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domingo, setembro 21, 2008

LIBOLO JÁ “PICA CALCANHARES” MILITARES



Tido inicialmente como o boombo da festa, fruto da derrota frente ao D’Agosto, no no baptismo por 4-0, o Desportivo do Libolo é hoje quem mais “come” o calcanhar da equipa militar, separadas agora por apenas 4 pontos. Depois do empate na segunda volta do Girabola e afastamento dos militares da Taça de Angola, a equipa de Calulo, que aquando do apuramento foi tão somente o segundo da série B, é tão somente a surpresa deste campeonato.


Começando por conservar as honras de casa, em que perdeu apenas uma vez para o Petro de Luanda, o Desportivo foi, no escalão superior do nosso campeonato de futebol de “primeira água”, ganhando forma, corrigindo os erros e suplantando os seus adversários, incluindo os “papa títulos” a quem quando não vence, “rouba” pontos. Como suporte destes ganhos está o dinamismo da sua direcção, massa associativa e, sobretudo, dos patrocinadores.


Nesta 21ª jornada o Libolo foi ao terreno do Sagrada Esperança e apagou a luz de vitória dos diamantíferos, a quem derrotou por 0-1. Fruto desta “retumbante” vitória, os comandados de Luís Mariano não só consolidaram a terceira posição do campeonato, como 37 pontos, como também já acendem o piscas para encostar-se ao D’Agosto que, em caso de deslize, pode ver ameaçado o segundo lugar que ostenta.


A contar com a moral elevada dos libolenses, posso mesmo afirmar que é muita pena termos o campeonato já no fim e os pontos ainda em disputa isentarem confrontos directos entre o Libolo e os militares do D’Agosto e os petrolíferos de Luanda que seguem no comando na nau.


Com grandes possibilidades de vencer a Taça de Angola, segunda competição futebolística mais importante do país, onde já não se encontram nem os militares nem os petrolíferos, a equipa das terras do Café, o Libolo, rapidamente se desfez do casaco de dependente de pontos para se tornar no temível “tomba gigantes”, sobretudo nesta segunda volta do Girabola.


Quem se sente feliz em receber o Libolo, quer em sua casa, quer em casa alheia? Sedentos de pontos, os conjuntos da cauda jamais o desejariam. Temerosos em perder os lugares que ostentam, igualmente não o desejariam os “mandões” da fila. E assim o Libolo vai fazendo o seu campeonato perante 13 “aflitos”.


Para 22ª jornada do Girabola em que o Recreativo do Libolo recebe em sua casa o Santos FC com 34 pontos.

Apenas duas perguntas se colocam: Terá o Santos força para impor a segunda derrota caseira aos libolenses ou será desta que o Libolo atinge o quadragésimo ponto?


Sabendo que a equipa de Calulo vem moralizada da última jornada em que venceu fora de casa, igual proeza conseguida pelo Santos que venceu os petrolíferos do Huambo, adivinha-se um jogo de “roer e doer”.

- Falta pouco e quem viver verá!


Luciano Canhanga

quarta-feira, setembro 17, 2008

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS: CONTAS FINAIS


Divulgados os resultados gerais e definitivos das segundas eleições que tivemos em Angola, decorridas entre os dias 5 e 6 deste mês de Setembro, urge fazer algumas análises que se impõem.

Teremos um parlamento com 220 deputados distribuídos por cinco bancadas de 191, 16, 8, 3 e 2 deputados respectivamente para o MPLA, UNITA, PRS, FNLA e Nova Democracia.
Dos partidos concorrentes às eleições e que não conseguiram acentos, apenas o PDP_ANA se livra da extinção compulsiva, já que conseguiu tangencialmente transpor os 0,5% da votação geral exigida por lei. Os que não concorreram ficam obrigados a concorrer em 2012, sob pena de extinção.

Dos 90 deputados eleitos nos círculos provinciais, apenas 6 foram para a oposição (PRS=3; UNITA=2 e FNLA=1).
Dos 130 deputados do circulo nacional apenas 23 foram para a oposição (UNITA=14; PRS=5; ND=2 e FNLA=2).
De um total de 8 milhões e 300mil eleitores inscritos, descontando os mortos tivemos uma taxa de abstenção de 12,545, tendo ido a voto 87,36% dos eleitores cadastrados.

E que dizer de formações como o PRD, PPE e FOCAC que dizem ter conseguido as 15 mil assinaturas com que se habilitaram à corrida, mas que findo o escrutínio acabaram com menos de 15 mil votos?

Já agora, quem representa no parlamento as mulheres do PRS, FNLA e ND (partidos que apenas fizeram eleger homens)?

Luciano Canhanga

segunda-feira, setembro 15, 2008

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS: BENEFICIADOS E PREJUDICADOS


Olhando para o Boletim de voto que tinha à cabeça o PRS, na posição 10 o MPLA, na 11 a UNITA, na 9 a Nova Democracia e na 12 o PADEPA, é normal que tenha havido partidos que se beneficiaram da posição que detiveram na Lista ou ainda da aproximação dos partidos de maior expressão.

O PRS, número 1 na lista, pode ser considerado o que mais ganhou com o facto de ter ocupado um lugar privilegiado. Pessoas de baixa formação e os indecisos que se dirigiram às urnas apenas pelo facto de o voto ser um dever e igualmente um direito, não deram voltas à cabeça e colocaram o Xis no primeiro quadrado. A primeira posição no boletim também terá impedido que os seus adeptos votassem noutros partidos, visto ser quase nula a possibilidade de engano. “Um é um e está em primeiro lugar”. Apesar disso, reconhece-se também o facto de ter regiões em que é um partido expressivo, tendo por via disso eventualmente perdido também alguns Xis a favor do número dois.

Mais do que o PRS, a Nova Democracia terá sido quem mais se beneficiou da posição que ocupava no Boletim de Voto, pois tinha à sua frente o "gigante" MPLA e para além de se ter apresentado com uma bandeira amarela, (cor também amplamente difundida pelo partido vencedor). Na ND terão votado muitos iletrados, os cansados, os embriagados e os com deficiências visuais que terão confundido o quadrado correspondente ao número 10 ao anterior. O mesmo terá acontecido com o quadrado imediatamente posterior, o 11 da UNITA.

Analisemos os dados conseguidos pela ND, quando estão contados e divulgados 100% dos votos em 17 províncias, com excepção de Luanda.

Em Cabinda, onde o MPLA tem 62,93% dos votos a ND conseguiu 0,88% e ocupou a 8ª posição. Na Lunda Sul, onde o MPLA teve 50,54% a ND teve 0,84% e foi 4º. Conclusão: enquanto menos votos conseguiu o MPLA, menor foi o desperdício a favor da ND. Excepção no Bengo onde o elevado grau de literacia dos eleitores terá impedido que tal “fuga” acontecesse em massa, mesmo tendo o MPLA conseguido 89,97%, contra os 082% sendo 4º.


Vejamos outros números: Em Benguela o MPLA obteve 82,51 e a ND conseguiu “apanhar” nada mais do que 1,5% que escaparam do "saco" do maioritário e foi o 3º mais “votado”. No Cunene o maioritário arrecadou 93,37% e a ND 1,44% obtendo também a 3ª melhor safra. No Kuanza-Norte onde os camaradas saíram com o “saco” cheio, 94,73%, a ND conseguiu “apanhar” 1,18%, ocupando a 3ª posição, passando-se o mesmo no Kuanza-Sul onde o partido no poder obteve 86,46% do eleitorado, contra 2,07% de “desperdício” a favor da ND que ficou na 3ª posição. Em Malanje o M levou ao seu "saco" 93,12% dos votos contra 1,31% da ND que ficou na 4ª posição, atrás do PRS.

Assim sendo, de grão a grão, enchendo o papo, a ND conseguiu ainda o quarto lugar ,1,36%, no Uige onde o “devorador” MPLA ficou com 89,21%. Na Huila onde o partido vermelho, preto e amarelo consegui 90% do eleitorado, a sorteada ND arregimentou 2,10% e a 3ª posição. E foi na mesma senda que conseguiu ainda outro 3º lugar no Namibe, com 0,88%, contra 94,35% do “Papa Tudo”.

Outros 4º s lugares obteve a ND no Bié (74,93%-1,67%), no Huambo (82,05%- 1,7%), no Moxico (85,29%- 1,45%) e no Kuando Kubango onde conseguiu 1,26% contra os 79,64% do MPLA que surgiu à igualmente à frente no Zaire (67,49%-0,83%), tendo a ND ocupado nesta a 6ª posição.

A “emergente”, Nova Democracia, mesmo sem ter predominância em nenhuma província como é o caso da UNITA (em Cabinda, Zaire, Benguela, Huambo, Uige, Bié e Kuando-Kubango onde pode eleger deputados), do PRS (na Lunda Norte, Moxico, Lunda Sul e Malanje), FNLA (no Zaire e Uige), consegue um deputado no Círculo Nacional.

Se a então desconhecida ND é agora a quarta formação partidária mais votada, beneficiando dos factos acima narrados, quem foram os “prejudicados”?

- Com certeza que foram aqueles que capitalizavam as atenções e que acabaram por ser os mais votados, independentemente dos resultados finais. O PADEPA é outra formação que terá beneficiado bastante dos "maninhos" da UNITA, dada o ordem de colocação no boletim. Mas a UNITA também se beneficiou dos votos do PADEPA tendo em conta ao apelo de Carlos Leitão para que os militantes desta formação que ainda se revêem nele (Leitão) depositassem o seu voto na UNITA.


Luciano Canhanga

quarta-feira, setembro 10, 2008

OS PARTIDOS E A (DES)INFORMAÇÃO DA MEDIA

Escândalos, sangue, saque, acção, enfim. Tudo o que rompe a fronteira da normalidade faz manchete nos jornais e nos noticiários audiovisuais. Porém, recomendam os cânones que “só a verdade deve ser divulgada”, quanto mais se aconselha que ”todo o cuidado é pouco” no apuramento da veracidade dos factos.

Entre nós, se os escândalos, os saques e o sangue apetecem e aquecem à nossa comunicação social, atrás não fica a inverdade. E vou ater-me apenas a um facto que é o surgimento das “Renovadas” entre as nossas formações políticas. As facções e as suas lideranças trouxeram ao nosso discurso jornalístico uma grande confusão, pois a procura do escândalo, do anormal e do “politicamente correcto” acabam por confundir muito mais as populações, já quase despidas de informação credível, séria e rigorosa. Vejamos o que se tem passado:

Partidos como a Unita (felizmente já sem renovada, mas com muitos “fundadores”), Fnla, Prs, Pajoca-Pp, Padepa, entre outros de pouca expressão, trouxeram à esfera pública a ideia de uma bicefalia para uma mesma bandeira, mesmo existindo casos em que o Tribunal Supremo e ou o Tribunal Constitucional vieram ao público esclarecer quem era legal e quem era o impostor. Nestes casos, a media angolana tem sido pouco inteligente no uso da função formativa (da opinião publica) e da sua missão de informar com verdade, pois todos eram/são tidos como presidentes, em função do interesse, do momento ou das circunstâncias.

O caso mais sintomático terá sido o de Ngonda e Holden e depois Ngonda /Kabango da Fnla. Alexandre André (Pajoca) e Tetêmbua (ilegalizado) travam outro duelo na media, quanto à presidência do partido. No Prs, Kuangana e Muachikungo (ilegalizado) travam outro protagonismos mediático, com alguma media a atribuir o título de presidente a quem foi expulso do partido, há já dez anos e que viu a sua suposta ala negada pelo Tribunal Constitucional. No Padepa, depois do acórdão do Tribunal Supremo que dava razão a Carlos Leitão (então presidente) no diferendo que travava com Silva Cardoso e pares que o acusavam de ter rasurado os Estatutos do partido depositados naquele órgão de justiça, o novel Tribunal Constitucional acabou por legalizar a candidatura, às eleições legislativas, a facção de Silva Cardoso, empurrando para a ilegalidade aquele que era o presidente de jure, Carlos Leitão. E mais uma vez, a media não tem sabido dar as cabíveis explicações aos seus públicos, nem separar as coisas, ou melhor, dando “nomes aos bois”. Carlos Leitão é citado como presidente, tratamento semelhante reservado a Silva Cardoso. E o público pergunta:

_ É possível que um partido tenha dois presidentes? ou quem é o presidente de quem?

Perante um povo que perdeu o interesse pela política, devido aos efeitos da política em tempo de guerra e suas consequências, precisando por isso de uma repolitização, desinformações como essas acabam por criar, ainda mais, uma antipatia pelos fazedores de política, vistos como pessoas confusionistas, pouco sérias e oportunistas. Aqui, até mesmo os que incentivam as bicefalias ou os tratamentos dúbios, pela comunicação social, acabam por levar por tabela.

O realinhamento político-partidário, fruto das aceitações e negações de candidaturas às eleições legislativas, fazia antever, para a nossa media, uma definição quanto aos nomes e aos cargos mas, pelos discursos, parece tudo estar na mesma. O que se adivinhava claro escurece cada vez mais, sendo importante e urgente que alguém ouse em “pôr ordem no circo” e definir para a media e para sempre quem é quem.

Ao entrarmos para a Nova Angola, seria bom que não houvesse mais duas cabeças para uma mesma bandeira. E se os politiqueiros assim não o entenderem, nós, os da comunicação social, que soubéssemos distinguir quem é “o patrão e quem é o gavião”, valorizando os valorizados pelo Tribunal Constitucional e remetendo aos seus verdadeiros lugares aqueles que apenas apregoam confusão. Se assim procedermos, estaremos apenas perante um exercício favorável a uma informação limpa, verdadeira e pedagógica.


Luciano Canhanga

segunda-feira, setembro 08, 2008

VIVA O POVO!


Fomos às urnas e votamos. Escolhemos quem nos merece. Os números falam por si. Houve constrangimentos em Luanda e noutros locais de diversas províncias como a falta de boletins de votos ou de envelopes para os votos especiais. São constrangimentos que afectaram a todas as formações concorrentes e não a apenas uns. Por isso se houve lisura houve para todos. Quem está de parabéns somos nós, os angolanos que dissemos SIM AO VOTO MASSIVO.

O MPLA tem uma maioria absoluta, fruto do seu trabalho governativo e do convencimento do eleitorado ao longo da campanha plítica. O Grande perdedor destas eleições é, sobretudo, a UNITA que fica com menos de 50 deputados em relação à cessante legislatura. Perdeu também o PLD e todos os demais partidos que ficam abaixo dos resultados de 1992.

Quanto à UNITA, digo que pagou apenas os erros do seu antigo líder que desencadeou contra Angola e os angolanos uma guerra impiedosa durante 10 anos que nos serviriam para desenvolver o país depois das primeiras eleições. A UNITA só tem de se virar contra Savimbi e não evocar fantasmas. Virar-se contra Savimbi passará por uma grande regeneração e reflexão interna. Desligar-se dele definitivamente. Deixarem de imitar o seu falar…Deixar de usar a sua imagem na feitura de política doméstica, pois só lembra aos angolanos os anos de atraso a que se votou o país.

A Samakuva só resta um caminho: Aceitar o mais cedo possível os resultados, ainda que parciais, de modo a tranquilizar o povo que anda receioso. Em 1992 só voltamos aos tiros porque a mesma UNITA, carregada por Savimbi, ameaçou que “caso fossem divulgados os resultados das eleições o pais pegaria fogo”, chegando depois a negar os resultados tidos por todos observadores como “geralmente livres e justas”. Quererá Samakuva trazer medo e desconfiança? Sabendo que ele é homem de bem, com certeza que não fará o mesmo que Savimbi.

Sejamos coerentes, voltemos ao trabalho porque há pontes que aguardam por reparação e ou alargamento, estradas por concluir, casas por construir e fábricas por erguer.

Viva o povo e

Parabéns ao MPLA!


Luciano Canhanga

sábado, setembro 06, 2008

CUMPRIMOS VOTANDO



Entre os dias 5 e 6 de Setembro de 2008 o maior orgulho dos angolanos é (era) ter o indicador direito pintado de negro indelével.

E com uma grande afluências às assembleias de voto (muitas) espalhadas pelo país, os mais de 8 milhões e 300 mil eleitores disseram SIM aos apelos dos políticos e da Sociedade Civil para o voto. E cumprimos com o nosso dever cívico que é também um direito: VOTAR.
Luanda, a maior praça eleitoral, teve alguns constrangimentos logísticos que levaram o Presidente da CNE, Caetano de Sousa, a levar a "mão à palmatória", anunciando medidas excepcionais que consistiram na ampliação do tempo de votação, por mais um dia, em mais de trezentas assembleias de voto da capital angolana.

Depois de informações desencontradas sobre a lisura do processo, os mesmos detractores já vieram ao público dizer que está tudo OK. Ainda bem que assim o fizeram. Luiía Morgantini ,a voz mais ouvida dos observadores e que representa a União Europeia, teve de fazer desmentidos à imprensa estrangeira que a citava como tendo dito que "às primeiras horas da manhã do dia 5 de Setembro o processo era comparável a um escândalo".

De mãos dadas, não importando para que partido votar, tal qual o desejou Luke Dube, "Together as one", assim procedemos: Fizemos as nossas escolhas para esperar que
VENÇA O MELHOR!

Luciano Canhanga

quinta-feira, setembro 04, 2008

O MELHOR DISCURSO DO PDP-ANA

Se alguém perguntar, qual foi o melhor discurso passado no tempo de antena, quer na Rádio, quer na Televisão, pelo partido Pdp-ana, qualquer pessoa que tenha acompanhado a campanha política deste partido não terá outra resposta: Foi inequivocamente o de Mfulupinga N’Landu Victor, morto em Junho de 2004.

Durante o tempo de antena deste partido na TPA foi exibido, no dia 01/09/08, um dos mais concorridos comícios do finado líder do Pdp-Ana, nas proximidades do Kinaxixi (ainda se viam as paredes das antigas instalações).

O Matemático Mfulupinga, que até parecia ressuscitado, explicou aquilo que considerava ser o binómio da governação do Mpla, e dizia: “Quando há luz não há água e quando há água não há luz”…

Felizmente é um discurso já gasto pelo tempo e pela nova dinâmica que o país ganhou com a reconstrução de muitas infraestruturas sociais, mas lá estava um “pastor para ovelhas” no seu tempo.

No discurso, Mfulupinga pedia também aos seus correligionários e apoiantes que erguessem as mãos a Deus e pedissem para que este “perdoasse os pecados do Mpla” ao mesmo tempo em que “ajudasse o Pdp-Ana a ascender ao poder”.

É pena que Mfulupinga já não esteja entre os vivos para conferir os frutos dessa oração a Deus Poderoso.

É igualmente pena que o seu Pdp-Ana não consiga encontrar alguém que se encoste aos pés do seu antigo líder, para com o mesmo vigor, apelar ao voto, ainda que fosse com outro discurso e para outros ouvintes.

Enquanto tal não acontece, o povo terá apenas uma solução: Votar X no X e esperar que a oposição encontre outro Mfulupinga. Um homem que lute pelo poder usando apenas a palavra e jamais as balas. Um homem que saiba estar na oposição, abrindo caminho para o despertar dos que se julguem excluídos. Já que é no Parlamento que se deve cobrar a aplicação das promessas eleitorais, lá é o lugar da oposição, onde Mfulupinga soube estar.

Luciano Canhanga

terça-feira, setembro 02, 2008

(RE)VIVER O COMUNISMO

Revivi o Comunismo. Não na vertente científico-filosófica como o definiram Marx e Engels, mas na vertente vivencial. No sentido de partilha do tudo por todos em comunidade.

Passar dias numa comunidade Rural de Angola é reviver momentos inolvidáveis de uma educação comunitária, onde os filhos são de todos (entenda-se: da comunidade), sendo a sua formação profissional e intelectual uma obrigação também de todos.

Aprendi e nestas vivências a respeitar todo o adulto masculino como meu pai ou irmão ou avô e toda adulta feminina como mãe, irmã ou avó. Princípios que há muito desapareceram nas comunidades urbanas como Luanda, onde me radiquei há 24 anos.

Revivi o gosto da partilha de bens pela comunidade, sobretudo pelos membros consanguíneos. E para me recordar desta necessidade, minha mãe recitou um velho adágio: ki’ovalo kia kuokia, ka ki teleka! (O de família não se cozinha. Assa-se!) E assim, a “minha velha” foi repartindo os peixinhos que levei, dois a dois ou um a um, em função do agregado das suas parentes. O certo é que ninguém ficou a ver navios. Excelente lição para os nossos novos hábitos egoístas!

Reaprendi também que quando um visitante se destina a uma casa este não é apenas hóspede de uma pessoa em concreto, mas de todos os parentes. Assim os meus dois dias foram passados de convite em convite para almoços e jantares, tendo mais uma vez a minha mãe ficado sem servir, sequer, uma refeição. E muitos ainda se sentiram menosprezados por não haver estômago que respondesse aos inúmeros convites. Outra lição aprendida na Localidade de Pedra escrita, município do Libolo, Kuanza-Sul.

Luciano Canhanga

domingo, agosto 31, 2008

O (FRACO) DISCURSO DA OPOSIÇÃO ANGOLANA


Quem ouve o tempo de antena e ou assiste aos programas na TV facilmente conclui que há fraqueza no Discurso Mobilizador da oposição angolana.

1- Por que querem os políticos da oposição que votemos neles, se nada nos dizem sobre o que de concreto vão fazer no parlamento?
2- Não seria o Parlamento o local onde ao exercerem a acção fiscalizadora, mereceriam a confiança ou não do povo para a vitória nas eleições de 2012?
3- Por que hei de votar em quem nunca governou e que nem quadros tem para preencher os seus secretariados provinciais?

4- Porquê que todos querem governar e ninguém se predispõe a fiscalizar o vencedor das eleições?

Os espaços de antena, na RNA e TPA, são preenchidos maioritariamente com música, imagens antigas do tempo da guerra (deslocados) entre outras já desactualizadas.

Quanto aos discursos, vemos uns a perguntarem aos eleitores se já ouviram falar da sua formação política e a levarem um NÃO, outros a lerem textos sem contexto diante de câmaras de TV, e outros tantos a limitarem-se a chamar os eleitores a votarem no seu partido, sem que expliquem as razões para tal opção, ou no mínimo explicarem o que darão/farão ao povo depois da votação.

Tendo em conta ao que se vê -nenhum partido opositor está em condições de ganhar as eleições, e nem mesmos todos coligados- seria de extrema importância que os políticos e politiqueiros direccionassem os seus discursos para o papel a desempenhar no Parlamento ao longo da legislatura 2008/2012 e aí afirmarem-se como os “olhos do povo” e realizar, com afinco, o papel fiscalizador. Seria essa, a meu ver, a única promessa que levaria os eleitores a mudar de opção de voto.

Quanto ao resto, são palavras e imagens que o vento se encarrega todos os dias de levar ao esquecimento. E quem viver verá. Faltam apenas CINCO dias!

Luciano Canhanga

quinta-feira, agosto 28, 2008

AO VOLANTE DE LUANDA AO HUAMBO/KUITO


Há seis anos era um sonho irrealizável. Hoje, só não vai quem não quer. Depois de quatro viagens no “lugar do pendura”, desta vez peguei no meu Nissan Almera e desafiei a distância. De Luanda ao Huambo e do Huambo ao Kuito/Bié em 11 horas de viagem. Mais de 760Km... Atravessando os mais distintos relevos. Planícies, Montanhas, Planaltos, Prados (Anharas), Florestas, etc.

Aqueles que eram os obstáculos na estrada (buracos) foram completamente eliminados. Luanda e Huambo estão hoje ligados por uma estrada completamente reabilitada e com grande parte do seu trecho devidamente sinalizado. Por fazer apenas pequenos serviços como a conclusão da sinalização vertical e horizontal e a ampliação das pontes que devem ter as mesmas dimensões do actual padrão das estradas, ou seja, 10 metros de largura.

Pontes como as colocadas sobre os Rios Nhia, Keve, entre outras, foram reabilitadas do zero, conferindo uma segurança reforçada.

Do Huambo ao Kuito outros trabalhos na estrada em estado avançado. Da antiga localidade de Boas Águas, ao Tchicala Tcholoanga e Katchiungo, quem por lá passa ri de alegria. “Tudo Novo, meu filho, o país está andar p’ra frente”, assim mesmo, desabafou Manuel Epalanga, um ancião companheiro de viagem.

São os ventos da mudança que há muito se pretendia. O país está a mudar. E para melhor!

Luciano Canhanga (11.08.08)

domingo, agosto 24, 2008

O LIBOLO E AS PALMAS QUE O POVO BATE


Nas comunidades rurais uma das manifestações de regozijo consiste nas salvas de palmas. E é exactamente isso que os angolanos do mar ao Leste e de Cabinda ao Cunene têm feito nos últimos dias, em função da reposição e criação de alguns bens e serviços essenciais à sua existência.

No Libolo também é assim: O Governo faz e o povo bate palmas em gesto de agradecimento.

Depois da reparação das principais estradas que foram reasfaltadas e outras asfaltadas pala primeira vez, como a que vai à comuna da Cabuta, o executivo cuida agora dos acessos terciários. Antigas picadas legadas por décadas ao esquecimento, recebem agora obras de terraplenagem, ao passo que muitas aldeias e pequenos aglomerados populacionais anteriormente atingíveis apenas por atalhos pedestres recebem agora visitas de automobilistas. “Não está ainda como no tempo colonial, mas o povo já está muito contente”, disse Cornélio Njamba, 78 anos, entrevistado na Aldeia de Pedra Escrita.

Na comuna da Munenga, por exemplo, as aldeias de Calombo, Bango de Cuteca, Kipela entre outras, que há muito não ouviam o roncar de um carro, os aldeões têm hoje as vidas facilitadas no que diz respeito às deslocações e escoamento dos excedentes das suas produções agrícolas para os mercados do Dondo e de Luanda. A picada está reabilitada e contou com a colocação de novos aquedutos.

Quem conhece o passado recente destes povos descobre hoje, e com facilidade, um novo sorriso. A nudez aos poucos desaparece. A má nutrição aguda e as anemias entre as crianças vão passando para a História e a língua que nos une, o português, já é falado em todas as casas e por todas as crianças, independentemente da origem e formação dos seus progenitores. “Hoje, bailundos e kimbundos estamos todos unidos e os nossos filhos só aprendem português”, confirmou Maria Massaca.

As autoridades e as comunidades organizadas vão fazendo o que podem e os beneficiários batem palmas, mas como não há bela sem senão, faltam ainda escolas e postos de saúde em muitos aglomerados populacionais, como o da Pedra escrita que conta com mais de 2000 habitantes, entre adultos e crianças.

Aqui, o secretário da aldeia diz que o povo já cumpriu com a unificação do povoado, restando do governo a construção de uma escola definitiva e de um centro médico. “Fruto dessas carências, muitos adolescentes e jovens não sabem assinar os seus nomes, assim como muitas doenças são tratadas por enfermeiros com competência duvidosa”, disse a terminar Martinho Pambasanje.

Para afogar os lamentos surgem os fins-de-semana futebolísticos com o Recreativo do Libolo a elevar a alegria dos libolenses. O seu embaixador no Girabola (Primeira divisão do Campeonato angolano de futebol), que na 19ª jornada foi a Benguela derrotar o Primeiro de Maio por 0-1, é já o símbolo de unidade de todos os libolenses e Kuanza sulinos em geral.

Luciano Canhanga
(Na foto a vila de Calulo)

quinta-feira, agosto 21, 2008

NA TERCEIRA CAIU O “REI”


Onde há trabalho nem sempre os nomes cantam mais alto. Em Angola e em África, quando se fala sobre Futebol de “primeira água”, o Petro Atlético de Luanda é sempre uma equipa a ter em conta, pois trata-se da equipa mais titulada do principal campeonato caseiro de futebol e com história em competições sob a égide da CAF (Confederação Africana de Futebol). E que tal do Recreativo do Libolo?

Um mero estreante à principal liga angolana de futebol, e mais ainda, uma equipa oriunda de um município interior da província do Kuanza-Sul. Porém, este estreante, já tem páginas escritas na história da modalidade em Angola, ao longo de 19 jogos oficiais já efectuados, desde que ascendeu à 1ª divisão.

No campeonato, soma 31 pontos, na quarta posição. Em 19 partidas realizadas, perdeu apenas por duas vezes e contra o Petro de Luanda, sendo a primeira por 2-0 e a segunda por 1-2, diante do mesmo carrasco que, caiu na terceira partida entre ambas.

Depois da vitória no Estádio Patrice Lumumba, em Calulo, reduto do Recreativo do Libolo, os petrolíferos de Luanda foram travados em sua própria casa, por 0-1, em jogo pontuável para os oitavos de final da taça de Angola, a segunda maior competição do país, realizado na tarde de domingo, dia 10 de Agosto de 2008.

O Libolo faz assim História ao inverter a música dos adeptos petrolíferos que entoavam a canção “Óh Libolo sai do caminho, que o Petro quer passar”. Desta vez passou o Libolo em pleno Estádio Nacional da Cidadela, o recinto do Atlético Petróleos de Luanda.

Olhando para as duas competições, No Campeonato, o Libolo com 31 pontos, ainda pode ser campeão, tendo em conta as probabilidades matemáticas. O Petro tem 41 pontos, numa altura em que restam ainda por disputar 21 pontos de 7 jogos. Na traça de Angola, o Petro já não tem sonho. O sistema de eliminatórias directas coloca-o definitivamente fora da competição.

Sem desprimor pelos adversários, do Girabola (campeonato) e da Taça de Angola, afirmo, e de viva voz, que o Atlético Recreativo do Libolo pode representar o país nas AFRO TAÇAS e para lá chegar, à equipa, só se pedirá trabalho e disciplina. Pois, mesmo sem tradição e experiência, os resultados estão à mostra. Para calar os mais inquietos detractores, o Libolo despachou em sua casa, na 19ª jornada do Girabola o histórico Primeiro de Maio de Benguela. Gostava agora de voltar a ouvir a música que apela ao caminho livre. Quem deverá sair do caminho no próximo jogo contra os militares?

Aproveitando o espaço que o Jornal dos Desportos me concede, deixo aqui uma réplica ao meu amigo Carlos Calongo Adão quando se referia, nos dois artigos publicados neste jornal com o título “Missão Libolo”, que … “pai e filho, treinador principal e adjunto do 1º de Agosto, foram punidos na sequência do jogo que o clube do Rio Seco disputou no Libolo, ajuizado pelo árbitro Jorge Magalhães, que ao que se diz, fez de tudo para que, no mínimo, o Clube Central das Forças Armadas Angolanas não conquistasse os três pontos em casa do adversário...” como antigo iniciado do Kambuco Futebol Clube, embora seja até adepto do Petro, vou dizer que fazer uma afirmação com tal é passar à tangente dos factos.

Mais do que simpatias e “militismos” desmedidos aguardemos pela terceira partida entre o Libolo e o D’Agosto que pode ser de vez!

Onde há trabalho, nem sempre a voz dos altos chega mais longe. Que o digam o D’Agosto, o Petro e o De Maio (os papões do nosso futebol)!

Luciano Canhanga
Na escadaria da fortaleza de Calulo)

segunda-feira, agosto 18, 2008

ENQUANTO ANGOLANOS DORMEM CHINESES "DEVORAM" TARTARUGAS


Fixe o seu olhar sobre a imagem. O animal que se tenta esconder num saco de ráfia é uma jovem tartaruga marinha, capturada na costa de Luanda ou noutra próxima da capital. A viatura em que seguiam um cidadão nacional e um chinês foi vista parada na estrada Deolinda Rodrigues, junto ao mercado dos congoleses, na tarde do dia 14 de Agosto de 2008.

Perante a aflição, o animal ainda conseguiu rebentar o saco e evadir-se da carrinha. Mas o chinês e o seu ajudante angolano, que ia ao volante, lá pararam para comprar outros sacos, a fim de poderem esconder a tartaruga dos olhos dos patriotas angolanos.

Apenas duas frases se puderam captar do ajudante do chinês que não quis se identificar: que o animal não era dele e que não sabia qual o destino certo da tartaruga, se o estômago dos chineses ou a China. O angolano disse ainda que era a segundo animal do género que transportava, a pedido dos chineses ao serviço da GNR e com instalações em Viana.

Casos como esses não devem ser isolados por toda Angola. Abate de animais em risco de extinção, delapidação de minerais preciosos, entre outros bens dos angolanos. Populares que vêm do Ebo, província do Kuanza-Sul, contam que determinadas zonas cujo acesso era, desde o tempo colonial, proibido aos autóctones, são hoje as predilectas dos chineses que mergulham com sacos trazendo areias das profundezas do rio.

Será esse o “preço adicional da reconstrução”, ou enquanto dormimos os chineses vêem-se com tudo, até para devorarem as nossas tartarugas?

Luciano Canhanga

sexta-feira, agosto 15, 2008

FORTALEZA DE CALULO


Palco de violentos e encarniçados combates, primeiro entre Forças de Ocupação Colonial e os nossos heróis da resistência (nos Sec. XIX e XX), depois entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação Nacional (1961-1975), e mais tarde ainda entre as FAPLA/FAA e Forças da rebelião (1975-2002), a fortaleza de Calulo foi sempre o último bastião, a cair, das forças que a detinham.
Fruto dos inúmeros golpes que sofreu ao longo da sua existência, ela foi sendo beliscada nas sua estrutura pela acção da guerra e do desgaste natural, visto nunca ter beneficiado de obras de restauro.

Para perpetuar este importante monumento histórico dos libolenses e do país em geral, a Fortaleza de Calulo recebe já obras de beneficiação que consistem na colocação de uma cintura em pedras ao longo da sua extensão, (trabalhos já concluídos), a que se seguirão outros trabalhos de reabilitação de partes do muro em Pedras.
Dados disponíveis apontam que a Fortaleza de Calulo, ou do Libolo, foi mandada construir em finais do séc. XIX, tendo em 1917 a população se levantado contra as forças coloniais portuguesas.
Fortaleza de Calulo foi até perto do ano de 2000 um reduto militar, por isso, com entradas restritas. Bem à direita da sua entrada está o Palácio Municipal.

Hoje, a Fortaleza está aberta ao público e sobretudo aos estudantes que vão aprendendo um pouco mais sobre a história dos “Akua Lubolo”. O forte, acolhe no seu interior as antenas e cabines repetidoras da TPA e RNA.

Depois de concluídas as obras de que beneficia, e para um melhor serviço aos estudantes e turistas, ela carecerá de um guia bem treinado que passará a traduzir aos visitantes a grandeza, importância e história do Libolo e seus povos.

Mociano Canhanga, Argentina Matos, Rosa Cristina, Paula Maria e Deodato Muhongo são o exemplo de muitos estudantes e turistas que idos de Luanda, confirmam no terreno as histórias aprendidas na escola e ou contadas pelos pais, naturais do Libolo.

Luciano Canhanga

terça-feira, agosto 05, 2008

VIAGEM SOBRE RODAS: PERIGO SEMPRE À ESPREITA


A paz que o país vive e a reparação de que beneficiam as nossas estradas têm servido de convite às viagens sobre rodas.

Assim, muitas localidades, anteriormente inatingíveis por estrada são hoje trilhadas, diariamente, por centenas de carros que dão vida às vilas e aldeias interiores, bem como às com unidades ao longo das estradas. Porém, apesar das vantagens e dos benefícios trazidos pelo incremento da circulação rodoviária, um pouco pelo país, há outros aspectos negativos que merecem aqui alguma atenção. Quero referir-me ao excesso de velocidade, imprudência, trabalhos na via e má finalização das obras nas estradas.


a) Causa principal dos inúmeros acidentes de viação que se verificam pelas nossas estradas interiores e com elevados prejuízos humanos e materiais, os excessos de velocidade devem ser motivo de reflexão e prevenção. Quem viaja sobre rodas facilmente dará conta que apesar de terem sido retirados das bermas das estradas todas as “sobras da guerra”, as nossas rodovias voltaram a estar repletas de esqueletos de viaturas acidentadas e ou incendiadas. Concorrem para tal o desconhecimento das vias (curvas apertadas, descidas de elevado declive, entre outros factores).


b) Imprudência: é outra causa de acidentes e incidentes nas estradas. Muitos procedem como que as rodovias fossem propriedade apenas sua. Circulam em faixas alheias, não respeitam a sinalização (quando esta existe), não respeitam a ordem de prioridade nos entroncamentos e cruzamentos, não respeitam a tonelagem permitidas em pontes condicionadas, muito menos observam as normas de segurança pessoal e dos meios à sua guarda. Campanhas de prevenção rodoviária e aplicação rigorosa de multas, sem recurso às “gasosas”, não seria um castigo, mas sim um bem que “quem de direito” prestaria ao país.


c) Uma boa circulação dependerá sempre da existência de boa estradas. Boas estradas dependem de obras de restauro e manutenção. Porém, obras na via sem a devida sinalização têm servido de autênticas armadilhas, sobretudo para os camionistas que usam a noite como o tempo propício para carregar o acelerador. A ampliação de pontes tem levado a que sejam criados pequenos desvios para picadas. Até aqui tudo bem, mas quando a advertência para a entrada em estrada alternativa é feita em cima da curva, as consequências são as que vemos: capotamentos, quedas de contentores, rebentamento de pneus, devido a travagens repentinas, entre outros sinistros.


d) O mau acabamento das obras nas estradas é outro mal que concorre para o aumento de acidentes nas rodovias. Muitas estradas reasfaltadas apresentam excessivas e desnecessárias lombas ou inclinações, junto às curvas o que, por si só, desorienta o condutor e desestabiliza o veículo, dada a quebra da aderência dos pneumáticos. Por outro lado, e aqui podemos citar o troço da estrada EN 210 que vai da ponte do Kuanza ao desvio da Munenga, muitas estradas com menos de um ano já apresentam mais buracos do que o asfalto pré-existente, deixado pelos colonos. Há alguma explicação para tal?


É que todos circulam sobre estes trechos, vêem e sofrem na pele e nos bolsos as consequências destas obras mal concluídas: Acidentes por despistes, molas e direcções partidas, entre outras estórias que todos os automobilistas contam.

Luciano Canhanga

quarta-feira, julho 30, 2008

O LIBOLO ESTÁ NA MODA


Quando em 1988 ensaiei os primeiros e únicos toques de bola, no Cambuco Futebol Clube, com o professor Quim-Quim, nunca me passou pela cabeça, nem a mim, nem aos meus colegas, nem mesmo ao Quim-Quim, que transcorridos anos, aquele Clube seria hoje o orgulho de todos. E não é em Vão que sempre que me refiro à melhor equipa de Futebol do país, as pessoas olham para mim e logo perguntam: é ao Libolo que te referes?

- Pois claro!

O Desportivo do Libolo, esta equipa que para a sua qualificação ao campeonato principal de futebol em Angola, teve de esperar por um jogo entre o Desportivo da Caála e o Onze Bravos do Maquis, já no fim do campeonato, pois a FAF tinha dado como procedente uma reclamação do Caála, devido a uma falta de comparência que lhe havia sido averbada, teve ainda o azar de ter sido baptizada pelo valente D’Agosto que lhe infringiu uma derrota de 4-0 na cidadela.

Pouco ou ninguém mesmo acreditava numa reviravolta, tirando os seus jogadores, os técnicos, os patrocinadores, e nós, os libolenses que todos os dias juntamos as nossas sinergias, para, onde quer que estejamos, gritarmos bem alto o nome da equipa que nos representa.
Depois de um empate diante do D’Agosto com sabor à desforra, depois de termos passado pelo ASA, INTER e outras equipas, tidas como do nosso campeonato, é chegada a hora de travarmos o líder do campeonato, Petro de Luanda. Força e vontade é o que em nós mais transborda. Luta e suor, isso haverá até ao apito final do árbitro. E para fazer com que sigamos de vitória em vitória até ao erguer da taça, mais do que assistir aos jogos e pagar quotas, se é que já se pagam, o Libolo precisa de fidelizar a sua massa associativa.

Ter os seus próprios adeptos e partir, tão cedo, para a criação de uma SAD/Empresa com vários serviços em prol do emblema.

O LIBOLO Precisa de criar a sua marca e geri-la de acordo com as perspectivas e necessidades do momento. Precisará de implementar o “marchandizing” e “marketizar” a marca.

Precisará ainda de produzir e vender produtos. Colocar à disposição dos adeptos os feitores das alegrias dos libolenses para fotos e autógrafos.

Criar um Site onde se registem os principais acontecimentos da vida do clube permitindo assim a internacionalização do nome e da marca.
Os momentos altos devem ser aproveitados para se fazerem os grandes alicerces de modo que as nossas alegrias não se transformem em choros no amanhã, como terá acontecido com os Andorinhas ou Sporting, ARA, entre outras equipas que ascenderam ao Girabola e de imediato desapareceram.

O LIBOLO ESTÁ NA MODA! O LIBOLO DEVE SER UMA MARCA!

Luciano Canhanga

quinta-feira, julho 24, 2008

QUERO SER PAI: ALUNO NA AULA DE CIÊNCIAS INTEGRADAS

Na aula de ciências integradas, terceira classe do ensino oficial angolano, o professor falava de profissões. Estávamos no ano de 1997. A fome ainda apertava muitos lares. Com ela o analfabetismo e a desvalorização da criança na família.


E o professor ia perguntando.
Joana, eu sou jornalista e professor: Quando fores grande que queres ser?
- Eu, sô pessor, enfermera.
Ok, disse o professor. _ E tú, Miguel?
-Taxista, professor.
Mas taxista porquê? perguntou o mestre.
_ Porque faz muito dinheiro e tem bué de blai's (mulheres).
E o Matadidi que espera ser?
- Eu quero ser pai, sô pressor!
Pai, como assim? indagou o professor.
Porque os pais "comeum" bué!


O aluno não foi maltratado, mas moral para se dar sequência à aula já não havia. E teve de ser dada uma pequena borla, antes do intervalo, para retomar a lição no tempo que estava reservado à aula de Português.

Obs: facto vivido
Luciano Canhanga

sexta-feira, julho 18, 2008

“O NOSSO REI VAI ENTRAR NA TRIBUNA”


É título duma canção antiga do Carnaval, ainda, da Vitória. Mas a citação serve hoje para me referir ao herdeiro dos Ekuikui’s, reis da Mbala yo Lundu (Bailundu).

7. Katyopololo Ekuikui IV (na foto de branco), rei do Bailundo, é o número sete da lista dos Deputados à Assembleia nacional propostos pelo MPLA.

O Velho, já acima dos oitenta, é pouco falador, pelo menos em português. Em Umbundo, sua língua materna e de trabalho, ele fala e muito bem. E gostaria de ouvi-lo e vê-lo expor as suas ideias num parlamento que ficará sem o Kota Uanhenga Xito (Ti-Mendes de Carvalho). Pena mesmo é que lhe vão exigir que se expresse em “língua alheia”, ficando assim apenas a fazer número ou a descontar um pouco de sono, já que a guerra vivida fez com que o rei Katyopololo ficasse muitas noites a fio.

Enquanto jornalista, já entrevistei por duas vezes. A Primeira foi em 2002 no Bailundo aquando da inauguração, pelo PAM de uma pequena ponte metálica, a poucos quilómetros da municipalidade. A segunda vez foi no congresso do MPLA em 2003. E notei que têm ideias. Mas as expões melhor quando interrogado na sua língua, umbundu.

8. Luís Nguimbi é oitavo da lista. O Secretário-Geral do CICA- Conselho de Igrejas Cristãs de Angola foi acenado e não resistiu. Apenas resta saber se vai acumular ou se vai abdicar do cargo eclesiástico.
No lugar 51 da lista está: Autoridade Tradicional das Lundas. Sei que há um rei e um diferendo entre a realeza. Estou pouco documentado sobre os critérios de escolha do soberano Lunda e se aquele que reina na Lunda Sul também o faz na Norte. Se calhar o proponente terá pensado nisso ao indicar apenas na posição 51-Autoridade Tradicional das Lundas. E a pergunta é quem é?
66. Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento e 71. Fernando José de França Dias Van-Dúnen foram reconduzidos, mas Marcolino Moco ficou de fora. Os três já foram “Premier” de um mesmo governo, o do MPLA, e cada um saiu como saiu.

Na posição 93. Welwitchia dos Santos Pêgo é a filha mediática do Chefe de Estado. 99. Fabrice Alcebíades Maieco (Akwá) também foi proposto e pode entrar aquando dos reajustes, tendo em conta que muitos da linha da frente são também ministros ou "ministeriáveis". Terá, Akwá, boca para mandar no parlamento? Ou será dos que vão apenas fazer número?

São 130 efectivos propostos. Quanto aos suplentes deixo para si as considerações.
SUPLENTES
1. Rosária Chandalawa Capamba
2. Manuel Teodoro Quarta
3. Manuel Figueira Calunga
4. Isabel Malunga
5. José Gabriel Paiva “Coração de Angola”
6. Elisa Wiemba
7. Pedro Sebastião Teta
8. Vasco Pedro José
9. Maria de Lourdes Veiga
10. Rodeth Teresa Maquina dos Santos
11. Maria Sebita João Pertence
12. Palmira Leitão Barbosa
13. Domingos Manuel Nginga
14. Eufrazina Teodoro
15. Luís Domingos
16. Eufémia Ambeleleni
17. Afonso Morais Kuedy
18. Jorge Marques “John Bella”
19. Paula Simons
20. Maria Mpava Medina
21. Filomena José Trindade
22. Maria Teresa de Jesus António Komba
23. Jorge Leão Peres
24. Milton Malheiro D. da Silva
25. Hermínia S. Mateus Mac-Mahon
26. Américo Kwononoca
27. Ananias Escórcio
28. Manuel Francisco Tuta “Batalha de Angola”
29. Eduardo Gomes Nelumba
30. Manso João Miranda Pascoal
31. Maria de Lourdes Carneiro Alves
32. Manuel Viage
33. Maria Fernanda de Carvalho Francisco
34. João Baptista de Matos
35. Margarida Ulissavo
36. Agostinho José Neto
37. Maria Idalina Victória Pereira
38. Maria do Carmo Nascimento
39. Maria Salvadora Vasconcelos
40. Catarina Béua
41. Mateus Miguel Ângelo “Vietname”
42. Antónia Nelumba
43. Jacinta F. Rocha Santos
44. Amélia Ngonga
45. António Rosa

Publicado por: Luciano Canhanga

domingo, julho 13, 2008

ABC da IURD: É FILANTROPIA OU PUBLICIDADE?


Sempre que olhei para o aparato promocional e publicitário da "nossa" AJAPRAZ -Associação de Jovens Angolanos Provenientes da Zâmbia-* (?) nunca me passou pela cabeça que um dia esta organização "politico-filantrópica" viesse a ganhar um concorrente ao seu pé, e que directa ou indirectamente se socorre também do dinheiro dos pobres e ricos distraídos.

Quero refiro-me à ABC (Associação de beneficência Cristã), o rosto propagandístico-social da IURD.

Se o que os move é apenas caridade, porquê de tanta publicidade como se de uma campanha eleitoral estivesse a participar?

É que os propagandista nem se dão ao trabalho de pensar que uma mulher por mais que ore não engravida sem homem ao lado e sem que aconteça a ovulação no período correspondente à cópula. Ignoram isso julgando-nos cegos de tudo. E também vão ignorando outras coisas como ter a ABC à frente de uma suposta caridade que no fundo tem como objectivo levar mais dinheiro para o Brasil e outras paragens.

Venha cá alguém dizer que se justifica tanto dinheiro gasto em publicidade de pequenas Acções sociais da ABC. É que qualquer “homem de olho atento” pode notar que gasta-se mais em publicidade da ABC e IURD do que se dá aos “pobres”.

Sempre desconfiei de gatos escondidos com cauda de fora.

A ABC da IURD: É Filantropia ou Publicidade?


* Digo nossa porque vive a custa do nosso dinheiro público, pois é tida pelo governo como instituição de utilidade pública e por isso subvencionada.

Luciano Canhanga

terça-feira, julho 08, 2008

A LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DO KUANZA-SUL NO MAPA DE ANGOLA


Quando o agora Dr. Mário Guerra ler estas frases óbvio que se lembrará de um debate tido na LAC em 1997. Estávamos a sair do IMEL, curso médio de Jornalismo. Ele, o Mário, já era jornalista daquela casa emissora. Uma colega minha, que agora é vedeta na TPA, dissera em um texto lido ao microfone, que o município do Wako-Kungo estava localizado na província do Huambo.

Tenha sido engano ou puro desconhecimento dela, óbvio que hoje ela já não é a mesma pessoa de há 11 anos. Volto aqui para, mais uma vez, debater a localização do Kuanza Sul no Mapa de Angola.

Acabo de ler na ANGOP uma prosa desportiva em que se diz que Libolo é um município do Sul de Angola. Só pode ser doutra província que não seja a do Kuanza-Sul!

Já por várias vezes fui chamado de “sulano” (sulino é o correcto). Até que me agrada e porque me identifico quer com os homens do Centro, erradamente tratados por sulinos, quer com os do norte, região a que julgo pertencer.

Olhando para o Mapa de Angola e se o tivermos que repartir em 4, nomeadamente: Norte, Centro Sul e Leste. Encontraremos no Centro as Províncias do Huambo, Bié e Benguela. Pela sua posição podemos também enquadrar neste espaço geofísico o Kuanza Sul (a Norte do Centro e a Huila (a Sul do Centro).

No Norte estão o Kuanza-Norte, Bengo, Luanda, Malanje, Uige, Zaire e Cabinda. No Leste (Nordeste) encontramos o Moxico, Lunda Sul e Lunda Norte, havendo quem coloque Malanje, pela sua extensão neste grupo. Ao sul encontramos as províncias do Namibe, Cunene e Kuando-Kubango, havendo igualmente quem coloque aqui a província da Huila.

Nota-se que as províncias que podem ser colocadas em mais do que um grupo são zonas de transição.

E a transição não é apenas geográfica, é também etnolinguística e cultural, dai, os povos do Kuanza-Sul, por exemplo, se identificarem com os do Centro e os do Norte. Mas, Província do Sul, meus senhores, isso não! Kuanza-Sul, nunca foi e nunca será sul de Angola, a menos que se esteja a olhar para um outro Mapa!


=Luciano Canhanga=