas, nem peito para aguentar a "fúria" atacante dos "guerreiros" do Catanga. Resultado do jogo: 3-0.

Santos derrota padrinho

O vencedor da taça de angola 2008 foi a Libreville derrotar, por 0-1, o Union Sportive Mbilazambi (USM) do Gabão em jogo referente à primeira “mão” dos 16 avos de final da Taça da Confederação Africana de Futebol, também denominada Taça Nelson Mandela. À semelhança do Libolo, os Santistas de Luanda também caloiros nas Afro taças salavaram as honras da nossa bandeira.

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GIRABOLA: Resultados da ronda quatro:
Académica do Soyo-Interclube 1-0
Petro de Luanda-Santos FC 4-0
Recreativo da Caála-Desportivo da Huíla 1-0
Recreativo do Libolo-1º de Agosto 0-2
Kabuscorp do Palanca-Académica do Lobito 6-0
ASA-FC Bravos do Maquis 1-1
1º de Maio-Benfica de Luanda 1-1

Classificação:

01 Petro de Luanda 12
02 Académica do Soyo 10
031º de Agosto 09
04 ASA 08
05 Recreativo do Libolo 07
06 FC Bravos de Maquis 07
Recreativo da Caála 06
08 Santos FC 05
09 Benfica de Luanda 05
10 Kabuscorp do Palanca 04
11 Desportivo da Huila 03
12 Interclube 01
13 1º de Maio de Benguela 01
14 Académica do Lobito 00

Próxima jornada (5ª):

Benfica de Luanda / Petro de Luanda

Desportivo da Huíla / Recreativo do Libolo

Académica do Lobito / ASA

Santos FC / Recreativo da Caála

1º de Agosto / Kabuscorp

Académica do Soyo / 1º de Maio de Benguela

Interclube/ FC Bravos do Maquis


OBS: Ainda sobre o jogo entre o SOA e o Libolo, uma pergunta se deve faz:
_ Os ivoirenses "tentaram influenciar na secretaria" ou será a nossa FAF que "deu bandeira"?


Luciano Canhanga

sexta-feira, março 13, 2009

ANGOLA & (a colonização de) PORTUGAL


Perguntou-me um dia desses o amigo Gociante Patissa se: "Devemos, nós angolanos, gratidão a Portugal por nos ter colonizado"?
_A resposta é NIM!
A análise e resposta desta questão, que parece simples e simultâneamente complexa, deve obedecer a 4 "olhares" diferenciados a saber:

1- Muitos países, até africanos (Etiópia e Libéria), nunca foram colonizados e estão aí. Houve na história dos povos intercâmbios culturais que permitiram valorizar e desenvolver as ciências e as civilizações. O Egipto, grande berço da civilização e do conhecimento, teve incursões de vários povos, contactos e intercâmbios com outras civilizações, porém a colonização europeia, de facto, só se deu entre finais do Sec. XVIII e XIX.

2-
No caso concreto de Angola é bom que olhemos também para os estádios de desenvolvimento do litoral, onde foi mais intensa e madrugadora a presença colonial europeia e o Leste, onde esta tardou em chegar. O litoral é, sem dúvida, mais desenvolvido do ponto de vista infraestrutural, do conhecimento científico "contemporâneo"e cultural.

3-
O desenvolvimento do território colonizado deveu-se a enormes sacrifícios dos colonizados (nativos) a quem foram impostos hábitos, língua, um novo "modus vivendi", para além de privações de vária ordem, como: acesso à terra arável, pastos, coutadas, etc., pagamento de impostos, trabalho forçado e não remunerado. guerras e ainda a mercantilização do próprio homem nativo ou escravização.

4-
Angola (actual) é produto da colonização, já que antes da presença portuguesa existiam Reinos e Estados (in)dependentes uns dos outros, dentre eles Kongo, Matamba, Kasanji, Uambo, Vye, Kuanyama, Umbe, Lubolo, etc.

Dito isso, se calhar, urja necessário fazer um outro questionamento:
* Teríamos ou não persistido e evoluído (no pensamento e na ciência) se não tivesse havido Colonização portuguesa?
_ Aqui a resposta é SIM!

Debate aberto.

Luciano Canhanga

quarta-feira, março 11, 2009

A POBREZA LISBOETA DE QUE ANGOLA JÁ SE "DESFEZ"


Uma reportagem da SIC, passada às 20h50 de Angola (19h50 de Lisboa) do dia 17.02.2009 mostrou grutas escavadas em rochas pela acção natural e humana.


Mostrou a SIC dois homens, um negro e outro branco, falando bom português, que vivem naquelas cavernas em companhia de ratos, cobras, lagartos, lixo e outros vermes, como não tiveram pejo de afirmar. E vivem ali, com mais um vizinho humano que no momento da descoberta da SIC se encontrava ausente.


Tudo isso dito ipis verbis. “O Estado vê e finge que é cego”. O mundo ficou a saber que em plena capital portuguesa, Lisboa, e em pleno século XXI há ainda na Europa homens das cavernas…Só espero que não venham mais cá a tentar dar aulas de moral.

Por acaso alguém, por cá, Angola, conhece algum homem habitando uma gruta?

Disponho-me a pedradas!


Luciano Canhanga

segunda-feira, março 09, 2009

QUE VENHA O PRÓXIMO...


Assim estarão a dizer, a esta hora, os líderes e jogadores das equipas vencedoras. Reporto-me ao Girabola, campeonato angolano de futebol de primeira divisão.
A bola voltou a girar entre sexta-feira e hoje, domingo, em Luanda, Lubango, Huambo, Luena e Namibe. Foram sete jogos que resultam em 23 golos, sendo o Libolo a equipa que mais marcou: 5 tentos na baliza da Académica do Lobito.

Resultados III jornada
Benf. Luanda 1-2 Acad. Soyo
Santos FC 2-1 Prim. Maio de Benguela
Desp. Huila 1-2 Petro de Luanda
Prim. Agosto 3-1 Recreat. Caála
Brav. Maquis 1-0 Kabusciro Palanca
Inter de Ang. 1-2 ASA
Acad. Lobito 1-5 Libolo

Na Classificação o Petro de Luanda segue em frente com 9 pontos, fruto de 3 vitórias, seguido pelo Libolo com sete, fruto de 2 vitórias e 1 empate. Na cauda, sem pontuar, estão as equipas de Benguela.

Jornada IV
Académica do Soyo
1º de Maio
Petro de Luanda
Recreativo da Caála
Recreativo do Libolo
Kabuscorp
ASA
-
-
-
-
-
-
-
Interclube
Benfica de Luanda
Santos FC
Desportivo da Huila
1º de Agosto
Académica do Lobito
FC Bravos do Maquis

O destaque vai para o Libolo que recebe em Calulo o Primeiro de Agosto, ao passo que o Petro Atlético que recebe o Santos. As 4 equipas jogam na quarta-feira em detrimento dos compromissos nas afro-taças. Nas eliminatórias para a liga dos campeões africanos, o Petro defronta o Tout Puissant Mazembe da RDC e o D'Agosto mede forças contra o Canon de Yaoundé. Santos e LIbolo representam Angola na TAÇA CAF (taça das taças).

Atendendo que o Libolo e D'Agosto têm contas por acertar, dizendo-se o mesmo do Petro e Santos que "roubou" aos petrolíferos a Super-Taça, Quem levará da melhor, desta vez?

Luciano Canhanga

domingo, março 08, 2009

OH,OH, OH! O CAN VAI CHEGAR...


A voz rouca do maestro e o apito nos lembram o carnaval e o tambor leva-nos ao saracotear do corpo.

O grupo carnavalesco chama-se "Unidos"do Quotel, um bairro de Benguela. A música tem como título "O CAN vai Chegar". O coro, vozes encontradas e encantadoras, fazem da festa um grande sucesso a anunciar um evento, ímpar, que se espera ser um sucesso para Angola, o CAN de 2010.
...
Oh, oh,oh!
O CAN vai chegar!..
Em Benguela, em Luanda
Em Cabinda o Can vai chegar
... Venham ver nossas belezas!
Em Benguela acácias rubras;
Em Luanda o nosso Mussulo;
Em Cabinda o nosso Maiombe
E na Huila o nosso Cristo Rei! ...
Vem vem!

Vem meu povo na amizade
para assistir ao CAN do nosso povo!
...
A canção em homenagem ao CAN, que é um grande "monumento", tem Letra e música de Baltazar Roque; Voz principal de Feddy e Coros de Lili.

Luciano Canhanga

sábado, março 07, 2009

SUPER LIBOLO


SEGUE NO BASQUETE AS PEUGADAS DO FUTEBOL

Quando Rui Campos, presidente de direcção do Recreativo do Libolo, anunciou o nascimento de mais uma equipa de basquetebol e que disputaria a fina-flor do nosso campeonato nacional, ninguém ou poucos acreditaram nele.

Na altura, e estou bem lembrado, era meta da novel equipa ,treinada pelo categorizado Raul Duarte, apenas a sexta posição do campeonato.

Lembro-me igualmente ter-se comentado em várias praças jornalísticas a exclusão do Libolo que nem sequer tinha um banco, tendo começado o campeonato com apenas sete jogadores e por via, disso, solicitado o adiamento de muitos jogos da primeira volta, por ter, na altura, ainda processos de legalização de jogadores junto do órgão reitor da modalidade.

E o Libolo que dá hoje cartas na modalidade, derrotando até o D’Agosto, em sua casa, por 81-85 começou a sua trajectória com favoráveis 66-79, diante do Promade de Cabinda e uma humilhante derrota diante do Vila Clotilde por expressivos 111-49.

Tal como no Futebol em que o Libolo, no Girabola passado foi somando pontos atrás de pontos, assim está fazê-lo no Basquetebol, relegando para papéis secundários os “auto proclamados” candidatos ao troféu ou a posições imediatas ao campeão que adivinhávamos todos, poder ser o D’Agosto ou o Petro.

O Libolo na sua trajectória foi primeiro superando as ditas equipas do seu campeonato como o Promade, Desportivo da Huila, Vila Clotilde, Imbondeiro de Viana, CDUAN e Lusíadas, e posteriormente foi equilibrando e até vencendo partidas contra o ASA, INTER, Petro de Luanda e por fim ao “Tou Puissant” D’Agosto na última sexta-feira.

Perante tamanha obra, e já bem próximos da fase final em que as equipas entram para a fase de grupos, e sem demérito pelo trabalho desenvolvido por outras direcções e treinadores, atrevo-me mesmo a dizer que só por uma unha negra chegará o Libolo ao fim do campeonato abaixo da terceira posição, ao contrário do que foi anteriormente projectado, ou seja a sexta posição, neste seu campeonato de estreia.

Sem sombra para dúvida, o surgimento do Recreativo do Libolo no Desporto angolano (Futebol e Basquetebol, sobretudo) é uma lufada de ar fresco, que vem conferir outra competitividade a estas modalidades de eleição. Se ao Recreativo devemos todos parabenizar pelos feitos, aos clubes que aos poucos se vão vendo destronados das suas habituais posições, por esta emergente equipa, só nos resta pedir trabalho e mais trabalho.

Luciano Canhanga

quinta-feira, março 05, 2009

NGANDO (PAPIRO)


A planta que se vê na imagem é chamada pelos ambundo do Kuanza-Sul por Ngando* em português chama-se Papiro (pelo latim papyrus do grego antigo πάπυρος)**. É uma planta perene da família das ciperáceas cujo nome científico e Cyperus papyrus. No antigo Egipto ela foi usada para a confecção de uma espécie de papel que também responde pelo nome de papiro.

O papiro (papel) é obtido utilizando a parte interna, branca e esponjosa, do caule do papiro, cortado em finas tiras que eram posteriormente molhadas, sobrepostas e cruzadas, para depois serem prensadas. A folha obtida era martelada, alisada e colada ao lado de outras folhas para formar uma longa fita que era depois enrolada. A escrita dava-se paralelamente às fibras.

No Libolo, Kibala e outras comunidades angolanas esta planta é cortada, exposta ao sol e depois de seca obtem-se o que os tecelões designam por thungo***.

O Thungo é usado para a confecção de esteiras e luandos, chapeus e outros utensílios.

Em 2006 visitei o museu do Papiro, em Cairo, e pelas informações colhidas, o (papel) é obtido utilizando a parte interna, branca e esponjosa, do caule do papiro, cortada em finas tiras que são posteriormente marteladas (para se retirar o açúcar e aumentar a flacidez), colocadas em molho , sobrepostas e cruzadas, para depois serem outra vez prensadas (a fim de auto-colarem-se) . A folha obtida é alisada e colada ao lado de outras folhas para formar uma longa fita que é/era depois enrolada.

Existe esta planta na sua região? Você pode experimentar e fabricar o papel/papiro. Tente!

*Ngando: diferente de Ngandu (jacaré/crocodilo) cuja palavra é aguda (a sílaba tónica é a última).

** http://pt.wikipedia.org/wiki/Papiro, consulta 15.02.09

***Thungo: o mesmo que palha ou fios para construção de...

Luciano Canhanga

terça-feira, março 03, 2009

GIRABOLA II JORNADA


O Petro de Luanda já segue isolado na primeira posição, com 6 pontos, fruto da vitória de 1-0 sobre o eterno rival, Primeiro de Agosto. O Recreativo do LIbolo já é segundo, com 4 pontos fruto da goleada infringida aos Bravos do Maquis, por 4-0.
Os "estudantes" do Lobito averbaram a sua segunda derrota consecutiva 0-5 diante do estreante Caála e juntaram-se ao 1º de Maio de Benguela na cauda da classificação com zero. No Namibe, a Académica do Soyo e Santos FC registaram o único empate (0-0) da ronda, já que o ASA venceu o Kabuscorp, na conclusão da segunda jornada, por 3-0.

Eis os resultados da ronda 2:

Petro Luanda - 1º Agosto, 2-1
Benfica Luanda - Interclube, 3-2
Rec. Libolo - Bravos Maquis, 4-0
1º Maio - Desp. Huíla, 0-1
Ac. Soyo - Santos FC 0-0
Rec. Caála - Ac. Lobito 5-0
Kabuscorp - ASA 0-3


Próxima jornada (terceira):

Benfica de LuandaAcadémica do Soyo
Santos FC1º de Maio
Desportivo HuilaPetro de Luanda
1º de AgostoRecreativo da Caála
Académica do LobitoRecreativo do Libolo
FC Bravos MaquisKabuscorp Palanca
InterclubeASA

Será que haverá grande alteração `a tabela classificativa?

Luciano Canhanga

sábado, fevereiro 28, 2009

O RENTÁVEL NEGÓCIO DAS OPERADORAS E TV



O canal de televisão lança um concurso com prémios atractivos: carro, motorizadas, electrodomésticos e outras coisas. Para participar do concurso bastará enviar um sms ou telefonar.

Ao valor da tarifa normal 1 sms custa entre 1utt ou 1,25 utt, mas o concorrente terá de descontar 11,1 Utt’s que equivalem a AKz 80, ao invés dos AKz 7,2 equivalentes a 1Utt.

Parece nada de anormal, pois não?

É que para um concurso em que participem, por exemplo, 250.000 concorrentes estes acabam pagando em sms AKz 20 milhões quando na verdade a empresa de telefonia desconta uma média AKz 281.250.

Viu agora a diferença?

Com o troco compram-se o carro, as motorizadas, os electrodomésticos, paga-se a publicidade e resta ainda muito para encher as contas da TV.


Luciano Canhanga (reflectindo)

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

MONA-A-CHICO

Surgiu, nesta data, na imprensa angolana "um Mona-a-Chico", escrevendo temas económicos no "recém-surgido (ed. n. 1 do) "semanário económico Expansão.
Quem será o Mona-A-Chico?

Luciano Canhanga

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

A FESTA REGRESSOU AOS CAMPOS


Retornou, Sábado, aos estádios de futebol de Angola a festa do principal campeonato de futebol, o Girabola.

Eis os resultados da 1ª jornada:

Académica do Lobito-Petro de Luanda, 2-3

Bravos do Maquis-Recreativo da Caála, 2-1

ASA-Libolo, 2-2
Interclube-Kabuscorp, 0-0
1º de Agosto-1º de Maio de Benguela, 1-0
Desportivo da Huíla-Académica do Soyo, 0-1
Santos FC-Benfica de Luanda, 0-0

Classificação

1-Petro de Luanda 1 jogo/ 3 pontos

2-Bravos do Maquis 1/3
3-1º de Agosto 1/3
4-Académica do Soyo 1/3
5-ASA 1/1

6-Libolo 1/1

7-Santos 1/1

8-Benfica de Luanda 1/1
9-Interclube 1/1

10-Kabuscorp 1/1

11-1º de Maio 1/0

12-Desportivo da Huíla 1/0

13-Recreativo da Caála 1/0

14-Académica do Lobito 1/0.

Próxima jornada

Benfica de Luanda-Interclube

cadémica do Soyo-Santos FC

1º de Maio-Desportivo da Huíla

Petro de Luanda-1º de Agosto

Recreativo da Caála-Académica do Lobito

Recreativo do Libolo-Bravos do Maquis

Kabuscorp-ASA.


Luciano Canhanga

sábado, fevereiro 21, 2009

"MARIA CORAGEM"


"Mamãs ou Manas Coragem" houve e há muitas. Cada uma no seu meio, seu tempo e no seu jeito. Anália V.P. foi corajosa ao ser a primeira dama a desejar governar todos os angolanos (depois das coligações de Njinga Mbandi). Mas será que terão faltado "atrevimentos" semelhantes?
-Sempre houve. Faltaram os holofotes ou não precisaram de se manifestar, pois vejamos:

Uma senhora tem o marido doente. A guerra movida pela UNITA atinge a aldeia de Rimbe, no Libolo (comuna da Munenga). O filho mais velho está na casa-de-água(1) e não pode manter contacto com o mundo exterior (a comunidade).

Maria, a senhora, leva o marido ao hospital da Vila de Calulo e lá é transferido para o Sumbe. Na Justificar completamentecapital kuanza-sulina não tem familiares e ela nem tem dinheiro.

A saúde do marido degrada a cada hora que passa, receia o pior e decide levá-lo a Luanda onde tem um irmão e uma sobrinha que trabalha no hospital sanatório.

Para viajar era necessário destilar makiakia(2) cujo dinheiro, resultante da venda, serviria para pagar a passagem no autocarro da ETIM. Porém, um primo do marido, depois de embriagado, entorna o tambor da makiakia em destilação, mas a Senhora não desiste. Faz empréstimo e leva o marido a Luanda onde morre uma semana depois de baixa hospitalar.

Feito o funeral, volta viúva, desamparada, sem dinheiro, com dívidas por saldar e quatro filhos menores por cuidar. 0 mais velho, ainda na casa-de-água, tem oito anos e a menina mais nova tem dois. A tradição exige um novo funeral (fictício) e depois de um ano o sacrifício de um bode para tirar o luto.

Estávamos já no ano de 1984. A guerra aperta. Mais noites são passadas na mata, de baixo de chuva, mosquitos e outras feras, do que no casebre de pau-a-pique. Mãe e filhos refugiam-se na sede comunal da Munenga e no mesmo dia, 15 de Fevereiro, a UNITA ataca. Todos os haveres são levados pelos guerrilheiros e a família refugia-se na aldeia de Samba Caringe, onde por um mês vive a custa de trabalhos prestados em lavras de aldeões locais.

Com tudo perdido, Maria regressa, com as mãos à cabeça(3) à aldeia de origem (mais de 60Km). Junta forças, as últimas forças, junta trapos e arrisca a viagem para Luanda, com os filhos, onde o irmão os receberia.

Posta na capital angolana é-lhe dado um casebre de pau-a-pique, mas tem de se adaptar aos negócios madrugadores da capital angolana e sustentar os quatro menores. Abdica de amores e sustenta os filhos, ajuda o irmão mais novo desertado das FAPLA e sobrinhos abrangidos para a "vida militar".
Esmera-se nos negócios da fuba de milho, peixe frito e outros bens de primeira necessidade, comprados e revendidos na candonga(4).

Com a poupança melhorar as condições do casebre e junta dinheiro para recomeçar a vida destruída no campo.

Amenizada a guerra, em 1987, regressa à terra natal e recomeça a vida campestre, dividindo-se entre o campo e a cidade capital onde residem os filhos.

Esta Senhora anónima que responde pelo nome de Maria Canhanga é ou não uma heroína? É ou não uma "mamã coragem"?

Por isso digo: Cada uma no seu tempo, no seu meio e com as suas armas.

Na foto: Maria Canhanga à esquerda
1- iniciação masculina ou circuncisão
2- Também conhecido como Kaporroto. Bebida alcoólica destilada
3- mão vazias; sem nada
4- Venda ilegal ou informal (normalmente eram produtos desviados de lojas estatais no tempo da economia planificada)
Luciano Canhanga

domingo, fevereiro 15, 2009

PETRO ABATE LEOPARDOS E AGUARDA "TODO PODEROSO" MAZEMBE



O Petro de Luanda apurou-se para a fase seguinte das preliminares da Liga de Clubes Campeões Africanos em futebol, ao vencer em Mbabane, o Royal Leopards da Swazilândia, por 3-0, em jogo da segunda “mão” desta prova. Igual resultado tinha sido conseguido em Luanda na primeira mão. Nos 16 avos de final, os comandados de Bernardino Pedroto medem forças com os "Todo Poderosos" Mazembé, do Congo Democrático.

Abaixo alguns dados dos dois oponentes:
1-Atlético Petróleos Luanda:
Conhecido também como Petro Atlético Luanda, Petro Atlético, ou simplesmente Petro Luanda, é um clube tradicional de futebol de Luanda, Angola, fundado em 1980. O clube ganhou o seu primeiro título da Liga Angolana em 1982.
Títulos
• Liga Angolana: 1982, 1984, 1986, 1987, 1988, 1989 , 1990, 1993, 1994, 1995, 1997, 2000, 2001,2008
Taça: 1987, 1992, 1993, 1994, 1997, 1998, 2000, 2002
O Petro de Luanda faz os seus jogos no Estádio da Cidadela

2-Tout Puissant Mazembe: Inicialmente baptizado por "Englebert", é um clube de futebol congolês baseado em Lubumbashi e realiza os seus jogos no Stade Municipal de Lubumbashi.

O Tout Puissant Mazembe foi fundado em 1939, o clube foi reestruturado depois da independência daquele país, (30 Junho de 1960) e participa em 1996, no campeonato nacional do katanga e a taça do Katanga.
Palmarés • Taça africana dos clubes campeões (liga africana): 1967, 1968 e finalista em 1969, 1970
• Copa Africana dos vencedores das taças: 1980
• Liga Congolesa (Linafoot): 1966, 1967, 1969, 1976, 1987, 2000, 2001, 2006, 2007
• Taça do Congo: 1966, 1967, 1976, 1979, 2000.

Será que o Petro vence a eliminatória?

Luciano Canhanga

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

ERROS NA PUBLICIDADE: QUE REMÉDIO?


É sabido que muitos são deliberados (expressão oral), outros derivam do desconhecimento da língua de trabalho (no caso a portuguesa) e muitos ainda do desconhecimento das ferramentas publicitárias, confundindo a linguagem brejeira com o chamariz para a adesão ao produto...

Atendendo que uma das formas de aprendizagem consiste na imitação dos mais novos aos mais velhos (no sentido da idade, da exposição e do conhecimento). Sabendo que a media exerce uma grande influência sobre as crianças e adolescentes. Tendo em conta as muitas (des)coisas que se dizem nas rádios e televisões angolanas;

Podemos ou não melhorar a linguagem usada na Publicidade áudio-visual angolana?

Luciano Canhanga

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

OS AMBUNDU DO K-SUL: DELITOS, TRANSGRESSÕES E PENALIZAÇÕES NAS ALDEIAS RURAIS


"A autoridade tradicional é imposta por procedimentos considerados legítimos porque sempre teria existido, e é aceite em nome de uma tradição reconhecida como válida. O exercício da autoridade nos Estados desse tipo é definido por um sistema de status, cujos poderes são determinados, em primeiro lugar, por prescrições concretas da ordem tradicional e, em segundo lugar, pela autoridade de outras pessoas que estão acima de um status particular no sistema hierárquico estabelecido (Max Webber)" 1.

Para além dos meus primeiros dez anos de vida vivida em aldeias rurais do Lubolo (Libolo) e Kibala, tenho me servido de idas constantes à região que descrevo para “in situ” reviver o “modus vivendi e operandi” destes povos.

As comunidades rurais do Libolo, Kibala e doutros povos ambundu que habitam o território da província angolana do Kuanza-Sul, apesar de não possuírem uma pauta que tipifique o que são delitos e o que são transgressões nem tão pouco as penalizações para cada desvio de conduta social, têm um sistema jurídico baseado em mores e hábitos aceites universalmente pela comunidade e que têm o peso de lei.

Ùkambula é o termo que traduzido para português equivale a cometer delito ou desvio social. A autoridade administrativa e sua corte, no caso o rei/soba é também o garante da legalidade na sua jurisdição sendo auxiliado na administração da justiça pelo Ñgana Thandela (ministro da justiça)2 que é perante a corte o responsável pela aplicação da lei.

O delito maior é o assassinato ou seja a morte de alguém de forma voluntária, o que pressupõe dizer que o direito à vida é o principal que a sociedade atribui ao homem.
Roubos, furtos, violações, falsos testemunhos, agressões físicas e verbais, incêndios contra propriedades privadas e ou colectivas (como as coutadas) são frequentes, sendo igualmente os desvios às normas sociais mais conhecidos e punidos de acordo ao direito consuetudinário.

Fruto da sua crença no poder dos defuntos e antepassados e sua irreligiosidade (são grande parte animistas) os povos em referência têm uma grande crença no feitiço. Daí que acusações de feiticismo preenchem o dia-a-dia do soberano e das comunidades.

Entre as penalizações constam a simples censura, restituição de bens de terceiros (roubados ou danificados), indemnizações (pecuniárias e em espécie), castigos físicos, entre outros.

A autoridade do rei/soba é reforçada apelo animismo e pela ideia de feitiço. O rei é tido como o detentor do mais forte feitiço, daí que para além de respeitado é igualmente temido, sendo as suas convocatórias, normalmente de comparência obrigatória. Os povos destas comunidades apesar de professarem algumas crenças religiosas (católica e protestantes) têm uma ligação muito forte a seus ancestrais e retornos a práticas animistas.

No esforço de conciliação entre o moderno e o tradicional, muitas vezes os reis/sobas encaminham determinados “casos” às autoridades políticas e judiciais, sobretudo casos de homicídios voluntários, evitando-se assim que seja executada a justiça por mãos próprias, as autoridades policiais locais (as mais próximas) têm sido igualmente várias vezes chamadas para dirimir querelas que os soberanos julgam poder fugir fora do seu controlo. Outras vezes são os próprios cidadãos que recorrem ao direito positivo, sempre que julguem ineficazes os julgamentos comunitários.

1-http://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Weber, consulta 05.02.09
2- VINTE E CINCO, Gabriel: Os Kibalas, Núcleo-Publicações Cristãs, Lda. Queluz, 1992
Na foto: Rei Katiopololo do Bailundo e o Jornalista Sousa Jamba

Luciano Canhanga

sábado, janeiro 31, 2009

ERROS ORTOGRÁFICOS E DE CONJUGAÇÃO VERBAL

Há vezes em que a origem e frequência dos erros ortográficos e de conjugação verbal (e falta de concordância) me levam a duvidar dos meus próprios conhecimentos e me pergunto:

Isto é mais um erro ou eu é que sempre estive enganado?

Luciano Canhanga

sexta-feira, janeiro 23, 2009

A INDÚSTRIA RURAL DOS AMBUNDU DO K-SUL


Texto em Construção

Ù-XILA (fabricar) utensílios de pesca, de cozinha, de caça, de canto e dança, de uso quotidiano é uma das actividades complementares para os Ambundu do Kuanza Sul.

Produzem-se para a caça arcos e flechas, cacetes, armadilhas diversas; para a pesca anzóis, redes, armadilhas diversas, nassas entre outros; para a casa e cozinha, xisa1, (esteira), Musalu (peneira), kinda (balaio), kualo (cesto), produtos de olaria como panelas e moringues à base de argila, almofariz e pilão; batuques e guitarras, chocalhos, dikanzas, entre outros instrumentos para o canto e a dança; para a agricultura charruas e arados puxados por bois; e ainda a destilação do makiakia (kaporroto) que aquecer as noites frias e "alegra os tristonhos".

A matéria-prima vem geralmente da natureza no seu estado mais puro, como árvores, fibras, junco e argila. O ferro e outros metais, retirado essencialmente de carros acidentados e restos de obras industriais, alimenta os foles dos ferreiros e a perícia dos funileiros que dão a forma desejada a pedaços de cada metal recolhido.

A destilação (kualula) complementa o rol desta actividade. A banana, a cana, a batata, o milho, a mandioca, o maluvo (vinho de palma), o ananás e outros frutos são as matérias primas para a destilação de bebidas alcoólicas, uma prática que vai perdendo peso na economia rural, tendo em conta a facilidade de obtenção de bebidas industriais através da compra ou da permuta por produtos campestres.

Nos anos recuados (década de oitenta e noventa do sec. XX) era comum cada família possuir o seu alambique (destilaria) que era igualmente uma unidade económica familiar na medida em que o makiakia não só era usado para oferendas em óbitos e outros eventos comunitários, mas também vendido ou permutado por outros produtos e serviços campestres. Estávamos perante comunidades com índices de monetarização extremamente baixos, sendo a permuta a principal actividade mercantil. Hoje o cenário é diferente e o que se vive é um meio termo entre o moderno e o tradicional.


1- na grafia ambundu e de acordo às regras do CICIBA a fonética do s, mesmo quando entre duas vogais, equivale a ss ou ç.

Luciano Canhanga

quinta-feira, janeiro 15, 2009

LEMBRANÇAS DE PESCARIAS FLUVIAIS NO LUBOLO E KIBALA


Texto em construção.

Os ambundu do Kuanza-sul, província angolana cercada pelo Bengo, Benguela, Huambo, Bié, Malanje e Kuanza-Norte e Oceano Atlântico, são tanto, agropecuários, quanto caçadores e pescadores, actividades que melhoram a dieta, de si já rica, visto serem povos há muito sedentários.
A pesca é feita normalmente em rios, visto inexistirem chanas e lagos na região. Rios como o Kuanza, Longa, Nhia, Phumbuiji, entre outros, oferecem variadíssimos peixes, alguns de grande porte. O nguingui/phonde (bagre grande), òlundo (bagre pequeno) icuso/ikele (tilápia), òtimpa, iriuriu, (tuqueia), phele (espécie de corvina), hála (caranguejo de água doce), entre outras espécies, abundam as águas destas paragens.

Os povos Lubolo e Kibala pescam durante todo o ano, independentemente da estação. Apenas mudam os meios ou instrumentos, embora os meses de Julho, Agosto Setembro e Outubro, devido à baixa dos caudais, sejam os de maior aproximação do homem aos cardumes e concomitantemente os de maior captura.

Os anzóis são usados em qualquer época do ano, quer como armadilha quer como instrumentos de pesca imediata. A par dos anzóis os ambundu do Lubolo e Kibala também usam as nassas (munjia/muzua), cestos (kuálo) e composições de determinadas ervas que depois de trituradas são jogadas à água (kuimba) para entorpecer os cardumes que seguidamente são apanhados com os cestos. Esse tipo de pescaria é usado somente em pequenos rios ou trechos do rio isolados pela seca. Usa-se ainda a "tarrafa" através de arremesso de redes (uanda) e armadilhas de redes.

Quanto à produção dos instrumentos de pesca, os anzóis são normalmente de produção industrial, mas na sua ausência improvisam-se os de produção artesanal. Um pedaço de arame ou fio metálico, desde que maleável, serve de matéria-prima. A cana é normalmente um caniço improvisado e a linha é normalmente de nylon. As comunidades rurais e tradicionalistas desconhecem o uso dos carretos na pesca, embora usem as chumbadas (o meu pai usava e foi com ele que aprendi a pescar no rio). A garotada, sobretudo, aprecia acoplar à linha um objecto flutuante (casca seca de cabaça) que sinaliza sempre que o peixe pique à isca. Isso torna a pesca menos frustrante e sobretudo relaxante. Quanto à isca, esta é normalmente à base de minhoca, salalé (térmita), pedaços de carne, peixe miúdo e outros condimentos. As redes são feitas igualmente de Nylon e de cordas silvestres (redes de arremesso) carregadas de esferas (matalhi/matadi) confeccionadas à base de argila. As nassas e cestos são feitos à base de fibras de junco ou palmeira.

Para o êxito da pescaria nocturna, os povos do Lubolo e Kibala jogam também com a posição da lua, pois enquanto mais luz houver, menor serão os resultados.

Ao contrário da caça, a pesca é normalmente individual ou familiar (pai e filhos ou sobrinhos). Há ocasiões em que é realizada de forma colectiva. A aldeia ou parte dela organiza a pescaria e os proventos são repartidos de forma quase equitativa, compensando-se os menos afortunados.

A sociedade rural, embora tenda a evoluir para o modelo patrilinear, vive ainda fortes resquícios do matrilinearismo, daí que o sobrinho ainda exerce grande influência e goza de regalias do tio (irmão da mãe) em relação ao filho. É ao sobrinho que ainda se contam os segredos e este vê igualmente o tio como o guardião das suas confidências e projectos. Aos cinco anos os rapazes iniciam-se na pesca com instrumentos simples.


Luciano Canhanga

quarta-feira, janeiro 07, 2009

A CAÇA ENTRE OS LUBOLO E KIBALA


Nunca é demais explicar que o meu engodo pela descrição de factos vividos e presenciados no Lubolo e Kibala resultam da minha descendência Lubolista/Kibalista.
Nestas linhas tentarei trazer à memória episódios distanciados há mais de vinte e cinco anos, mas que se mantêm intactos.

Embora sedentários, a caça entre os povos que habitam o Lubolo (Libolo) e a Kibala é uma actividade de importância transcendental, na medida em que permite o enriquecimento da dieta alimentar. Serve igualmente de exercício para aptidões mentais e físicas. Pois só homens dotados de inteligência e robustez são capazes de conseguir presas e desfazer-se de iminentes predadores.

Tal como em toda Angola, o ano é composto de duas estações: a estação chuvosa (
nvula) que é mais longa (9 meses) e a estação seca, também conhecida como (kixibo) cacimbo. É nessa última que mais se pratica a caça por meio de queimadas (ùximika muízo)1.

As grandes extensões de terras comunitárias, incluindo as de caça, são, na teoria, "pertença" do soba/rei. O direito consuetudinário impõe limites geográficos não muito tangíveis, mas invioláveis. Ninguém, sem autorização do soba/rei, deve atear fogo ao capim para a caça.
É o soba ou os mais velhos da comunidade que planeiam o programa de caças durante os três meses de tempo seco.

Antes da caçada são preparados minuciosamente os instrumentos de caça: la honji l'isongo (arcos e flechas), l'ombua (cães), salamba (cesto de junco para transporte de animais de pequeno porte), tubia/tibia (lume), lambala,(archotes), lungua (cone feito de malha metálica), mbuety/ñondo (cacetes), etc., bem como o roteiro. As instruções são passadas ao pormenor e o seu cumprimento é seguido à risca. Qualquer desvio pode, não só, perigar a vida dos caçadores, mas também fracassar a caçada.

Para a operação, grandes espaços de capim seco são cercados e é ateado o fogo. A operação é feita de tal forma que os animais que se encontrem no espaço tenham apenas uma escapatória. Geralmente áreas já queimadas, pequenas florestas, encostas de rios com pouca vegetação, etc. Terminada a queima do capim e com a ajuda de cães, arcos e flechas, e outras armadilhas passa-se à procura dos animais que tenham escapado ao cerco.

Enquanto os mais velhos da comunidade se responsabilizam por apanhar os animais, os mais novos têm por missão carregá-los até ao local combinado para a despelagem e divisão. Por cada animal carregado, qualquer que seja o seu porte, um pedaço de carne era/é destinado ao transportador. Uma parte (metade do animal) é/era para o caçador e outra para os integrantes da caçada que a repartem em pedaços mais ou menos iguais. Ù-tona é o termo que se aplica ao acto de repartir os proventos da caça entre os caçadores.

Ao (muen'axi) dono da terra (rei/soba) ficam igualmente salvaguardados os seus direitos. Importantes pedaços de carne vão ao "palácio real" (zemba) para o seu consumo e dos visitantes da aldeia, pois é para lá que se dirigem aqueles que estejam de passagem e que não tenham família na aldeia.

Existe entre os Lubolo e Kibala outras formas de caçar: No período chuvoso ou impróprio para queimadas usam-se armadilhas (óbolo, indamba, ótuela, nzomba) e também armas de caça. Aqui, sendo actos individuais, o produtos da caça isenta-se de obrigações sociais, salvo para com o muen'axi e familiares directos.

As armadilhas são normalmente colocadas nos atalhos, por onde passam frequentemente os animais para os locais de alimentação e ou abebeiramento, ao passo que com as armas procuram-se igualmente por locais onde se possam encontrar animais que procuram por relva fresca ou água.

Lebres, pacas, seixas, veados, corças, nunces, palancas (castanhas), pacaças, raposas, cabras de leque, javalis, porcos-espinhos, canta-pedras e outras espécies são abundantes, e por isso, os mais caçados. Predadores como hienas, leões, leopardos e onças também habitam a região.
As carnes de moma (jobóia) e de nguvo (hipopótamo) são igualmente apreciadas pelos ambundu do Kuanza-Sul. A onça (ongo), enquanto animal "sagrado", deve ser presente ao rei/soba da aldeia e com ele fica a pele, símbolo de poder.

1- muizo= coutada, extensão de terra cujo capim é queimado para a caça.

Luciano Canhanga

quarta-feira, dezembro 31, 2008

OLHANDO ATRÁS (2008)


Os últimos dois meses de 2007 e os primeiros 5 de 2008 foram tenebrosos.
Mas deu para equilibrar situações. Aliás, as crises são grandes escolas. Do ponto de vista familiar há a assinalar algumas consolidações e do ponto de vista material há igualmente pequenos avanços.

Há projectos em carteira como a da A-RIR (agência) e da FB (Fazenda) este com mais passos dados.

Os pés deixaram de gastar sola (mais graças ao patrão do que à poupança). Em 2008 voltei à renda, mas com dias contados. Consegui um espaço para auto-construção e se correr bem, pode ser que, em 2009 se resolva este défice.

Luciano Canhanga