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terça-feira, setembro 02, 2008

(RE)VIVER O COMUNISMO

Revivi o Comunismo. Não na vertente científico-filosófica como o definiram Marx e Engels, mas na vertente vivencial. No sentido de partilha do tudo por todos em comunidade.

Passar dias numa comunidade Rural de Angola é reviver momentos inolvidáveis de uma educação comunitária, onde os filhos são de todos (entenda-se: da comunidade), sendo a sua formação profissional e intelectual uma obrigação também de todos.

Aprendi e nestas vivências a respeitar todo o adulto masculino como meu pai ou irmão ou avô e toda adulta feminina como mãe, irmã ou avó. Princípios que há muito desapareceram nas comunidades urbanas como Luanda, onde me radiquei há 24 anos.

Revivi o gosto da partilha de bens pela comunidade, sobretudo pelos membros consanguíneos. E para me recordar desta necessidade, minha mãe recitou um velho adágio: ki’ovalo kia kuokia, ka ki teleka! (O de família não se cozinha. Assa-se!) E assim, a “minha velha” foi repartindo os peixinhos que levei, dois a dois ou um a um, em função do agregado das suas parentes. O certo é que ninguém ficou a ver navios. Excelente lição para os nossos novos hábitos egoístas!

Reaprendi também que quando um visitante se destina a uma casa este não é apenas hóspede de uma pessoa em concreto, mas de todos os parentes. Assim os meus dois dias foram passados de convite em convite para almoços e jantares, tendo mais uma vez a minha mãe ficado sem servir, sequer, uma refeição. E muitos ainda se sentiram menosprezados por não haver estômago que respondesse aos inúmeros convites. Outra lição aprendida na Localidade de Pedra escrita, município do Libolo, Kuanza-Sul.

Luciano Canhanga

domingo, agosto 31, 2008

O (FRACO) DISCURSO DA OPOSIÇÃO ANGOLANA


Quem ouve o tempo de antena e ou assiste aos programas na TV facilmente conclui que há fraqueza no Discurso Mobilizador da oposição angolana.

1- Por que querem os políticos da oposição que votemos neles, se nada nos dizem sobre o que de concreto vão fazer no parlamento?
2- Não seria o Parlamento o local onde ao exercerem a acção fiscalizadora, mereceriam a confiança ou não do povo para a vitória nas eleições de 2012?
3- Por que hei de votar em quem nunca governou e que nem quadros tem para preencher os seus secretariados provinciais?

4- Porquê que todos querem governar e ninguém se predispõe a fiscalizar o vencedor das eleições?

Os espaços de antena, na RNA e TPA, são preenchidos maioritariamente com música, imagens antigas do tempo da guerra (deslocados) entre outras já desactualizadas.

Quanto aos discursos, vemos uns a perguntarem aos eleitores se já ouviram falar da sua formação política e a levarem um NÃO, outros a lerem textos sem contexto diante de câmaras de TV, e outros tantos a limitarem-se a chamar os eleitores a votarem no seu partido, sem que expliquem as razões para tal opção, ou no mínimo explicarem o que darão/farão ao povo depois da votação.

Tendo em conta ao que se vê -nenhum partido opositor está em condições de ganhar as eleições, e nem mesmos todos coligados- seria de extrema importância que os políticos e politiqueiros direccionassem os seus discursos para o papel a desempenhar no Parlamento ao longo da legislatura 2008/2012 e aí afirmarem-se como os “olhos do povo” e realizar, com afinco, o papel fiscalizador. Seria essa, a meu ver, a única promessa que levaria os eleitores a mudar de opção de voto.

Quanto ao resto, são palavras e imagens que o vento se encarrega todos os dias de levar ao esquecimento. E quem viver verá. Faltam apenas CINCO dias!

Luciano Canhanga

quinta-feira, agosto 28, 2008

AO VOLANTE DE LUANDA AO HUAMBO/KUITO


Há seis anos era um sonho irrealizável. Hoje, só não vai quem não quer. Depois de quatro viagens no “lugar do pendura”, desta vez peguei no meu Nissan Almera e desafiei a distância. De Luanda ao Huambo e do Huambo ao Kuito/Bié em 11 horas de viagem. Mais de 760Km... Atravessando os mais distintos relevos. Planícies, Montanhas, Planaltos, Prados (Anharas), Florestas, etc.

Aqueles que eram os obstáculos na estrada (buracos) foram completamente eliminados. Luanda e Huambo estão hoje ligados por uma estrada completamente reabilitada e com grande parte do seu trecho devidamente sinalizado. Por fazer apenas pequenos serviços como a conclusão da sinalização vertical e horizontal e a ampliação das pontes que devem ter as mesmas dimensões do actual padrão das estradas, ou seja, 10 metros de largura.

Pontes como as colocadas sobre os Rios Nhia, Keve, entre outras, foram reabilitadas do zero, conferindo uma segurança reforçada.

Do Huambo ao Kuito outros trabalhos na estrada em estado avançado. Da antiga localidade de Boas Águas, ao Tchicala Tcholoanga e Katchiungo, quem por lá passa ri de alegria. “Tudo Novo, meu filho, o país está andar p’ra frente”, assim mesmo, desabafou Manuel Epalanga, um ancião companheiro de viagem.

São os ventos da mudança que há muito se pretendia. O país está a mudar. E para melhor!

Luciano Canhanga (11.08.08)

domingo, agosto 24, 2008

O LIBOLO E AS PALMAS QUE O POVO BATE


Nas comunidades rurais uma das manifestações de regozijo consiste nas salvas de palmas. E é exactamente isso que os angolanos do mar ao Leste e de Cabinda ao Cunene têm feito nos últimos dias, em função da reposição e criação de alguns bens e serviços essenciais à sua existência.

No Libolo também é assim: O Governo faz e o povo bate palmas em gesto de agradecimento.

Depois da reparação das principais estradas que foram reasfaltadas e outras asfaltadas pala primeira vez, como a que vai à comuna da Cabuta, o executivo cuida agora dos acessos terciários. Antigas picadas legadas por décadas ao esquecimento, recebem agora obras de terraplenagem, ao passo que muitas aldeias e pequenos aglomerados populacionais anteriormente atingíveis apenas por atalhos pedestres recebem agora visitas de automobilistas. “Não está ainda como no tempo colonial, mas o povo já está muito contente”, disse Cornélio Njamba, 78 anos, entrevistado na Aldeia de Pedra Escrita.

Na comuna da Munenga, por exemplo, as aldeias de Calombo, Bango de Cuteca, Kipela entre outras, que há muito não ouviam o roncar de um carro, os aldeões têm hoje as vidas facilitadas no que diz respeito às deslocações e escoamento dos excedentes das suas produções agrícolas para os mercados do Dondo e de Luanda. A picada está reabilitada e contou com a colocação de novos aquedutos.

Quem conhece o passado recente destes povos descobre hoje, e com facilidade, um novo sorriso. A nudez aos poucos desaparece. A má nutrição aguda e as anemias entre as crianças vão passando para a História e a língua que nos une, o português, já é falado em todas as casas e por todas as crianças, independentemente da origem e formação dos seus progenitores. “Hoje, bailundos e kimbundos estamos todos unidos e os nossos filhos só aprendem português”, confirmou Maria Massaca.

As autoridades e as comunidades organizadas vão fazendo o que podem e os beneficiários batem palmas, mas como não há bela sem senão, faltam ainda escolas e postos de saúde em muitos aglomerados populacionais, como o da Pedra escrita que conta com mais de 2000 habitantes, entre adultos e crianças.

Aqui, o secretário da aldeia diz que o povo já cumpriu com a unificação do povoado, restando do governo a construção de uma escola definitiva e de um centro médico. “Fruto dessas carências, muitos adolescentes e jovens não sabem assinar os seus nomes, assim como muitas doenças são tratadas por enfermeiros com competência duvidosa”, disse a terminar Martinho Pambasanje.

Para afogar os lamentos surgem os fins-de-semana futebolísticos com o Recreativo do Libolo a elevar a alegria dos libolenses. O seu embaixador no Girabola (Primeira divisão do Campeonato angolano de futebol), que na 19ª jornada foi a Benguela derrotar o Primeiro de Maio por 0-1, é já o símbolo de unidade de todos os libolenses e Kuanza sulinos em geral.

Luciano Canhanga
(Na foto a vila de Calulo)

quinta-feira, agosto 21, 2008

NA TERCEIRA CAIU O “REI”


Onde há trabalho nem sempre os nomes cantam mais alto. Em Angola e em África, quando se fala sobre Futebol de “primeira água”, o Petro Atlético de Luanda é sempre uma equipa a ter em conta, pois trata-se da equipa mais titulada do principal campeonato caseiro de futebol e com história em competições sob a égide da CAF (Confederação Africana de Futebol). E que tal do Recreativo do Libolo?

Um mero estreante à principal liga angolana de futebol, e mais ainda, uma equipa oriunda de um município interior da província do Kuanza-Sul. Porém, este estreante, já tem páginas escritas na história da modalidade em Angola, ao longo de 19 jogos oficiais já efectuados, desde que ascendeu à 1ª divisão.

No campeonato, soma 31 pontos, na quarta posição. Em 19 partidas realizadas, perdeu apenas por duas vezes e contra o Petro de Luanda, sendo a primeira por 2-0 e a segunda por 1-2, diante do mesmo carrasco que, caiu na terceira partida entre ambas.

Depois da vitória no Estádio Patrice Lumumba, em Calulo, reduto do Recreativo do Libolo, os petrolíferos de Luanda foram travados em sua própria casa, por 0-1, em jogo pontuável para os oitavos de final da taça de Angola, a segunda maior competição do país, realizado na tarde de domingo, dia 10 de Agosto de 2008.

O Libolo faz assim História ao inverter a música dos adeptos petrolíferos que entoavam a canção “Óh Libolo sai do caminho, que o Petro quer passar”. Desta vez passou o Libolo em pleno Estádio Nacional da Cidadela, o recinto do Atlético Petróleos de Luanda.

Olhando para as duas competições, No Campeonato, o Libolo com 31 pontos, ainda pode ser campeão, tendo em conta as probabilidades matemáticas. O Petro tem 41 pontos, numa altura em que restam ainda por disputar 21 pontos de 7 jogos. Na traça de Angola, o Petro já não tem sonho. O sistema de eliminatórias directas coloca-o definitivamente fora da competição.

Sem desprimor pelos adversários, do Girabola (campeonato) e da Taça de Angola, afirmo, e de viva voz, que o Atlético Recreativo do Libolo pode representar o país nas AFRO TAÇAS e para lá chegar, à equipa, só se pedirá trabalho e disciplina. Pois, mesmo sem tradição e experiência, os resultados estão à mostra. Para calar os mais inquietos detractores, o Libolo despachou em sua casa, na 19ª jornada do Girabola o histórico Primeiro de Maio de Benguela. Gostava agora de voltar a ouvir a música que apela ao caminho livre. Quem deverá sair do caminho no próximo jogo contra os militares?

Aproveitando o espaço que o Jornal dos Desportos me concede, deixo aqui uma réplica ao meu amigo Carlos Calongo Adão quando se referia, nos dois artigos publicados neste jornal com o título “Missão Libolo”, que … “pai e filho, treinador principal e adjunto do 1º de Agosto, foram punidos na sequência do jogo que o clube do Rio Seco disputou no Libolo, ajuizado pelo árbitro Jorge Magalhães, que ao que se diz, fez de tudo para que, no mínimo, o Clube Central das Forças Armadas Angolanas não conquistasse os três pontos em casa do adversário...” como antigo iniciado do Kambuco Futebol Clube, embora seja até adepto do Petro, vou dizer que fazer uma afirmação com tal é passar à tangente dos factos.

Mais do que simpatias e “militismos” desmedidos aguardemos pela terceira partida entre o Libolo e o D’Agosto que pode ser de vez!

Onde há trabalho, nem sempre a voz dos altos chega mais longe. Que o digam o D’Agosto, o Petro e o De Maio (os papões do nosso futebol)!

Luciano Canhanga
Na escadaria da fortaleza de Calulo)

segunda-feira, agosto 18, 2008

ENQUANTO ANGOLANOS DORMEM CHINESES "DEVORAM" TARTARUGAS


Fixe o seu olhar sobre a imagem. O animal que se tenta esconder num saco de ráfia é uma jovem tartaruga marinha, capturada na costa de Luanda ou noutra próxima da capital. A viatura em que seguiam um cidadão nacional e um chinês foi vista parada na estrada Deolinda Rodrigues, junto ao mercado dos congoleses, na tarde do dia 14 de Agosto de 2008.

Perante a aflição, o animal ainda conseguiu rebentar o saco e evadir-se da carrinha. Mas o chinês e o seu ajudante angolano, que ia ao volante, lá pararam para comprar outros sacos, a fim de poderem esconder a tartaruga dos olhos dos patriotas angolanos.

Apenas duas frases se puderam captar do ajudante do chinês que não quis se identificar: que o animal não era dele e que não sabia qual o destino certo da tartaruga, se o estômago dos chineses ou a China. O angolano disse ainda que era a segundo animal do género que transportava, a pedido dos chineses ao serviço da GNR e com instalações em Viana.

Casos como esses não devem ser isolados por toda Angola. Abate de animais em risco de extinção, delapidação de minerais preciosos, entre outros bens dos angolanos. Populares que vêm do Ebo, província do Kuanza-Sul, contam que determinadas zonas cujo acesso era, desde o tempo colonial, proibido aos autóctones, são hoje as predilectas dos chineses que mergulham com sacos trazendo areias das profundezas do rio.

Será esse o “preço adicional da reconstrução”, ou enquanto dormimos os chineses vêem-se com tudo, até para devorarem as nossas tartarugas?

Luciano Canhanga

sexta-feira, agosto 15, 2008

FORTALEZA DE CALULO


Palco de violentos e encarniçados combates, primeiro entre Forças de Ocupação Colonial e os nossos heróis da resistência (nos Sec. XIX e XX), depois entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação Nacional (1961-1975), e mais tarde ainda entre as FAPLA/FAA e Forças da rebelião (1975-2002), a fortaleza de Calulo foi sempre o último bastião, a cair, das forças que a detinham.
Fruto dos inúmeros golpes que sofreu ao longo da sua existência, ela foi sendo beliscada nas sua estrutura pela acção da guerra e do desgaste natural, visto nunca ter beneficiado de obras de restauro.

Para perpetuar este importante monumento histórico dos libolenses e do país em geral, a Fortaleza de Calulo recebe já obras de beneficiação que consistem na colocação de uma cintura em pedras ao longo da sua extensão, (trabalhos já concluídos), a que se seguirão outros trabalhos de reabilitação de partes do muro em Pedras.
Dados disponíveis apontam que a Fortaleza de Calulo, ou do Libolo, foi mandada construir em finais do séc. XIX, tendo em 1917 a população se levantado contra as forças coloniais portuguesas.
Fortaleza de Calulo foi até perto do ano de 2000 um reduto militar, por isso, com entradas restritas. Bem à direita da sua entrada está o Palácio Municipal.

Hoje, a Fortaleza está aberta ao público e sobretudo aos estudantes que vão aprendendo um pouco mais sobre a história dos “Akua Lubolo”. O forte, acolhe no seu interior as antenas e cabines repetidoras da TPA e RNA.

Depois de concluídas as obras de que beneficia, e para um melhor serviço aos estudantes e turistas, ela carecerá de um guia bem treinado que passará a traduzir aos visitantes a grandeza, importância e história do Libolo e seus povos.

Mociano Canhanga, Argentina Matos, Rosa Cristina, Paula Maria e Deodato Muhongo são o exemplo de muitos estudantes e turistas que idos de Luanda, confirmam no terreno as histórias aprendidas na escola e ou contadas pelos pais, naturais do Libolo.

Luciano Canhanga

terça-feira, agosto 05, 2008

VIAGEM SOBRE RODAS: PERIGO SEMPRE À ESPREITA


A paz que o país vive e a reparação de que beneficiam as nossas estradas têm servido de convite às viagens sobre rodas.

Assim, muitas localidades, anteriormente inatingíveis por estrada são hoje trilhadas, diariamente, por centenas de carros que dão vida às vilas e aldeias interiores, bem como às com unidades ao longo das estradas. Porém, apesar das vantagens e dos benefícios trazidos pelo incremento da circulação rodoviária, um pouco pelo país, há outros aspectos negativos que merecem aqui alguma atenção. Quero referir-me ao excesso de velocidade, imprudência, trabalhos na via e má finalização das obras nas estradas.


a) Causa principal dos inúmeros acidentes de viação que se verificam pelas nossas estradas interiores e com elevados prejuízos humanos e materiais, os excessos de velocidade devem ser motivo de reflexão e prevenção. Quem viaja sobre rodas facilmente dará conta que apesar de terem sido retirados das bermas das estradas todas as “sobras da guerra”, as nossas rodovias voltaram a estar repletas de esqueletos de viaturas acidentadas e ou incendiadas. Concorrem para tal o desconhecimento das vias (curvas apertadas, descidas de elevado declive, entre outros factores).


b) Imprudência: é outra causa de acidentes e incidentes nas estradas. Muitos procedem como que as rodovias fossem propriedade apenas sua. Circulam em faixas alheias, não respeitam a sinalização (quando esta existe), não respeitam a ordem de prioridade nos entroncamentos e cruzamentos, não respeitam a tonelagem permitidas em pontes condicionadas, muito menos observam as normas de segurança pessoal e dos meios à sua guarda. Campanhas de prevenção rodoviária e aplicação rigorosa de multas, sem recurso às “gasosas”, não seria um castigo, mas sim um bem que “quem de direito” prestaria ao país.


c) Uma boa circulação dependerá sempre da existência de boa estradas. Boas estradas dependem de obras de restauro e manutenção. Porém, obras na via sem a devida sinalização têm servido de autênticas armadilhas, sobretudo para os camionistas que usam a noite como o tempo propício para carregar o acelerador. A ampliação de pontes tem levado a que sejam criados pequenos desvios para picadas. Até aqui tudo bem, mas quando a advertência para a entrada em estrada alternativa é feita em cima da curva, as consequências são as que vemos: capotamentos, quedas de contentores, rebentamento de pneus, devido a travagens repentinas, entre outros sinistros.


d) O mau acabamento das obras nas estradas é outro mal que concorre para o aumento de acidentes nas rodovias. Muitas estradas reasfaltadas apresentam excessivas e desnecessárias lombas ou inclinações, junto às curvas o que, por si só, desorienta o condutor e desestabiliza o veículo, dada a quebra da aderência dos pneumáticos. Por outro lado, e aqui podemos citar o troço da estrada EN 210 que vai da ponte do Kuanza ao desvio da Munenga, muitas estradas com menos de um ano já apresentam mais buracos do que o asfalto pré-existente, deixado pelos colonos. Há alguma explicação para tal?


É que todos circulam sobre estes trechos, vêem e sofrem na pele e nos bolsos as consequências destas obras mal concluídas: Acidentes por despistes, molas e direcções partidas, entre outras estórias que todos os automobilistas contam.

Luciano Canhanga

quarta-feira, julho 30, 2008

O LIBOLO ESTÁ NA MODA


Quando em 1988 ensaiei os primeiros e únicos toques de bola, no Cambuco Futebol Clube, com o professor Quim-Quim, nunca me passou pela cabeça, nem a mim, nem aos meus colegas, nem mesmo ao Quim-Quim, que transcorridos anos, aquele Clube seria hoje o orgulho de todos. E não é em Vão que sempre que me refiro à melhor equipa de Futebol do país, as pessoas olham para mim e logo perguntam: é ao Libolo que te referes?

- Pois claro!

O Desportivo do Libolo, esta equipa que para a sua qualificação ao campeonato principal de futebol em Angola, teve de esperar por um jogo entre o Desportivo da Caála e o Onze Bravos do Maquis, já no fim do campeonato, pois a FAF tinha dado como procedente uma reclamação do Caála, devido a uma falta de comparência que lhe havia sido averbada, teve ainda o azar de ter sido baptizada pelo valente D’Agosto que lhe infringiu uma derrota de 4-0 na cidadela.

Pouco ou ninguém mesmo acreditava numa reviravolta, tirando os seus jogadores, os técnicos, os patrocinadores, e nós, os libolenses que todos os dias juntamos as nossas sinergias, para, onde quer que estejamos, gritarmos bem alto o nome da equipa que nos representa.
Depois de um empate diante do D’Agosto com sabor à desforra, depois de termos passado pelo ASA, INTER e outras equipas, tidas como do nosso campeonato, é chegada a hora de travarmos o líder do campeonato, Petro de Luanda. Força e vontade é o que em nós mais transborda. Luta e suor, isso haverá até ao apito final do árbitro. E para fazer com que sigamos de vitória em vitória até ao erguer da taça, mais do que assistir aos jogos e pagar quotas, se é que já se pagam, o Libolo precisa de fidelizar a sua massa associativa.

Ter os seus próprios adeptos e partir, tão cedo, para a criação de uma SAD/Empresa com vários serviços em prol do emblema.

O LIBOLO Precisa de criar a sua marca e geri-la de acordo com as perspectivas e necessidades do momento. Precisará de implementar o “marchandizing” e “marketizar” a marca.

Precisará ainda de produzir e vender produtos. Colocar à disposição dos adeptos os feitores das alegrias dos libolenses para fotos e autógrafos.

Criar um Site onde se registem os principais acontecimentos da vida do clube permitindo assim a internacionalização do nome e da marca.
Os momentos altos devem ser aproveitados para se fazerem os grandes alicerces de modo que as nossas alegrias não se transformem em choros no amanhã, como terá acontecido com os Andorinhas ou Sporting, ARA, entre outras equipas que ascenderam ao Girabola e de imediato desapareceram.

O LIBOLO ESTÁ NA MODA! O LIBOLO DEVE SER UMA MARCA!

Luciano Canhanga

quinta-feira, julho 24, 2008

QUERO SER PAI: ALUNO NA AULA DE CIÊNCIAS INTEGRADAS

Na aula de ciências integradas, terceira classe do ensino oficial angolano, o professor falava de profissões. Estávamos no ano de 1997. A fome ainda apertava muitos lares. Com ela o analfabetismo e a desvalorização da criança na família.


E o professor ia perguntando.
Joana, eu sou jornalista e professor: Quando fores grande que queres ser?
- Eu, sô pessor, enfermera.
Ok, disse o professor. _ E tú, Miguel?
-Taxista, professor.
Mas taxista porquê? perguntou o mestre.
_ Porque faz muito dinheiro e tem bué de blai's (mulheres).
E o Matadidi que espera ser?
- Eu quero ser pai, sô pressor!
Pai, como assim? indagou o professor.
Porque os pais "comeum" bué!


O aluno não foi maltratado, mas moral para se dar sequência à aula já não havia. E teve de ser dada uma pequena borla, antes do intervalo, para retomar a lição no tempo que estava reservado à aula de Português.

Obs: facto vivido
Luciano Canhanga

sexta-feira, julho 18, 2008

“O NOSSO REI VAI ENTRAR NA TRIBUNA”


É título duma canção antiga do Carnaval, ainda, da Vitória. Mas a citação serve hoje para me referir ao herdeiro dos Ekuikui’s, reis da Mbala yo Lundu (Bailundu).

7. Katyopololo Ekuikui IV (na foto de branco), rei do Bailundo, é o número sete da lista dos Deputados à Assembleia nacional propostos pelo MPLA.

O Velho, já acima dos oitenta, é pouco falador, pelo menos em português. Em Umbundo, sua língua materna e de trabalho, ele fala e muito bem. E gostaria de ouvi-lo e vê-lo expor as suas ideias num parlamento que ficará sem o Kota Uanhenga Xito (Ti-Mendes de Carvalho). Pena mesmo é que lhe vão exigir que se expresse em “língua alheia”, ficando assim apenas a fazer número ou a descontar um pouco de sono, já que a guerra vivida fez com que o rei Katyopololo ficasse muitas noites a fio.

Enquanto jornalista, já entrevistei por duas vezes. A Primeira foi em 2002 no Bailundo aquando da inauguração, pelo PAM de uma pequena ponte metálica, a poucos quilómetros da municipalidade. A segunda vez foi no congresso do MPLA em 2003. E notei que têm ideias. Mas as expões melhor quando interrogado na sua língua, umbundu.

8. Luís Nguimbi é oitavo da lista. O Secretário-Geral do CICA- Conselho de Igrejas Cristãs de Angola foi acenado e não resistiu. Apenas resta saber se vai acumular ou se vai abdicar do cargo eclesiástico.
No lugar 51 da lista está: Autoridade Tradicional das Lundas. Sei que há um rei e um diferendo entre a realeza. Estou pouco documentado sobre os critérios de escolha do soberano Lunda e se aquele que reina na Lunda Sul também o faz na Norte. Se calhar o proponente terá pensado nisso ao indicar apenas na posição 51-Autoridade Tradicional das Lundas. E a pergunta é quem é?
66. Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento e 71. Fernando José de França Dias Van-Dúnen foram reconduzidos, mas Marcolino Moco ficou de fora. Os três já foram “Premier” de um mesmo governo, o do MPLA, e cada um saiu como saiu.

Na posição 93. Welwitchia dos Santos Pêgo é a filha mediática do Chefe de Estado. 99. Fabrice Alcebíades Maieco (Akwá) também foi proposto e pode entrar aquando dos reajustes, tendo em conta que muitos da linha da frente são também ministros ou "ministeriáveis". Terá, Akwá, boca para mandar no parlamento? Ou será dos que vão apenas fazer número?

São 130 efectivos propostos. Quanto aos suplentes deixo para si as considerações.
SUPLENTES
1. Rosária Chandalawa Capamba
2. Manuel Teodoro Quarta
3. Manuel Figueira Calunga
4. Isabel Malunga
5. José Gabriel Paiva “Coração de Angola”
6. Elisa Wiemba
7. Pedro Sebastião Teta
8. Vasco Pedro José
9. Maria de Lourdes Veiga
10. Rodeth Teresa Maquina dos Santos
11. Maria Sebita João Pertence
12. Palmira Leitão Barbosa
13. Domingos Manuel Nginga
14. Eufrazina Teodoro
15. Luís Domingos
16. Eufémia Ambeleleni
17. Afonso Morais Kuedy
18. Jorge Marques “John Bella”
19. Paula Simons
20. Maria Mpava Medina
21. Filomena José Trindade
22. Maria Teresa de Jesus António Komba
23. Jorge Leão Peres
24. Milton Malheiro D. da Silva
25. Hermínia S. Mateus Mac-Mahon
26. Américo Kwononoca
27. Ananias Escórcio
28. Manuel Francisco Tuta “Batalha de Angola”
29. Eduardo Gomes Nelumba
30. Manso João Miranda Pascoal
31. Maria de Lourdes Carneiro Alves
32. Manuel Viage
33. Maria Fernanda de Carvalho Francisco
34. João Baptista de Matos
35. Margarida Ulissavo
36. Agostinho José Neto
37. Maria Idalina Victória Pereira
38. Maria do Carmo Nascimento
39. Maria Salvadora Vasconcelos
40. Catarina Béua
41. Mateus Miguel Ângelo “Vietname”
42. Antónia Nelumba
43. Jacinta F. Rocha Santos
44. Amélia Ngonga
45. António Rosa

Publicado por: Luciano Canhanga

domingo, julho 13, 2008

ABC da IURD: É FILANTROPIA OU PUBLICIDADE?


Sempre que olhei para o aparato promocional e publicitário da "nossa" AJAPRAZ -Associação de Jovens Angolanos Provenientes da Zâmbia-* (?) nunca me passou pela cabeça que um dia esta organização "politico-filantrópica" viesse a ganhar um concorrente ao seu pé, e que directa ou indirectamente se socorre também do dinheiro dos pobres e ricos distraídos.

Quero refiro-me à ABC (Associação de beneficência Cristã), o rosto propagandístico-social da IURD.

Se o que os move é apenas caridade, porquê de tanta publicidade como se de uma campanha eleitoral estivesse a participar?

É que os propagandista nem se dão ao trabalho de pensar que uma mulher por mais que ore não engravida sem homem ao lado e sem que aconteça a ovulação no período correspondente à cópula. Ignoram isso julgando-nos cegos de tudo. E também vão ignorando outras coisas como ter a ABC à frente de uma suposta caridade que no fundo tem como objectivo levar mais dinheiro para o Brasil e outras paragens.

Venha cá alguém dizer que se justifica tanto dinheiro gasto em publicidade de pequenas Acções sociais da ABC. É que qualquer “homem de olho atento” pode notar que gasta-se mais em publicidade da ABC e IURD do que se dá aos “pobres”.

Sempre desconfiei de gatos escondidos com cauda de fora.

A ABC da IURD: É Filantropia ou Publicidade?


* Digo nossa porque vive a custa do nosso dinheiro público, pois é tida pelo governo como instituição de utilidade pública e por isso subvencionada.

Luciano Canhanga

terça-feira, julho 08, 2008

A LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DO KUANZA-SUL NO MAPA DE ANGOLA


Quando o agora Dr. Mário Guerra ler estas frases óbvio que se lembrará de um debate tido na LAC em 1997. Estávamos a sair do IMEL, curso médio de Jornalismo. Ele, o Mário, já era jornalista daquela casa emissora. Uma colega minha, que agora é vedeta na TPA, dissera em um texto lido ao microfone, que o município do Wako-Kungo estava localizado na província do Huambo.

Tenha sido engano ou puro desconhecimento dela, óbvio que hoje ela já não é a mesma pessoa de há 11 anos. Volto aqui para, mais uma vez, debater a localização do Kuanza Sul no Mapa de Angola.

Acabo de ler na ANGOP uma prosa desportiva em que se diz que Libolo é um município do Sul de Angola. Só pode ser doutra província que não seja a do Kuanza-Sul!

Já por várias vezes fui chamado de “sulano” (sulino é o correcto). Até que me agrada e porque me identifico quer com os homens do Centro, erradamente tratados por sulinos, quer com os do norte, região a que julgo pertencer.

Olhando para o Mapa de Angola e se o tivermos que repartir em 4, nomeadamente: Norte, Centro Sul e Leste. Encontraremos no Centro as Províncias do Huambo, Bié e Benguela. Pela sua posição podemos também enquadrar neste espaço geofísico o Kuanza Sul (a Norte do Centro e a Huila (a Sul do Centro).

No Norte estão o Kuanza-Norte, Bengo, Luanda, Malanje, Uige, Zaire e Cabinda. No Leste (Nordeste) encontramos o Moxico, Lunda Sul e Lunda Norte, havendo quem coloque Malanje, pela sua extensão neste grupo. Ao sul encontramos as províncias do Namibe, Cunene e Kuando-Kubango, havendo igualmente quem coloque aqui a província da Huila.

Nota-se que as províncias que podem ser colocadas em mais do que um grupo são zonas de transição.

E a transição não é apenas geográfica, é também etnolinguística e cultural, dai, os povos do Kuanza-Sul, por exemplo, se identificarem com os do Centro e os do Norte. Mas, Província do Sul, meus senhores, isso não! Kuanza-Sul, nunca foi e nunca será sul de Angola, a menos que se esteja a olhar para um outro Mapa!


=Luciano Canhanga=

quarta-feira, julho 02, 2008

DEVE OU NÃO A POLÍCIA PROMETER ACÇÃO


Notamos, mais uma vez, aquando da tomada de posse do Comandante Provincial da Polícia de Luanda, Quim Ribeiro (na foto), as velhas promessas de combater energicamente a criminalidade na capital angolana.

Sendo missão da nossa Polícia Nacional fazer com que vivamos mais tranquilos, é justo que a corporação e seus chefes venham cá com promessas?
Não seria melhor ela, a polícia, agir e esperar que a população, por si só, veja as melhorias e "piorias"?


Luciano Canhanga

domingo, junho 29, 2008

QUEM VEM AI?


Sempre quis ser engenheiro de minas. Mas a docência e o jornalismo cortaram o meu sonho à raiz, restando-me a consolação de poder ver o meu primogénito a envergar os calções, que sempre me motivaram para a engenharia, o martelo, o capacete, os óculos protectores e todos aqueles utensílios que encantam um garoto da primária.

Mohamed Mociano Canhanga, a minha aposta, parece, porém, não estar interessado neste tipo de coisas. Mais dado ao português e ciências que exigem decoração, ou seja, lápis e papel, do que à matemática e outras exactas. O rapaz aparenta possuir um engodo pela redacção noticiosa. Prova disso foi o exercício que pedi que fizesse, aquando do desmoronamento do edifício da DNIC.

E o Mohamed escreveu:

NOTÍCIA

Caiu o prédio ou edifício da DNIC. Polícias andam com os seus melhores meios para a possibilidade de (encontrar) as pessoas que estão debaixo do edifício desabado de seis andares.

Uma das maiores causas foi a população em fronteira com o edifício furarem paredes para passar a canalização de água aos outros vizinhos ou então parentes.

A IPAL (EPAL) tenta impedir que voltem a fazer mais vezes, e as outras causas são os tubos rebentados que a IPAL (EPAL) já tentou arranjar, mas nada se resolve.

Estavam lá bombeiros, ambulâncias e também ministros, presidente José Eduardo dos Santos. Os ministros trouxeram alguns alimentos para os homens que trabalhav(ão)am no edifício desabado.

Assinado: Mohamed Canhanga

OBS: Nestes teus 11 anos o papá deseja-te boa escolha para um futuro diferente do meu!

terça-feira, junho 24, 2008

UM EMPATE QUE NOS CUSTOU MILHÕES


Crónica de viagem

Caminhei desta vez com o ouvido colado ao receptor de rádio numa segunda-feira futebolística. Foi numa tarde em que usando das faculdades que lhe são atribuídas por lei, Francisca do Espírito Santos, governadora de Luanda, decidiu decretar uma tolerância de ponto para a função pública, das 13 às 20 horas. Por hábito dos angolanos à fuga ao serviço ou pelo elevado sentido patriótico, muitos funcionários de empresas mistas e privadas acabaram também por fechar os gabinetes para todos, no campo ou fora dele, torcerem para a vitória do 11 nacional, os Palancas Negras, num pasto que se avizinhava difícil diante dos cranes do Uganda.

E assim foi a minha viagem numa Luanda totalmente esburacada, por culpa da chuva, do desgaste e das intermináveis obras. Quem vai à baixa da capital sabe disso. Pára-se mais do que se anda.

Mas voltando ao futebol, dizia que do ponto de vista político e institucional tudo foi feito para que o pasto dos Palancas fosse melhor do que um mísero empate que nos custou milhões ou senão mesmo triliões de Kuanzas.

Num comentário que fiz à rádio cinco, respondeu-me o moderador do “auditório público” que “ninguém perdeu nada por se ter decretado uma tolerância de ponto”. Puro engano do confrade.

Os salários são pagos e o trabalho não é feito. Perdem os patrões que têm de obedecer à ordem institucional, e perde o Estado sempre que os objectivos que norteiam o accionamento da tolerância de ponto não são atingidos, como aconteceu na segunda-feira, 23, no jogo contra o Uganda. Os mais atentos economistas e mesmo os leigos, como eu, disso há muito andam despertos.

E tivemos um empate da selecção nacional que custou milhões de Kuanzas e milhares de lágrimas aos aficionados do “desporto rei”. Agora que está explicado o quanto os angolanos e o Estado perderam com o empate dos Palancas, resta-me também olhar para as contas:

Restam dois jogos para cada uma das selecções, Uganda, Benin, Níger e Angola, só os seis pontos nos servem. Pontos que têm de ser arrancados ao Benin, líder com nove pontos, e Níger com zero.

Vencendo ao Benin em casa ficaríamos com eles empatados pontualmente, e vencendo o Uganda ao Níger voltaríamos à situação da terceira jornada, ou seja, três equipas com nove pontos. Na sexta e última jornada, se Angola vencer o Níger, em Luanda, fará 12 pontos, os mesmos que terá o vencedor do jogo Uganda/Benin.

Atendendo que para a fase seguinte passa o melhor e são repescados mais oito segundos classificados, estaríamos assim na fase seguinte de grupos. Outro resultado que nos facilitaria a vida seria um empate entre o Ruanda e o Benin na sexta jornada. Mas olhando para a produção em campo do nosso combinado nacional, haverá pernas e peito para arrancar três pontos em casa dos beninenses?

Só um apelo se pode fazer. Que os atletas absorvam da melhor forma as aulas do professor e que Oliveira Gonçalves se esmere na transmissão de conhecimentos, porque das duas, uma coisa tem estado a falhar. E se o país investe milhões, inclusive com tolerâncias de ponto, aqueles que traduzem em campo as nossas aspirações têm o dever e a obrigação de nos colocarem no próximo mundial, já que o acesso ao CAN/2010 é automático, por via da organização do mesmo.


Luciano Canhanga

quinta-feira, junho 12, 2008

MAKING DREAM


Realizando o sonho de Martin Luther King (no seu célebre discurso "I have a dream").

"Eu Tenho Um Sonho" é o nome popular dado ao histórico discurso público feito pelo activista político estadunidense Dr. Martin Luther King, Jr., no qual falava da necessidade de união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro. O discurso, realizado no dia 28 de Agosto de 1963 nos degraus do Lincoln Memorial em Washington, D.C. como parte da Marcha de Washington por Empregos e Liberdade, foi um momento decisivo na história do Movimento Americano pelos Direitos Civis. Feito em frente a uma plateia de mais de duzentas mil pessoas que apoiavam a causa, o discurso é considerado um dos maiores na história e foi eleito o melhor discurso estadunidense do século XX numa pesquisa feita no ano de 1999

A elegibilidade de Barack Obama, à chefia da Casa Branca, é ou não a materialização do sonho de King onde "crianças de todas as raças e credos andariam de mãos dadas"?


Luciano Canhanga

segunda-feira, junho 09, 2008

CHEGARÃO TODOS À META?


Soou o tiro de largada...
Oh gente, haverá pulmão para que todos cortem a meta?
Uma taça (governação) e
Várias medalhas (lugares parlamentares) aguardam por eles...

PRS, FNLA e Companhia, Chegarão todos à meta? Haja peito...





Luciano Canhanga

quarta-feira, junho 04, 2008

PODE SER HOJE!


Marca o calendário 04 de Junho de 2008. Faltam 93 dias para atingirmos o dia 5 de Setembro de 2008, a data provável para a realização das segundas eleições em Angola. A lei eleitoral dá ao Presidente da República a prerrogativa de as convocar até 90 dias antes da data de realização.

Ontem o Conselho da República, órgão consultivo do Chefe de Estado, esteve reunido e achou que há condições para que os angolanos possam ir às urnas na data que Eduardo dos Santos, o presidente angolano, indicou aquando do seu discurso de fim-de-ano, que é 5 ou 6 de Setembro.

No seu discurso, aos conselheiros e à Nação, Eduardo dos Santos, referiu que o memorando que lhe foi apresentado pelo Presidente da Comissão Nacional Eleitoral dá conta que até 4 de Setembro estariam reunidas as condições objectivas para o pleito.

Disse ainda o presidente que ele estava assim em condições de em qualquer momento fazer a respectiva convocação das eleições legislativas.

Por tudo quanto se disse, e contando o tempo que temos pela frente, o Presidente da República tem apenas 2 ou 3 dias para convocar as eleições, caso as mesmas tenham de acontecer no dia 5 de Setembro que será numa sexta-feira. Certo que o Chefe de Estado angolano não as convocará para o dia 6, que calha num sábado, para evitar a abstenção dos adventistas do sétimo dia que normalmente não fazem nada ao sábado que não seja orar ao seu Deus. Portanto, PODE SER HOJE!


Luciano Canhanga

terça-feira, junho 03, 2008

ESTRADAS BIENAS: ENQUANTO SE ESPERA APENAS POEIRA E DESALENTO


Já dizia o poeta maior que "eu já não espero, sou aquele de quem se espera". Fazendo fé nas proféticas palavras de Neto, a juventude do Kuito parece algo inconformada pela "lentidão" na reposição de alguns serviços essenciais. Faltam o ensino Superior, as estradas asfaltadas, o comboio e a reabertura do aeroporto, só para citar algumas carências mais à mão.

Na cidade do Kuito notam-se algumas pequenas melhorias, no que tange à reabilitação das faixadas mais atingidas pela guerra, mas a empreitada ainda nem está ao meio. Os interiores ,também seriamente danificados, aguardam a sua vez.

Reasfalta-se a Rua Joaquim Kapango, mas lá pelo Kunje são os buracos que tomam conta da situação. Nas proximidades da Cadeia, isto é, entre o mercado do Chossindo e a cidade, uma ravina cortou a estrada e a reparação tarda em chegar.

A energia eléctrica já ilumina as ruas, mas em muitas casas ainda reina a escuridão. A água tarda em chegar às torneiras, apesar de estarem por aí muitos rios. Os aviões devem colar e descolar este mês, a fazer fé nos pronunciamentos do director das obras públicas, aqui nesta página publicadas, mas o que se ouve é que a data da abertura foi dilatada.

O comboio, ai o comboio! Ainda nada! Nada mesmo.

Fui ao Kunje ver o que resta das antigas carruagens de carga. Apenas saudade de um tempo que a juventude de hoje nem tem memória. Quem dele reclamam são os velhos que nele viajaram e que sabem quanta falta lhes faz. Os jovens querem mesmo é que se acelere a reparação da estrada Kuito/Huambo, transformada hoje num caldeirão de poeira.

Quem vai ao Huambo (150km) resolver um assunto administrativo tem de ir um dia antes, pois terá de arranjar um sitio para tomar um banho e mudar de roupa. "De branco nem vale a pena viajar", desabafou Nuno Mango, 31 anos, natural do Kuito.

São essas coisas que desanimam quem se julga ter perdido a paciência. "No Huambo a vida já é outra e também sofreram como nós", outro desabafo de um companheiro de viagem num Toyota Corrolla sem ar condicionado e quem não podia manter os vidros baixos. Entre o calor a a poeira há sempre que escolher um mal menor.

E agora que o município do Kuito consta dentre os que têm já as finanças descentralizadas, a juventude olha para o Camarada Moisés, administrador municipal, também ele um jovem, como a tábua de salvação.

Luciano Canhanga