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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

PEDRA ESCRITA (LIBOLO): NOTAS ESPARSAS I


Aldeia de Pedra Escrita, 279 Km de Luanda, Estrada Nacional 120, há meio caminho entre Dondo e Kibala.

O fim da guerra serviu para juntar os vários povoados que se espalhavam pela região, numa extensão de aproximadamente 10 Km. A fusão é atribuída ao Tenente Coronel Infeliz, n’altura Comandante do Regimento das Forças Armadas estacionadas no município.

  • Conta-se que os aldeões foram forçados a abandonar as residências permanentes nas lavras e formar uma aldeia unificada, o que por si só pode resultar em muitos ganhos colectivos. Hoje, todos se orgulham deste facto, na altura mal encarado.

  • Habitantes de aldeias mais distanciadas da estrada asfaltada seguiram o exemplo dado pelos seus familiares, ainda nos anos oitenta do século XX, fazendo da Pedra Escrita uma das maiores aldeias da Comuna da Munenga, Município do Libolo.
  • Cálculos demográficos apontam para cerca de mil famílias que multiplicado pelo número de agregado, variável entre 5 a 7 indivíduos, nos dá a ideia de poder contar com uma média de 5 a 7 mil habitantes.
  • Para quem viveu na Pedra Escrita ou que lá tenha nascido, mas que há muito deixou de lá viver, o reencontro com a comunidade é sempre motivo de regozijo, quanto mais reencontrar uma aldeia que cresceu demográfica e economicamente. O fim da guerra e a consequente sedentarização permite hoje às famílias construir casas semi-permanentes, juntar alguns recursos e adquirir meios como: chapas de zinco, móveis, electro-domésticos, geradores, motorizadas e até viaturas, algo inimaginável no passado.
  • Porém, se nesse aspecto a comunidade parece ter evoluído, há aspectos em que a colectividade regrediu. Reporto-me à educação, cuidados médicos e sanidade do meio e outras preocupações comunitárias. É que não existem escolas, posto médico, latrinas nem espaços de lazer público.

    No passado, a que assisti como beneficiário, eram as comunidades que construiam a escola, cabendo ao comissariado comunal a indicação do professor que pelo facto de a sua actividade permanente ser o ensino, era alimentado pela comunidade.

  • E mais. Enquanto as nossas mães contribuíam com alguns alimentos, nós os alunos efectuávamos campanhas aos sábados na pequena lavra do professor, encurtando desta feita a sua dependência alimentar da comunidade.

  • Hoje, mesmo com a aldeia triplicada, estas iniciativas desapareceram. Escola, posto médico, Jango comunitário, fontanário, casas de banho e latrinas familiares e ou colectivas afiguram-se como necessidade urgente para diminuir doenças como as diarreias, bilharzioze, entre outras, educar as crianças, alfabetizar os adultos e tratar dos detritos, etc. Iniciativas comunitárias podem encorajar ONG e outros doadores à causa.

  • Repousam-me ainda na memória os quilómetros percorridos, à pé, da Fazenda Israel ao Calombo, do Rimbe à Fazenda Israel, do Rimbe ao que é hoje a aldeia de Pedra Escrita, entre outras peripécias, sempre à procura do aprimoramento intelectual. São distâncias que as crianças de hoje não têm necessidade de percorrer,dada a fusão dos aglomerados populacionais que circundavam a Fazenda Israel. Porém, falta a organização que tiveram os pais do antigamente, já que hoje, os mais pequenos perdem a possibilidade de usufruir de um dos seus direitos mais elementares, a educação.

  • Os pais de ontem já estão sem forças ou já se foram. E por incrível que pareça, os pais de "hoje em dia" esqueceram-se que têm de dar formação aos seus rebentos, sentam-se à sombra da bananeira apreciando um "bom" Kaporroto de dondi.
  • É pena que falte por lá quem provoque um debate e se encontre, sobretudo, "quem coloque o sino ao pescoço do gato". Enfim, falta organização e iniciativas por parte dos aldeões, um facto que deixa entristecido quem por lá tenha nascido e ou vivido e que, por amor ao cordão, anseia por uma vida digna aos seus.

  • Luciano Canhanga

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

LIBOLO: NOTAS ESPARSAS

Um município que se desenvolve e uma vila (Calulo) que cresce.

Libolo, província do Kuanza-Sul é circundado pelos municípios de Kambambe (K-Norte) Cacuso (Malange), Quissama (Bengo) e Quibala e Mussende (K-sul).

Quem vai hoje ao Libolo, quer seja no sentido Dondo/Kibala ou inverso, encontra um município em franco desenvolvimento e crescimento económico.

A Estrada Nacional 120 que o corta pelo meio está toda reabilitada e reasfaltada. Muitas antigas infraestruturas destruídas pela acção da guerra foram ou estão a ser reerguidos, enquanto que outras novas crescem em todas as comunas e aldeias.

Dizem uns que é por custa do Higino Carneiro, um filho da terra e que tem a seu leme o Ministério das Obras Públicas, depois de ter passado pelo Governo da Província do Kuanza-Sul.

Verdade ou exagero , melhor oportunidade não teriam os mona bata de ver a sua "motherland" a mudar a olhos vistos.

Passei pelo Libolo numa viagem ao Kuito/Bié (ida e volta) entre 24 Jan. e 6 Fev. tendo voltado à aldeia de Pedra Escrita e Calulo no dia 15 de Fevereiro.

O que pude ver é, deveras, impressionante. Na vila o asfalto foi estendido até a zonas nunca antes pensadas. O castanho pueril cedeu ao negro asfáltico em todas as ruas da pequena urbe, que se alarga com a construção de novos condomínios e asfaltagem de ruas antes entregues à progressão de ravinas (Rua da Missão, Estrada da Cabuta, Bairro Azul, etc.). E como que a pintar de colorido a nossa capital municipal foi construído de raiz um estádio de futebol ao caminho do Kassequel e com as ruas de acesso também asfaltadas.

Talvez se excedam as más línguas que atribuem todas essas realizações unicamente ao General Higino. Mas de todas as maneiras, foi ele quem levou ao governo da Província Serafim do Prado (do Hammer). Também foi ele, enquanto governador da província, que colocou na administração da municipalidade Luís Carneiro (seu irmão). Foi ainda ele que convidou outros governantes com faro empresarial a investirem no Libolo. Tudo isso são mais valias ...

E os investimentos públicos nas estradas também são visíveis. A EN120 que nos leva ao Huambo, passando por Dondo, Kibala, Waco e Alto Wama, bem como o desvio da Munenga a Calulo tornaram-se pistas que convidam à condução automóvel.

E lembro a passagem curta do Luís Carneiro, em conversa com o meu primo polícia quando dizia: "Aqui a prioridade é para os da terra com capacidade de investir".
E um recado do administrador, Kota "Luizito", pra mim, depois de me ter apresentado como jornalista:
_"Vocês, há os que só falam o que não vêm. Olha bem e escreve ou fala tudo...".
Sejam ou não obras exclusivas do General Higino, bem haja!

Luciano Canhanga

terça-feira, janeiro 01, 2008

UM CIDADÃO DO MUNDO CHAMADO XANANA


Xanana Gusmão, antigo presidente Timorense e actual Primeiro-Ministro daquele país, é sem dúvidas um cidadão do mundo.

Estamos habituados a ver cadastros de homens das artes (cinema, televisão, música, jornalismo, pintura, etc...etc) no Hi5 e noutros locais de relacionamento virtual. Mas Políticos e com estatura presidencial, nunca. Se há, são poucos exemplos e destes poucos, Xanana é um deles.

De principio não acreditei quando vi a foto e o nome. Tive que abrir as fotos e os comentários feitos pelo autor, bem como os outros feitos pelos visitantes, e, concluí que era de facto página do líder timorense.

Xanana, apesar de grandes responsabilidades estaduais, gasta um pouco de tempo com amigos virtuais, respondendo a mensagens e adicionando outros ao seu leque de amigos. Assim mesmo como faz qualquer um cidadão do mundo.

Caso para dizer que Xanana o é, e em nada fica atrás.


Soberano Canhanga

sábado, dezembro 22, 2007

QUANDO A "MINHA PESTE" SARAR...


Desde Outubro último que muitos me vêem como "verme", como infectado por uma peste transmissível e mortal. Tudo devido a uma cabala que me foi montada por gente bem conhecida.

Mas é certo que quando a "minha peste" sarar, e porque sempre terminará, muitos virão procurar-me.

Só espero que não venham com conversa fiada e lágrimas de crocodilo à mistura.


Não tarda volto a ser HOMEM.

Canhanga

terça-feira, dezembro 18, 2007

SE A POLÍCIA NOS DEFENDE DOS BANDIDOS QUEM NOS DEFENDE DELA?



Comandante-geral da Polícia Nacional

ANGOP, 18/12 - O comandante geral da Polícia Nacional, comissário-geral Ambrósio de Lemos, criou hoje, terça-feira, uma comissão para averiguar o registo de incidentes registados em Luanda, que envolveram a utilização indevida de armas de fogo por parte de alguns elementos afectos à Polícia Nacional.

Segundo uma nota do Comando-Geral da Polícia Nacional, como resultado dos incidentes, que chocaram a sociedade e provocaram dor e luto em algumas famílias, dois elementos da corporação alvejaram mortalmente, segunda-feira, dois jovens que se encontravam a encenar, tendo um terceiro ficado ferido.

Hoje, refere o documento, dois outros agentes atingiram mortalmente um jovem ambulante no Mercado do Roque Santeiro, situado no município do Sambizanga (Luanda).

Em ambos os casos, os quatro agentes foram imediatamente detidos e tudo está a ser feito para que se constituam os competentes processos-crime, que transitarão para o tribunal, através do Ministério Público para serem julgados em função dos condenáveis actos por eles praticados, adianta a missiva.

Nesta senda, a comissão ora criada deverá apresentar os resultados do seu trabalho no prazo de oito dias, estando a Polícia Nacional, com essa atitude, a procurar demonstrar o seu compromisso com a legalidade, transparência e com a sociedade, pautando assim pelos princípios elementares presentes num estado democrático e de direito, em que a liberdade da pessoa humana se afigura como um pilar da democracia.

"É apanágio da Polícia Nacional garantir a segurança do cidadão, pelo que acções contrárias a este princípio devem ser oportuna e exemplarmente combatidas", lê-se no documento.

Os trabalhos da comissão não invalidam todos os outros trâmites em curso no sentido de apurar responsabilidades individuais, pelo que, devido a gravidade da infracção, está igualmente em curso um processo que poderá resultar na expulsão dos infractores dos quadros da Polícia Nacional.

No documento, a Polícia reitera a sua missão de continuar a tomar medidas para o rigoroso cumprimento das regras básicas de actuação policial, no sentido de acabar com este tipo de atitudes.

S.C.

sábado, dezembro 15, 2007

NIEMEYER: CEM ANOS DE CONCRETO


"Se a recta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito”. Esta é uma das frases mais célebres de Oscar Niemeyer, arquitecto brasileiro que completou 100 anos no dia 15 de Dezembro 2007.

A agência do Rio de Janeiro escreve que Niemeyer “criou prédios que poderiam ser considerados esculturas, entre eles, os prédios de Brasília”.

Para além da arquitectura, Niemeyer é também uma grande enciclopédia histórica. Basta notar que viveu a I Guerra Mundial, o surgimento do primeiro Estado comunista do Mundo (URSS), a morte da Sociedade das Nações, o surgimento dos ultra-nacionalistas (Nazistas), a II Guerra Mundial, o nascimento da ONU, a Guerra Fria, as guerras para as independências das antigas colónias europeias na África e Ásia, a ruptura do Socialismo e vários outro acontecimentos. E note que Niemeyer assume-se como um comunista…

O projector da “nova” capital federal brasileira (Brasília) é também tido como um possível arquitecto do que se espera ser a nova capital angolana, ou no mínimo, a nova Luanda.

Mais anos se desejam a Niemeyer e mais sonhos em concreto (cimento).

sexta-feira, novembro 09, 2007

A MORTE NÃO LEVA OS IMORTAIS


MOÇAMBICANOS assassinos, malditos assassinos. Calaram a voz, mas ficou a música. "Nobody can stop reggae because reggae is strong". Cantou Lucky Dube, o astro sul-africano do reggae, morto a tiros em Johannesburgo, na África do Sul.


A morte assassina chamou-o aos 43 anos, mas é sabido que Luky não morreu porque os imortais nunca vão.


A sua música de intervenção contra a segregação racial, e mais tarde apelos à unificação, como "different colors one people", imortalizaram-no.


Lembro que o seu primeiro álbum chama-se "Rasta Never Die". Seguiram-se Slave, Prisoner e Together as One, entre outros que o imortalizam.


No total 21 álbuns, sendo o último Respect. Um respeito que os bandidos não tiveram.


A morte não leva os imortais

Long life Lucky Dube

Long Life Reggae


Let's live together as one


domingo, outubro 21, 2007

terça-feira, outubro 02, 2007

QUANDO AS FAPLA CHEGAR(EM)...


Hoje vivi um daqueles dias que ninguém quer ter.
O esforço e o cansaço já vinham de ontem, porém hoje foi o atingir do pico.
Confesso que se fosse máquina estaria a fumegar. É também hoje dos poucos dias em que tento chamar a veia imaginadora e não consigo. Geralmente quando estou cansado islolu-me. E Sempre que me isolado reflito e ou abstraiu-me. Hoje nada!
Apenas lembrei-me de uma antiga canção, daqueles tempos do "Angola Combatente" da RNA, e que rezava:

C- "Quando as Fapla's chegar(em) é melhor desaparecer"
R- "Bandido"

De Bis em Bis vou tentando "me recompor".

Foto: MIG das Fapla na Batalha do Cuito Cuanavale 1988

Luciano Canhanga

domingo, setembro 23, 2007

OUTROS TEMPOS IX


São 7h e 21 de Domingo, dia 23 de Setembro. Naquele tempo era o período da retomada das aulas no ensino geral (primário). E lembro-me do ingresso na OPA que era simultâneo à entrada na escola do povo. Minha estreia (na pré-kabunga) foi em 1981. E cantávamos.
- Bom dia camarada professor. Pioneiro de Agostinho Neto na Construção do Socialismo, Tudo pelo povo.
E eram bons tempos para aquela infância despreocupada. Sem Games, tão pouco Ply stations e outros inventos de agora. Computador? - Quem ouvia falar nisso?- Ninguém (na buala).
E vieram em 1983 os confrontos entre os Cdas das Fapla e a unita. E fomos recuando, recuando. Antes só se recuava não haviam deslocados como se diz agora. Éramos recuas. Acompanhávamos os (des)avanços das gloriosas Faplas.
Tanto recuamos, minha mãe, minhas três irmãs e eu (pois já éramos órfãos de pai desde 1982) que chegamos a Luanda. Cidade grande e alheia. Tínhamos que ser "baptizados". A mãe nos negócios do género (comida da loja), eu o mais velho a ajudá-la e às vezes fazendo o meu próprio negócio para suportar a compra de cadernos e roupa. Mais à vontade as minhas irmãs, "zerando", ou seja, jogado ao zero.

E voltei para a escola. Sem documentos tive de recomeçar na segunda classe, quando no Libolo já trilhava a terceira. -Que fazer???
Estávamos em Setembro de 1984. Entrei na Sala 18 da escola 518 do Rangel. Era professor da turma o meu primo Arnaldo Manuel Carlos. Enquanto professor (da brigada Comandante Dangereux) tinha conseguido se reenquadrar em Luanda, pois, naquele tempo se dizia "O Professor é um combatente da linha da frente para acabar com o obscurantismo e criar o homem novo". Hoje é Primeiro Superintendente da Polícia.

No Baptismo os bandidinhos de Luanda não deixaram de exercer sua influência. E na Quarta classe perdi os documentos ficando sem realizar o exame final. O Destino foi um avanço. Regresso à terra para ganhar juízo. E ganhei. O meu regresso à "Metrópole", em 1990 já era um adolescente e com a sexta feita e foi motivado por um outro recúo. A guerra piorou. Os professores doutras terras tinham ido embora e não haveria em 1990 o terceiro nível na Escola Nkuame Krumah.
Posto em Luanda, já não éramos nós que nos despedíamos com o _ Até manhã Cda professor, se Deus quiser amanhã viemos mais... eram outras crianças. E o ciclo estava no fim.

Olhando para a degradação de valores em todo o país, penso hoje que tipo de homens constitui a minha geração. O Homem novo sonhado ou um homem até um pouco ultrapassado?

Na foto o meu filho Soberano Canhanga. Juntamente com o Fernando, a Argemara e o kota deles Mociano espero que sejam os "homens" novos.

Luciano Canhanga

domingo, setembro 09, 2007

PARTILHAR ALEGRIA SUADA


Um pouco de exagero, se calhar, no título, mas quero partilhar esta alegria de um amigo, um kota das lides profissionais, que me liga 18 meses depois para anunciar o nascimento da Twene.

Está o meu amigo na casa dos quarenta e tal. Quase quarenta e cinco se não me engano. É unigénito sendo igualmente esta Twene a sua primogénita.

Quis, somente, o meu kota/amigo, saber se na língua do meu berço, o Kimbundo, ou noutras que tenha conhecimentos básicos não representava ofensa.

Primeiro em Kimbundu: juntando a raiz pareceu-me que não. Pois o prefixo tw (indica Plural). Exemplo: twana (filhos). ene (eles)?

E comuniquei com emoção que pode ser palavra vazia. Surgida apenas da junção de dois nomes (paterno e materno) e com alguma queda para a fonia Kimbundu, porém de uma coisa tenho certeza; Nesta língua não é asneira.

Quanto a outras línguas o meu arriscar seria diminuto na medida em que Matuba que em Kikongo é agradecimento e Matondo que é louvor são respectivamente em Kimbundu e Umbundu testículos.

Espero, com esta alegria contagiante, não ter induzido o meu amigo a erro e que a Twene continue a nos dar muitas alegrias.

Na foto: Eu e Argemara Princesa Canhanga ao colo.

Luciano Canhanga

terça-feira, setembro 04, 2007

NÃO DIREI NADA!


Nunca fiz nada
Contra a vossa Pátria
Mas vós
Apunhalastes a nossa!
...
Quero, hoje, 4 de 7mbro homenagear o "poeta maior" e recordar um trecho de sua obra.
Neto faria a 17 de 7mbro 85 anos de idade. Aos 10 de 7mbro completam-se 28 anos da sua partida.

Quanto à actualidade, continuarei a dizer.

imagem "roubada" do blog da Ana Mathaya
Soberano Canhanga

sábado, agosto 25, 2007

DITO E FEITO: ANGOLA CAMPEÃ





Dito e feito: Nos textos que antecederam este eu profetizei: “O jogo será a doer mas é certeza de que a taça, a nona, é nossa”!!!

Vinte horas e 53 minutos. Soava o apito final do árbitro grego da partida entre Angola e Camaões. Mostrava o placard 86;72, 14 ponto de diferença num jogo que conheceu um empate nos primeiros 10 minutos a dez pontos, com 33-31 ao intervalo.

A partida foi testemunhada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que viveu os últimos segundos em pé. Angola conquista o Afrobaket2007, a sua nona taça continental desde 1980, ano em que se estreou na competição.

Olhemos para a trajectória: Final; Angola – Camarões (86;72);

Meia-final: Angola-Cabo Verde (93-60);

Quartos de final: Angola –Rep. Cent. Africana (78-51).

Angola na 1ª fase:

Angola-Rwanda (109-66); Angola-Cabo Verde (100-44)

e Angola-Marrocos (108-58)

CLASSIFICAÇÃO FINAL:

3º Cabo Verde e 4º Egipto (53-51): 5º Nigéria e 6º Tunísia (83-82)

7º República Centro-Africana; 8º Côte d`Ivoire; 9º Senegal;
10º Marrocos; 11º Mali;
12º Rwanda; 13º África do Sul; 14º Moçambique;
15º RD Congo e 16º Libéria.

O Afrobasket 2007 realizou-se, pela 1ª vez na história da organização, em 5 cidades, nomeadamente: Grupo A – Benguela: Angola, Rwanda, Marrocos e Cabo Verde. Grupo B – Huíla: Mali, Senegal, Egipto e Cote d’Divoire. Grupo C – Huambo: Libéria, Nigéria, RD Congo e R.Centro Africana. Grupo D – Cabinda: Camarões, Moçambique, África do Sul e Tunísia. Luanda recebeu os jogos da 2ª fase e da final.

Na foto: PR JES

Luciano Canhanga

JOGOS A DOER...



-Será que Cabo Verde trava Angola? Essa foi a pergunta que me foi colocada no dia 22 de Agosto pela Jornalista Rosa Bengui do Jornal dos Desportos para a edição do dia 23. Na íntegra o texto retirado da página on line do referido jornal.
""AO TELEFONE COM * Luciano Canhanga*

Houve na primeira fase, realizada em Benguela, equipas que definiram bem os seus objectivos, concretamente a passagem à fase seguinte, que agora decorre em Luanda. Foi o caso de Cabo Verde, que tinha vencido apenas o Marrocos e Rwanda. Assim planeado, assim feito.

Com Angola, disse-o o seu treinador, Trovoada, “não interessava gastar 'munições' para não vencer a guerra”. E, Cabo Verde fez o seu jogo, preservando os seus trunfos para aquele que seria o embate decisivo contra o Rwanda.

Já na fase seguinte, em que cada jogo é uma final, as equipas menos dotadas ou menos conceituadas tentam aplicar-se ao fundo para surpreender as grandes. Foi o que assistimos no jogo entre Cabo Verde e Nigéria.

O lema das equipas tidas como menos favoritas tem sido tentar vencer ou então vender a derrota o mais caro possível. Assim também fez a RCA, que tentou surpreender, sem efeito, a Selecção Nacional, pois, veio ao de cima a experiência e maturidade no nosso "cinco" nacional.

Voltando ao jogo da meia-final contra Cabo Verde, julgo que teremos (dia 23/07) uma partida muito disputada. Desta vez a selecção insular não terá trunfos para guardar. Aliás, vai usá-los todos no seu máximo. Então, teremos de pensar em como contornar o "atrevimento" dos cabo-verdianos e também guardar algumas energias para o jogo da final diante do Egipto ou Camarões.

De duas coisas devemos estar certos: A taça é nossa, mas os dois jogos que faltam serão a doer"".

E, dito por mim, feito pela selecção. Hoje, dia 25 de Agosto, termina o campeonato africano de Basquetebol sénior masculino. Angola defronta os Camarões que vieram discretos e sem a fama de candidatos ao título. Tal como Angola os camaroneses não tiveram derrota e o jogo será a doer. Mas retomo o que dissera: O jogo será a doer mas é certeza de que a taça, a nona, é nossa!!!

Luciano Canhanga

Fotografado pelo Mohamed Mociano Canhanga

quarta-feira, agosto 15, 2007

HOJE PÁRA O PAIS


Desde tempos imemoriais que o desporto fez casamento com a política, Sobretudo em tempos de crise.

Os mais experimentados políticos aproveitam grandes eventos desportivos para abafar "incómodos" da política rotineira ou das reclamações dos governados e fazem grandes publicitações dos eventos desportivos, dada a sua vertente unionista e galvanizante.

Hoje que começa o AFROBASQUETE com o jogo Angola/Ruanda, ninguém quererá ouvir outra coisa que não seja sobre a bola ao cesto. Até o Kota Pepino que aos 87 anos se desloca numa bicicleta de Benguela a Luanda fica ofuscado. Assim é o desporto das grandes multidões.

O pais está mobilizado e moralizado para contar os pontos. Os 2 e os 3 pontos à cesta. Nada mais.
Para o esquecimento temporário ficam as malabarices dos candongueiros, os assaltos dos bandidos, os tios das 14zinhas e outros assuntos domésticos.

Assim foi em tempo de guerra. Assim será agora e assim sempre será.

Quem quererá ouvir hoje conversas sobre coisas que não seja o Basquetebol?

-Com certeza que poucos ou ninguém. E assim será até ao erguer da taça, caso tal desiderato seja conseguido.

Caso contrário, os heróis de hoje serão os vilões de amanhã, até retomarmos o nosso dia-a-dia.

E lá, sim. Voltaremos a dar atenção ao gás que queimamos e não temos na cozinha, ao marido que gasta o dinheiro com os amigos na bebedeira, à vizinha desempregada que "comprou" um Prado, aos assaltos dos bandidos, às promessas dos polícias em apanhá-los, aos salários de fome pagos por uns e aos de luxo não trabalhados por outros. Enfim, voltaremos à nossa "guerra social".

Enquanto durar o AFROBASQUETE, até lá, que viva a bola ao cesto!

Soberano Canhanga

quinta-feira, agosto 09, 2007

LÁ SE FOI O "MALOGRADO" HOLDEN

Volto a falar de "idosos malogrados"... Com gente incorrigível o melhor seria é não gastar latim. Já assim fora apelidado o finado Mesquita Lemos, aos 94 anos de idade. Cansaram-se de apregoar que lá se tinha ido o "malogrado"... que teve bons planos que ficaram pelo meio...

Agora é a vez de Holden Roberto. Já apelidado, em vida, de "velho Holden Roberto", o finado foi rebaptizado "jovem", agora na morte, já que só aos jovens que morrem, deixando planos por executar, vida cortada subitamente, se deve tratar de malogrados.

E volto ao dicionário para recordar que Malogro é terminar a vida prematuramente. Nesse caso morte prematura é que é malogro.


So não sei se por ter sonhado ver a FNLA reerguida, como também se apregoou, que ele mesmo dividiu ao não fazer renovação de mandatos em mais de 40 anos, se possa dizer que a morte de Holden tenha sido um malogro. Ou dito de outra forma, os autores do malogro talvez pretendessem que o Velho morresse somente aos 200 anos depois de reunificar a FNLA.

Pelo contributo que teve na luta pela emancipação do pais, ele merece, e como mereceu, honras de Estado. Aliás, devia tê-las ainda em vida. Mas malogro não foi... não.

Pena é que a Rádio e televisão do Estado e também a ANGOP se tenham cansado de apregoar a morte do Velho Holden como um malogro, como se a nossa esperança de vida fosse até aos 150 anos... quando o "Velho" até já tinha vivido duas vidas e tal, se termos em conta que a nossa esperanca de vida anda aí aos 42 anos, que só com muita sorte também se alcançam.

Pronto, ficamos a engolir esses malogros da RNA, TPA, ANGOP e Cia, quando o verdadeiro malogro é a falta de vocábulos para descrever uma dor que a todos directa ou indirectamente atingiu.

Soberano Canhanga

terça-feira, julho 31, 2007

DIA DA MULHER AFRICANA


Ei-la Mulher africana alimentando pelo peito a futura mamã.
É o melhor que há para os recém-nascidos. -Dizem os pediatras e nutricionistas é algo frequente só mesmo no continente berço.

À Irlanda o meu encorajamento pela alimentaçào rica à bebé e à Argemara Princesa Canhanga bom apetite!

E parabéns pelo vosso dia, mulheres africanas.


Soberano Canhanga

quarta-feira, julho 25, 2007

VIVER LUANDA




Em Luanda desde 2 de Julho vou assistindo a "cenas" que só a uma cidade como esta, a capital do país, se podem atribuir.

-Um candongueiro que ultrapassa à direita e mata um oficial da polícia sem que se tivesse dignado em socorrer o sinistrado. O assunto é tema diário da vox populi.

- Um congresso da UNITA em que a TPA e algumas rádios falham a cobertura do encerramento,passando, por isso, imagens de arquivo do congresso anterior. E pior:

Acordou-me no dia 21/07/07 uma chamada telefónica de um amigo que sabe que já não estou no jornalismo activo.

-Epá! vi-te no congresso da UNITA, mas parece que são imagens de 2003.

Ainda bem que legendaram. Porque eu não sou jornalista no activo e membro deste partido nem pensar...- desabafei.

-Assisto tb. a cenas de terrenos revendidos. Outra vez essa?

E desta vez a vítima, quase vítima fui eu mesmo. A minha possessão na Kamadeira II/Viana foi "invadida" por um suposto dono que afinal de contas nem sabia onde comprou... Coisas de Luanda.

Também nesse periodo. A Princesa que se tornou facto. Lá brilha no colo da Landinha desde 17 de Julho.

A completar a alegria de estar em Luanda as recepções calorosas que me foram brindadas nas redacções centrais da RNA, LAC, Jornal dos Desportos e Eclésia. Afinal de contas sou um jornalita que foi ver velhos e recentes amigos de caminhadas.


Muito agradecido, companheiros.

Luciano Canhanga