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sexta-feira, novembro 21, 2008

…TAMBÉM MEREÇO SER FELIZ…


… me desculpa só ué. Eu só a otra. Também mereço ser feliz…

A música alta, tocada num Toyota Hiace empanturrado de gente, transborda cá fora, cuspindo ritmos dançantes e reflexivos, enquanto no apertado recinto senhoras puritanas e libertárias se flagelam com farpas que se esticam ao autor material da proeza.

-Mas esse moço foi criado então aonde, que está a trazer essas suas modas de segunda? Interrogou dona Mingas António, devota católica e frequentadora assídua do santuário da Muxima para a retenção do fraudulento Ti-Xico.

_Mana Domingas deixa só. Retorquiu sua comadre e companheira de rezas e viagens, Madalena José, também procedente do santuário além Kuanza, onde pretende a guarda dum sepulcral segredo.

Madó, como é conhecida na paróquia, é devota, muito dada à caridade e trabalhos sociais na comunidade. A sua elegância contrasta com a vida pacata que leva. Mãe de dois filhos, sem pai, apenas confiados à benevolência do Padre Jacinto que os tem como afiliados.

Enquanto as devotas tentam se acalmar, ou no mínimo procurar fôlego para engolir o “também mereço”do Damásio, uma jovem põe “lenha na fogueira” e desbota:

- Hoje em dia homem já não é empresa privada. Se você tá dormir ou mbora engordar com as regalias, as "outras" também querem…

Mal tinha terminado a exposição, do lado da cabine, desata Manuela, dirigindo-se às devotas e acrescenta:

_ Mamã, os tempos mudaram e os gostos também. Os tios agora gostam coisas que vocês nunca imaginaram fazer…

Domingas António meneou a cabeça e exclamou:

- Issungi! agora é assim? já não há mais respeito das mais velhas, até marido das vossas mães tão a receber e ainda vos acodem com música que as p… também merecem? Deus Nossa Senhora!

Entre o “conversa puxa conversa” uma autêntica confusão se instalou no Hiace perante a gratidão do cobrador que ia distribuindo odores fedorentos aos mais próximos.

_Esses jovens nem higiene laboral têm, possas! Mal o mecânico termina os trabalhos juro. Nunca mais essa merda! desabafa desgostoso, um quarentão.

A viagem prossegue. Com ela a “música do momento” que passa e repassa. Entre prós e contras se fomenta multi-logo e aumentam os volumes bocais. O que, cá fora, sai é já um turbilhão de vaias e elogios e palavras desencontradas. Sons paridos pelos altifalantes, gemidos do carro cansado e sufocado pelo excesso de peso e gritarias que procuram espaço num chilrear humano. Jovens atrevidos assobiam ao desgosto da senilidade ortodoxa.

À primeira paragem, Domingas António decide abandonar o carro e aliviar-se do sufoco. Junto à berma, uma orda de larápios a aguardavam com passos de fuga ensaiados. Mal dona Minga, com sacola a tiracolo, poisou o primeiro pé no chão, um atrevido espectou-lhe uma kibiona para a desconcentrar.

Aflita, entre resguardar a sanidade moral e a sacola, preferiu a primeira opção. Aliás nem tempo teve para pensar e a sacola com os haveres já repousava em mãos alheias.

-Socorro, é ngombiri!, socorro sô polícia! me levaram a pasta. Vociferava aflita.

A confusão reinante no interior do pseudotaxi estendeu-se à rua Revolução de Outubro, onde nem polícias, nem fiscais se aprontaram para o solicitado SOS. Os tempos estão mesmo mudados, atirou aos botões.

A sociedade impiedosa assistia impávida ao filme. O ladrão caminhava impune. E os carros se sucediam na paragem. Aos soluços ficou Domingas António, seguindo o rasto da música que rumava ao São Paulo, destino daquele Hiace. Sempre com a “queta do momento” num vai e vem sem fim. Me desculpa só ué. Eu só a otra. Também mereço ser feliz…

O tema levado à Capela, ai na Dona Amália, virou motivo de reflexão caseira para um debate de mulheres de idade a ser moderado por Madalena José.

_ Valerá apenas ceder ou vamos continuar a "muximar" para reter os nossos maridos? foi a pergunta da noite.

Dias passados a comadre Madó que ficou de animar o debate também surpreendeu o padre Jacinto com a sua melhor amiga, Maria, e a resposta tarda em chegar.

Até lá, outras prosas.

(na foto o rei Jacob e as suas "outras")

Luciano Canhanga

domingo, novembro 16, 2008

HÁ INVEJA OU DESORGANIZAÇÃO?

ANGOLA deixou, definitivamente, de voa para o espaço europeu. Depois da "ïnsistente" TAAG é chegada a vez da SONAIR e demais companhias acreditadas pelo também "moribundo" INAVIC fazer parte da "lista negra" da UE.

A TAAG será, daqui há nada, coisa de museu. A "persistência" em manter-se na Lista Negra da União Europeia fê-la cair em desgraça contínua até o Tout Puissant Governo decidir “a refundação da TAAG-EP, processo que deve produzir “um redesenho de base zero” da empresa e conceber os planos de migração para uma Nova TAAG, financeiramente sustentável e assente num serviço de excelência aos passageiros”.

Os pássaros em concreto se manterão os mesmos. Podem ser reforçados com os pássaros e passarinhos da SONAIR e SAL, Empresas Públicas que o Executivo quer fundidas à Regenerante TAAG.

E o nome manter-se-á? Claro que não!

Para conseguir a ansiada e requerida certificação, a Nova companhia terá, com certeza de fazer a barba, o Cabelo e se calhar muitas operações de estética. Aviões, serviços, pessoal, etc., etc.

Com um país que cresce a olhos nus, com novos aviões de média e grande porte, tem toda razão o Governo em pensar numa companhia que efectivamente nos represente em excelência e qualidade, como disse e bem Augusto Tomás, o Ministro dos Transportes de Angola. “O país precisa de uma nova e forte companhia de bandeira, com um desempenho entre as melhores de África, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento e a afirmação de Angola na região”.

Só para mostrar a profundidade do nosso buraco, a TAAG-EP perdeu cerca de USD 70 milhões nos últimos 14 meses e ocupa a 122ª posição do ranking mundial de 124 companhias aéreas.

Uma vez feito o trabalho de casa, só restará saber com que nome, cores e logotipo se vai apresentar a Nova TAAG.

E já agora, sabendo como andam desandadas as coisas cá, em casa, diremos que há inveja da UE ou há 10organnização crónica na nossa aviação?

Luciano Canhanga

sábado, novembro 15, 2008

ALGUÉM EXPLICA O QUE SE PASSOU?


14 DE NOVEMBRO, LISBOA, PORTUGAL. A festa comemorativa dos 33 anos de independência de Angola teve flores e espinhos. Lá dentro rosas. Muitas rosas, bem me queres, margaridas e bastante champagne.

Cá fora resmungos, empurrões e cacetetes da PSP (polícia de Segurança Pública) chamada a propósito para conter a euforia e impedir mais entradas que podiam "desabar a casa".
O que a SIC (canal de televisão "tuga") conta é que terá havido bilhetes a mais para o recinto da festa. E enquanto uns comiam e bebiam, outros viram-se impedidos de entrar, dado o elevado número de convivas.

Quem viu as imagens da SIC, não só viu festa, mas também viu vergonha (vivida ou fabricada). 2500 convidados e ou com ingressos festejavam, enquanto outros 500 também com ingressos e convites da própria embaixada nem pelo "furuto" puderam ver a festa.

Relatou a televisão que houve convites e ingressos excedentários e para não estragar o que dentro corria a mil maravilhas, os organizadores da patuscada tiveram de chamar a PSP que se fez presente com cacetetes e outros utensílios. Não foram exibidas armas, não.

O LADO POSITIVO
(Relatado por São Sabugueiro)

"Uma Festa à altura dos Angolanos e para os Angolanos que tiveram a sorte de conseguir o bilhete para a entrada (Bilhete Convite ).
Os 2500 sortudos tiveram uma noite linda e maravilhosa! Uma noite de brindes, de Vivas, de Hino Nacional Angolano, de farra, de comes e bebes. Tudo numa linda e maravilhosa mistura de cores, de luzes e muita música . A forte presença de cantores Angolanos e danças da nossa terra!
Por uma Noite senti-mo-nos em Casa!
Obrigado a todos os que muito trabalharam para que tudo pudesse ser possível.
Obrigado Sr. Embaixador!
Obrigado Sra Cônsul Geral!
Depois da festa o amanhecer Lisboeta... E os Angolanos ainda atordoados pela beleza da noite... Caminhamos à espera do próximo ano... da próxima (festa da) DIPANDA!
Um abraço, Até breve!
São Sabugueiro"

Luciano Canhanga

quarta-feira, novembro 12, 2008

FAIR PLAY


Termo inglês que quer dizer “jogo limpo”. Assim foi na final da Taça de Angola, ganha pelo Santos FC de Angola, equipa da samba, aí para os lados do Futungo de Belas e quem tem como presidente o também presidente da FESA.


O Libolo, vencido na final (1-0 na segunda parte do prolongamento), teve a Taça aos pés ao longo dos 90 minutos regulamentares em que dominou a partida, mas a perdularidade dos seus atacantes fê-los receber apenas as medalhas de finalistas vencidos.

No próximo ano haverá mais Taça e o Libolo terá, com certeza, outras histórias para redigir no terreno do jogo. Ao Recreativo do Libolo, tal como ao Santos, que também se estreia nas competições sob a égide da CAF, caberá, e é a missão que a Nação lhe confere, elevar bem alto o nome de ANGOLA.


Quis o Santos não ir às AFROTAÇAS de boleia e conseguiu-o por mérito e Fair Play.

Parabéns!


Luciano Canhanga

terça-feira, novembro 11, 2008

FECHA ÉPOCA FUTEBOLÍSTICA 2008


É hoje. Exactamente no dia em que se comemora o trigésimo terceiro aniversário da independência de Angola. Santos Futebol Clube e Recreativo do Libolo fecham a época futebolística 2008, quando se defrontarem às 15 horas no Estádio dos Coqueiros, em Luanda, para a final da Taça de Angola.

Quer os santistas, já no futebol angolano de primeira água há alguns anos, e os libolenses, primeiro ano no Girabola, nunca chegaram à final da Taça. Os libolenses por exemplo deixaram pelo caminho o d'Agosto e Petro de Luanda nos oitavos e quartos de final, respectivamente. ao passo que o Santos teve pela frente equipas do seu campeonato.

No recém-terminado Girabola 0s libolenses ocuparam a terceira posição (44 pontos) ao passo que os santistas ficaram na posição imediata (39 pontos), ou seja, a quarta.

Para chegarem à final os santistas derrotaram em casa o Primeiro de Maio de Benguela, com recurso à marcação de penalties, igual proeza conseguida pleos libolenses, no zseu reduto, frente ao Sagrada Esperança.

Para representar o país, Libolenses e satistas, já estão na Taça CAF (Também conhecida como Taça Nelson Mandela). Os libolenses por via da terceira posição do Girabola e os Santistas pelo facto de defrontarem na final da Taça de Angola o Libolo já apurado para a mesma competição.


Quanto ao represnetar Angola na arena desportiva africana, a coisa já está arrumada. A incógnita é mesmo saber quem levará a Taça à casa.

Libolenses ou santistas? eis a questão.

Luciano Canhanga

quarta-feira, novembro 05, 2008

THE KING'S DREAM


I believe we can
blacking the Wite House
We can lead the world
I Believ dream is now
Barac elected US President!

O SONHO DE KING
Eu acredito que nós podemos
enegrecer a Casa Branca
Liderar o mundo
Eu acredito que o sonho é hoje
Barac eleito presidente americano!

Luciano Canhanga

domingo, novembro 02, 2008

EMOÇÕES (FIM DO GIRABOLA)


REFUGIO-ME NO FUTEBOL, OLVIDANDO A "PRETINHA” ROUBADA OU EXTRAVIADA
Libolo e Santos jogam para assumir em definitivo a terceira posição do Girabola 2008. Os libolenses têm 41 pontos, mais dois do que os santistas de Luanda.

Caso os Libolenses vençam o já despromovido Benfica do Lubango fazem 44 e ninguém os desaloja da terceira posição que dá acesso à Taça CAF.

Os santistas defrontam o Cabuscorp do Palanca sedento de ponto. Os "rapazes do Palanca precisam no mínimo de um ponto (já ganham por 1-0 ao intervalo) para se manter na primeira divisão do futebol angolano. Os santistas têm de vencer para conseguirem a terceira posição e aguardarem, por um deslize do Libolo (que já vence ao intervalo por 0-1).

Assim vai a luta pela terceira posição, entre duas equipas que têm ainda outra forma de irem às AFROTAÇAS, via Taça de Angola em que ambas são pré-finalistas.

E provocando agora o amigo Kashuna, o Sagrada Esperança joga cartada de "vida ou morte" no seu reduto, contra os Bravos do Maquis. Os Lundas precisam de vencer (1-0 ao intervalo) e esperar por descalabro de terceiros para se manter na fina-flor do futebol angolano.

Força Futebol!

Luciano Canhanga

sábado, novembro 01, 2008

UM PAÍS DO CARAÇAS...

O cidadão perde os documentos pessoais. Todos.
Para "refazer a vida" precisa de dinheiro. O cidadão vai ao banco e este exige a exibição de uma declaração policial que ateste a veracidade da perda de documentos. O cidadão vai, em seguida, à polícia e esta pede-lhe dinheiro (AKZ 3500) para passar a declaração.
_ Como assim se o dinheiro está no banco e o banco precisa de documento da polícia para dar o dinheiro?

_ Pagar os AKz 3500 à polícia quando o valor para a renovação do Bilhete de Identidade é Akz 290?

As tantas o cidadão aborrecido olha à sua volta e exclama:
_Temos um país do caraças.

Luciano Canhanga

sexta-feira, outubro 31, 2008

REACÇÕES

Reproduzo aqui apenas as reacções ao telefone.
Daqui se pode aferir quem são os meus amigos.

1- Toninho, meu amor! não te estresses. Com vida tudo se reconstrói. Olha que em 2000 também perdi tudo. Pensa em nós...
2- Senhor, o dinheiro da casa também roubaram? Olha que o miúdo já não tem leite!
3- Ai, meu Deis! Ti-Yano, como é que foi? Tens o comprovativo do despacho da bagagem?...
4- Luciano, Tens dinheiro para a família? Se precisares de algo para cobrir...
5- ... Amigo, vamos rezar para que apareça... Não desanimes...
6-Chefe, como é que foi? Já contactaste a companhia? Tens que apresentar reclamação...



quinta-feira, outubro 30, 2008

QUANDO A DESGRAÇA MORA NO AEROPORTO


Trabalha longe da família há mais de dois anos e meio. O seu posto de trabalho fica a 1000km de Luanda e são duas horas de avião. De tantas idas e retornos, umas em gozo de licença e outras em serviço, viu a mala de viagens cansada. Gasta pelo tempo e pelas cargas e descargas ao avião.
Decidiu trocá-la por outra. Não que fosse de grande valor monetário, mas que aliviasse o sofrimento da antiga companheira que fica agora para o arquivo de livros ainda sem lugar certo.

O transito de Luanda e o trabalho vespertino/nocturno numa gráfica de Luanda fé-lo chegar tarde à casa. Pediu à mulher que todos os seus pertences imediatos fossem colocados na nova mala e atirou-se para o sono. Chegou a madrugada. Estava na caixa negra com 4 rodas e um cadeado ainda por ensaiar, tudo quanto tinha. Documentos pessoais, dinheiro (trocos), documentos de e do serviço, material de trabalho pessoal e material do serviço, roupas e inclusive a sua alegria de viajar com a nova mala empunhada na mão direita (como ele gosta de fazer referência).

Do Mártir ao Terminal da SAL fez-no num candongueiro (deixou o carro para não criar outros problemas). No terminal, onde colegas das R.P. aguardam os passageiros da companhia saudou e fez-se anunciar. É conhecido (nosso puto, isso dizem os cotas das R.P.) e nem precisou abrir a mala para nele retirar o crachá. Com o talão de embarque na mão, (ou no bolso da camisa amarela?) entregou a mala à pesagem e dirigiu-se seguidamente à sala de embarque (o rapaz do peso garantiu que se encarregaria de pôr a mala no embraier).

Ainda não refeito do sono e do cansaço da jornada anterior experimentou um curto sono sem sucesso (mosquitos famintos tentavam "bifá-lo") até que às 7h30 toca o "sino": Passageiros para... é chegada a hora.
Nas duas horas, aproximadamente, de viagem nem sequer pensou na bagagem. Apenas no trabalho que o aguardava... Tricotavam ideias e prováveis soluções. Sorveu um sumo de maçã e depois pediu um café ao que lhe foi acrescentado um pão com queijo e fiambre.

Terminou a viagem. Está sol aberto, embora com algumas nuvens lá em cima ameaçando chuva em algum lugar qualquer, não muito distante. Descem os passageiros e abre-se o porão. Conta as malas e outras bagagens e o porão se esvazia sem que dela saia a sua "queridinha".
_ "Algo algum" , exclama. A minha mala não veio.
Fazem-se diligências, telefona-se para este e para aquele, sugerem-se pausas.
_"Liga p'ra mim dentro de dez minutos", recomenda-se.
Passam os dez e pedem-se outros trinta minutos. Passam os trinta e vem o "lamento não a vimos. Faz carta para a direcção da transportadora com cópia ao nosso chefe".

Pânico. Mas a calma regressa. Faz-se o rabisco para a direcção da transportadora aérea, com escritório ainda incógnito. Comunicam-se as chefias... Pede-se ao banco a movimentação de valores para contas de dependentes directos (é que até os códigos secretos do banconet, recebidos ontem, ainda nem foram abertos e estão na mala).
"Quando não se conhece o autor pensar em gatuno não é pecado", conselho da tia Maria quibalista, ali no Rangel, nos tempos de undengue.

Diligências feitas, a carta vai dar entrada amanhã, talvez na tal direcção da transportadora e aguardar que encontrem a "querida pretinha de rodas ainda virgens" eventualmente numa paragem qualquer.
Daqui em diante, localizar cópias do B.I. Passaporte e etc. e requerer segundas vias. E não é pouca a papelada extraviada, para não falar dos trapos de última geração.
O personagem sou eu.

Luciano Canhanga

segunda-feira, outubro 20, 2008

GIRABOLA: DOCE FINAL


GIRABOLA

Assim se chama o principal campeonato angolano de futebol, inaugurado em 1979.

São 14 equipas que disputam a taça, estando à frente do campeonato os petrolíferos de Luanda que somam 52 pontos, seguidos pelo D’Agosto com menos seis. Nas posições imediatas estão o estreante Recreativo do Libolo com 41 pontos e o Santos FC com 38. Estas duas últimas equipas são ainda pré-finalistas da Taça de Angola, outra competição que habilita o vencedor às Afro-taças. Assim sendo, nas competições sob a égide da Confederação Africana de Futebol estarão o Petro de Luanda e 1º de D’Agosto (1º e 2º do Girabola) e ainda o Libolo e/ou o Santos Futebol Clube. Um pela terceira posição e outro eventualmente pela conquista da Taça de Angola em que ainda estão igualmente na disputa o 1º de Maio e o Sagrada Esperança.


O despique para a conquista do campeonato é seguido também emocionalmente pela conquista da bota de prata (troféu para o melhor marcador). Santana (na foto), jogador do Petro, soma 16 tentos secundado por Love, do D’Agosto, com menos 1 tento rubricado. Na terceira posição vem Reginaldo, do Recreativo do Libolo, equipa que ocupa igualmente a terceira posição no campeonato.


Olhando para as edições do GIRABOLA, já realizadas desde 1979, o troféu foi 13 vezes à casa dos petrolíferos de Luanda, 9 vezes ao rio seco, casa dos militares do 1º de Agosto, 3 vezes ao aeroporto, recinto do ASA, 2 vezes à rua Domingos do O, recinto do 1º de Maio e uma vez para o Inter e Sagrada Esperança, respectivamente.


Ascendentes e descendentes

Se a luta pela conquista do GIRABOLA está praticamente definida, pois ao Petro restará apenas um empate, diante do Desportivo da Huila, para abrir o champanhe, quando lhe restam ainda dois jogos, o mesmo não acontece na cauda onde pontificam para a descida de divisão equipas como o Benfica do Lubango (20 pontos em 24 partidas), Petro do Huambo, Bravos do Maquis, Kabscorp do Palanca, entre outras que ainda não têm a permanência definida como é o caso do Campeão em título, Inter e o Sagrada Esperança.


Definidos estão já aqueles que sobem à divisão maior do futebol angolano. A Académica do Lobito (Benguela), Académica do Soyo (Zaire) e o Desportivo da Caála (Huambo) confirmaram no fim-de-semana os respectivos passes que os habilita ao retorno ao GIRABOLA onde já militaram em tempos idos, com excepção da turma da cidade agrícola de Caála.


Portanto, por definir, resta apenas as duas equipas que acompanham na despromoção o Benfica do Lubango, já que o topo está quase clarificado: O Petro de Luanda com certeza que conseguirá um ponto nos dois jogos em falta e será, por isso campeão, o segundo lugar é garantidamente do D’Agosto, ao passo que o Libolo e o Santos lutam pela terceira posição.


Luciano Canhanga

quarta-feira, outubro 15, 2008

MAM-BORRÔ, AI,AI,AI...


Eu estou contigo! (ao contrário da resposta que me darias na tua música: eu não vou nessa!)
Estou contigo! foi a resposta dada pelo músico Maya Che (Maya Cool) e pelo empresário Bento Kangamba (em nome do MPLA).

O Primeiro prometeu e cumpriu dar metade do seu prémio de artista mais querido de 2008 (15mil usd= primeiro lugar). Kangamba pegou no "Cacho" e levou "pessoalmente". Há outros anónimos que também disseram Estou contigo, Mam-Borrô e com certeza outros ainda darão a mesmíssima resposta ao S.O.S.

Mam-Borrô enfrenta uma diabete na Namíbia, onde se encontra hospitalizado. A família e os amigos tiveram de anunciar o momento delicado que o artista enfrenta, há já algum tempo.

Digamos então, em uníssono:
- Mam-Borrô, ai,ai,ai...
- Eu estou contigo

Conta nº 28673753, no Banco BIC


Luciano Canhanga

quarta-feira, outubro 01, 2008

FILOSOFANDO



TODA A LISURA TEM SEMPRE UMA IMPERFEIÇÃO

Se não é de concepção é de percepção!



Luciano Canhanga

domingo, setembro 21, 2008

LIBOLO JÁ “PICA CALCANHARES” MILITARES



Tido inicialmente como o boombo da festa, fruto da derrota frente ao D’Agosto, no no baptismo por 4-0, o Desportivo do Libolo é hoje quem mais “come” o calcanhar da equipa militar, separadas agora por apenas 4 pontos. Depois do empate na segunda volta do Girabola e afastamento dos militares da Taça de Angola, a equipa de Calulo, que aquando do apuramento foi tão somente o segundo da série B, é tão somente a surpresa deste campeonato.


Começando por conservar as honras de casa, em que perdeu apenas uma vez para o Petro de Luanda, o Desportivo foi, no escalão superior do nosso campeonato de futebol de “primeira água”, ganhando forma, corrigindo os erros e suplantando os seus adversários, incluindo os “papa títulos” a quem quando não vence, “rouba” pontos. Como suporte destes ganhos está o dinamismo da sua direcção, massa associativa e, sobretudo, dos patrocinadores.


Nesta 21ª jornada o Libolo foi ao terreno do Sagrada Esperança e apagou a luz de vitória dos diamantíferos, a quem derrotou por 0-1. Fruto desta “retumbante” vitória, os comandados de Luís Mariano não só consolidaram a terceira posição do campeonato, como 37 pontos, como também já acendem o piscas para encostar-se ao D’Agosto que, em caso de deslize, pode ver ameaçado o segundo lugar que ostenta.


A contar com a moral elevada dos libolenses, posso mesmo afirmar que é muita pena termos o campeonato já no fim e os pontos ainda em disputa isentarem confrontos directos entre o Libolo e os militares do D’Agosto e os petrolíferos de Luanda que seguem no comando na nau.


Com grandes possibilidades de vencer a Taça de Angola, segunda competição futebolística mais importante do país, onde já não se encontram nem os militares nem os petrolíferos, a equipa das terras do Café, o Libolo, rapidamente se desfez do casaco de dependente de pontos para se tornar no temível “tomba gigantes”, sobretudo nesta segunda volta do Girabola.


Quem se sente feliz em receber o Libolo, quer em sua casa, quer em casa alheia? Sedentos de pontos, os conjuntos da cauda jamais o desejariam. Temerosos em perder os lugares que ostentam, igualmente não o desejariam os “mandões” da fila. E assim o Libolo vai fazendo o seu campeonato perante 13 “aflitos”.


Para 22ª jornada do Girabola em que o Recreativo do Libolo recebe em sua casa o Santos FC com 34 pontos.

Apenas duas perguntas se colocam: Terá o Santos força para impor a segunda derrota caseira aos libolenses ou será desta que o Libolo atinge o quadragésimo ponto?


Sabendo que a equipa de Calulo vem moralizada da última jornada em que venceu fora de casa, igual proeza conseguida pelo Santos que venceu os petrolíferos do Huambo, adivinha-se um jogo de “roer e doer”.

- Falta pouco e quem viver verá!


Luciano Canhanga

quarta-feira, setembro 17, 2008

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS: CONTAS FINAIS


Divulgados os resultados gerais e definitivos das segundas eleições que tivemos em Angola, decorridas entre os dias 5 e 6 deste mês de Setembro, urge fazer algumas análises que se impõem.

Teremos um parlamento com 220 deputados distribuídos por cinco bancadas de 191, 16, 8, 3 e 2 deputados respectivamente para o MPLA, UNITA, PRS, FNLA e Nova Democracia.
Dos partidos concorrentes às eleições e que não conseguiram acentos, apenas o PDP_ANA se livra da extinção compulsiva, já que conseguiu tangencialmente transpor os 0,5% da votação geral exigida por lei. Os que não concorreram ficam obrigados a concorrer em 2012, sob pena de extinção.

Dos 90 deputados eleitos nos círculos provinciais, apenas 6 foram para a oposição (PRS=3; UNITA=2 e FNLA=1).
Dos 130 deputados do circulo nacional apenas 23 foram para a oposição (UNITA=14; PRS=5; ND=2 e FNLA=2).
De um total de 8 milhões e 300mil eleitores inscritos, descontando os mortos tivemos uma taxa de abstenção de 12,545, tendo ido a voto 87,36% dos eleitores cadastrados.

E que dizer de formações como o PRD, PPE e FOCAC que dizem ter conseguido as 15 mil assinaturas com que se habilitaram à corrida, mas que findo o escrutínio acabaram com menos de 15 mil votos?

Já agora, quem representa no parlamento as mulheres do PRS, FNLA e ND (partidos que apenas fizeram eleger homens)?

Luciano Canhanga

segunda-feira, setembro 15, 2008

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS: BENEFICIADOS E PREJUDICADOS


Olhando para o Boletim de voto que tinha à cabeça o PRS, na posição 10 o MPLA, na 11 a UNITA, na 9 a Nova Democracia e na 12 o PADEPA, é normal que tenha havido partidos que se beneficiaram da posição que detiveram na Lista ou ainda da aproximação dos partidos de maior expressão.

O PRS, número 1 na lista, pode ser considerado o que mais ganhou com o facto de ter ocupado um lugar privilegiado. Pessoas de baixa formação e os indecisos que se dirigiram às urnas apenas pelo facto de o voto ser um dever e igualmente um direito, não deram voltas à cabeça e colocaram o Xis no primeiro quadrado. A primeira posição no boletim também terá impedido que os seus adeptos votassem noutros partidos, visto ser quase nula a possibilidade de engano. “Um é um e está em primeiro lugar”. Apesar disso, reconhece-se também o facto de ter regiões em que é um partido expressivo, tendo por via disso eventualmente perdido também alguns Xis a favor do número dois.

Mais do que o PRS, a Nova Democracia terá sido quem mais se beneficiou da posição que ocupava no Boletim de Voto, pois tinha à sua frente o "gigante" MPLA e para além de se ter apresentado com uma bandeira amarela, (cor também amplamente difundida pelo partido vencedor). Na ND terão votado muitos iletrados, os cansados, os embriagados e os com deficiências visuais que terão confundido o quadrado correspondente ao número 10 ao anterior. O mesmo terá acontecido com o quadrado imediatamente posterior, o 11 da UNITA.

Analisemos os dados conseguidos pela ND, quando estão contados e divulgados 100% dos votos em 17 províncias, com excepção de Luanda.

Em Cabinda, onde o MPLA tem 62,93% dos votos a ND conseguiu 0,88% e ocupou a 8ª posição. Na Lunda Sul, onde o MPLA teve 50,54% a ND teve 0,84% e foi 4º. Conclusão: enquanto menos votos conseguiu o MPLA, menor foi o desperdício a favor da ND. Excepção no Bengo onde o elevado grau de literacia dos eleitores terá impedido que tal “fuga” acontecesse em massa, mesmo tendo o MPLA conseguido 89,97%, contra os 082% sendo 4º.


Vejamos outros números: Em Benguela o MPLA obteve 82,51 e a ND conseguiu “apanhar” nada mais do que 1,5% que escaparam do "saco" do maioritário e foi o 3º mais “votado”. No Cunene o maioritário arrecadou 93,37% e a ND 1,44% obtendo também a 3ª melhor safra. No Kuanza-Norte onde os camaradas saíram com o “saco” cheio, 94,73%, a ND conseguiu “apanhar” 1,18%, ocupando a 3ª posição, passando-se o mesmo no Kuanza-Sul onde o partido no poder obteve 86,46% do eleitorado, contra 2,07% de “desperdício” a favor da ND que ficou na 3ª posição. Em Malanje o M levou ao seu "saco" 93,12% dos votos contra 1,31% da ND que ficou na 4ª posição, atrás do PRS.

Assim sendo, de grão a grão, enchendo o papo, a ND conseguiu ainda o quarto lugar ,1,36%, no Uige onde o “devorador” MPLA ficou com 89,21%. Na Huila onde o partido vermelho, preto e amarelo consegui 90% do eleitorado, a sorteada ND arregimentou 2,10% e a 3ª posição. E foi na mesma senda que conseguiu ainda outro 3º lugar no Namibe, com 0,88%, contra 94,35% do “Papa Tudo”.

Outros 4º s lugares obteve a ND no Bié (74,93%-1,67%), no Huambo (82,05%- 1,7%), no Moxico (85,29%- 1,45%) e no Kuando Kubango onde conseguiu 1,26% contra os 79,64% do MPLA que surgiu à igualmente à frente no Zaire (67,49%-0,83%), tendo a ND ocupado nesta a 6ª posição.

A “emergente”, Nova Democracia, mesmo sem ter predominância em nenhuma província como é o caso da UNITA (em Cabinda, Zaire, Benguela, Huambo, Uige, Bié e Kuando-Kubango onde pode eleger deputados), do PRS (na Lunda Norte, Moxico, Lunda Sul e Malanje), FNLA (no Zaire e Uige), consegue um deputado no Círculo Nacional.

Se a então desconhecida ND é agora a quarta formação partidária mais votada, beneficiando dos factos acima narrados, quem foram os “prejudicados”?

- Com certeza que foram aqueles que capitalizavam as atenções e que acabaram por ser os mais votados, independentemente dos resultados finais. O PADEPA é outra formação que terá beneficiado bastante dos "maninhos" da UNITA, dada o ordem de colocação no boletim. Mas a UNITA também se beneficiou dos votos do PADEPA tendo em conta ao apelo de Carlos Leitão para que os militantes desta formação que ainda se revêem nele (Leitão) depositassem o seu voto na UNITA.


Luciano Canhanga

quarta-feira, setembro 10, 2008

OS PARTIDOS E A (DES)INFORMAÇÃO DA MEDIA

Escândalos, sangue, saque, acção, enfim. Tudo o que rompe a fronteira da normalidade faz manchete nos jornais e nos noticiários audiovisuais. Porém, recomendam os cânones que “só a verdade deve ser divulgada”, quanto mais se aconselha que ”todo o cuidado é pouco” no apuramento da veracidade dos factos.

Entre nós, se os escândalos, os saques e o sangue apetecem e aquecem à nossa comunicação social, atrás não fica a inverdade. E vou ater-me apenas a um facto que é o surgimento das “Renovadas” entre as nossas formações políticas. As facções e as suas lideranças trouxeram ao nosso discurso jornalístico uma grande confusão, pois a procura do escândalo, do anormal e do “politicamente correcto” acabam por confundir muito mais as populações, já quase despidas de informação credível, séria e rigorosa. Vejamos o que se tem passado:

Partidos como a Unita (felizmente já sem renovada, mas com muitos “fundadores”), Fnla, Prs, Pajoca-Pp, Padepa, entre outros de pouca expressão, trouxeram à esfera pública a ideia de uma bicefalia para uma mesma bandeira, mesmo existindo casos em que o Tribunal Supremo e ou o Tribunal Constitucional vieram ao público esclarecer quem era legal e quem era o impostor. Nestes casos, a media angolana tem sido pouco inteligente no uso da função formativa (da opinião publica) e da sua missão de informar com verdade, pois todos eram/são tidos como presidentes, em função do interesse, do momento ou das circunstâncias.

O caso mais sintomático terá sido o de Ngonda e Holden e depois Ngonda /Kabango da Fnla. Alexandre André (Pajoca) e Tetêmbua (ilegalizado) travam outro duelo na media, quanto à presidência do partido. No Prs, Kuangana e Muachikungo (ilegalizado) travam outro protagonismos mediático, com alguma media a atribuir o título de presidente a quem foi expulso do partido, há já dez anos e que viu a sua suposta ala negada pelo Tribunal Constitucional. No Padepa, depois do acórdão do Tribunal Supremo que dava razão a Carlos Leitão (então presidente) no diferendo que travava com Silva Cardoso e pares que o acusavam de ter rasurado os Estatutos do partido depositados naquele órgão de justiça, o novel Tribunal Constitucional acabou por legalizar a candidatura, às eleições legislativas, a facção de Silva Cardoso, empurrando para a ilegalidade aquele que era o presidente de jure, Carlos Leitão. E mais uma vez, a media não tem sabido dar as cabíveis explicações aos seus públicos, nem separar as coisas, ou melhor, dando “nomes aos bois”. Carlos Leitão é citado como presidente, tratamento semelhante reservado a Silva Cardoso. E o público pergunta:

_ É possível que um partido tenha dois presidentes? ou quem é o presidente de quem?

Perante um povo que perdeu o interesse pela política, devido aos efeitos da política em tempo de guerra e suas consequências, precisando por isso de uma repolitização, desinformações como essas acabam por criar, ainda mais, uma antipatia pelos fazedores de política, vistos como pessoas confusionistas, pouco sérias e oportunistas. Aqui, até mesmo os que incentivam as bicefalias ou os tratamentos dúbios, pela comunicação social, acabam por levar por tabela.

O realinhamento político-partidário, fruto das aceitações e negações de candidaturas às eleições legislativas, fazia antever, para a nossa media, uma definição quanto aos nomes e aos cargos mas, pelos discursos, parece tudo estar na mesma. O que se adivinhava claro escurece cada vez mais, sendo importante e urgente que alguém ouse em “pôr ordem no circo” e definir para a media e para sempre quem é quem.

Ao entrarmos para a Nova Angola, seria bom que não houvesse mais duas cabeças para uma mesma bandeira. E se os politiqueiros assim não o entenderem, nós, os da comunicação social, que soubéssemos distinguir quem é “o patrão e quem é o gavião”, valorizando os valorizados pelo Tribunal Constitucional e remetendo aos seus verdadeiros lugares aqueles que apenas apregoam confusão. Se assim procedermos, estaremos apenas perante um exercício favorável a uma informação limpa, verdadeira e pedagógica.


Luciano Canhanga

segunda-feira, setembro 08, 2008

VIVA O POVO!


Fomos às urnas e votamos. Escolhemos quem nos merece. Os números falam por si. Houve constrangimentos em Luanda e noutros locais de diversas províncias como a falta de boletins de votos ou de envelopes para os votos especiais. São constrangimentos que afectaram a todas as formações concorrentes e não a apenas uns. Por isso se houve lisura houve para todos. Quem está de parabéns somos nós, os angolanos que dissemos SIM AO VOTO MASSIVO.

O MPLA tem uma maioria absoluta, fruto do seu trabalho governativo e do convencimento do eleitorado ao longo da campanha plítica. O Grande perdedor destas eleições é, sobretudo, a UNITA que fica com menos de 50 deputados em relação à cessante legislatura. Perdeu também o PLD e todos os demais partidos que ficam abaixo dos resultados de 1992.

Quanto à UNITA, digo que pagou apenas os erros do seu antigo líder que desencadeou contra Angola e os angolanos uma guerra impiedosa durante 10 anos que nos serviriam para desenvolver o país depois das primeiras eleições. A UNITA só tem de se virar contra Savimbi e não evocar fantasmas. Virar-se contra Savimbi passará por uma grande regeneração e reflexão interna. Desligar-se dele definitivamente. Deixarem de imitar o seu falar…Deixar de usar a sua imagem na feitura de política doméstica, pois só lembra aos angolanos os anos de atraso a que se votou o país.

A Samakuva só resta um caminho: Aceitar o mais cedo possível os resultados, ainda que parciais, de modo a tranquilizar o povo que anda receioso. Em 1992 só voltamos aos tiros porque a mesma UNITA, carregada por Savimbi, ameaçou que “caso fossem divulgados os resultados das eleições o pais pegaria fogo”, chegando depois a negar os resultados tidos por todos observadores como “geralmente livres e justas”. Quererá Samakuva trazer medo e desconfiança? Sabendo que ele é homem de bem, com certeza que não fará o mesmo que Savimbi.

Sejamos coerentes, voltemos ao trabalho porque há pontes que aguardam por reparação e ou alargamento, estradas por concluir, casas por construir e fábricas por erguer.

Viva o povo e

Parabéns ao MPLA!


Luciano Canhanga

sábado, setembro 06, 2008

CUMPRIMOS VOTANDO



Entre os dias 5 e 6 de Setembro de 2008 o maior orgulho dos angolanos é (era) ter o indicador direito pintado de negro indelével.

E com uma grande afluências às assembleias de voto (muitas) espalhadas pelo país, os mais de 8 milhões e 300 mil eleitores disseram SIM aos apelos dos políticos e da Sociedade Civil para o voto. E cumprimos com o nosso dever cívico que é também um direito: VOTAR.
Luanda, a maior praça eleitoral, teve alguns constrangimentos logísticos que levaram o Presidente da CNE, Caetano de Sousa, a levar a "mão à palmatória", anunciando medidas excepcionais que consistiram na ampliação do tempo de votação, por mais um dia, em mais de trezentas assembleias de voto da capital angolana.

Depois de informações desencontradas sobre a lisura do processo, os mesmos detractores já vieram ao público dizer que está tudo OK. Ainda bem que assim o fizeram. Luiía Morgantini ,a voz mais ouvida dos observadores e que representa a União Europeia, teve de fazer desmentidos à imprensa estrangeira que a citava como tendo dito que "às primeiras horas da manhã do dia 5 de Setembro o processo era comparável a um escândalo".

De mãos dadas, não importando para que partido votar, tal qual o desejou Luke Dube, "Together as one", assim procedemos: Fizemos as nossas escolhas para esperar que
VENÇA O MELHOR!

Luciano Canhanga

quinta-feira, setembro 04, 2008

O MELHOR DISCURSO DO PDP-ANA

Se alguém perguntar, qual foi o melhor discurso passado no tempo de antena, quer na Rádio, quer na Televisão, pelo partido Pdp-ana, qualquer pessoa que tenha acompanhado a campanha política deste partido não terá outra resposta: Foi inequivocamente o de Mfulupinga N’Landu Victor, morto em Junho de 2004.

Durante o tempo de antena deste partido na TPA foi exibido, no dia 01/09/08, um dos mais concorridos comícios do finado líder do Pdp-Ana, nas proximidades do Kinaxixi (ainda se viam as paredes das antigas instalações).

O Matemático Mfulupinga, que até parecia ressuscitado, explicou aquilo que considerava ser o binómio da governação do Mpla, e dizia: “Quando há luz não há água e quando há água não há luz”…

Felizmente é um discurso já gasto pelo tempo e pela nova dinâmica que o país ganhou com a reconstrução de muitas infraestruturas sociais, mas lá estava um “pastor para ovelhas” no seu tempo.

No discurso, Mfulupinga pedia também aos seus correligionários e apoiantes que erguessem as mãos a Deus e pedissem para que este “perdoasse os pecados do Mpla” ao mesmo tempo em que “ajudasse o Pdp-Ana a ascender ao poder”.

É pena que Mfulupinga já não esteja entre os vivos para conferir os frutos dessa oração a Deus Poderoso.

É igualmente pena que o seu Pdp-Ana não consiga encontrar alguém que se encoste aos pés do seu antigo líder, para com o mesmo vigor, apelar ao voto, ainda que fosse com outro discurso e para outros ouvintes.

Enquanto tal não acontece, o povo terá apenas uma solução: Votar X no X e esperar que a oposição encontre outro Mfulupinga. Um homem que lute pelo poder usando apenas a palavra e jamais as balas. Um homem que saiba estar na oposição, abrindo caminho para o despertar dos que se julguem excluídos. Já que é no Parlamento que se deve cobrar a aplicação das promessas eleitorais, lá é o lugar da oposição, onde Mfulupinga soube estar.

Luciano Canhanga