Translate (tradução)

quinta-feira, abril 17, 2008

KIAMA FULO: UMA PRAIA COM DIAS CONTADOS


Estou sobre a ponte do rio Kuanza.
É a fronteira entre as províncias do Kuanza Norte (município de Kambambe) e Kuanza Sul (município do Libolo).

Ao fundo, para além do curso normal do rio Kuanza, mostrando também o início da albufeira da barragem de Kambambe, pode-se ver a praia fluvial de Kiamafulo, agradável local de recreio para os moradores de Kambambe, Dondo, Kambingo e doutras paragens.

Dizem que a nova reconfiguração da hidroeléctrica de Kambambe vai aumentar a albufeira e a praia de kiamafulo vai desaparecer, devido ao aumento do nível de água.


Antes da travessia da ponte a polícia nacional tem aqui um controlo. No passado, nenhum homem em idade militar o podia transpor sem que tivesse a situação militar regularizada. Hoje, o controlo permanece. A única coisa que mudou é que nenhum automobilista que faça o serviço de transporte de pessoas e ou mercadorias o transpõe sem pagar a “gasosa”. A excepção é feita apenas aos autocarros de empresas licenciadas para o transporte inter-provincial.

E se a dita "gasosa" fosse na verdade um refrigerante, uma caixa seria pouca para tirar a "sede dos polícias gasoseiros" que ficam normalmente em Kalomboloca, Zenza do Itombe, Desvio da Munenga, Kizouo, Ponte do Nhia e Alto Wama. Citei apenas os pontos "críticos" da estrada nacional EN120 de Luanda ao Huambo.

Perante o facto, uma questão se coloca: O alto comando da nossa Polícia Nacional tem ou não conhecimento da existência destas barricadas?


A foto foi tirada no dia 9 de Abril de 2008 de viagem ao Kuito/Bié.

Luciano Canhanga


terça-feira, abril 15, 2008

LUANDENSES TROCAM CARROS PELA MARCHA



Todos os dias milhares de cidadãos percorrem as estradas rumo ao serviço

Voltou a chover em Luanda. No interior dos bairros periféricos quase não se circula e até mesmo viaturas todo-terreno encontram enormes dificuldades em transpor charcos e lamaçal. Dos quintais às ruas, há áreas em que escasseia terra firme para se pôr o pé. Quando isso acontece, pedras para transpor os “obstáculos” são colocadas por jovens desempregados que cobram entre Kz 10 a Kz 50, para que se possa circular sobre elas.

Nas estradas asfaltadas, também invadidas pela água, lamas e lixo, o cenário é assombroso. Os engarrafamentos tomam conta delas das 6h da manhã às 23 horas. Sabe disso quem vive ou se desloca para os bairros Popular, Golfe-Correios, Cassequel, Viana, Cuca/Hoji-ya-Henda/Kunzas, Mabor/ Kikolo/Cacuaco, Tala Hadi/Cazenga/5ª Avenida, entre outros. Os taxistas, únicos que desafiam tudo e todos, encurtaram os troços e encareceram o custo da passagem de Kz 50 para Kz100, motivo que leva às estradas milhares de pedestres.

Alberto Massaca, 47 anos, vive no bairro do Grafanil-Bar e trabalha na baixa da cidade. Conta que prefere caminhar de casa ao largo da Independência (1º de maio) devido aos engarrafamentos e à carestia da passagem no táxi. “É que para além de se chegar sempre tarde sou obrigado a desembolsar perto de Kz. 500, só a ida”, explica. A solução, segundo ele, tem sido madrugar e ir conversando com os companheiros de percurso.

Madalena Joaquim e Abel Samukolo que são colegas numa casa comercial na rua Machado Saldanha, ao Bairro Popular, também caminham do Golfe ao serviço.
“Levo normalmente botas de chuva e sapatos normais que só uso no serviço”, contou Madalena.

O que a nossa reportagem pôde constatar é que muita gente, às vezes, nem chega ao serviço, pois a passagem de um condutor imprudente ou um passo em falso podem ser motivos para ter a roupa suja e ter de regressar à casa sem se ter chegado ao posto de trabalho. Abel Samukolo conta que já lhe aconteceu várias vezes não ter chegado ao serviço por esse motivo.

Os entrevistados relatam ainda que há anos que a situação vem piorando, existindo bairros como o Tala Hadi onde os moradores são forçados a abandonar as suas casas devido à intransitabilidade no seu interior, chegando a água da chuva inundar várias residências por falta de drenagem.
Quando interrogados sobre quem deve reparar a situação que se vive em Luanda em tempo de chuva, os entrevistados não hesitam em dizer que o Governo e/ou “quem de direito” tem de resolver o problema com urgência.

Joaquim Artur, 68 anos, é conhecido na rua 12 de Junho, no Sambizanga, pelos seus desabafos sarcásticos. Para ele, Luanda tem de ser evacuada e entrar imediatamente em obra geral. O sexagenário que diz ter vivido sempre no Sambizanga diz ainda que nunca se assistiu a degradação tão acentuada das ruas no seu município e um pouco por toda a capital.

Contactado o governo da província de Luanda, obtivemos a informação de que para além do alargamento de estradas como a que nos leva à Viana, a construção da via circular, Benfica/Viana/Cacuaco, entre outras, há outros esforços em curso ao nível das administrações municipais que começaram a receber meios técnicos para que a curto prazo se invertam as coisas. A fonte que preferiu não ser citada disse ainda que casos pontuais estão já a ser atacados pelas administrações municipais.

VIANA/LUANDA: COMBOIOS NÃO RESOLVEM POR COMPLETO


Matadidi Bernardo vive em na vila de Viana. Na terça-feira, 15 de Abril, saiu de Viana às 7h e só chegou ao largo Sagrada Família, onde trabalha, às 14 horas. Conta que a luta começa nas paragens onde se apanham o táxi ou o autocarro. “Conseguir pôr o pé dentro deles é já uma vitória”, conta, acrescentando que nesta "empreitada" muitos perdem as carteiras ou acabam com as roupas completamente sujas.

O nosso interlocutor conta ainda que de autocarro a viagem é muito mais demorada chegando a fazer entre 4 a 6 horas, isto é de Viana ao Hospital Militar. “Nessas circunstancias motivadas pelos engarrafamentos, muitos preferem abandonar os taxis e autocarros e terminam a viagem à pé”, explica.

Mais lestos e económicos são os comboios. Vinte minutos de percurso Viana/Estação dos Musseques ao preço de Kz.30 (comboio normal) e kz.150 (expresso). Este facto faz com que as enchentes sejam enormes junto ao término, nunca havendo lugar na segunda paragem. Nos comboios também se apontam males como o sujar da roupa, o suor, e o roubo de carteiras. Outro handicap tem sido o facto de os comboios não circularem todo o dia, fazendo apenas 4 viagens no período da manhã e igual número à tarde.

“Enquanto não for concluido o alargamento da estrada de Viana só os comboios podem resolver a falta de transportes e os engarrafamentos”, reclamam os entrevistados.
Joaquim Neto, oficial das Forças Armadas, é de opinião de que medidas educativas e repressivas devem ser tomadas contra os candongueiros (taxistas) que encurtam as vias e violam os espaços reservados, inclusive à circulação dos comboios do CFL. “Até quando se vai manter a situação”? é a pergunta que deixa para reflexão.

Luciano Canhanga

terça-feira, abril 08, 2008

PERCORRENDO O NORDESTE


Crónica de viagem

Quem acompanha estas crónica terá dado conta que já estive no centro do pais, saído da costa atlântica. Estou agora no nordeste, na região das lundas. Tal como no litoral, no centro e no sul, onde estive sobre rodas, aqui, o cenário pouco difere em termos de crescimento.

É certo que aqui é um extremo. Aqui terminou a colonização portuguesa, terminam as estradas, os apoios, enfim. Mas, mesmo assim, quem conheceu o nordeste ontem, e cá vier hoje, encontrará muitas mudanças. As cidades e vilarejos ganham novos rostos, as estradas vão sendo asfaltadas e alargadas com base no novo padrão. Os empresários vão acreditando e as novas edificações crescem de tempo em tempo. A vida vai melhorando e o custo dela vai baixando, fruto da transitabilidade por estradas. O governo através de programas específicos vai fazendo a sua parte e as populações também a sua.

Os aglomerados populacionais ganham escolas, centros médicos e outros serviços. Há aqui, no nordeste, um elemento importante: Os jangos comunitários, onde as populações se reúnem para tratar dos assuntos comunitários e legar a cultura aos mais novos. São também locais de lazer, contando alguns com a instalação de kits de TV(TPA) por satélite.

Quanto à disputa política, três bandeiras “dominam os ares”: Mpla, Prs e Unita marcam presença em todos os aglomerados ao longo da estrada Malanje/Saurimo e Saurimo/Luena, assinalando-se também a presença óbvia da bandeira nacional. Os aldeões contam que cenário idêntico se verifica no interland.

Outra nota de destaque é a falta de literatura no interior. Tudo se lê: cartazes propagandísticos, velhos jornais e revistas, enfim.

“É só para divertir os olhos e não ficar toda a hora a dormir”, disse um ancião na casa dos cinquenta, abordado à propósito, na aldeia de Kamundambala, 10km de Saurimo.

Luciano Canhanga

terça-feira, abril 01, 2008

VER, OUVIR E DIZER


A BANHA DE COBRA DA IURD

Inundam os jornais, espaços radiofónicos e inclusive Televisivos (TPA incluída), anúncios de uma igreja que “se arroga ao direito de ter substituido o Estado” no seu papel de socorrer as vítimas das inundações e doutras calamidades naturais.

Reporto-me à publicidade tóxica quanto e irritante passada pela IURD e que desagradaria até ao diabo.
-Quem ainda não se deparou com a falácia: “Igreja Universal doa mais de 200 toneladas de alimento”?

Há já mais de 1 mês que ocupa páginas inteiras na comunicação social, como se fosse a única que tem actos de caridade para com os necessitados, ou que estivesse a anunciar algo magistral e sem igual.

Não sendo notícia e atendendo que os veículos que o difundem não o fazem de graça, não teria sido muito mais frutuoso se se acrescentassem esses “rios de dinheiro” as 200 toneladas em vez de se estar a infestar os ventos com coisas que ningém lê?
- Onde anda a moral religiosa, meus senhores, quando a bíblia aconselha a orar baixinho e deixar que Deus, omnisciente, conte por nós e qualifique a importância das nossas oferendas?

Sem ter de falar da forma como é arrancado o dinheiro das mãos dos (in)fiéis, que já foi e é muito contestada, quero apenas dizer que não é, a meu ver, ético que andem por aí a publicitar, durante um mês, o que fizeram por gente aflita. Publicitar uma doação, é o mesmo que repontar qualquer outro acto. Melhor se não tivessem doado tais toneladas.

Tudo quanto sei é missão da igreja visitar os enfermos, dar de comer aos que têm fome e de beber aos que têm sede, algo que a patológica IURD há muito se esqueceu ,ou melhor, nunca soube.
É que chegam a ser enjoativos os anúncios desta –IURD- vendedora de banha de cobra. Fé e graça andam de mãos dadas e nem precisam de publicitação. Em qualquer denominação religiosa deve haver “mais graça em dar do que em receber”.

Luciano Canhanga

segunda-feira, março 10, 2008

TRANSFORMAR ARMAS EM ARADO

(Crónica de viagem)

Lembranças tristes da guerra para que servem?
Em museus talvez tenham alguma utilidade histórica, mas quando estendidas aos ventos, aos sóis e às chuvas, para quê mais cantar vitórias e chorar derrotas enterradas?

-Assim mesmo, procedem os ferreiros, serralheiros, funileiros e outros que se dedicam à transformação dos restos da guerra em algo valioso para a vida.

São incontáveis os carros militares, tanques e outras peças de artilharia pesada que os combates deixaram para trás e que seriam o constante cartaz de boas vindas àqueles que (re)descobrem as estradas d’Angola profunda.

Até a bem pouco tempo o cenário que nos era mostrado era exactamente este: Carros queimados, tanques destruídos, e outras peças de artilharia pesada ladeando as estradas de metro a metro e quilómetro a quilómetro, uma situação que tende a desaparecer.

Primeiro, pela acção positiva dos “homens das artes”. Funileiros, serralheiros, bate-chapas, entre outros que reaproveitam o que é possível retirar destes antigos meios de guerra, transformando-os em objectos de paz.

Estes homens, muitos deles levados às actuais profissões pela carência de quase tudo, não têm medido esforços, para com as chaparias de tanques e carros fabricar: arados, portas e janelas; com os chassis as pontes para transpor rios, entre outros fins. É no fundo também uma forma de aplicar os RRR: Reduzir - ReutilizarReciclar.

Uma forma inteligente de nos desfazermos das recentes tristes lembranças e tocarmos o barco para frente. Outra contribuição têm dado as construtoras das estradas que afastam estes pesadelos para longe da visão ou mesmo enterrá-los.

Bem haja ferreiros!

Luciano Canhanga

quinta-feira, março 06, 2008

DE LUANDA AO HUAMBO/KUITO

RASGANDO A SELVA I
Uma viagem inédita por terra, percorrendo centenas de quilómetros em estradas asfaltadas, terraplanadas e outras muito danificadas pela guerra e inacção humana, só se pode chamar aventura sobre rodas. Aliás, à primeira ideia de a fazer, o conselho foi desfavorável:

_ Toninho, vai de avião!

Teimoso, apanhei o autocarro Luanda/Huambo para depois fazer o Huambo/Kuito, num percurso total aproximado a 800 km.

Luanda/Maria Teresa (K-Norte) em Boa estrada, diga-se, foi o primeiro trecho a que se seguiu Maria Teresa/Dondo em estrada “andável” (muito estreita, porém já sem os buracos e em alargamento). O futuro pode torná-la numa “pista”, dizem os que a frequentam com regularidade.

Dondo/Kibala (K-Sul) é um trecho igualmente impecável sob responsabilidade da brasileira QG e que trás à memória dos mais velhos os tempos da “Junta”. Para os mais novos a lembrança é das manutenções que nos idos de 1980 trabalhadores afectos ao MCH efectuavam.

E seguimos viagem. Pelo caminho algumas paragens obrigatórias montadas pela polícia e sem explicação aparente. Zenza do Itombe, Desvio da Munenga/Calulo, só para citar exemplos. O pretexto é único: Dinheiro para alimentar os caprichos dos agentes da corporação.

-Sete mil. Pagar ou deixar a carta e apanhá-la em Calulo, disse descaradamente um sargento da corporação ao motorista, no desvio da Munenga.

Pretendendo evitar outros 42 km que levam à sede municipal do Libolo e o azar de encontrar o banco sem sistema para o pagamento da suposta multa, “paga” lá entregou o motorista a solicitada quantia aos resmungos.

A viagem retoma. Por enfrentar ainda os controlos do Kizouo e Nhia, antes do Waco Kungo. O sol atinge o “ponto G”, a traça apodera-se do estômago e a conversa bocal é sucedida pela conversa do motor a diesel até Kibala onde termina o novo asfalto. À música automóvel junta-se agora a dança dos buracos. Estamos a caminho do Waco.

A mesma QG e outras empreiteiras se esforçam em cumprir os prazos dados pelo governo, mas a chuva impede o andamento acelerado da empreitada. E as bocas voltam a ter motivos para comentar. A velocidade diminui e o sol acelera o seu passo para o poente. Passa-se pelo Waco, atravessa-se a ponte sobre o Queve e retoma-se a negrura asfáltica. Dizem os conhecedores da zona que assim seria até ao Alto Wama, Comuna do Londuimbali/Huambo, passando por Kassongue, Vila Franca, Ngalangue, entre outros aglomerados do Kuanza-Sul.

“Daqui também se vai ao Kuito passando por Bailundo”, aconselha uma nativa. Mas o anoitecer convida-nos, eu e meu tio Alberto, a seguir ao Huambo, cidade mais segura em termos de dormitório. A intuição transforma-se em razão, pois já passava da hora 22 quando o autocarro, com avarias pelo caminho, escalou a antiga Nova Lisboa, também em franca reconstrução.

E as primeiras informações davam-nos conta da paralisação da cidade no dia anterior, devido ao funeral do empresário Amões que morrera num acidente de aviação. Ele, contavam, era o maior investidor da província e da região central.

Entre sonhos e insónias a noite foi passada numa pensão citadina, com direito a pequeno almoço à saída (foi pena termos saido às cinco da manhã).

Já na sexta-feira 25 de Fevereiro, a maratona para o Kuito começou com os kupapatas (moto-taxi), do albergue à paragem dos carros.

Do Huambo à Vila Nova e Tchicala Tcholoanga a ferrovia de Benguela e os eucaliptos, que o ladeiam, apresentam-se como agradáveis companheiros de viagem que se prolonga até ao Katchiungo e Chinguar, perfazendo os primeiros 75 km do percurso, em estrada terraplanada. Daqui em diante, outros 75 km em território bieno.

A viagem mostra-nos obras e também desilusões. Muito ainda há por fazer. Caia chuva e a velocidade de 60/80 km/H reduziu-se para 20/30. Os buracos falam alto e o corolla quase rastejava. Precisamos de 3 horas para chegar ao Cisindo onde fomos acolhidos em apoteose pela família Salongue.

Luciano Canhanga

quarta-feira, março 05, 2008

DEMOCRACIA BI-PARTIDÁRIA

(Crónica de viagem)

Diz a teoria da comunicação que a Propaganda e o Marketing diferem uma da outra porque a primeira impõe conduta/comportamento e pretende objectivos a curto prazo.

Porém, ao longo do interior do país, sobretudo na região central de Angola, as duas formas de comunicação parecem estar casadas. Ou seja, a propaganda é também Marketing, na medida em que ela é feita não apenas para o hoje, mas também para colher amanhã.

As bandeiras partidárias, colocadas em quase todas as aldeias, têm como fim dizer a quem nasça e quem passe o que e quem elas representam, no caso o partido X ou Y, "marcando uma presença mental".

É assim que Mpla e Unita tentam perpetuar os seus nomes, suas marcas e seus ideais entre as populações da área mais habitada do país, o planalto, disputando (mesmo mudos) espaços territoriais e aglomerados populacionais. Nalguns casos esta disputa muda é notável em cada muro, faixada, rua, aldeia, lavra e até mesmo em descampados. Tudo serve para içar uma bandeira. Estacas, montanhas, cubatas, currais, etc. Quem viaja pelo interior contempla a beleza e assiste igualmente a esta luta fria de gigantes. Apenas os dois.

Mpla e Unita, poder e oposição, unicamente sós, num pais de duzentos partidos. Doutras cores, apenas tímidas aparições em cidades e vilarejos, sempre de forma envergonhada num mundo bi-polar.


Luciano Canhanga

terça-feira, março 04, 2008

KUITO/BAILUNDO/ALTO WAMA/LUANDA

RASGANDO A SELVA II

O regresso a Luanda foi surpreendente. Previa um trajecto semelhante ao anterior, revendo o troço Huambo/Alto Wama que a noite e o cansaço não permitiram ver. Mas quis o condutor da Hiace encurtar o caminho, para o gáudio da maioria, e contornar o Huambo. O meu objectivo era também ver coisas novas para contar, nada mal, e concordei.

Sete horas e trinta minutos. A mulher acompanha-me ao Cisindo, 2 ou 3 km da Cidade. Aqui, viaturas para Luanda, Huambo e outros destinos, aguardam paciente e ordenadamente por passageiros. A ordem de chegada é cumprid
a pelos condutores.

Sobre estrada esburacada e poeirenta, mas com asfaltagem à porta, transpomos marcos importantes. Primeiro o desvio para Chitembo/Kuando Kubango. Antes, passamos por uma ponte provisória que obriga o condutor a uma perícia. Um buraco ao longo da travessia tem de ser acertado ao meio da largura dos eixos.

O rio chama-se Kukema e lembra terríveis combates entre as forças governamentais e da rebelião nos idos anos de 1993 e 1997. Dos dois lados da rodovia objectos de guerra legados à história lembram combates mortíferos que nos levam à reflexão sobre o quanto perdemos ao longo de anos inglórios.

Os nativos esforçam-se em esquecer as mágoas e não comentam. Os visitantes também não perguntam , embora curiosos, evitando que alguém lance farpas. A única voz que se sobrepõe é a do motor diesel da viatura Hiace.

Mais adiante está o Chinguar. Aqui passará o comboio, na sua ligação ao Kunje, (outra localidade que a guerra tornou famosa) para abastecer a cidade do Kuito. São apenas 2 ou 3 km do Kuito ao Kunje.

Na vila do Chinguar o mutismo desaparece e contam-se pequenas estórias sobre os benefícios da paz e sobre as casas velhas que a juventude reclama a todo o custo para reabilitar, mas que o governo não dá.

Atravessa-se a ponte ferroviária e sugam-se mais alguns quilómetros. Não muitos e entramos na vila de Katchiungo, município da província do Huambo.

Aqui a construção de uma grande obra a mando do Ministério da Educação ressalta à vista.

_Um Instituto Médio, se calhar. Murmura-se.

A estrada não pára, nem o carro. Entre buracos e asfalto vai-se alterando a aceleração e o percurso conduz-nos ao Bailundo e não mais à capital do Huambo. O percurso é para mim novidade.

Por embalas e comunas, fazendas e casas de pequeno comercio rural ganham rostos.

De metro a metro estacas delimitam a nova largura da estrada. Dez metros de plataforma ao invés dos actuais oito. Reconstrução da via em curso até que atingimos um trecho da via pouco maltratado pelo tempo e inacção humana. Uma senhora da casa dos 35 solta a voz e resmunga no seu “portumbundu”.

-É graças ao mano Mais Velho que esta estrada ficou assim boa.

Insulto para alguns e elogio para outros. O auditório prefere que o vento se encarregue das palavras, o mesmo vento que leva a música tocada por um rádio tosco.

Terminado o bendito trecho, novamente se dança aos saltos. Adiante se vislumbra uma clareira.

_ É a pista do Bailundo, alertou o motorista, pelo que me lembrei lá ter estado por duas vezes.

No Bailundo contam-se também pequenas estórias sobre a pista, a morte de Valentim Amões que tanto investiu naquela circunscrição e que podia ali aterrar o avião que o matou, se a montanha não se tivesse antecipado. Fala-se ainda sobre o Bunker de Savimbi (na foto), e eu falo sobre a História da criação deste reino do Mbalundu: “foram os nossos ancestrais da Kibala que o fundaram”.

Uns crentes e outros descrentes, o vento mais uma vez se encarrega das palavras.

No largo cívico da municipalidade três placas indicam os destinos: Huambo, Mungo e Alto Wama.

Tomamos o destino frontal que vai ao Wama. De repente o telefone toca. Entre companheiros de viagem fazem-se caras dóceis e outras inamistosas. Levanto o rosto e cruzo olhares com uma bandeira da Unita. O toque de chamada do meu telefone era o hino do Mpla e entendi a mensagem.

A mulher que me pedira para que a pontualizasse sempre que chegasse a um sitio com sinal telefónico perguntou pela minha localização e o porquê do silêncio.

Argumento que no Bailundo só havia Unita (Unitel), telefone que estava sem saldo. O Mpla (Movicel) tocaria no Alto Wama uma hora depois.

ALTO WAMA/PEDRA ESCRITA

O 4 de Fevereiro estava ao meio. Mal entramos para a novel estrada, negra de riscas brancas no meio e laterais, o polícia mostra ser a sua vez de “matar a sede”. Pedem-se documentos do condutor e da viatura mas parecem dizer menos do que mil kuanzas. O motorista desfaz-se dele “pagando”.

Era a segunda vez naquela viagem e outras tantas se seguiriam no Waco, Kibala e desvio da Munenga. Desta vez fico na aldeia de Pedra Escrita onde reside a minha mãe.

O relógio marcava 16 horas. Cheguei. Meu espanto foi que o bairro estava reunificado. É hoje apenas uma unidade que dizem ter sido nada fácil. A minha curiosidade procura pela escola e o centro médico que julgava existirem e a população responde que não havia.

Enquanto aguardo pelo regresso da “minha velha” que foi à lavra, recordo os anos da minha primária, dos quilómetros percorridos à pé, das escolas construídas com adobes feitos pelos alunos mais velhos e pelos pais, das carteiras de munzaza, das lavras dos professores que cultivávamos e das palmatórias na hora da tabuada, e resmungo.

-Como isso regrediu! Bons valores diluíram-se com a guerra e já ninguém quer saber do futuro!

Luciano Canhanga

domingo, março 02, 2008

OS SENHORES DA OBRA

RASGANDO A SELVA III

QG, MC21, CIF, BCOM, entre outras construtoras, são nomes que fazem estórias e que deixarão história sobre a reconstrução das estradas angolanas.

De Luanda ao Dondo, do Dondo à Kibala/Waco Kungo/Alto Wama/Huambo/Bié, enfim, toda Angola, até onde pára a "civilização universal", são milhares de quilómetros em reconstrução e construção, serpenteando a selva.

Montanhas rasgadas, margens fluviais unidas ou reunidas, enhãlas (anharas) ou prados cortados, planaltos trepados, enfim. Uma Angola que ajudam a reencontrar-se.

Assim é a reconstrução do país saído de uma guerra de 41 anos (1961/2002) sem grandes obras e em muitos casos sem manutenção sequer. Uma reconstrução que se canta e conta sob várias versões e em várias línguas que a assiste.

O objectivo maior é fazer e refazer, permitir a comunicação e juntar povos. Aldeias antes ilhadas estão hoje unidas e fornecem ajudantes para as grandes obras de restauro. “Serão os mestres do amanhã e que garantirão a manutenção e continuidade da empreitada”, desabafa um encarregado brasileiro abordado sobre a mão de obra local.

Pois é. É a mais valia que se espera da cooperação estrangeira. Para quem tem 1.246.700 km dilacerados pelo conflito é tanta empreitada para poucos obreiros.

Bem haja!

Luciano Canhanga

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

PEDRA ESCRITA (LIBOLO): NOTAS ESPARSAS I


Aldeia de Pedra Escrita, 279 Km de Luanda, Estrada Nacional 120, há meio caminho entre Dondo e Kibala.

O fim da guerra serviu para juntar os vários povoados que se espalhavam pela região, numa extensão de aproximadamente 10 Km. A fusão é atribuída ao Tenente Coronel Infeliz, n’altura Comandante do Regimento das Forças Armadas estacionadas no município.

  • Conta-se que os aldeões foram forçados a abandonar as residências permanentes nas lavras e formar uma aldeia unificada, o que por si só pode resultar em muitos ganhos colectivos. Hoje, todos se orgulham deste facto, na altura mal encarado.

  • Habitantes de aldeias mais distanciadas da estrada asfaltada seguiram o exemplo dado pelos seus familiares, ainda nos anos oitenta do século XX, fazendo da Pedra Escrita uma das maiores aldeias da Comuna da Munenga, Município do Libolo.
  • Cálculos demográficos apontam para cerca de mil famílias que multiplicado pelo número de agregado, variável entre 5 a 7 indivíduos, nos dá a ideia de poder contar com uma média de 5 a 7 mil habitantes.
  • Para quem viveu na Pedra Escrita ou que lá tenha nascido, mas que há muito deixou de lá viver, o reencontro com a comunidade é sempre motivo de regozijo, quanto mais reencontrar uma aldeia que cresceu demográfica e economicamente. O fim da guerra e a consequente sedentarização permite hoje às famílias construir casas semi-permanentes, juntar alguns recursos e adquirir meios como: chapas de zinco, móveis, electro-domésticos, geradores, motorizadas e até viaturas, algo inimaginável no passado.
  • Porém, se nesse aspecto a comunidade parece ter evoluído, há aspectos em que a colectividade regrediu. Reporto-me à educação, cuidados médicos e sanidade do meio e outras preocupações comunitárias. É que não existem escolas, posto médico, latrinas nem espaços de lazer público.

    No passado, a que assisti como beneficiário, eram as comunidades que construiam a escola, cabendo ao comissariado comunal a indicação do professor que pelo facto de a sua actividade permanente ser o ensino, era alimentado pela comunidade.

  • E mais. Enquanto as nossas mães contribuíam com alguns alimentos, nós os alunos efectuávamos campanhas aos sábados na pequena lavra do professor, encurtando desta feita a sua dependência alimentar da comunidade.

  • Hoje, mesmo com a aldeia triplicada, estas iniciativas desapareceram. Escola, posto médico, Jango comunitário, fontanário, casas de banho e latrinas familiares e ou colectivas afiguram-se como necessidade urgente para diminuir doenças como as diarreias, bilharzioze, entre outras, educar as crianças, alfabetizar os adultos e tratar dos detritos, etc. Iniciativas comunitárias podem encorajar ONG e outros doadores à causa.

  • Repousam-me ainda na memória os quilómetros percorridos, à pé, da Fazenda Israel ao Calombo, do Rimbe à Fazenda Israel, do Rimbe ao que é hoje a aldeia de Pedra Escrita, entre outras peripécias, sempre à procura do aprimoramento intelectual. São distâncias que as crianças de hoje não têm necessidade de percorrer,dada a fusão dos aglomerados populacionais que circundavam a Fazenda Israel. Porém, falta a organização que tiveram os pais do antigamente, já que hoje, os mais pequenos perdem a possibilidade de usufruir de um dos seus direitos mais elementares, a educação.

  • Os pais de ontem já estão sem forças ou já se foram. E por incrível que pareça, os pais de "hoje em dia" esqueceram-se que têm de dar formação aos seus rebentos, sentam-se à sombra da bananeira apreciando um "bom" Kaporroto de dondi.
  • É pena que falte por lá quem provoque um debate e se encontre, sobretudo, "quem coloque o sino ao pescoço do gato". Enfim, falta organização e iniciativas por parte dos aldeões, um facto que deixa entristecido quem por lá tenha nascido e ou vivido e que, por amor ao cordão, anseia por uma vida digna aos seus.

  • Luciano Canhanga

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

LIBOLO: NOTAS ESPARSAS

Um município que se desenvolve e uma vila (Calulo) que cresce.

Libolo, província do Kuanza-Sul é circundado pelos municípios de Kambambe (K-Norte) Cacuso (Malange), Quissama (Bengo) e Quibala e Mussende (K-sul).

Quem vai hoje ao Libolo, quer seja no sentido Dondo/Kibala ou inverso, encontra um município em franco desenvolvimento e crescimento económico.

A Estrada Nacional 120 que o corta pelo meio está toda reabilitada e reasfaltada. Muitas antigas infraestruturas destruídas pela acção da guerra foram ou estão a ser reerguidos, enquanto que outras novas crescem em todas as comunas e aldeias.

Dizem uns que é por custa do Higino Carneiro, um filho da terra e que tem a seu leme o Ministério das Obras Públicas, depois de ter passado pelo Governo da Província do Kuanza-Sul.

Verdade ou exagero , melhor oportunidade não teriam os mona bata de ver a sua "motherland" a mudar a olhos vistos.

Passei pelo Libolo numa viagem ao Kuito/Bié (ida e volta) entre 24 Jan. e 6 Fev. tendo voltado à aldeia de Pedra Escrita e Calulo no dia 15 de Fevereiro.

O que pude ver é, deveras, impressionante. Na vila o asfalto foi estendido até a zonas nunca antes pensadas. O castanho pueril cedeu ao negro asfáltico em todas as ruas da pequena urbe, que se alarga com a construção de novos condomínios e asfaltagem de ruas antes entregues à progressão de ravinas (Rua da Missão, Estrada da Cabuta, Bairro Azul, etc.). E como que a pintar de colorido a nossa capital municipal foi construído de raiz um estádio de futebol ao caminho do Kassequel e com as ruas de acesso também asfaltadas.

Talvez se excedam as más línguas que atribuem todas essas realizações unicamente ao General Higino. Mas de todas as maneiras, foi ele quem levou ao governo da Província Serafim do Prado (do Hammer). Também foi ele, enquanto governador da província, que colocou na administração da municipalidade Luís Carneiro (seu irmão). Foi ainda ele que convidou outros governantes com faro empresarial a investirem no Libolo. Tudo isso são mais valias ...

E os investimentos públicos nas estradas também são visíveis. A EN120 que nos leva ao Huambo, passando por Dondo, Kibala, Waco e Alto Wama, bem como o desvio da Munenga a Calulo tornaram-se pistas que convidam à condução automóvel.

E lembro a passagem curta do Luís Carneiro, em conversa com o meu primo polícia quando dizia: "Aqui a prioridade é para os da terra com capacidade de investir".
E um recado do administrador, Kota "Luizito", pra mim, depois de me ter apresentado como jornalista:
_"Vocês, há os que só falam o que não vêm. Olha bem e escreve ou fala tudo...".
Sejam ou não obras exclusivas do General Higino, bem haja!

Luciano Canhanga

terça-feira, janeiro 01, 2008

UM CIDADÃO DO MUNDO CHAMADO XANANA


Xanana Gusmão, antigo presidente Timorense e actual Primeiro-Ministro daquele país, é sem dúvidas um cidadão do mundo.

Estamos habituados a ver cadastros de homens das artes (cinema, televisão, música, jornalismo, pintura, etc...etc) no Hi5 e noutros locais de relacionamento virtual. Mas Políticos e com estatura presidencial, nunca. Se há, são poucos exemplos e destes poucos, Xanana é um deles.

De principio não acreditei quando vi a foto e o nome. Tive que abrir as fotos e os comentários feitos pelo autor, bem como os outros feitos pelos visitantes, e, concluí que era de facto página do líder timorense.

Xanana, apesar de grandes responsabilidades estaduais, gasta um pouco de tempo com amigos virtuais, respondendo a mensagens e adicionando outros ao seu leque de amigos. Assim mesmo como faz qualquer um cidadão do mundo.

Caso para dizer que Xanana o é, e em nada fica atrás.


Soberano Canhanga

sábado, dezembro 22, 2007

QUANDO A "MINHA PESTE" SARAR...


Desde Outubro último que muitos me vêem como "verme", como infectado por uma peste transmissível e mortal. Tudo devido a uma cabala que me foi montada por gente bem conhecida.

Mas é certo que quando a "minha peste" sarar, e porque sempre terminará, muitos virão procurar-me.

Só espero que não venham com conversa fiada e lágrimas de crocodilo à mistura.


Não tarda volto a ser HOMEM.

Canhanga

terça-feira, dezembro 18, 2007

SE A POLÍCIA NOS DEFENDE DOS BANDIDOS QUEM NOS DEFENDE DELA?



Comandante-geral da Polícia Nacional

ANGOP, 18/12 - O comandante geral da Polícia Nacional, comissário-geral Ambrósio de Lemos, criou hoje, terça-feira, uma comissão para averiguar o registo de incidentes registados em Luanda, que envolveram a utilização indevida de armas de fogo por parte de alguns elementos afectos à Polícia Nacional.

Segundo uma nota do Comando-Geral da Polícia Nacional, como resultado dos incidentes, que chocaram a sociedade e provocaram dor e luto em algumas famílias, dois elementos da corporação alvejaram mortalmente, segunda-feira, dois jovens que se encontravam a encenar, tendo um terceiro ficado ferido.

Hoje, refere o documento, dois outros agentes atingiram mortalmente um jovem ambulante no Mercado do Roque Santeiro, situado no município do Sambizanga (Luanda).

Em ambos os casos, os quatro agentes foram imediatamente detidos e tudo está a ser feito para que se constituam os competentes processos-crime, que transitarão para o tribunal, através do Ministério Público para serem julgados em função dos condenáveis actos por eles praticados, adianta a missiva.

Nesta senda, a comissão ora criada deverá apresentar os resultados do seu trabalho no prazo de oito dias, estando a Polícia Nacional, com essa atitude, a procurar demonstrar o seu compromisso com a legalidade, transparência e com a sociedade, pautando assim pelos princípios elementares presentes num estado democrático e de direito, em que a liberdade da pessoa humana se afigura como um pilar da democracia.

"É apanágio da Polícia Nacional garantir a segurança do cidadão, pelo que acções contrárias a este princípio devem ser oportuna e exemplarmente combatidas", lê-se no documento.

Os trabalhos da comissão não invalidam todos os outros trâmites em curso no sentido de apurar responsabilidades individuais, pelo que, devido a gravidade da infracção, está igualmente em curso um processo que poderá resultar na expulsão dos infractores dos quadros da Polícia Nacional.

No documento, a Polícia reitera a sua missão de continuar a tomar medidas para o rigoroso cumprimento das regras básicas de actuação policial, no sentido de acabar com este tipo de atitudes.

S.C.

sábado, dezembro 15, 2007

NIEMEYER: CEM ANOS DE CONCRETO


"Se a recta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito”. Esta é uma das frases mais célebres de Oscar Niemeyer, arquitecto brasileiro que completou 100 anos no dia 15 de Dezembro 2007.

A agência do Rio de Janeiro escreve que Niemeyer “criou prédios que poderiam ser considerados esculturas, entre eles, os prédios de Brasília”.

Para além da arquitectura, Niemeyer é também uma grande enciclopédia histórica. Basta notar que viveu a I Guerra Mundial, o surgimento do primeiro Estado comunista do Mundo (URSS), a morte da Sociedade das Nações, o surgimento dos ultra-nacionalistas (Nazistas), a II Guerra Mundial, o nascimento da ONU, a Guerra Fria, as guerras para as independências das antigas colónias europeias na África e Ásia, a ruptura do Socialismo e vários outro acontecimentos. E note que Niemeyer assume-se como um comunista…

O projector da “nova” capital federal brasileira (Brasília) é também tido como um possível arquitecto do que se espera ser a nova capital angolana, ou no mínimo, a nova Luanda.

Mais anos se desejam a Niemeyer e mais sonhos em concreto (cimento).

sexta-feira, novembro 09, 2007

A MORTE NÃO LEVA OS IMORTAIS


MOÇAMBICANOS assassinos, malditos assassinos. Calaram a voz, mas ficou a música. "Nobody can stop reggae because reggae is strong". Cantou Lucky Dube, o astro sul-africano do reggae, morto a tiros em Johannesburgo, na África do Sul.


A morte assassina chamou-o aos 43 anos, mas é sabido que Luky não morreu porque os imortais nunca vão.


A sua música de intervenção contra a segregação racial, e mais tarde apelos à unificação, como "different colors one people", imortalizaram-no.


Lembro que o seu primeiro álbum chama-se "Rasta Never Die". Seguiram-se Slave, Prisoner e Together as One, entre outros que o imortalizam.


No total 21 álbuns, sendo o último Respect. Um respeito que os bandidos não tiveram.


A morte não leva os imortais

Long life Lucky Dube

Long Life Reggae


Let's live together as one


domingo, outubro 21, 2007

terça-feira, outubro 02, 2007

QUANDO AS FAPLA CHEGAR(EM)...


Hoje vivi um daqueles dias que ninguém quer ter.
O esforço e o cansaço já vinham de ontem, porém hoje foi o atingir do pico.
Confesso que se fosse máquina estaria a fumegar. É também hoje dos poucos dias em que tento chamar a veia imaginadora e não consigo. Geralmente quando estou cansado islolu-me. E Sempre que me isolado reflito e ou abstraiu-me. Hoje nada!
Apenas lembrei-me de uma antiga canção, daqueles tempos do "Angola Combatente" da RNA, e que rezava:

C- "Quando as Fapla's chegar(em) é melhor desaparecer"
R- "Bandido"

De Bis em Bis vou tentando "me recompor".

Foto: MIG das Fapla na Batalha do Cuito Cuanavale 1988

Luciano Canhanga